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sexta-feira, 6 de julho de 2012

The Atomic Bitchwax: As Putas Atômicas de Cera - Por Luiz Carlos Barata Cichetto

Uma das coisas que mais fascinam minha pessoa é a descoberta de coisas diferentes e principalmente criativas em termos de Rock'n' Roll. Com a Internet isso acabou sendo facilitado, não sendo incomum descobrir bandas que eu, apesar do longo tempo de estrada, não conhecia.
 
Geralmente por acaso, um link carregando a outro e de repente está lá: uma nova preciosidade. E ontem, dia de meu aniversário, essa descoberta teve o gosto de presente.
 
Alguém colocou um "link" do Youtube de uma música.. E daí, clica daqui, de acolá e alhures... e cheguei a uma das melhores coisas que escutei nos últimos tempos: "The Atomic Bitchwax", que numa tradução livre significa algo como “Puta Atômica de Cera”, um trio americano com aquela formação básica de Guitarra/Baixo/Bateria.
 
“The Bitchwax Atomic” surgiu em 1992 no estado de New Jersey, Estados Unidos, como um projeto paralelo do guitarrista Ed Mundell, do Monster Magnet, do baixista e vocalista ex-Godspeed  Chris Kosnik, e do baterista Keith Ackerman. Apenas depois de quase sete anos o trio grava e lança seu álbum de estreia auto-intitulado álbum de estreia.
 
Bebendo na fonte caudalosa da música dos anos 70, especialmente da Psicodelia, do Space Rock e do Hard Rock, o The Bitchwax Atomic passa então a produzir um Rock de alta octanagem, ou seja, incendiário e explosivo. O primeiro disco da banda sai em 1999 pelo selo independente MIA,  que faliu apenas um ano mais tarde.
 
Felizmente, o grupo foi imediatamente abocanhado por Tee Pee Records, por onde lançam o segundo disco, em 2000, "Atomic Bitchwax II", que firma o explosivo Mundell como estrela da banda.  No início de 2002 lançam seu terceiro disco para um terceiro selo, o Meteor City, "Spit Blood", um EP.
 
Após o lançamento, Mundell retorna ao Monster Magnet e Kosnik começa uma nova banda chamada Black NASA prenunciando o fim da banda.
 
Em 2005, Kosnik e Ackerman, desta vez com Finn Ryan (ex-Core) na guitarra remontam a banda e lançam "3", o terceiro álbum, em Junho de 2005 através da Meteor City. Em 2009 lançam "4" e em 2006 sai uma coletânea "Boxriff" que inclui um DVD ao vivo filmado na Tavern Seattle Sunset, como bônus.
 
Em 2009, Ackerman deixa o grupo e em seu lugar entra Bob Pantella e eles lançam "TAB 4" que inclui uma sensacional versão de "Astronomy Domine", do Pink Floyd.  Em 2011 o The Bitchwax Atomic lança "The Fuzz Local", ostentando uma faixa única de 42 minutos. E com um detalhe: totalmente instrumental, bem ao estilo das grandes bandas de Rock Progressivo dos anos 70.
 
E Junho de 2012, a banda inicia a turnê de divulgação de “The Local Fuzz” por toda a Europa. A agenda da banda exibe 20 datas de show, apenas no mês de Junho de 2012, incluindo Itália, Alemanha e Áustria.
 
O interessante na biografia da banda é que o site oficial parece ignorar as formações anteriores, pois em "Bio", falam da história da banda apenas com base na formação atual. "Chris Kosnik, Finn Ryan, e Bob Pantella começaram a planejar suas carreiras musicais de volta em meados dos anos 90 influenciado pelo Rock e anos 70 grupos progressistas que vão de Black Sabbath a Parliament Funkadelic...." 
Enfim, o "The Atomic Bitchwax" é uma banda que demonstra que, ao contrário do que muita gente alardeia por ai, o Rock não está dormindo, muito menos morto, basta que as pessoas parem de escutar as mesmas coisas do passado, apenas porque são velhas e ou que parem de atirar pedra em todas nas bandas novas, apenas porque são novas.
 
Existe o novo e existe o velho. E existe o atemporal. E o Rock, por principio e na essência é atemporal. E os tempos estão mudando, já disse no passado Bob Dylan, o velho.
 
 
Luiz Carlos "Barata" Cichetto, é colunista sazonal do Blog Luiz Domingues 2. Ele é escritor, poeta, webdesigner, editor artesanal de livros e revistas, radialista, blogger e ativista cultural.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Syd Barrett e o Elefante Efervescente - Por Luiz Carlos "Barata" Cichetto


Syd Barrett criou a essência do Pink Floyd, mas depois não coube mais dentro de sua própria criação. Aquilo era pequeno demais para caber sua genialidade. Syd Barrett era maior que o Pink Floyd. Sempre foi e sempre será. Segundo conta a história, ou melhor contam os remanescentes da banda, Syd foi colocado de escanteio por causa de sua "deterioração mental". Afinal, aprisionar aquela gostosa da Karine (a peladona que aparece na capa de "Madcap Laughs" era a namorada dele na época) num apartamento e lhe passar bolachas por baixo da porta era coisa de doido mesmo.  Aparecer no palco com a cabeça cheia com uma pasta de comprimidos é coisa de maluco mesmo. Ficar tocando uma nota apenas na guitarra, então, isso é coisa de doente mental.

