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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Autobiografia na música - Língua de Trapo - Capítulo 145 - Por Luiz Domingues

"Circular 46" vem a seguir, a se tratar de mais uma música calcada na sonoridade da MPB antiga. Com formato de samba bem típico dos anos vinte e trinta do século passado, somente não soa exatamente fidedigna pelo aspecto "retrô" no seu áudio de uma maneira integral, pela presença do piano elétrico comandado pelo ótimo Celso Mojola e pelo meu baixo, que além de ser elétrico, era algo que gerava até discussões internas na banda a se considerar a inclusão do baixo acústico tradicional na formação fixa da banda.

"Circular 46" - Demo Tape de 1980

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/PwtCKbKlXlk

Mais uma composição de Guca Domenico e Carlos Melo, de fato a se caracterizar como a zona de conforto para ambos, que sempre foi inspirada pelo cancioneiro da mpb da velha guarda, essa peça privilegia tal estética. No quesito da sua letra, a sua formulação se mostra ortodoxa de forma proposital para gerar os contrastes devidos a fim de provocar o humor. Inclusive na pronúncia forçada de certas palavras a exagerar na dicção, exatamente como os cantores dessa fase da MPB vinte-trintista executavam nas suas gravações. 

A letra trata de uma sátira de costumes a brincar com os maneirismos antigos e ao mesmo tempo, alfinetar as mazelas sociais amplificadas pelo descaso das autoridades de então, nitidamente preocupadas em privilegiar as camadas mais altas da sociedade em detrimento da grande massa carente a viver com muitas dificuldades. 

Na parte musical em si, gosto bastante da mixagem estabelecida, que dentro da realidade de uma demo tape gravada com parcos recursos, surpreende pelo seu resultado final bastante aceitável, bem entendido, para o padrão de demo-tape gravada ao final dos anos setenta, em um estúdio não muito preparado adequadamente e sob poucos canais disponíveis.

O som do baixo seguiu a timbragem das outras músicas que gravei nessa mesma fita e mais uma vez surpreende em determinados trechos. E destaco o timbre do piano elétrico a se mostrar bem agradável.

Laert Sarrumor a interpretou, mas há uma divertida inserção do Carlos Melo ao final.

"Vampiro S.A." - Demo Tape de 1980

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/QvRcD2NdQVU

E para encerrar a análise, a faixa "Vampiro S.A." tem como estilo musical o Heavy-Metal e note o leitor que em 1980 esse estilo, a se constituir de um derivado da corrente do Hard-Rock, nem era celebrado de uma forma definitiva e assim, pensávamos na canção como um tema a seguir o estilo do "Rock Pesado" ou como se costumava falar a respeito de peças mais radicais dentro do espectro do Hard-Rock, seria então ao se usar um termo da época: "pauleira".

A letra da música é uma das mais hilárias criadas pelo Laert Sarrumor a usar a literatura gótica de terror para satirizar a figura dos sanguessugas que drenam o sangue das pessoas humildes, geralmente as figuras execráveis e hipócritas que se colocam como pessoas de bem, com valores religiosos e a cultuar a integridade da família como núcleo base da sociedade, mas que na prática, se portam como os vampiros a sugar o sangue do povo.

Essa música se tornou icônica para o Língua de Trapo doravante e de fato, a sua interpretação ao vivo evocava uma mistura de atmosfera de Heavy-Metal com literatura gótica de terror, com o Laert a interpretá-la trajado como o conde Drácula e a ter como apoio, a genial atuação do ator Paulo Elias Zaidan, outro saudoso amigo, a interpretar um anão corcunda (Igor), como o seu assistente lacaio.

Nessa gravação da demo, o uso excessivo do pedal fuzz ficou sujo em demasia e a atuação do trio base, baixo/bateria/guitarra é simplória e não convence como uma peça de Rock pesado propriamente dita. Tempos depois a banda gravou essa faixa de uma maneira melhor, é bem verdade.

Bem, essas foram as músicas extras que enfim resgatei em 2025 e agradeço muito ao Laert Sarrumor por esse oferecimento. Abaixo, deixo as outras faixas repetidas em relação às que já havia garantido em 2022.

"Romance em Peruíbe" - Demo Tape de 1980

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/GmXIrmIfLtg

"Tragédia gramatical" - Demo Tape de 1980

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/3L4Xln6GjTk

Resta acrescentar que a capa da fita K7 a conter a demo-tape de 1980 e reformulada em 1981, foi criação de Cassiano Roda, um grande colaborador da banda do início das suas atividades.

E mais um dado: a única música que eu não coloquei juntamente no meu canal 1 do YouTube, a respeito desse resgate de 2025, foi "A Vingança do Hipocondríaco", não repetida nessa versão da demo-tape, exatamente por ter sido suprimida na sua versão de 1981. Nesse caso, o leitor e fã do Língua de Trapo a encontra no meu canal 3 do YouTube, além do meu Blog 3. 

Boa surpresa a reforçar o meu museu virtual, esse adendo de 2025 muito me agradou. Fico na expectativa de ter mais boas surpresas  sobre o Língua de Trapo no futuro, quando das minhas duas passagens pela sua formação, entre os anos setenta e oitenta. 

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Autobiografia na música - Língua de Trapo - Capítulo 144 - Por Luiz Domingues

Feliz pelo resgate de mais material concernente à minha primeira passagem pelo Língua de Trapo e a reforçar dessa forma o meu portfólio pessoal de carreira, eu gostaria de analisar então as faixas que disponibilizei neste momento de setembro de 2025.

"Tragédia afrodisíaca" - Demo Tape de 1980

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/kWtoH9lZo2o

Para início de análise, falo a respeito da faixa "Vingança Afrodisíaca", composição de Guca Domenico e Carlos Melo. A se tratar de um típico samba-de-breque, estilo antigo dentro da vertente do samba e muito apreciado pelos membros da banda, a se constituir de uma forma muito conveniente para expressar letras com alta dose de ironia e até escárnio explícito, a brincar principalmente com a sátira aos costumes e moral vigente, enfim, tal canção usou e abusou de tal prerrogativa e com maestria, eu devo observar.

