Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 213 - Por Luiz Domingues
E o que ocorreu foi que a última música a ser mixada tratou-se de : "Um Minuto Além". Estávamos a começar a levantar o som do baixo, quando notamos que infelizmente a 4 ª corda, "Mi", estava um pouco fora da afinação. Pareceu algo inacreditável, mas ninguém havia notado essa falha durante as gravações das bases. Ouvimos novamente por dezenas de vezes a mesma canção, durante as sessões de overdub da guitarra, e mais uma centena de ocasiões nas gravações dos vocais. De minha parte, eu sempre fui paranoico com afinação em sessões de gravação. Além de estar atento ao ouvido, checava constantemente a afinação do instrumento, com o afinador eletrônico.
Portanto, quase 13:00 horas de um domingo, onde estávamos a trabalhar exaustivamente desde as 18:00 horas do sábado, e um problema desses surge, do nada... pois até então, tínhamos ouvido incontáveis vezes a música, e só naquele momento, essa desafinação fora sentida. Tratou-se de um desnível muito sutil. Algo de menos de meio-coma (coma é uma subdivisão milimétrica de uma nota musical a definir-se com um conjunto de vibrações), mas claro que não poderíamos mixar a música daquela forma, e mandar prensar o disco com uma falha desse porte. Por outro lado, o Luiz Calanca precisava sair do Vice-Versa com a fita de meia polegada na mão, porque na segunda-feira, havia agendado a sessão de corte de acetato, no estúdio da RCA, com o Oswaldo Martins, o técnico que mais "cortou" discos no Brasil, por décadas.
Então, mesmo extenuado, prontifiquei-me para ir buscar o meu baixo. Se ele estivesse na casa do Rubens, teria sido muito rápido, com o trajeto entre os bairros de Pinheiros e Itaim-Bibi, a ser cumprido em poucos minutos, ainda mais em um domingo. Mas ele encontrava-se em minha residência, no Tatuapé, zona leste de São Paulo, e isso demandaria bem mais tempo. Sendo assim, o Zé Luiz, o técnico, ofereceu um baixo de sua propriedade, que segundo ele, estava bem regulado e com cordas novas e importadas instaladas (acho que eram da marca GHS, não lembro-me ao certo, mas eram de meu inteiro agrado, pois eu só usava cordas da marca GHS ou Rotosound nessa época). De pronto aceitei a oferta, para facilitar as coisas, visto que o baixo estava ali no estúdio. O Zé Luiz tocava baixo e bateria. O único problema, seria que tratava-se de um baixo... Giannini...
Naquela época, o preconceito com os instrumentos nacionais era enorme e de fato, infelizmente, eram instrumentos muito inferiores em relação às marcas consagradas internacionais. Claro que a ideia era regravar com o meu Fender Jazz Bass, mas não havia tempo hábil para outra solução, pois precisávamos apanhar o instrumento, levantar o som, regravar e voltar à mixagem. Bem, pois ele de fato estava impecável, com as cordas a "tinir", com aquele timbre característico de "novas". Eu gravei, e ficou perfeito. Esse segredo, ficou guardado por vinte e oito anos (este trecho foi escrito em 2013), até que eu começasse a contá-lo nestas linhas. Somente a banda; o produtor Luiz Calanca; o técnico Zé Luiz, e a namorada do Fran Alves à época, souberam disso ! Sem preconceitos, digo que o resultado ficou à altura do Fender que eu usei nas outras canções. Ninguém, nunca reparou que nessa faixa, eu tivesse usado outro baixo, e supostamente a ostentar um nível de qualidade inferior. Lembro-me que fora um baixo de cor vermelha, no tom "cherry", com o escudo branco e perolado.
Por volta das 18:00 horas do domingo, a mixagem foi dada por encerrada, a estabelecer uma maratona insana com vinte e quatro horas, e muito cansaço envolvido nesse esforço. Estavam encerradas as gravações e mixagens do segundo álbum d'A Chave do Sol.
