Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
Mostrando postagens com marcador Luiz Domigues. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Domigues. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 166 - Por Luiz Domingues
Claro que eu fui saber com minha prima, e o namorado dela, o que havia acontecido com o Chico Dias. Eles disseram que o rapaz estava muito deprimido, a sentir saudade de sua cidade; família; amigos e namorada. Até aí, foi legítimo e previsível que sentisse-se dessa forma. Todavia, disseram-me que ele resmungava o tempo todo sobre as dificuldades que estava a sentir na sua adaptação a São Paulo, e também por ter iludido-se em relação à Chave do Sol, pois alegara que quando entrou na banda, pensou que nós estivéssemos a usufruir de um esquema muito maior, em situação de banda mainstream, amparada por uma gravadora major.
Ora, quando o convidamos, deixamos muito claro o patamar onde estávamos; o que desejávamos e os caminhos que precisaríamos percorrer para tal. Portanto, considero inaceitável tal argumento, pois explicamos-lhe muito bem a nossa situação naquele instante. Outro ponto importante, foi que mesmo por estar longe de uma carreira coroada e plena de mordomias inerentes, por considerar-se sermos ainda artista a habitar o degrau "underground", estávamos, na contrapartida, a subirmos muito rapidamente.
Então, se ele não considerava tais conquistas como importantes, foi uma falha de avaliação de sua parte, por inexperiência (muito provavelmente), e uma certa dose de pessimismo, que era uma marca registrada de sua personalidade. Basta reler os capítulos anteriores para o leitor verificar que a agenda da banda, estava em plena expansão, por exemplo. Sem nenhum menosprezo, soberba ou presunção de minha parte, mas ao ser apenas muito realista, nesta análise autobiográfica, duvido que a banda em que ele fazia parte, no interior do Rio Grande do Sul, pudesse chegar nesse patamar, nem em 10% do que estávamos a obter naquele momento de 1984, quando ele entrou em nossa banda.
A despeito de suas dificuldades pessoais (reconheço que foram mesmo difíceis), ele deveria ter esforçado-se para ficar um pouco mais, mesmo por que as perspectivas de melhorias, eram concretas. Faltou-lhe maturidade, haja vista a sua debandada, ao aproveitar-se de nossa ingenuidade em ter acatado a sua comunicação a alegar doença e assim não participar de dois shows consecutivos. E pior, ainda soube que ele ficara "magoado", porque não fomos ao apartamento da Aclimação, para visitá-lo. Ora, tivemos dois shows em São Paulo, e uma viagem para o Rio, tudo seguido. O que ele queria, que cancelássemos tudo para dar-lhe sopa quente na sua boca ? De minha parte, sabia que ele estava amparado pela minha prima; seu namorado e o outro casal que dividia o apartamento / república com eles. Deixei um dinheiro com eles para ajudar nas despesas e comprar eventuais remédios na farmácia que ficava na esquina, sob uma distância menor do que cinquenta metros do apartamento. Enfim, o que pesou mesmo, foi a inaptidão dele para viver longe de sua terra, e do amparo familiar. Isso eu entendo e respeito.
Mas nunca engoli o abandono sumário, ainda mais em uma fase onde tivemos muitos compromissos importantes. Estávamos a lutar para mudar a imagem da banda, e tirante os compromissos, havíamos gasto dinheiro em reformular o release oficial; organizar sessão de fotos etc. Fora os planos para gravar uma demo-tape, o quanto antes, o tempo gasto com ensaios a visar adaptá-lo à banda etc. Ele tinha toda a liberdade para sair, se estava insatisfeito, mas não custava nada ter falado-nos abertamente a sua situação, em uma reunião. A franqueza sobre tais sentimentos que nutria, não teria chocado-nos tanto, certamente, quanto a sua fuga. Enfim, de minha parte, vinte e nove anos depois (escrevi este trecho em 2013 na plataforma do Orkut), é claro que esse evento diminuiu a sua carga emocional, e há muitos anos que nem penso nisso como uma mágoa. Está para lá de perdoado, e espero que perdoe-me também, por eu ter ficado chateado na época, ainda que eu tivesse um motivo forte para tal.