Mas Roger Keith Barrett não era maluco, maluco eram eles. E sabiam disso. Tanto sabiam que continuaram a usar as idéias digamos pouco ortodoxas de Syd em um monte de discos que seguiram a saída dele. "The Dark Side Of The Moon", segundo Waters e Gilmour era uma homenagem á ele, pois "apenas os lunáticos podem enxergar o lado escuro da lua". Lunático? Syd era lunático? Claro que não. Chamar Syd Barrett de lunático é o mesmo que chamar Freud, Schopenhauer, Da Vinci, Einstein também de lunáticos.

Um sujeito que pegou o Rock e disse: "Ok, vamos à lavanderia!". Que pegou as experiências sonoras de John Cage (outro lunático?), colocou uma pitada de musica erudita, um quilo de Rock'n' Roll, bateu num liquidificador mental e transformou essa pasta num belo e florido Elefante Efervescente. Um elefante que esmagou os conceitos sobre música para sempre. Não era um maluco, nem doido, nem doente mental. Era um gênio. E a história da música deverá ser escrita no futuro da seguinte forma: AB/DB, ou seja, Antes de Barrett e Depois de Barrett.
Basta que escutem com atenção composições como "Astronomy Domine", "Interstellar Overdrive" e principalmente "See Emily Play" e mais ainda "Arnold Layne". Esta uma das composições musicais, incluindo letra, mais "malucas" da história da música. As ideias de Barrett até sua "demissão" do Pink Floyd estavam por toda parte. E não apenas na música, nos arranjos e nos mínimos detalhes musicais, com também na plástica, nos conceitos e em cada uma das letras compostas diretamente por ele, ou influencias por sua “loucura”.

E seus ex-companheiros sabiam e ainda sabem disso. Tanto que toda obra que o  Pink Floyd compôs desde sua saida é simplesmente a continuação das suas ideias, como se aquele prisma que Syd tinha dentro da cabeça tivesse sido lapidado e passasse a refletir outras tonalidades. Barrett era a luz que incidia sobre o prisma ou era o prisma que refletia a luz que partia de algum ponto do universo e criava o espectro? Karine conhecia Syd que não conhecia ninguém, não reconhecia seus amigos de banda... Bobagem. Roger comia Karine que estava sempre nua em sua dieta de bolachas. Syd comia as bolachas também? Syd usava drogas ou eram as drogas que faziam experimentos em sua mente, tentando entender até que ponto podiam chegar dentro da mente humana? Escolheram um gênio para suas experiências. 
"Há um lunático em minha mente", pensou Roger Waters, dentro de sua paranoia de Segunda Guerra Mundial. "Há alguém em minha cabeça, mas não sou eu". Era Barrett dentro da cabeça de Waters e ele não podia suportar aquilo muito tempo. "E se a banda em que você está começar a tocar melodias diferentes" ainda pensou. "Eu te verei no lado escuro da lua"., ainda disse Waters antes de chutar Barrett do ventre de sua criação.

Waters em sua megalomania não podia suportar Syd, um louco diamante. E nem Karine suportou comer bolachas passadas por debaixo da porta, colocou a roupa e desapareceu. 
 
"Corra, coelho corra, Cave um buraco, esqueça o sol/E quando afinal o trabalho estiver feito/Não se sente, é hora de cavar mais um". 
 
E Barrett respirou fundo, cavou um buraco bem fundo dentro de sua própria mente, e feito um coelho assustado ficou quieto, calado, deixando que pensassem que era a loucura o que o afastara do mundo.
Era preciso ajustar os controles para o coração do Sol, rompendo a escuridão. E Syd foi cuidar das flores do jardim da sua mãe. Era preciso entender as flores ao Sol. Era preciso entender o Sol. Porque apenas quem entende o Sol, consegue fugir das sombras, da escuridão. O elefante efervescente o acompanhou, enquanto Arnold Layne pendurava suas roupas na janela. E o Octopus da morte disse: "Veja, veja Emily brincar". E Emily respondeu: "Não há outro dia!" .Então, o Elefante Efervescente “com olhos pequenos e uma tromba enorme sussurrou para a orelha de um inferior que para o próximo mês de Julho ele morreria.” 
 
Luiz Cichetto

18/04/2012

Luiz Carlos "Barata" Cichetto, é colunista ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Poeta, escritor, webdesigner, editor artesanal de livros e revistas, blogger, radialista e ativista cultural. Acompanha o Rock desde 1970, com atenção arguta.