No dia seguinte, o Rubens representou a banda na sessão de corte, nos estúdios da RCA, com o produtor, Luiz Calanca, presente também, naturalmente. O fotolito da capa já estava pronto, e após um teste de cor rejeitado (o vermelho da contra capa ficou desbotado na primeira prova da gráfica), finalmente o Luiz Calanca o aprovou, e encomendou a sua impressão. Sobre a questão dele ter sido lançado em 45 rpm, falo logo mais, e tenho histórias, algumas hilárias, sobre as confusões que essa decisão gerou...
Continua...
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 195 - Por Luiz Domingues
A testar um amplificador no Vice-Versa, com o apoio do técnico, Zé Luiz; Fran Alves (de costas); e com Rubens a observar.
Enfim marcamos a primeira sessão, e o planejamento foi composto em gravarmos todas as bases, ao vivo, certamente sob um esforço econômico, e assim a minimizar o uso das horas. Dessa forma, preparamo-nos nos ensaios e assim procedeu-se, com a banda super azeitada para encarar tal tarefa inicial. No caso d'A Chave do Sol, e das músicas desse novo disco, a complexidade dos arranjos mostrou-se enorme. A despeito do peso que o trabalho ganhou com essa tentativa de aproximação que buscamos com o nicho do Hard / Heavy, o apuro pelas linhas complexas de baixo e bateria, aliadas à grande profusão de convenções intrincadas, foi substancial, e dessa forma, gravar ao vivo, ao fazer valer três instrumentos simultaneamente, revelou-se como uma temeridade, pelo aspecto psicológico. Todavia, foi o que melhor poderíamos ter feito, e assim procedeu-se.
O Fran Alves (sob um esforço admirável de sua parte, registre-se aqui), semanas antes de nós entrarmos em estúdio, tomou a dianteira em arrumar-me um amplificador com maior qualidade para a gravação. Claro que eu aceitei, e a banda inteira apreciou tal atitude. Então, com o apoio do Rubens e da sua decisiva carona, visto que nessa época, eu nem sabia dirigir, tampouco cogitava obter um carro próprio, fomos buscar esse amplificador emprestado. Tratou-se de um combo da marca "SWR", um aparelho que havia sido lançado no mercado ao final dos anos setenta, e que fazia sucesso entre músicos oitentistas. Contudo, para ser muito sincero, eu usei o aparelho em ensaios e não apreciei o seu som. O Fran Alves ficou um pouco desapontado, pois no seu conceito, tratava-se de um amplificador inquestionável, no entanto, eu não considerei haver nenhuma possibilidade que trouxesse um timbre razoável que fosse para o meu baixo Fender Jazz Bass. O meu sonho de consumo nessa época, era ter um "Acoustic", um amplificador norteamericano dos anos setenta, que aí sim, tinha possibilidades de timbragem, espetaculares, absolutamente idênticas às de baixistas que eu admirava, como John Paul Jones; Gary Thain, e outros tantos que destacaram-se na década de setenta. Bem, descartei o amplificador SWR, ainda no estúdio, e este aparelho pertencia a um amigo do Fran Alves, que chamava-se Pablito. Portanto, preferi usar o amplificador que havia disponível no Vice-Versa, um velho "Duovox", modelo 150 B, dos anos setenta. Por incrível que pareça, apesar de todo o preconceito que havia em torno de um aparelho nacional (o Duovox era uma linha de luxo da Gianinni), esse aparelho era muito bem feito, com parâmetros eletrônicos similares aos dos melhores amplificadores internacionais.
Bem contente com o Duovox envolto nos biombos, lá estou, pronto para começar a gravar...
Eu mesmo, estava acostumado a usar um Duovox, e arrisco dizer que foi o amplificador que mais usei nos anos oitenta, ao prolongar esse costume até o início dos anos noventa, quando fiz muitos shows do Pitbulls on Crack, com esse aparelho. E o que usei no estúdio, estava impecável, com a a caixa original, e segundo o Nico contou-me, fora usado em muitos discos importantes da MPB. Além do amplificador, contamos com a linha direta na mesa, para a soma, posterior, na etapa da mixagem. Infelizmente, no aspecto negativo em gravar-se ao vivo, tal metodologia obrigou-me a gravar na mesma sala de bateria. Mesmo separado com pesados biombos de madeira, acolchoados, foi óbvio que os vazamentos revelaram-se inevitáveis.