Alguns dias depois, recebemos uma carta manuscrita dele, a pedir-nos desculpas. Dizia-se muito arrependido por ter tido essa atitude não recomendável, mas justificava-se ao alegar tudo o que eu disse acima, sobre a não-adaptação; saudade desmesurada da família; decepção com os recursos da banda etc. Por volta de 1989, com uma outra banda chamada "A Chave / The Key", a viver os seus momentos "pós- Sol", o Zé Luiz disse-me que havia encontrado-se com o Chico Dias a circular por São Paulo. Mais maduro, aproveitou para reiterar o seu pedido de desculpas pelo seu ato cometido em 1984. Menos mal. E muitos anos depois, o Zé Luiz contou-me que novamente havia falado com ele, via telefone, onde conversaram sobre amenidades.
Chico Dias tinha muito potencial vocal, e se lapidado, poderia ter tornado-se um excelente frontman de banda de Rock. Vida que seguiu, ainda em novembro tínhamos compromissos a cumprir, e uma luz surgiu no horizonte, em relação a um novo vocalista em potencial para a banda. Luz, não, mas uma autêntica, "Aurora Boreal"...
Continua...
Marcadores:
A Chave do Sol,
A Chave do Sol Capítulo 166,
Autobiografia de Luiz Domingues,
Chico Dias,
José Luis Dinola,
Luiz Domigues,
Rubens Gióia.
sábado, 7 de dezembro de 2013
Autobiografia na Música - Terra no Asfalto - Capítulo 51 - Por Luiz Domingues
No final de agosto de 1981, o Aru Junior voltou dos Estados Unidos, e com mala & cuia, a trazer toda a sua mobília que havia deixado na América, onde morava com a sua namorada norteamericana.
Na foto, eu com meu querido, Fender Jazz Bass, em um show d'A Chave do Sol, no Centro Cultural São Paulo, em 1988.
Lembro-me do dia em que chegou em São Paulo, quando trouxe o meu primeiro baixo "bom", meu Fender Jazz Bass, em sua bagagem. Essa camaradagem dele em trazer-me esse instrumento, merece a minha gratidão eterna. E conhecemos enfim a sua namorada, a norteamericana, Mary Ellen, que mostrou-se logo de início, simpática e esforçadíssima para aprender o idioma português o mais rápido possível, e reconheço, para os norteamericanos e britânicos é muito difícil, pois mal conseguem diferenciar a nossa língua do castellaño, falado pelos povos hispânicos. Fizemos alguns ensaios para voltarmos à velha forma e a volta foi realizada em uma casa nova, denominada : "Beatles 4 Ever", localizada no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo.
Sem a presença de Sérgio Henriques que estava a excursionar novamente com Elis Regina. Então o quinteto mais estável da carreira da banda foi para o palco com Aru Junior; Wilson Canalonga Junior; Paulo Eugênio Lima; Cido Trindade, e eu, Luiz Domingues. Um bom público compareceu à casa, com duzentas pessoas aproximadamente, nesse dia 5 de setembro de 1981.
E na semana seguinte, estávamos de volta ao Casablanca, com quatrocentas e cinquenta pessoas presentes na noite de 11 de setembro de 1981, exatos vinte anos antes do atentado às torres gêmeas... quem pensaria nessa catástrofe naquela noite de 1981, no Casablanca ? Nesse dia, ocorreu uma história inusitada com a namorada de um dos nossos companheiros. Em um dado momento em que tocávamos, um impetuoso playboy a agarrou e roubou-lhe um beijo. Só eu, da banda, testemunhei essa cena, enquanto tocávamos, ainda bem, pois poderia tornar-se um tumulto se o namorado tivesse presenciado tal cena. Como notei que ela não contou ao namorado no intervalo, mantive-me discreto. Dois dias depois (13 de setembro de 1981), voltamos ao Beatles 4 Ever e dessa vez o público foi muito fraco : apenas vinte e cinco pagantes.
Continua...
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Pedra - Dia 9/11/2013 - 17:00 h. Teatro da Galeria Olido - Centro - São Paulo/SP
Pedra
Dia 9 de novembro de 2013
Sábado - 17:00 h.
Teatro da Galeria Olido
Avenida São João, 473
Centro (ao lado da Galeria do Rock)
São Paulo - SP
Banda de abertura : The Suman Brothers Band
Curadoria de Luiz Calanca (Baratos Afins)
Entrada Gratuita (convites disponíveis na bilheteria, a partir das 16:00 h.)