Na parte técnica do áudio, apesar dessa produção ter sido muito modesta e com direito à inevitável redução em meio a uma época na qual as gravações eram analógicas e neste caso, feitas com poucos canais disponíveis, é surpreendente como apesar das limitações inerentes ao recursos dos quais tivemos, a faixa soa bem. 

As cordas representadas pelo violão, cavaquinho e o baixo, estão bem mixadas e a percussão também se mostra muito bem. O baixo em questão me surpreendeu pelo timbre, pois a despeito de todo o preconceito que havia sobre os instrumentos de marcas nacionais naquela época, eis que o Giannini que eu tinha, a se tratar de uma réplica de baixo Rickembacker, se mostra muito bem, com um timbre médio-agudo bem característico de seu modelo e ao mesmo tempo, com um interessante peso resguardado pelas frequências graves.

Sob a interpretação excelente do Laert Sarrumor, essa música fez muito sucesso nas apresentações do Língua de Trapo desde 1980, e assim prosseguiu nos anos posteriores, sempre a constar da lista de músicas de seus shows, até os dias atuais, inclusive.

A respeito do teor de sua letra que é controverso para os dias atuais, muito provavelmente essa música teria problemas de aceitação generalizada pelo fato de estabelecer piadas sexistas e a ironizar os travestis, mas é o tal negócio: discussões a parte sobre as formas respeitáveis de se fazer humor, se são aceitáveis ou não mediante o entendimento geral de 2025, é fato que no contexto de 1980, era um tipo de humor popular e decorrente até nos programas dessa verve a se provar como popularescos na TV de então, e além do mais, é inegável que a sua construção é bem concatenada enquanto peça de humor.  

"Prazer" - Demo Tape de 1980

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/Q1QtA0tShgs

"Prazer" é outra canção que fez muito sucesso nos primeiros tempos do Língua de Trapo. Composição do Laert Sarrumor, é uma canção que flerta com a bossa nova, mas que insere, igualmente, elementos do samba-canção e da seresta em sua constituição. 

Sob uma letra muito inteligente criada pelo Laert (com sempre, dentro da sua genialidade nata), as ironias neste caso são finas, a usar até do cinismo como ferramenta para brincar com o tema do prazer e nesses termos, ao fazer insinuações divertidas não apenas sobre a libido humana pela via camuflada do duplo sentido, como lançar dardos sobre o comportamento inadequado de certos políticos e neste caso, a se pensar na época pela qual essa música foi composta e mais executada ao vivo, o alvo maior era um certo governador de estado que tinha a fama de ser um ladrão contumaz, mas que demorou décadas para de fato se comprovar as suas falcatruas.

A falar da parte musical e do áudio dessa gravação em específico, acho interessante que o violão executado pelo saudoso Lizoel Costa, tenha recebido o efeito de um pedal Phaser 90 e essa determinação deve ter sido feita pelo meu amigo Lizoel, baseado no fato dele ter tido em sua vida um lado Rocker que os demais membros da banda não tinham, com a minha óbvia exceção.  

Há a incidência de uma percussão discreta, porém muito eficaz através da atuação do grande Fernando Marconi. Em grande parte de sua ação, dá a impressão que ele estabeleceu um típico desenho rítmico de samba através de uma singela caixa de fósforos. Não me recordo, sinceramente, se o Fernando usou de fato uma simplória caixa de fósforos para gravar ou se utilizou um instrumento de percussão formal para reproduzir tal atmosfera tão informal a caracterizar uma ação improvisada de mesa de bar. 

Aliás, cabe acrescentar que essa questão de se edulcorar encontros boêmios de bar, sempre foi um mote usado pelo Língua de Trapo ao longo da sua carreira inteira, exatamente para recriar uma atmosfera de MPB antiga, um de seus motes prediletos, principalmente na ótica de Guca Domenico e Carlos Melo, os membros mais entusiasmados pelas raízes tradicionais da MPB.

Vale ainda ressaltar que a interpretação do Laert é cheia de maneirismos que são divertidíssimos, ao abusar de gritinhos e onomatopeias e que eu afirmo que funcionavam ao vivo de uma maneira muito eficaz. 

Continua...

domingo, 28 de setembro de 2025

Autobiografia na música - Língua de Trapo - Capítulo 143 - Por Luiz Domingues

O lado bom de ter chegado a um ponto longevo da carreira e da vida, é que por estar no ramo artístico e cultural, muita novidade surge o tempo todo a alimentar as redes sociais, sobretudo com menções, discussões, fóruns, homenagens e toda a gama de citações ou apresentação de materiais de todo o tipo a respeito de diversas bandas pelas quais eu atuei no passado e ainda atuava naquele então presente.

Portanto, mesmo sobre os trabalhos mais antigos, cuja perspectiva de aparecer algum material surpreendente é mais remota, na prática isso não pode ser considerado como uma regra rígida, porquanto a qualquer momento pode ser anunciada alguma novidade extraordinária.

Outro ponto importante, é que tenho como característica pessoal o otimismo e nesses termos, guardo comigo a esperança sempre vívida de que resgates arqueológicos a respeito de todas as bandas pelas quais atuei no passado possam surgir e nutro tal sentimento sem obstinação, pois dentro de uma visão realista, não tomo tal expectativa como algo imperativo, todavia, quando simplesmente aparece algo nesse sentido, me regozijo, simplesmente.

No caso específico da demo-tape gravada pelo Língua de Trapo ao final de 1980, eu já havia resgatado anos atrás, três faixas desse trabalho realizado, com a minha participação como membro oficial do grupo, durante a minha primeira passagem por ele, entre 1979 e 1981.