E
para corroborar a ideia de gravarmos na mesma sala, houve a necessidade
do contato visual entre eu e Zé Luiz, tamanha a quantidade de
convenções muito precisas que necessitávamos executar. No caso da
bateria, o Zé Luiz optou por montar o seu instrumento no espaço amplo da sala,
para buscar a reverberação natural. Havia de fato, naquele canto onde
montou a bateria, um pé direito bem alto, na verdade, um mezanino, onde
foi possível assistir a gravação por cima, e de lá, muitas fotos foram
clicadas, aliás as fotos que aqui estou a publicar, são de autoria do Carlos Muniz Ventura, é bom registrar.
E o Rubens não teve outra escolha, a não ser ocultar o seu amplificador no espaço reservado, onde deveria ter sido montada a bateria. Foi a melhor solução para isolar a emissão livre do amplificador, e evitar assim, mais vazamentos na sala principal, onde o baixo e a bateria ficara livres.
Porém, como também era imprescindível o contato visual com o Rubens, ele tocou conosco na grande sala, e sendo assim, com todos a olhar-se, ficou muito mais confortável e seguro para os três. Somente o Fran Alves fez a sua guia vocal dentro da técnica, sem maiores prejuízos para essa tomada inicial.
Lembro-me que as músicas como "Ufos" e "Segredos", deram um pouco mais de trabalho, com algumas tomadas repetidas, mas a representar nada demais que preocupasse-nos. Gravamos todas as bases nessa primeira sessão, que terminou na madrugada. Estávamos contentes com o resultado da captura inicial, e agora viriam as sessões de overdubs de guitarra; solos; contra-solos e complementos...
Continua...
Enfim marcamos a primeira sessão, e o planejamento foi composto em gravarmos todas as bases, ao vivo, certamente sob um esforço econômico, e assim a minimizar o uso das horas. Dessa forma, preparamo-nos nos ensaios e assim procedeu-se, com a banda super azeitada para encarar tal tarefa inicial. No caso d'A Chave do Sol, e das músicas desse novo disco, a complexidade dos arranjos mostrou-se enorme. A despeito do peso que o trabalho ganhou com essa tentativa de aproximação que buscamos com o nicho do Hard / Heavy, o apuro pelas linhas complexas de baixo e bateria, aliadas à grande profusão de convenções intrincadas, foi substancial, e dessa forma, gravar ao vivo, ao fazer valer três instrumentos simultaneamente, revelou-se como uma temeridade, pelo aspecto psicológico. Todavia, foi o que melhor poderíamos ter feito, e assim procedeu-se.
O Fran Alves (sob um esforço admirável de sua parte, registre-se aqui), semanas antes de nós entrarmos em estúdio, tomou a dianteira em arrumar-me um amplificador com maior qualidade para a gravação. Claro que eu aceitei, e a banda inteira apreciou tal atitude. Então, com o apoio do Rubens e da sua decisiva carona, visto que nessa época, eu nem sabia dirigir, tampouco cogitava obter um carro próprio, fomos buscar esse amplificador emprestado. Tratou-se de um combo da marca "SWR", um aparelho que havia sido lançado no mercado ao final dos anos setenta, e que fazia sucesso entre músicos oitentistas. Contudo, para ser muito sincero, eu usei o aparelho em ensaios e não apreciei o seu som. O Fran Alves ficou um pouco desapontado, pois no seu conceito, tratava-se de um amplificador inquestionável, no entanto, eu não considerei haver nenhuma possibilidade que trouxesse um timbre razoável que fosse para o meu baixo Fender Jazz Bass. O meu sonho de consumo nessa época, era ter um "Acoustic", um amplificador norteamericano dos anos setenta, que aí sim, tinha possibilidades de timbragem, espetaculares, absolutamente idênticas às de baixistas que eu admirava, como John Paul Jones; Gary Thain, e outros tantos que destacaram-se na década de setenta. Bem, descartei o amplificador SWR, ainda no estúdio, e este aparelho pertencia a um amigo do Fran Alves, que chamava-se Pablito. Portanto, preferi usar o amplificador que havia disponível no Vice-Versa, um velho "Duovox", modelo 150 B, dos anos setenta. Por incrível que pareça, apesar de todo o preconceito que havia em torno de um aparelho nacional (o Duovox era uma linha de luxo da Gianinni), esse aparelho era muito bem feito, com parâmetros eletrônicos similares aos dos melhores amplificadores internacionais.