Marcadores:
Baratos Afins.,
Ivan Scartezini,
Luiz Calanca,
Luiz Domigues,
Pedra,
Rodrigo Hid,
Shows do Pedra,
Suman Brothers,
Teatro da Galeria Olido,
Xando Zupo
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Escolhas...Construindo a Vida ! - Por Telma Jábali Barretto
“Ser ou não Ser. Eis a questão”, ecoando há séculos a frase do escritor.
Lá, mundo e tempo mais tranqüilos, provocavam...hoje, então, nessa diversidade e rapidez do momento que vivemos...a que nos remete ?
"Miles" de solicitações convidam via trabalho, amigos, questões sociais, políticas, filosóficas, científicas e em tempo real.
Quase todo minuto à espera de retorno, uma decisão que nos compete, posicionamento a nos espreitar...
E, entre dúvidas e certezas, construímos nossa estória.
Quase sempre com mais dúvidas que certezas, exatamente..?!....porque os horizontes estão mais largos, mais longínquos emuito, muito mais amplos !
As convivências, e não as virtuais, aumentaram e somos invadidos,
quase que coagidos, a dividir e multiplicar num processo de convívio
cada vez mais rico também, mais livres para expressar e ser quem
queiramos ser... ... ...Opa, opa, epa...?!...
Aí está a tal enunciada questão !!!
Realidade em letras neon multicoloridas piscando, digital ou touch, lembrando da calma, paz necessárias à vida saudável e, é aí mesmo, o convite a não mais aquiescer com aquilo que discordamos que possa tirar aquela tal paz.
O direito à fala a ser exercida da mesma forma que o lembrete do silêncio nos é oferecido.
A omissão/comissão assim como covardia/rebeldia são pratos do todo dia servidos
igualmente à escolha do freguês...muitas vezes bem embalados, outras,
nem tanto, mas deixando ao seu arbítrio o veredito tão laboriosamente conquistado e igualmente, agora, tão ameaçador.
Buscamos e materializamos esse tempo de ir além do certo/errado onde nos cabe, também agora, a maturidade para exercê-la, como num revelador aprendizado de viver no diverso e múltiplo.
Trabalho inicial em si de ser único, solitário, intransferível, que, embora almejado é mais pleno desafio à espera...
Como impactarão as diferenças ?
Elogiadas/criticadas, satisfação/desconforto, estimuladas/amedrontadas ?
Quais parâmetros nortearão ?
Acontece aqui o mérito/demérito do acerto/erro da certeza/dúvida tão presentes no senso atual de responsabilidade individual passando a ser a bússola a nos guiar !
Quem sabe não seja essa a noção de tempo escasso justificada...
Ah ... ... .... sempre tanto a decidir...
Sumiram estradas precisas, caminhos absolutamente seguros que nos levavam lá !
E, que lá ?!...
Plenitude, a ser exercida, em que a escolha é o prêmio dessa forjada liberdade conquistada !
Jaya !!!
Telma
Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira
Civil, é também uma experiente astróloga, consultora para harmonização
de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga.
O tema de hoje, "escolhas", alude ao nosso direito sagrado de exercer o livre arbítrio. Ninguém pode interferir em tais escolhas, a não ser...você mesmo !!
terça-feira, 3 de setembro de 2013
kim Kehl & Os Kurandeiros - Dia 4 de setembro de 2013 - Quarta- feira - 21:30 h. - Magnólia Villa Bar - Lapa - São Paulo / SP
Kim Kehl & Os Kurandeiros
Dia 4 de setembro de 2013
Quarta-Feira - 21:30 h.
Magnólia Villa Bar
Quarta Blues
Rua Marco Aurélio, 884
Lapa
São Paulo / SP
KK & K:
Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues - Baixo
Marcadores:
Carlinhos Machado,
Kim Kehl,
Kim Kehl e os Kurandeiros,
Luiz Domigues,
Magnólia Villa Bar,
Quarta Blues,
Quarta Blues no Magnólia Villa Bar
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 38 - Por Luiz Domingues
"Je Suis Bresilien"(Carlos Melo)
Je suis bresilien
Je suis bresilien
Mais j'habite a Paris
Et je travaile
Et je travaile
Como travesti
Rodo bolsinha na tour Eifell
Meu codinome é Madame Margot
Chega o freguês, levo pro hotel
15% pro gigolô
Lá no Brasil eu só bebia
Vinho Chateau du Valier
Aujord'hui bebo champagne
Como aumentou o meu michê
La politique et la prostitute
Sont tout la même chose
Vejam o exemplo do Miterrand
É socialiste mas só faz pose...