Cabe uma boa explicação sobre a fita K7 em si. O fato é que essa fita foi gravada e lançada em 1980, mas quando eu saí da banda em janeiro de 1981, o Língua de Trapo passou por uma profunda reformulação. E nesses termos, quando uma nova formação se colocou em plena atividade, os seus membros resolveram entrar em estúdio novamente para gravar mais músicas novas que estavam a ser preparadas.

E como consequência, foi tomada a resolução de reformular a fita demo original de 1980, ao suprimir algumas músicas e acrescentar outras, que haviam gravado recentemente. O resultado prático dessa mudança, foi que a fita nova que passaram a vender nos shows e que também se tornara o material de divulgação principal da banda na ocasião e que certamente muito contribuiu para a sua ascensão meteórica da metade de 1981 em diante, é fato,  por conseguinte, que diminuiu e muito a minha participação.

Isso está expresso na ficha técnica que foi anexada como um encarte da fita K7, ao assinalar a então nova formação e destacar o meu nome e o do tecladista, Celso Mojola como ex-membros e a destacar as faixas em questão das quais atuamos a gravar.

Em suma, ao ser brindado pelo meu amigo Laert Sarrumor em setembro de 2025, com o acesso ao material, pude enfim resgatar as seis faixas das quais participei nessa fita remodelada de 1981. No caso, apenas quatro, é preciso ressalvar, pois, conforme eu já havia esclarecido anteriormente, três faixas já haviam sido expostas no meu canal de YouTube número 1 e também nos meus Blogs 2 e 3 e no caso, dessas três, apenas uma não consta nessa versão remodelada de 1981.

E por fim, deixo registrado que apesar de ter lançado as tais três músicas anteriores, fiz questão de reproduzir as duas que são repetidas em relação às publicações que eu havia feito anteriormente no meu canal 3, por simplesmente ter desta feita, uma "capa" nova a conter as ilustrações que o Laert também me enviou nessa remessa de setembro de 2025. 

Continua... 

domingo, 20 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 142 - Por Luiz Domingues

Eis que então a versão da música, "Tragédia Gramatical", proveniente da fita K7, "Sutil como um Cassetete", ganhou a sua exposição no YouTube, para se somar ao armazenamento que já existia na plataforma, "Soundcloud", anteriormente providenciado pelo Laert Sarrumor.

Sobre a gravação de "Tragédia Gramatical" em si, creio já ter comentado amplamente em capítulos anteriores sobre tal peça e a circunstância com a qual a gravamos para essa demo de 1980. 

Posso acrescentar que guardadas as devidas proporções, o áudio que ouvimos nessa gravação é bem razoável e mostra com fidedignidade como a banda soava em seus primórdios, a demarcar bem a minha primeira passagem pela banda (1979-1981), se visto pela minha história em particular.

"Tragédia Gramatical" (Laert Sarrumor). Faixa extraída da demo-Tape "Sutil Como um Cassetete", gravada em e lançada em 1980.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=mEaJ9sa2sic

Formação do Língua de Trapo nesta faixa:

Pituco Freitas: Voz 

Lizoel Costa: Guitarra 

Celso Mojola: Piano 

Fernando Marconi: Percussão 

Laert Sarrumor: Backing vocals 

Carlos Castelo (Mello): Backing vocals 

Guca Domenico; Backing vocals 

Luiz Domingues: Baixo

"Romance em Peruíbe" (Laert Sarrumor-Guca Domenico). Faixa extraída da Demo-tape "Sutil como um Cassetete", gravada e lançada em 1980.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=_X9my13ZMJQ

Formação do Língua de Trapo nesta faixa: 

Laert Sarrumor: Voz 

Lizoel Costa: Guitarra 

Celso Mojola: Piano 

Fernando Marconi: Percussão 

Guca Domenico: Backing vocals 

Pituco Freitas: Backing vocals 

Luiz Domingues: Baixo

"A Vingança do Hipocondríaco" (Carlos Mello-Celso Mojola). Faixa extraída da Demo-tape "Sutil como um Cassetete", gravada e lançada em 1980.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=C6b-4zcdE9c

Formação do Língua de Trapo nesta faixa: 

Laert Sarrumor: Voz 

Lizoel Costa: Cavaquinho 

Celso Mojola: Piano 

Fernando Marconi: Percussão 

Guca Domenico: Violão 

Luiz Domingues: Baixo

Faixas gravadas no estúdio Cia. Iltda. de São Paulo em algum dia não registrado de novembro de 1980, em quatro canais. Técnico de captura e mixagem: De Boni.

Para aproveitar o ensejo, acrescento que algumas fotos inéditas surgiram e foram devidamente coletadas nos últimos anos (falo sobre o período em que eu encerrei o capítulo geral da minha história com o Língua de Trapo dentro do contexto da minha autobiografia que alimentou o meu primeiro livro, "Quatro Décadas de Rock"), e que se encontram, portanto, disponíveis no arquivo do meu Blog 3 da internet. Para ver tais fotos recuperadas das minhas duas passagens pelo Língua de Trapo, acesse:

http://luizdomingues3.blogspot.com/

Outra novidade recente (2020), foi o lançamento de uma almofada a conter a capa e contracapa do Compacto "Sem Indiretas" como estampa, a se tratar do único álbum oficial que eu gravei com o Língua de Trapo em 1984. Neste caso, fui eu mesmo que encomendei tal peça junto à artesã e artista plástica, Amanda Fuccia.

No início de 2021, eu participei de uma sessão de fotos para repercutir essa linha de capas de almofadas criadas pela Amanda, sob a lente de sua mãe, a fotógrafa Ana Fuccia, igualmente uma grande amiga e que nos idos do começo dos anos 2000, comandou várias sessões de fotos promocionais da Patrulha do Espaço, banda da qual eu fui membro na ocasião, além de fotografar o nosso grupo ao vivo, muitas vezes em diversos shows.

