Durante anos, a música "Ships", da trilha da Novela Água Viva, trazia-me a
imagem dos barcos da praia de Botafogo.
E ficava dentro de mim algo me incomodando, como um sonho vago e indefinido. A imagem do ator que pegava o barco e ganhava o mar, deixando tudo para trás, sugeria-me uma fantasia vaga.
Um dia, finalmente, nasceu o poema “Os Barcos”.
Acredito que um dos mais inspirados da minha vida, pois sempre que passo pela Praia de Botafogo, até hoje, meu olhar se vai ao longe, sonhando, sonhando.
Só que aconteceu o inacreditável: um maldito vírus comeu o poema que, sem dúvida, foi um dos que mais demoraram a tomar forma, posto que muitas, a imensa maioria das minhas composições são instantâneas. Esse poema definitivo, que levou mais de década, perdi-o, como tantas outras coisas que já perdi.
Não sei se tenho forças para tentar reescrevê-lo.
Algumas batalhas na vida eu já desisti por cansaço.
De qualquer modo, há uma magia entre eu e os Barcos da Praia de Botafogo, uma espécie de promessa de que um dia serei livre para poder estar ali, eu, os barcos e o infinito mar!
Crônica extraída do livro "Mais Vazio que o Paraíso"
Marcelino Rodriguez é colunista ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos traz uma crônica de seu livro "Mais Vazio que o Paraíso, lançado em 2002.
Fala sobre como a imagem de um barco o inspirou a escrever um poema, e como este se perdeu de forma efêmera, lhe trazendo a incerteza sobre ter tal epifania novamente, um dilema para todo artista, certamente.
E ficava dentro de mim algo me incomodando, como um sonho vago e indefinido. A imagem do ator que pegava o barco e ganhava o mar, deixando tudo para trás, sugeria-me uma fantasia vaga.
Um dia, finalmente, nasceu o poema “Os Barcos”.
Acredito que um dos mais inspirados da minha vida, pois sempre que passo pela Praia de Botafogo, até hoje, meu olhar se vai ao longe, sonhando, sonhando.
Só que aconteceu o inacreditável: um maldito vírus comeu o poema que, sem dúvida, foi um dos que mais demoraram a tomar forma, posto que muitas, a imensa maioria das minhas composições são instantâneas. Esse poema definitivo, que levou mais de década, perdi-o, como tantas outras coisas que já perdi.
Não sei se tenho forças para tentar reescrevê-lo.
Algumas batalhas na vida eu já desisti por cansaço.
De qualquer modo, há uma magia entre eu e os Barcos da Praia de Botafogo, uma espécie de promessa de que um dia serei livre para poder estar ali, eu, os barcos e o infinito mar!
Crônica extraída do livro "Mais Vazio que o Paraíso"
Marcelino Rodriguez é colunista ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos traz uma crônica de seu livro "Mais Vazio que o Paraíso, lançado em 2002.
Fala sobre como a imagem de um barco o inspirou a escrever um poema, e como este se perdeu de forma efêmera, lhe trazendo a incerteza sobre ter tal epifania novamente, um dilema para todo artista, certamente.