Je suis bresilien
Je suis bresilien
Mais j'habite a Paris
Et je travaile
Et je travaile
Como travesti
Rodo bolsinha na tour Eifell
Meu codinome é Madame Margot
Chega o freguês, levo pro hotel
15% pro gigolô
Lá no Brasil eu só bebia
Vinho Chateau du Valier
Aujord'hui bebo champagne
Como aumentou o meu michê
La politique et la prostitute
Sont tout la même chose
Vejam o exemplo do Miterrand
É socialiste mas só faz pose...
sábado, 4 de maio de 2013
Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Quarteto Toulon) - Capítulo 34 - Por Luiz Domingues
No capítulo do Terra no Asfalto, conto o por quê da parada forçada.
Cabe dizer aqui, que nesses dois meses em que tal banda ficou parada, Paulo Eugênio e Wilson Canalonga Junior estavam resignados por esperar a banda voltar, mas eu e Cido Trindade não podíamos dar-nos a esse luxo, e sendo assim, resolvemos montar uma forma emergencial, uma banda cover, para tocar MPB na noite, nesses meses.
Nessa circunstância, lembrei-me do Pitico Freitas, que apesar de ser Rocker, sabia tocar bastante material da MPB, e precisava ganhar um dinheiro rápido, também. Mas como nenhum de nós cantava o suficiente para assumir tal tarefa, resolvemos fazer contatos, para visar arrumarmos um vocalista.
Liguei para o guitarrista, Lizoel Costa, que tinha um enorme cadastro pessoal a conter músicos de qualquer especialidade, e para qualquer estilo de música, e assim, ele indicou-nos alguns cantores e cantoras. Entrevistamos alguns, inclusive uma cantora, mas nenhum mostrou-nos o perfil que queríamos. Então, o Pitico teve uma indicação de um amigo, sobre uma garota que era "meio hippie", e que cantava e tocava flauta.
A garota chamava-se, Vilma, e parecia determinada a trabalhar. Fizemos um teste mínimo com ela, e a aceitamos sem uma maior avaliação mais apurada. Como estávamos necessitados, assim que arrumamos um local para tocar, marcamos logo a primeira data, sem ensaiar mesmo. Eu e Pitico fizemos várias anotações com harmonias de clássicos da MPB, e lá fomos nós tocar sem ensaiar...
Como a Vilma estava muito insegura, resolvemos fazer a primeira apresentação que foi um teste, com o reforço do vocalista do Língua de Trapo e irmão do Pitico, o Pituco Freitas, em título de ajuda. Essa apresentação ocorreu no Bar Chez Bernard, um casa noturna, dirigida e frequentada por franceses, bem elegante, por sinal, no dia 17 de julho de 1981. Foi uma apresentação curta, mas razoável, por considerar-se a falta de ensaios prévios.
Continua...
Marcadores:
Autobiografia de Luiz Domingues,
Cido Trindade,
Luiz Domigues,
Pitico Freitas,
Pituco Freitas,
Quarteto Toulon,
Trabalhos Avulsos Capítulo 34,
Vilma.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Autobiografia na Música - Boca do Céu / Bourréebach - Capítulo 57 - Por Luiz Domingues
O Boca do Céu teve um significado enorme em minha trajetória musical. Mas mesmo assim, o fim da banda não causou-me
melancolia ou insegurança alguma à época. Ao analisar hoje em dia, sinto até uma ponta de
orgulho por ter sido maduro o suficiente, apesar de meus dezenove anos
incompletos na ocasião, para superar essa perda, e ter tido assim, a coragem para seguir em
frente. E por outro lado, ao relembrar isso, tenho um carinho muito grande pelo
Boca do Céu ("Bourréebach", na sua fase final). Foi com essa banda formada por iniciantes na música que transmutei um
sonho impossível em realidade, ao proporcionar-me a transição do onírico à matéria. Responsável
pelo impulso inicial, que tirou-me do sonho à realidade, teve papel fundamental
nessa transição. Tenho muita saudade desse tempo, principalmente os primeiros instantes,
entre 1976 e 1977, onde a força de vontade foi o motor que manteve-me nessa
senda. O Boca do Céu tem um significado muito especial na minha trajetória,
conforme já disse anteriormente. Apesar de ter sido, tecnicamente, uma banda com parcos
recursos, pelo fato de seus membros ter sido iniciantes na música, naquela ocasião
(principalmente, eu mesmo). E certamente por isso, é que tem esse valor
sentimental enorme na minha carreira.Tenho muito carinho por esse tempo
primordial, por tudo o que vivi e não foram poucas as impressões e vivências. Foi o meio / final dos anos setenta e ainda tive o privilégio de vivenciar o
final de uma Era.