Paulo Elias Zaidan, o popular Paulinho, que nos deixou em 2022. Fonte: internet. Click: desconhecido

A nota triste sobre o Língua de Trapo em 2022, foi o falecimento do nosso companheiro, Paulo Elias Zaidan, o popular, Paulinho. Severamente comprometido por um câncer, ele nos deixou em 10 de junho. Jornalista e portanto colega da maioria dos membros originais por ter sido estudante da mesma turma de 1979, que se conheceu na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, ano em que o embrião mais remoto da banda foi formado, Paulinho foi mais que um entusiasta e colaborador inicial, ao se tornar logo a seguir um membro a atuar como ator nos shows e a se revelar um elemento muito importante para o desenvolvimento das sketches, piadas e afins que compunham as apresentações do nosso grupo.

Amigo querido de todos, sempre foi um companheiro gentil, solícito e muito bem-humorado nos bastidores, a garantir o bom astral sempre preservado entre nós, mesmo ante aborrecimentos pontuais que toda banda enfrenta na estrada. Que descanse em paz, agora ao lado do Lizoel Costa, que também nos deixara anteriormente.

E neste momento de 2022, eis que vieram três músicas da demo-tape de 1980, devidamente alojadas no YouTube, como um adendo de material para enriquecer a minha autobiografia, notadamente sobre a minha participação como componente do Língua de Trapo.

Por dedução, fica em aberta a perspectiva de surgir mais material concernente às minhas duas passagens por essa banda (1979-1981 & 1983-1984) e assim, a abrir caminho igualmente para um prolongamento da minha própria história com essa banda.

Viva o Língua de Trapo!

sábado, 19 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 141 - Por Luiz Domingues

Dentro da perspectiva que se abrira para a construção da minha autobiografia já há alguns anos, inclusive a dar conta de que a qualquer momento poderiam surgir fatos novos sobre antigos trabalhos, nenhuma banda com a qual atuei no passado haveria de se ausentar de tal predisposição.

Foi assim que shows reunião com a Patrulha do Espaço e o Pedra ocorreram, quase houve o d'A Chave do Sol, e neste caso somente interrompido pelo advento da grande pandemia decorrente do Coronavírus e em seguida pela morte repentina do Rubens Gióia.

E sim, muitas novidades surgiram em termos de discos póstumos, vídeos, resgate de material em geral, principalmente para Patrulha do Espaço, mas igualmente para o Pedra e com o destaque para o lançamento de meia dúzia de discos piratas a conter material raro d'A Chave do Sol, além de novidades com clips novos para o Pitbulls on Crack.

Nesses termos, fiquei atento e já a antever que tais bandas poderiam gerar mais novidades vindouras e melhor ainda, outras bandas do passado da minha carreira, igualmente poderiam vir à tona com novidades.

Foi quando em 2022, eu finalmente comecei a organizar os três canais que eu possuía e não usava simplesmente, no portal do YouTube, por não saber lidar com a tecnologia, principalmente, nos anos anteriores. Por conta de haver dominado vários aspectos dessa linguagem, eu percebi que poderia enfim dar um destino organizado para tais ferramentas e em princípio, destinei cada canal a ser um veículo de apoio ao seu respectivo blog correspondente.

E uma das primeiras resoluções que tomei, foi a de organizar a apresentação inicial de cada canal, com as suas respectivas configurações bem ordenadas e para tal, considerei que estabelecer uma unidade de "playlists" para cada canal, a conter todo o material em vídeo correspondente para cada banda pela qual atuei e atuava naquela realidade de 2022, se fez mister.

E no bojo dessa organização em sentido uniforme para os três canais, eu percebi que precisava ter o domínio completo sobre todos os discos que eu gravei em minha carreira, mediante atuação em todas as bandas pelas quais fui membro, para me tornar independente dos endereços alheios e não ser frustrado com o advento de pessoas, muitas das quais eu nem conhecia pessoalmente, que simplesmente poderiam tirar do ar o seu conteúdo, sem maiores explicações e eu ficar sem referência sobre as músicas que gravei.

Foi nesse sentido inicial que eu fiz questão de ter as duas músicas que gravei ao vivo com o Língua de Trapo, lançadas no compacto "Sem Indiretas" de 1984, sob o meu domínio, e claro, a fornecer todos os créditos devidos para quem de direito e devidamente avisado pelo YouTube de que uma possível futura monetização do meu canal renderia aos detentores dos direitos sobre as duas músicas, a devida parcela de seus direitos autorais assegurados.

"Amor à Vista" (Laert Sarrumor) - Compacto "Sem Indiretas" - 1984

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=4xTm9YMY1ZU

"Deve Ser Bom" (João Lucas) - Compacto "Sem Indiretas" - 1984

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=IvH7SX00pg4

No entanto, obter o domínio sobre a renderização para as músicas que gravei através dos discos lançados pelas minhas tantas bandas acumuladas na carreira, não caracterizava uma novidade gerada, propriamente dita. Portanto, a novidade que o Língua de Trapo movimentou para a minha autobiografia em pleno 2022, ou seja, trinta e oito anos depois da minha saída da banda (em minha segunda passagem por ela, bem explicado), foi outra, mais esfuziante.

Ocorre que eu sabia há tempos que o meu colega, Laert Sarrumor, tinha salvo três músicas da demo-tape que havíamos gravado em 1980, em uma plataforma que armazenava áudio, chamada "Soundcloud". Tudo bem, eu havia anexado ao capítulo correspondente dessa efeméride, os três "links" a representar tais músicas para que os leitores tivessem acesso, assim como no arquivo do meu Blog 3, a conter todo o material gerado pelo Língua de Trapo em minhas duas passagens pela banda.