Bem contente com o Duovox envolto nos biombos, lá estou, pronto para começar a gravar...
Eu mesmo, estava acostumado a usar um Duovox, e arrisco dizer que foi o amplificador que mais usei nos anos oitenta, ao prolongar esse costume até o início dos anos noventa, quando fiz muitos shows do Pitbulls on Crack, com esse aparelho. E o que usei no estúdio, estava impecável, com a a caixa original, e segundo o Nico contou-me, fora usado em muitos discos importantes da MPB. Além do amplificador, contamos com a linha direta na mesa, para a soma, posterior, na etapa da mixagem. Infelizmente, no aspecto negativo em gravar-se ao vivo, tal metodologia obrigou-me a gravar na mesma sala de bateria. Mesmo separado com pesados biombos de madeira, acolchoados, foi óbvio que os vazamentos revelaram-se inevitáveis.
E o Rubens não teve outra escolha, a não ser ocultar o seu amplificador no espaço reservado, onde deveria ter sido montada a bateria. Foi a melhor solução para isolar a emissão livre do amplificador, e evitar assim, mais vazamentos na sala principal, onde o baixo e a bateria ficara livres.
Porém, como também era imprescindível o contato visual com o Rubens, ele tocou conosco na grande sala, e sendo assim, com todos a olhar-se, ficou muito mais confortável e seguro para os três. Somente o Fran Alves fez a sua guia vocal dentro da técnica, sem maiores prejuízos para essa tomada inicial.
Lembro-me que as músicas como "Ufos" e "Segredos", deram um pouco mais de trabalho, com algumas tomadas repetidas, mas a representar nada demais que preocupasse-nos. Gravamos todas as bases nessa primeira sessão, que terminou na madrugada. Estávamos contentes com o resultado da captura inicial, e agora viriam as sessões de overdubs de guitarra; solos; contra-solos e complementos...
Continua...
sábado, 1 de novembro de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 186 - Por Luiz Domingues
Paralelamente à essas ações de mídia e shows, estávamos 100 % acertados com o Luiz Calanca, a visar gravar um novo álbum. O que fechamos com o Calanca, foi que gravaríamos no estúdio Vice-Versa, onde ele havia contratado um pacote de horas, pois administrava nesse estúdio, várias produções de seu elenco de artistas, simultaneamente, nessa época. Estávamos muito ensaiados, pois foi uma praxe d'A Chave do Sol, desde o princípio das suas atividades, esse esmero em estar sempre muito preparado.
Em cada banda em que eu toquei, uma característica sempre realçou-se. Nos capítulos do grupo, Pitbulls on Crack, por exemplo, eu disse muitas vezes que naquela banda, eu ri muito, pelo fato de seus componentes ter espírito de humoristas, nato.
Pois tranquilamente eu poderia afirmar que no caso d'A Chave do Sol, essa foi a banda mais afiada em que toquei, devido à seriedade com a qual dedicávamo-nos aos ensaios. E quando entrávamos em ritmo de pré-produção, a seriedade beirava o exagero, com ensaios específicos só para realçar-se as convenções; levadas de baixo e bateria; solos, etc.
Dessa maneira, estávamos super preparados para gravar novamente de forma oficial, a despeito do pouco tempo em que estávamos a trabalhar com o novo vocalista, Fran Alves.