Sou muito grato ao destino, que sob uma
improvável ação perpetrada por um anúncio classificado, publicado em uma revista, colocou o Laert "Sarrumor", em
nosso caminho. Com sua inteligência e talento nato, impulsionou a nossa banda. Sem ele, não teríamos evoluído tão
depressa. Claro que o grosso do material mostrou-se aquém do que faríamos no futuro em outros trabalhos,
tanto eu quanto o Laert, mas chegamos a ter músicas interessantes, apesar de
sermos tão fracos tecnicamente. Músicas como "Revirada", "No
Mundo de Hoje", "Centro de Loucos", "Serena",
"Diva"; "Na Minha Boca" e “Instante de Ser”, tinham
qualidade, ao considerar-se as nossas condições humildes nessa época. Anos depois, "Na Minha
Boca" e “Instante de Ser” entraram para o repertório do Língua de Trapo, e
fizeram sucesso nos shows, por exemplo.
Tenho saudade desse tempo pelos shows que
assisti. Pelas andanças por teatros; salas de cinema; exposições; museus;
palestras...
Foi uma época em que fui um consumidor
voraz de cultura em geral, mas a amálgama fora o Rock, e os ideais hippies,
contraculturais etc. Tenho saudade da alegria que sentia quando acordava na
manhã de um sábado, e sabia que ensaiaria naquele dia. Cada ensaio representava
mais um passo em direção ao sonho. O cabelo pela cintura; as batas indianas, e
a calça boca de sino, com remendos coloridos... meus pais achavam que era roupa
de festa junina, mas eu achava o máximo andar vestido parecido com ícones meus
que assim trajavam-se, como Roger Daltrey ou Neil Young...
Autobiografia na Música - Boca do Céu / Bourréebach - Capítulo 56 - Por Luiz Domingues
Vale lembrar que o ano de 1978, foi difícil também por muitos aspectos
pessoais, e sócio / comportamentais. No campo pessoal, foi o ano em que meu pai
começou a notar que aquele negócio de "tocar em uma banda de Rock", não
seria um desejo passageiro e típico de adolescente, e dessa forma, eis que começou a pressionar-me em
direção oposta, com questionamentos sobre eu cortar meu cabelo; modo de vestir-se;
pensar em emprego formal e faculdade etc. Claro, posicionamentos normais de pai, e
hoje em dia, em que eu tenho mais que a idade que ele ostentava naquela época, posso entender
perfeitamente a sua preocupação comigo, mas à época, foi um conflito e tanto,
visto que aqueles questionamentos aviltavam meus sonhos, convicções etc.
E outro ponto triste, foi a guinada
estética que veio a reboque do sinal dos tempos. O Rock brasileiro desmanchava-se em
1978. Os ventos da "revolução" punk começavam a soprar por aqui, e
todas as suas consequências pareciam apodrecer todos os meus alicerces Rockers.