No entanto, assim que comecei a organizar de fato os meus canais de YouTube, eu percebi que enriqueceria em demasia o acervo se tais músicas ganhassem igualmente uma publicação no YouTube, muito mais popular e acessível facilmente por conseguinte, e melhor ainda, a conter uma ficha técnica mais robusta para ilustrar melhor a história da banda e por extensão a minha, com o partícipe dessa realização histórica dos primórdios do Língua de Trapo.

Continua...

terça-feira, 23 de junho de 2020

Luiz Domingues: Primeira Entrevista ao Programa Vitrola Verde / Cesar Gavin


Amigos: é com prazer que eu anuncio o lançamento do primeiro episódio da minha entrevista concedida ao amigo, músico e ativista cultural, Cesar Gavin, para o seu espetacular canal, Vitrola Verde! 

Neste episódio, eu contei histórias sobre a minha primeira banda em 1976, o Boca do Céu, as duas passagens que eu tive pelo grande Língua de Trapo, também sobre a banda cover, Terra no Asfalto em que fiz parte, além de um trabalho avulso que eu tive em 1980 e que gerou uma participação em disco.
Eis o link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=01zQDwxHWeE

sábado, 26 de janeiro de 2019

Crônicas da Autobiografia - Elogiado por não Exalar Maus Odores! - Por Luiz Domingues

Aconteceu no tempo da minha segunda passagem pelo Língua de Trapo, por volta de 1984

Em minha segunda passagem pelo Língua de Trapo, conforme eu já narrei com detalhes em meu livro autobiográfico, a banda atingira um outro patamar de profissionalismo, pelo qual eu não vivenciara em minha primeira participação na formação dessa banda. 

E por conta disso, em meio aos inúmeros fatores que me atordoaram a partir da minha volta, em outubro de 1983, um deles foi a grande profusão de shows e viagens para se cumprir turnês longas. 

Ótimo, não trata-se de uma queixa de minha parte de forma alguma, pois pelo contrário, isso representou de fato o que eu mais desejava em termos de realização pessoal, desde que imbuíra-me da determinação de ser um músico profissional, nos primórdios da minha primeira banda, o Boca do Céu e na companhia, coincidentemente, de meu amigo e também fundador do Língua de Trapo, o Laert Julio, vulgo Laert "Sarrumor".

Posto isso, o fato é que logo nas primeiras viagens, a adaptação com os novos companheiros foi instantânea. Muitos eram egressos do momento inicial da banda, ou seja, foram meus colegas entre 1979 e 1981 e os que eu não tivera convivência direta, eu também já conhecia por outras circunstâncias, portanto, não havia nenhum estranho ali para eu conviver. 

E sendo dessa forma com amizade e liberdade com todos, assim que chegávamos a um hotel para estabelecer o check-in, não havia nenhuma restrição de minha parte em relação a ninguém e vice-versa, para dividirmos quartos duplos ou triplos para a hospedagem. 

A conversa e a camaradagem foi sempre boa com todos. Mas um dia, uma manifestação de um dos colegas, surpreendeu-me e aos demais, ao motivar risadas generalizadas e a graça dessa manifestação foi exatamente pelo fato do depoimento do colega em questão, ter sido feito sob absoluta sinceridade e seriedade, ou seja, ele não estava a propor uma piada para causar a descontração geral, mas apenas a tecer um comentário honesto.

E o que ele disse? Bem, na hora do check-in, o meu amigo, que era (é) um músico extraordinário, compositor, cantor e um sujeito culto e muito gentil (mas cujo nome eu não vou citar para não constrangê-lo), afirmou que preferia dividir o quarto comigo, Luiz Domingues, em detrimento do outro colega nosso, que fora ventilado ali na hora, pois considerava-me um sujeito educado, que não falava alto, não tinha "chulé" e também por nunca ter flagrado-me a "arrotar" e sobretudo, por conta de eu não costumar "peidar"... 

Bem, após elencar tais virtudes da minha pessoa com uma voz pausada e sob absoluta seriedade, a gargalhada generalizou-se no saguão do hotel, pois mais do que enaltecer a minha pessoa por tais quesitos, alguns deles bizarros, diga-se de passagem, o contraponto foi imediato em relação ao outro colega (cujo nome eu não citarei, pelo mesmo motivo alegado sobre o autor da frase), por supostamente ele não ter as mesmas qualidades em termos de decoro, que eu possuía. 

Em suma, tínhamos ali um grupo formado por homens entre vinte e trinta anos de idade, mas como acontece em qualquer comitiva, não importa a maturidade atingida pelo fator cronológico, pois a tendência é que todos nós tornemo-nos meninos em idade escolar, quando agrupados em excursões... 

Por isso, não teve jeito, pois o colega rejeitado tornou-se alvo das brincadeiras e apelidos jocosos decorrentes de tal exposição, por pelo menos alguns dias, com a fama adquirida por expelir odores desagradáveis durante o seu adormecer noturno...

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 140 - Por Luiz Domingues

Lizoel Costa
Lizoel Costa mostrava-se o mais engajado na música, quando o conhecemos no segundo semestre de 1979. Enquanto os demais eram estudantes de jornalismo a envolver-se com a música, ele já colocava-se como um músico profissional que estudava jornalismo. Através dele, tive oportunidades para ganhar dinheiro como músico, quando este impulsionou-me por diversos trabalhos avulsos que realizei, através de suas indicações. Tais histórias bizarras que vivemos juntos nesses trabalhos, estão relatadas nos capítulos dos "Trabalhos Avulsos".

O Lizoel era uma figura muito agradável no convívio, e certamente entre todos os membros, o que mais ligara-se em questões estratégicas de construção de carreira. Enquanto os demais divagavam a sonhar com o sucesso, mas sem planificação objetiva alguma, ele enxergava na frente, sempre a pensar na estratégia, em aproveitar as oportunidades, contatos etc.