Simultaneamente, o Luiz Calanca foi ágil, e indicou um amigo dele para desenhar a capa e encarte do novo álbum. Segundo o Calanca, tratava-se de um jovem ilustrador que estava a trabalhar para a recém fundada revista Bizz. O seu nome era Líbero, e logo, uma reunião inicial foi marcada na casa do Rubens, para podermos passar-lhe ideias, e dessa forma, o sentimento que nortearia o trabalho como um todo, além de um apanhado do teor das letras das canções, para que com esses elementos, ele pudesse criar, e trazer-nos os primeiros esboços (rafs).
No tocante ao estúdio, ficamos muito contentes com a confirmação do Vice-Versa, um estúdio fundado nos anos setenta, mas ainda em grande forma. Grandes álbuns do Rock e da MPB, ali foram gravados, e o fato dessas gravações estarem impregnadas naquelas paredes, foi sensacional como atmosfera para a nossa investida. Lembro-me que além de nós, o Platina, banda Hard-Rock que revelou o talento dos irmãos Busic, e do grande guitarrista, Daril Parisi, estava a gravar o seu primeiro álbum. O Harppia finalizava o seu primeiro também, além do Centúrias. E ainda a mencionar a turma pesada do elenco da gravadora Baratos Afins, o Luiz Calanca estava a preparar o lançamento da coletânea : "SP Metal", com quatro bandas no pacote, além de discos de bandas da cena pós-punk, que ele também apoiava. Não lembro-me ao certo, mas acredito que a tratar-se do Smack, ou Voluntários da Pátria, estava a gravar, ou mesmo o Fellini.
Mas uma série de contratempos (incluso um pequeno acidente de moto, que o Zé Luiz Dinola sofreu nesse ínterim), fez com que a primeira sessão de gravação não acontecesse em março, como fora o plano inicial. Na verdade, somado a alguns atrasos da parte do estúdio Vice-Versa, só fomos agendados para a primeira sessão, em maio, e para piorar, bem no final do mês. Bem, para honrar as tradições d'A Chave do Sol, adivinhe o leitor o que fizemos ?
Claro, aproveitamos para ensaiar mais...
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sexta-feira, 28 de março de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 99 - Por Luiz Domingues
Com a mixagem encerrada no estúdio Mosh, em sua antiga instalação da Vila Pompeia, o próximo passo seria o processo do "corte". Por indicação do Luiz Calanca, o corte foi realizado no estúdio da RCA, pelo competente, Oswaldo Martins, acostumado a cortar discos há muitos anos, e que futuramente, já em plena Era digital, abriu o seu estúdio de masterização, e em seu estabelecimento (chamado : "Turbo"), o CD Chronophagia da Patrulha do Espaço, do qual eu faria parte, foi finalizado, em 2000, coincidentemente.
Para quem não sabe o que significava o "corte" no processo dos antigos vinis, explico rapidamente que era a etapa de acabamento final pós estúdio, onde a fita mixada do estúdio recebia a última camada com frequências agudas e graves, no cômputo geral, onde esse "corte final" definia a cópia matriz que seria imprimida no acetato de vinil, e que serviria então de base para a prensagem das cópias na fábrica.
O Rubens foi assistir o processo, e mesmo sem condições de opinar, pois tratava-se de um processo técnico, essencialmente, assim ao menos representou a banda, como apoio moral nessa operação final. No tocante à capa, tivemos alguns problemas com o fotolito da gráfica, e também com algumas provas rejeitadas por erro no uso de cores. Além disso, tivemos problemas com a revelação das fotos da capa, especificamente com a foto do Rubens. A ideia de escurecimento para dar clima sombrio na foto do Rubens, sugerida pelo fotógrafo, Fábio Rubinato, pareceu-nos muito boa em tese, mas na prática, o laboratório fez muitos esforços para clareá-la.