Muitos amigos meus saíram a correr pelos sebos, para vender seus LP's de Rock, e muitos,
para não dizer a imensa maioria, correu aos salões de barbearia, para raspar as
suas respectivas cabeleiras. Eu sentia-me isolado, ao analisar aquela manifestação toda, com a
estupefação de quem assiste de camarote, o fim do mundo. Por que eu deveria aderir àquela estética
anti-Rock ? As primeiras notícias que li sobre o movimento punk, causaram-me
absoluta ojeriza. O que para muitos representara uma novidade libertadora,
esfuziante, em minha percepção, fora na verdade o contrário, tal como um sinal incrível de decadência; desolação;
retrocesso. A ideia de tocar-se sob formas musicais simples, sem sofisticação, parecia-me algo normal e passível
de convivência pacífica sob a minha concepção. Na minha estante de discos,
conviviam harmonicamente os discos do Gentle Giant, com seu Prog-Rock,
ultra-sofisticado, e o som cru, e quase mal tocado do T.Rex. E a ambos, eu
chamava de Rock, sem nenhum conflito. Mas a reboque desses elementos que não
sabiam tocar, veio toda uma mística perpetrada por marqueteiros e jornalistas,
a criar o paradigma da maldita ideia do niilismo e deixo bem claro, a péssima interpretação
desse conceito. Esse é o grande ponto nevrálgico dessa questão, desse
rompimento. Eu nunca acreditei no niilismo como padrão de procedimento. Não
acredito que uma estética deva ser aniquilada, para que outra surja renovada.
Eu era apenas um adolescente com dezoito anos de idade na ocasião, mas esse
sentimento já mostrava-se claro em meu entendimento e daí, foi difícil ver o estrago
que essa terrível mentalidade imposta ditatorialmente, causou ao Rock, com
respingos em outras áreas, também. Foi em janeiro de 1978 que tomei contato
pela primeira vez com essas ideias de Malcolm McLaren e seus seguidores, ao ler uma matéria sobre tal assunto em uma revista especializada. Mais ou menos em
setembro de 1978, fui ao MIS (Museu da Imagem e do Som ), e assisti um documentário
sobre o Punk-Rock. A maioria das pessoas evadiu-se sob entusiasmo do cinema, mas eu
saí deprimido com aqueles conceitos. Por que eu deveria passar a odiar os
Beatles, como eles pregavam ? Por quê ?
E no meio dessa desolação, eu enxergo um
aspecto pessoal e benéfico, ao menos. Foi preciso ter uma vontade obstinada para
seguir em frente, pois tudo apontava para o "Fim do Sonho".
A frase deslocada de outro conceito, da
música "God", do John Lennon, foi usada à exaustão pelos jornalistas
e publicitários mal intencionados, deliberadamente a gerar uma formação de opinião, estagnada em oposição aos ideais da contracultura. Cansei de ouvir "o sonho acabou",
seguido do indefectível sorriso irônico dos detratores do Rock, e contracultura
"sixtie". Regozijavam-se do nosso sonho ter acabado e ofereceram-nos o que em
troca ? O pesadelo punk da truculência, da péssima música e uma série de
valores terríveis, que ditaram as tendências nos anos 1980,
e esparramam-se como praga, até hoje. Mas nem todos encantaram-se com essa
"revolução pusilânime". Muitos bandearam-se para o Jazz-Rock; Fusion,
e outros tantos foram engajar-se de cabeça na MPB, que ainda tinha ventos
hippies a soprar por mais um tempo. Lembro-me por exemplo de ter visto inúmeros shows de MPB nessa fase,
entre 1978 e 1981. Assisti artistas tais como : Elis Regina; Fagner; Sá & Guarabyra; Caetano Veloso;
Gilberto Gil; Beto Guedes; Zé Ramalho; Moraes Moreira; Milton Nascimento, e até
medalhões da velha guarda, como Jackson do Pandeiro, Demônios da Garoa etc.
Um
dos shows mais sensacionais dos quais recordo-me, sob teor da MPB, foi um do Beto Guedes em 1978, no teatro
da GV (Fundação Getúlio Vargas), na Av. 9 de julho, em São Paulo. Casa abarrotada, lembro-me de pessoas
acomodadas pelos corredores, escadas etc. Curiosidade : perto de meus amigos e eu,
estavam dois jogadores famosos do Corinthians, nessa ocasião e acompanhados de belas mulheres
: Wladimir e Solito. Quem acompanha o futebol, há de lembrar-se dos dois. O
show foi impecável, e o som do Beto tinha arranjos complexos, certamente
influenciados pelo Rock progressivo setentista.
E como multi-instrumentista, que era / é, ele tocou baixo em várias músicas, e deixou todo mundo boquiabert com o som incrível que tirou de um belo baixo, Rickenbacker, de cor creme (“mapleglow”), igual ao do Chris Squire, do “Yes”, e assim, a arrancar suspiros dos corações “proggers” machucados pelo intenso vilipêndio, com toda aquela desolação punk de final de década.