Nessa época em que o conheci, décadas antes da Internet tornar-se aberta e popular, ele costumava carregava em sua bolsa, um caderno com centenas de nomes e números de telefones de músicos. Tratava-se de um cadastro que organizara, e de onde vivia a indicar instrumentistas e cantores para diversos trabalhos. Sempre procuravam-lhe a perguntar : -"Lizoel, preciso de um guitarrista para tocar tal estilo de música"...; -"preciso de um saxofonista para tocar Jazz"; "preciso de uma cantora de MPB"...

Ele parecia uma agência de empregos ambulante... e assim, ajudou muita gente a colocar-se no mercado e garantir o pão nosso de cada dia. Quando voltei à banda em 1983, a sua veia natural para a logística e construção de carreira, estava ainda mais aguçada. Tivemos muitas conversas nesse sentido, e certamente que aprendi muito com ele. Depois que o Língua de Trapo deu uma parada, por volta de 1988, ele engatilhou um trabalho com o ex-Secos & Molhados, Gerson Conrad, na verdade, ambos formaram uma banda : "Banda Nacional", mas que não teve longa carreira, infelizmente. Na volta do Língua de Trapo, no início dos anos noventa, ele já não fazia parte da nova formação, e estava de volta à sua cidade natal, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde por muitos anos foi um radialista com sucesso. Inclusive, falei com ele em 2006, ao visar divulgar o CD de estreia do Pedra, recém lançado na ocasião. Com minha entrada na vida virtual em 2010, reativamos o contato através da extinta Rede Social Orkut, de onde soube que havia mudado-se para Brasília e trabalhava na ocasião, como assessor de imprensa do Conselho Federal de Odontologia.

Infelizmente, tivemos uma péssima notícia sobre o Lizoel Costa, em 2014. É com muito pesar, que anuncio que ele faleceu no dia 7 de maio desse ano, em sua cidade natal, Campo Grande / MS, aos 58 anos de idade, vítima de uma aneurisma cerebral. Fico com as lembranças boas do tempo em que trabalhamos juntos no Língua de Trapo, além de alguns trabalhos paralelos em que ele mesmo encaixou-me, dentro daquela prerrogativa citada anteriormente, a exaltar a sua capacidade para abrir portas para diversos músicos poder trabalhar e ganhar dinheiro. 

Em 9 de maio de 2014, o programa, "Rádio Matraca", realizou um programa especial em sua homenagem, que está disponível em arquivo permanente na Internet, através do Link abaixo, no site da emissora USP FM / 93.7 de São Paulo. 

http://www.radio.usp.br/programa.php?id=20

Abaixo, o Link da Folha de São Paulo, a anunciar o seu falecimento :

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/05/1451596-morre-aos-58-anos-o-musico-lizoel-costa-da-banda-lingua-de-trapo.shtml

Abaixo, o Link da Revista Rolling Stone a noticiar também o falecimento do Lizoel Costa :

http://rollingstone.uol.com.br/noticia/morre-lizoel-costa-da-banda-lingua-de-trapo/

Vá em paz, velho amigo e muito obrigado por tudo, "Bitcho" !

Pituco Freitas

Antonio "Pituco" Freitas, era um rapaz com potencial vocal espetacular, quando o conheci em 1979. Mas no início, mostrava-se sério, compenetrado. Assim foi a apresentar-se nos primeiros tempos difíceis da banda, até que um fato inusitado do destino mudou a sua perspectiva artística. Graças ao nervosismo em enfrentar cinco mil pessoas em meio a um festival universitário de MPB, realizado na cidade de Bauru / SP, em 1980, transformou-se completamente, e dali em diante, explodiu como um frontman com enorme desenvoltura cênica, praticamente a tornar-se um ator performático em cena.

Como pessoa, um colega excepcional; amigo; prestativo e solidário. Por meio indireto, foi o responsável por eu ter conhecido o baterista, José Luiz Dinola (por conta de seu irmão, o guitarrista, Pitico Freitas), com o qual fundei e atuei com A Chave do Sol.
Pituco  Freitas vive no Japão há muitos anos, onde sedimentou uma carreira como cantor / violonista e compositor, quando voltou às suas raízes como um intérprete "sério", para deixar o humor de lado, mas a encantar os nipônicos com a sua Bossa Nova muito bem tocada e cantada. 

Laert Sarrumor

Laert "Sarrumor", claro, sempre foi o centro irradiador, o grande dínamo da energia criativa da banda, e assim, o tem sido até hoje, e sempre será. Agradeço-o por ter levado-me ao "Grupo de Poesia e Arte Faculdade Cásper Líbero", quando inseriu-me em um novo núcleo, de onde eu supostamente não fazia parte , inicialmente. De certa forma, graças a tal gesto de amizade de sua parte, garantiu que a semente do Boca do Céu germinasse, para dar início a uma nova cria, que só um ano mais tarde, tornar-se-ia assim, o Língua de Trapo. 

Como já disse, fomos encontrando-nos posteriormente nesses anos todos, após a minha saída do Língua de Trapo, em 1984, em muitas circunstâncias. Por divulgar outros trabalhos meus, com outras bandas em que fui componente, no seu programa de Rádio (Rádio Matraca / USP FM); encontros fortuitos em lugares inusitados (encontros de rua, como até em uma papelaria, certa vez); bastidores de shows; e pelo fato dele ter afeiçoado-se ao Pedra e ter assistido muitos shows dessa banda, da qual eu fui componente, de 2004 a 2011 e 2012 a 2015. Estive em festas de aniversário dele, e mantemos um ótimo contato permanente, pelas Redes Sociais da Internet.