O certo teria sido abrir uma nova sessão e tentar capturar outras fotos boas do Rubens, mas não obstante o fato de termos essa foto comprometida pela ausência de luz, nós gostávamos dela em si, pela expressão facial do Rubens, e enquadramento. Dessa forma, fomos muito teimosos, ao bancar a sua permanência, e mesmo com os esforços do laboratório para clareá-la (em uma era pré-digital, sem photoshop e que tais). Mas esse processo durou um tempo enorme. Por vários problemas de agendamento no estúdio RCA, que proveria o processo do "corte"; da gráfica com suas idas e vindas, e do laboratório que trabalhava nas fotos, o processo tornou-se lento. Por esse motivo, o disco só foi ficar pronto, meses depois, por volta de maio de 1984.
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quinta-feira, 20 de março de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 93 - Por Luiz Domingues
Então o ano de 1984 iniciou-se. Estávamos bastante eufóricos com a perspectiva em gravar o nosso primeiro disco, e assim esforçamo-nos para ensaiar o melhor possível e cuidar dos detalhes da produção, que ficaram por nossa conta, no acordo que fizemos com o Luiz Calanca. Logo na primeira semana de janeiro, agendamos uma sessão de fotos, para visar ilustrar a contracapa do compacto. Lembro-me que foi em um sábado, no período da tarde, que o fotógrafo, Fábio Rubinato, compareceu à casa do Rubens, onde tínhamos o nosso QG.
José Reis (meu amigo e roadie do Pitbulls on Crack na época); Nilton "Cachorrão" Cesar (vocalista do Centúrias); eu (Luiz Domingues), e Junior (aluno meu, na época), no Parque Antártica em 1994, a assistir a partida : Palmeiras x Peñarol do Uruguai, e a sermos flagrados pelo click de Fábio Rubinato
O Fábio era fotógrafo profissional e experiente, já naquela época, apesar de ser ainda bem jovem. Anos depois, ele tornar-se-ia fotógrafo oficial da Federação Paulista de Futebol (posteriormente foi contratado da CBF e a Conmebol), e eu o encontrei diversas vezes em estádios de futebol, por conta dessa colocação que ele assumiu. Inclusive, ele tirou uma foto minha, acompanhado de meus amigos José Reis; Nilton "Cachorrão" Zanelli (vocalista do Centúrias), e Junior, em 1994, de dentro do campo do Palestra Itália, quando avistou-nos na mureta da arquibancada, em um jogo entre Palmeiras e Peñarol de Montevidéu (foto exposta acima). De volta à Chave do Sol, o Fabinho Rubinato era amigo de meus primos mais velhos, Marco Antonio e Rubens Turci, e eu o conhecia desde os anos setenta, quando a fotografia era apenas um hobby para ele.
Apreciamos juntos, muito som na casa de meus primos, nos anos setenta etc. Quando pensamos em contratar um fotógrafo, pensei nele, e por isso foi a minha indicação que prevaleceu. Mas na base do improviso e sem as condições de um estúdio profissional com luz adequada; guarda-chuva; fundo infinito, e outros recursos, não dava para fazer fotos realmente incríveis. Em ritmo de camaradagem, estávamos apenas a bancar os filmes e a ideia foi usar o quarto de ensaios da banda, e usarmos criatividade e luz natural. O Fabinho clicou várias fotos na sessão e quando revelamos, as fotos do Zé Luiz não estavam com uma iluminação satisfatória, e nenhuma apresentou ao menos, uma expressão facial convincente da sua parte. Então não tivemos outra alternativa a não ser fazer uma nova sessão, exclusiva para capturar uma boa foto do Zé Luiz, mas desta feita, ele quis fazer com outro fotógrafo. Para agilizar, convocou o irmão de sua namorada à época, o Seigi (Renato) Ogawa, que realmente apesar de ser amador, possuía uma máquina boa e gostava de fotografar. Tanto que o Ogawa fotografou vários shows d'A Chave do Sol, também, principalmente na fase inicial da carreira da nossa banda.