O Bourréebach viveu seus últimos suspiros
nos quatro primeiros meses de 1979. Com a saída do Osvaldo Vicino, muito da
inocência inicial do Boca do Céu foi-se embora, naturalmente, pois estávamos
mais amadurecidos. O Laert conhecera um colega na faculdade em que recém havia
ingressado (Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero), logo nos seus primeiros
dias, chamado Paulo Estevam Andrade.
Era guitarrista, mas vivia aquela crise de
identidade típica que acometeu à (quase) todos no final daquela década, ao negar
o Rock, e a bandear-se para a MPB. Mesmo assim, ele interessou-se em conhecer o trabalho da
nossa banda, e chegou a ensaiar conosco, algumas vezes. Lembro-me que ele possuía uma
guitarra nacional, da marca, “Ookpik”, imitação de Gibson SG, com cor branca. Ele tocava
bem, e parecia que encaixar-se-ia nessa nova formação da banda. Por incrível
que pareça, o baterista, Zé Claudio também ficara após a reformulação geral no início de 1979, e a banda deu-nos uma remota
esperança de continuidade, com essa nova formação.
Contudo, o Laert mostrava-se
cada vez mais empolgado com os colegas que havia conhecido recentemente, por
conta de sua entrada na faculdade. Ali, nos corredores da Faculdade Cásper
Líbero de jornalismo, conhecera : Guca Domenico; Carlos Mello (Castelo); Pituco
Freitas; Paulo Elias Zaidan; Dico; Paulo Estevam Andrade; Nilma Martins e Saulo, entre outros, e a
conversa a girar em torno de música; poesia; quadrinhos; cinema e tudo
amalgamado pela política, estava a influenciá-lo fortemente. Com as
coisas a caminhar devagar para o Bourréebach, foi natural que estivesse cada dia
mais focado nesse novo ambiente, e assim que surgiu a ideia para realizar-se um
Sarau literário / musical na própria faculdade, empolgou-se, e praticamente, aí nesse ponto,
esgotou-se o seu foco no Bourréebach. Então, após alguns poucos ensaios, a
banda desintegrou-se...
Apesar de ter sido um final melancólico,
com a banda sendo vencida por inanição, praticamente, não fiquei triste na
hora, tampouco fui acometido pelo sentimento de perda ou lamento. Simplesmente
aceitei a absoluta falta de forças para prosseguir, mas convicto de que aquilo
em nada mudaria a minha trajetória na música. Eu estava naquela altura, muito
mais seguro, por ter vencido a etapa inicial, e terrível do aprendizado musical mais primário.
Estava a progredir, tocar cada vez melhor, e sentia-me pronto para abraçar
outras oportunidades.
Continua...
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 25 - Por Luiz Domingues
Ainda a falar sobre a prática das dublagens de TV...
Pois é... passam mil coisas na cabeça, do tipo : estou a fazer papel de tolo; estou a ser ridicularizado; ninguém vai levar a minha música a sério, ao assistir-me a fazer esta palhaçada...
No entanto, um fator precisa ser levado em consideração : muitas pessoas, para não dizer a maioria, quando miram um artista a dublar, nem pensam nesses questionamentos, e apreciam a música, e o artista etc.
A questão da praticidade dos técnicos de TV, é muito discutível, se levar-se em consideração que nas décadas de cinquenta e sessenta, a TV era incrivelmente mais tosca, com uma tecnologia precária, e no entanto, abundavam programas de TV com música ao vivo e sob muita qualidade artística. Portanto, tal prática a privilegiar a simplificação total, é uma tremenda de uma desculpa esfarrapada...
São poucos que os questionam esse formato, e no final das contas, apesar dos pesares, eu preferia mil vezes fazer uma dublagem, do que não aparecer na TV, e ficar anônimo com minha dignidade a fazer-me companhia... mas como isso é muito relativo, no entanto, esse conceito eu tinha naquela época, pois hoje em dia, acho que a dignidade artística vale mais do que aparecer a realizar essa pantomima desagradável em programas popularescos, que não acrescentam-lhe nada.
Continua...
Assinar:
Postagens (Atom)












