Quando encerrei o texto bruto da minha autobiografia referente ao Boca do Céu, aqui no meu Blog 2, mandei-lhe imediatamente o Link para que ele lesse tudo. Vivo a instigar-lhe para que escreva a sua autobiografia também. Ele, que já escreveu livros com muito sucesso (foi best-seller absoluto por várias semanas, inclusive), e tem o traquejo, faria / fará, um trabalho magnífico. Todavia, em conversa reservada, disse-me que ainda reluta em dar início. De minha parte, tem o meu apoio total, e nas partes onde nossas respectivas trajetórias cruzam-se, eu adorarei ter o ponto de vista dele sobre o Boca do Céu e o Língua de Trapo, bandas onde atuamos juntos. E revelo um dado que considero pertinente, e sei que isso não o aborreceria : na época do Boca do Céu, ele mantinha o hábito em escrever um diário. Portanto, munido dessas anotações, ele tem tudo para escrever tal história com muito maior riqueza de detalhes do que eu fiz, pois as minhas anotações de apoio resumiram-se a datas de shows; locais e respectivo público presente, além de formação da banda e uma ou outra ocorrência especial.

Bem, é isso...  falei sobre todos os músicos que foram componentes nas duas passagens em que eu estive na banda; os membros honorários que muito contribuíram para o sucesso dela, e de todos os que estiveram mais diretamente ligados à sua produção. Agradeço a cada um, pela oportunidade em ter feito parte dessa história. Último capítulo dessa importante etapa de minha trajetória musical. A encerrar, peço desculpas pelas saídas que tive de efetuar, e pelas mágoas e transtornos decorrentes desses dois atos desagradáveis que cometi contra a instituição, Língua de Trapo. Sinto orgulho por ter feito parte dessa história. 

A banda está em atividade até os dias atuais (no ano de 2016, quando encerrei o texto bruto da autobiografia, o Língua de Trapo estava prestes a participar da premiação do Grammy Latino, nomeado em várias categorias pelo seu último e ótimo álbum, lançado nesse ano, denominado : "O Último CD da Terra"). Espero que assim prossiga por muitos anos, para arrancar as gargalhadas sinceras do público, e também para fazê-lo pensar, pois o humor do Língua de Trapo não é o popularesco, mas sim o de poder reflexivo. Quando o Língua de Trapo provoca risadas nas pessoas, elas riem de si mesmas, refletidas no espelho, ao ver que a sociedade e o poder político e econômico, são meramente reflexos da nossa própria mentalidade. Riem, mas pensam a seguir. 

Meu muito obrigado a todos que estiveram comigo nessas duas etapas de minha carreira. Meu muito obrigado ao Laert "Sarrumor" Julio Pedro Jesus Falci, um artista genial que conheci em um dia em 1976, e que graças ao seu talento e perseverança, deu-me a mão, e puxou-me a sair de um sonho impossível para a realidade da música e da arte. Vida longa ao Língua de Trapo !

Daqui em diante, a minha autobiografia na música segue com os capítulos dos "Trabalhos Avulsos", que realizei, fora das bandas oficiais onde atuei.

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 139 - Por Luiz Domingues

Serginho Gama
Sergio Gama e Silva, o popular, Serginho Gama, entrou na banda praticamente quando eu saí pela primeira vez, em 1981. Ele é hoje, o segundo membro mais antigo da banda, só a perder para o Laert Sarrumor, nessa longevidade. A sua situação é semelhante à parceria do Ian Anderson, com o Martin Barre, no Jethro Tull, ou seja, um verdadeiro fiel escudeiro do Laert. Serginho é um grande músico; arranjador e maestro da banda, desde então. E aprendeu a ser um elemento cômico, quando apurou a sua performance ao longo do tempo, e tornou-se assim, um músico importantíssimo para a banda, mas também importante como um ator de apoio às sketchs. Calmo, sensato e brincalhão nos bastidores, sempre foi um colega agradável comigo, ao ajudar-me com dúvidas de harmonia, logo que voltei para o grupo, em 1983. Também vemo-nos sazonalmente, mas estamos conectados nas Redes Sociais da Internet. 

Além do Língua de Trapo, na atualidade, o Serginho mantém trabalhos paralelos, incluso um duo espetacular de violões com o baixista atual do Língua, Cacá Lima, onde fazem releituras sensacionais para clássicos do Rock 1960 / 1970, de forma instrumental, muito criativa e técnica.

Nahame "Naminha" Casseb


O Nahame Casseb, popular, "Naminha", é um tremendo baterista, técnico e muito preciso. Sempre que detectava um erro de andamento, ficava muito bravo no palco, pois não conformava-se com os demais músicos da banda, por não ter essa percepção tão precisa quanto a dele. Mas além desse perfeccionismo compreensível, era / é, um tremendo amigo, super brincalhão, com alto astral.

Descendente de árabes, mas com olhos azuis, era muitas vezes chamado como : "Lawrence da Arábia", uma brincadeira óbvia, e sob cunho cinematográfico, aliás, um mote comum para quase todos os componentes do Língua de Trapo, incluso eu, pois éramos uma banda formada por cinéfilos, sem dúvida. Algumas vezes, eu, Luiz Domingues; ele, Naminha e Serginho Gama, brincávamos de tocar trechos de obras clássicas do Rock Progressivo setentista, nos momentos de soudcheck, paixão mútua entre nós três. Muitas vezes tocamos trechos de músicas do Yes, para equalizar a banda no soundcheck. Desinibido, contribuía também com a parte cênica, dentro do possível, pois para os bateristas sempre fica muito difícil fazer coisas além de sua função vital ao instrumento.


Naminha morou muitos anos no Japão, onde acompanhou grandes artistas da MPB, em shows realizados naquele país. Encontramo-nos em 1996, por ocasião do Show Tributo à Janis Joplin, organizado pelo Laert, e foi a última vez em que tocamos juntos. Falamo-nos pouco atualmente, mas estamos conectados no Facebook. Naminha é uma fera como side man para artistas da pesada da MPB, e já acompanhado vários astros, incluso o grande, Cauby Peixoto, com o qual tocou até os últimos dias desse grande cantor.