Essa sessão ocorreu sem a presença do Rubens ou da minha. Apenas os dois, Ogawa e Dinola, foram à Praça do Por-do-Sol, um lugar aprazível no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, e é de lá que saiu a bucólica foto do Zé Luiz na contracapa do compacto. A foto do Rubens e a minha, foram extraídas da sessão do Fabinho, em nossa sala de ensaio. A do Rubens, contém um close-up, como a ofertar um escurecimento proposital. Foi ideia do Fabinho usar um Abatjour, improvisadamente para obscurecer o ambiente, mediante uma echarpe escura. Além de uma lente especial que usou, a intenção foi criar uma atmosfera misteriosa.
Muita gente estranhou a foto escurecida e reclamou disso, ao considerar tratar-se de uma discrepância em relação às demais. De fato que destoa, sem dúvida, mas creio que ficou com um diferencial importante. E quanto à minha, tive a ideia em quebrar o visual Rocker tradicional, ao usar uma gravata. O contraste da longa cabeleira com a gravata comportada, ficou interessante. Não foi nada revolucionário no mundo do Rock, mas causou um efeito bom, pois muita gente na época, incluso jornalistas, perguntou-me o motivo da gravata.
E lá estou eu na contracapa do compacto, parado na porta da nossa sala de ensaios. E um detalhe minúsculo dera a quebra da quebra do paradigma : na gravata, teve um bottom com a figura do Eddie Van Halen. Eu não era nenhum fervoroso fã do Van Halen (muito longe disso, aliás), mas sem dúvida que fora um elo setentista Rocker, que serviu-nos como uma boia salva-vidas no meio daquele oceano revolto onde encontrávamo-nos, com Punk, Pós-Punk, e seus derivados abomináveis oitentistas, a dar as cartas...
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quarta-feira, 19 de março de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 91 - Por Luiz Domingues
O acerto com a Baratos Afins foi na base acordo verbal, sem necessidade de contrato etc e tal. Nós bancaríamos a parte de estúdio, e o Luiz cuidaria da parte gráfica e prensagem do disco, além do suporte na distribuição e divulgação do trabalho. Passamos então a prepararmo-nos nesse sentido, por termos escolhido as duas canções que fariam parte do compacto simples. Seria : "Luz" do lado A, e "18 Horas", no lado B. Toda a produção de lay-out da capa correria por nossa conta e produção. Nesse item, o Luiz bancaria o fotolito e a despesa da gráfica em sua composição. Então, o Zé Luiz sugeriu que víssemos um desenho que sua irmã, Elizabeth Dinola estava a desenvolver.
Uma pintura de Beth Dinola, exposta em uma Galeria de Arte em São Paulo, recentemente, pós anos 2000, e que hoje pertence a uma colecionadora de Roma, Itália.
A Beth Dinola era (é) artista plástica. Embora a sua especialidade fossem os trabalhos com cerâmica, ela desenhava e pintava com outras técnicas, também. Gostamos dos rafs iniciais que vimos, e autorizamos que a Beth prosseguisse na finalização do Lay-out final.
A ideia, foi a de uma estrada estilizada, como o braço de uma guitarra, e a conter baquetas de bateria, em suas laterais.
Na contracapa, três fotos individuais e uma breve ficha técnica. Já o logotipo, foi criação de um rapaz chamado : José Vicente Dias, indicado pelo Luiz Calanca. Tal logo tornou-se objeto de merchandising em nosso favor, no decorrer de 1984. Trata-se de um pássaro a voar sob a presença do Sol. Falarei mais sobre a produção da capa, mais adiante, quando entrar no ano de 1984, efetivamente.
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quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Pedra - Dia 9/11/2013 - 17:00 h. Teatro da Galeria Olido - Centro - São Paulo/SP
Pedra
Dia 9 de novembro de 2013
Sábado - 17:00 h.
Teatro da Galeria Olido
Avenida São João, 473
Centro (ao lado da Galeria do Rock)
São Paulo - SP
Banda de abertura : The Suman Brothers Band
Curadoria de Luiz Calanca (Baratos Afins)
Entrada Gratuita (convites disponíveis na bilheteria, a partir das 16:00 h.)
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