João Lucas

João Lucas é um grande músico; compositor; arranjador, e tem também uma veia para o humor, muito boa. Enquanto os demais eram mais escrachados, o João trazia à banda, o elemento do humor sarcástico, sob a verve britânica. Quando eu voltei à banda, em 1983, temi que pudesse ter um relacionamento difícil com ele, pelo fato de eu estar a substituir o seu próprio irmão, o baixista, Luiz Lucas. Ledo engano e grata surpresa, tornamo-nos muito amigos e ele foi um dos que mais sentiu a minha saída, em 1984. Um homem muito culto, educado e dotado de uma memória incrível, fora a paixão pelo Rock; anos 1960 e cinema, foi óbvio que ficaríamos muito amigos. Morador do bairro da Vila Olímpia, há muitos anos, morava na mesma rua da escola onde estudei, de 1968 a 1976. Não conhecemo-nos nessa época, mas tínhamos as mesmas raízes, lembranças, e só quem conhece bem aquele bairro da zona sul de São Paulo, sabe o que é o barulho de um Boeing a passar a menos de duzentos metros de nossas cabeças...

Outra paixão mútua nossa, era (é) a cidade de São Paulo. Para contrariar a média normal das pessoas, que adoram odiar São Paulo, eu e João Lucas somos apaixonados pela Pauliceia. Essa paixão da parte dele, expressava-se às vezes de uma forma muito engraçada. Nunca esqueço-me de uma ocasião, quando fomos a uma cidade do interior, e assim que chegamos nessa referida localidade, ainda sob a escuridão da madrugada, e com as ruas completamente desertas, algo bizarro aconteceu. A dormir na poltrona da "janelinha" do ônibus, João Lucas acordou de súbito, quando alguém exclamou que estávamos a chegar, e sonolento, olhou pela janela. Só havia um gato a locomover-se preguiçosamente pela rua deserta e então, ele disse : -"o que acontece em uma cidade dessas ? Veja a grande novidade... um gato acabou de passar"...
Essa piada acompanhou-nos durante o dia inteiro...


O João Lucas deve tomar banho de formol. Fiquei anos sem vê-lo, e quando encontramo-nos em 2005, no camarim do Sesc Pompeia, ele parecia ser o mesmo colega que tocara comigo em 1984 ! Falei-lhe isso, claro, com estupefação, mas em tom de elogio, certamente.
Recentemente (cerca de 2012), conectamo-nos no Facebook e conversamos bastante. Geralmente sobre política, mas a música e o Rock em específico, também são objetos de nossas animadas conversas. Um grande sujeito !

Tenho visto o João Lucas a anunciar composições suas, sensacionais na Internet, fortemente influenciadas por compositores como Burt Bacharah; Henry Mancini e Ennio Morricone, entre outros. São temas instrumentais perfeitos para tornar-se trilhas de filmes, uma de suas paixões e aliás, minha também.



Continua...

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 138 - Por Luiz Domingues

Guca Domênico
Guca Domênico fora um jovem estudante de jornalismo quando o conheci, com muito idealismo, fervor pela política, e também a apresentar um talento nato para a música. Compositor; violonista; cantor e letrista com mão cheia, é autor de muitas músicas de sucesso da banda, fora as ideias para piadas; gags & sketchs, que sempre enriqueceram os shows do Língua de Trapo. Guca sempre foi um rapaz com alto astral, e sua presença era agradável em shows; ensaios; reuniões etc. No início, foi um membro oficial e subia ao palco, cantava e tocava o seu violão. Mas chegou em um ponto, onde tornou-se um membro honorário, sempre próximo e a alimentar a banda com o seu material de criação, mas a participar dos shows apenas sazonalmente, como convidado especial. 

O Guca possui uma carreira solo com discos e composições gravadas por outros artistas, além de muitos livros publicados e destacada atuação como professor, também. Vejo o Guca muito pouco atualmente. A última vez que conversamos com calma, foi no camarim do Sesc Pompeia, em São Paulo, em 2005, no show de comemoração aos 25 anos da banda (que foram 26 na verdade...).

Carlos Mello (Castelo)

Carlos Mello (Castelo), é outro genial compositor que muito contribuiu para o sucesso da banda. Na mesma dinâmica em que o Guca atuara, o Carlos Mello subia ao palco para performances e intervenções musicais simples, ao fazer backing vocals, no início dos tempos da banda. Sua imitação de Paulo Maluf, na música "Teologia do Sambão", foi hilariante e levara o público ao delírio. Na minha segunda fase a participar da banda, ele já havia adotado a postura em ser membro honorário e somente a participar do seu núcleo de criação, mas sempre a oferecer ideias incríveis. Foi através dele que o tecladista, Celso Mojola, entrou na banda, mas na segunda fase em que participei, o Mojola já havia sido substituído pelo João Lucas.

Carlos Mello prosseguiu firme no jornalismo, e assim trabalhou muitos anos no jornal : "O Estado de São Paulo", onde li muitas matérias de sua autoria. Tremendo colega, sempre foi muito camarada para comigo. Carlos foi o único membro que citou-me no documentário sobre a história do Língua de Trapo (não estou a puxar a orelha de ninguém, não melindrem-se os demais componentes do Língua de Trapo, mas é apenas uma constatação). Também não falo com ele desde, 2005, na mesma ocasião em que conversei com o Guca Domênico.

Paulo Elias Zaidan


O Paulo Elias Zaidan fora um colega da faculdade, que acompanhou todo o começo da banda, mas não atuara em demasia nos primeiros momentos. Quando eu voltei à banda, ele estava super bem como ator oficial na banda, com a sua participação sendo vital para o desenvolvimento do show. Um dos amigos mais alto astral que conheci, foi um aglutinador por natureza. Onde ele estava, não havia lugar para o mau humor, pois sempre descontraia -nos com as suas brincadeiras.
Luiz Domingues e Paulo Elias na escadaria da saída de emergência do Teatro em Lira Paulistana em 31 de julho de 1984. Click; acervo e cortesia de Julio Revoredo

Continua...