quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Luiz Domingues Entrevistado pelo Site Entrementes




http://entrementes.com.br/2015/08/luiz-domingues/


Estou muito honrado por ter sido entrevistado no Site de Cultura, "Entrementes", através da colunista Joana D'arc.


Nesse bate papo agradável, falei sobre minha atuação na música, e como colaborador em revistas e Blogs, com meus textos.

Confira !!           

sábado, 8 de agosto de 2015

Pessoas, Pessoas, Pessoas... - Por Telma Jábali Barretto

Pessoas, pessoas, pessoas...
  
Quantas pessoas vivem dentro de nós ? Sim ! Quantas ?
Moram muitas pessoas dentro de cada individualidade!

A depender de quanta harmonia convivem entre si as tantas facetas, depende, quase sempre, também, a forma que convivemos com as muitas pessoas, aqui, fora de nós.

Qual, das muitas pessoas que somos, é cartão de visita ou comissão de frente que nos representa ?
Podemos, assim, lembrar: antes de tudo sou mulher ?!...mãe ?!...
profissional ?!...cargos, funções que exercemos ?!...a fé ou bandeiras que defendemos ou professamos ?!...e por aí vamos, com essa dificuldade de SER !

Sem rótulos ou prévias apresentações !

Diante de cada outro, quanto confortáveis ficamos dentro da própria pele, com qual das pessoas de nós, que somos, de pronto, vistos ?

Nossa...complexo isso né...mas, esse é o desafio do con viver !

E assim, por aí vamos...pessoa boa, pessoa diplomática, pessoa gentil que logo ali parece, se mostra ou trans parece intolerante, inflexível...acontece ! Daqui e dali !

Somos uma caixa preta, um convite, sem fim, a desvendar !
Bom que assim seja, mesmo desafiador, e, por vezes, desalentador !

Melhor sendo dessa maneira, deixando espaços abertos por descortinar, descobrir no lugar de definições fechadas, definitivas, conclusivas e rígidas!

E, quanto ameaçador para alguns, parecem ser tais possibilidades que testam o muito que somos: bonita, inteligente, sensata, desapegada... melhor que brava, impaciente ou corajosa ?
Pessoa calma, tranquila, sutilmente medrosa/contida ou, só mesmo indecisa ?

Somos, em alguma medida, o que apresentamos aos outros,
também o que somos para nós mesmos e as muitas, muitas pessoas, pessoas e pessoas para todos quanto convivemos que nos veem
(daquele olhar, da perspectiva do outro, assim parecemos...?!...)
arrebanhando, brilhando, abarcando, suportando, conciliando, camuflando, acolhendo e espantando...

E muito além, buscando e almejando ser, transformando com ou sem ciência, surpreendendo-nos e surpreendendo no empenho por si, pelo próximo, pelos fatos, pela Vida !
Tangenciando e/ou mergulhando nas muitas revelações a nos desvendar, desnudar e no desabrochar onde conhecemos
o que vestimos a cada trajetória/personagem dos muitos que nos habitam !

Quanta liberdade (ou sofrimento ?!...) interna a ser exercida, no absorver, permitir diante de tantos e alheios olhares, sem macular ou transgredir aquela pureza advinda de uma fidelidade interior não barganhada na moeda da carência, que negocia com vitimização ou pequenos poderes, a cada aqui/agora explorado, representada nos muitos papéis que nos cabem cumprir.

Quantas infinitas chances e jornadas povoam cada Eterno Vir a Ser,
onde anterior e sub repticiamente sempre Somos: Divinos, Imutáveis, Perenes...UM, OMMM !





Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2.
Engenheira civil, é também uma experiente astróloga; consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga.

Nesta reflexão, nos fala sobre a multiplicidade interna que temos, mas que invariavelmente converge para o uno, tal como o prisma em relação às cores.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 8/8/2015 - Sábado / 21 h. - Bierboxx - Vila Madalena - São Paulo / SP

Kim Kehl & Os Kurandeiros

8 de agosto de 2015

Sábado - 21 Horas

Bierboxx

Rua Fradique Coutinho, 842

Vila Madalena

São Paulo - SP

KK & K :

Kim Kehl - Violão, Dobro e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues - Baixo

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 6 - Por Luiz Domingues


Feito o show para a TV, em meio a uma praia do Guarujá-SP, dois dias depois fomos à zona leste de São Paulo para cumprir um show completo. Nem tão completo assim, eu diria, pois tratou-se de um mini-festival, e portanto, ao termos que compartilhar o palco com outras atrações, naturalmente.

No caso específico desse dia, dividimos o palco com o Made in Brazil, uma super tradicional banda do circuito do Rock brasileiro, e que já era longeva naquela ocasião, dada a circunstância de ser egressa dos anos sessenta.

Desta feita com a presença daquele que seria o baterista dessa nova banda, José Luiz Rapolli, fomos mais preparados para esse compromisso.

Tratou-se de um sábado, dia 30 de janeiro de 1988, no salão conhecido como: "Led Slay", no Tatuapé, zona leste de São Paulo.
Eu havia tocado ali naquele espaço, uma única vez, com o Língua de Trapo, no início de 1984, mas tal banda era versada pela sátira e humor, portanto, seria a primeira vez que tocaria ali com uma banda de Rock de fato, em um ambiente que supostamente era adequado para tal afinidade cultural.

Ao ir além, a Led Slay mantinha a fama de ser um salão anacrônico nos anos oitenta. Assim como seu grande rival, o Fofinho Rock Club, cujo endereço ficava localizado na mesma avenida, mas separado por quase três Km entre um e outro. Portanto, ali naquele ambiente, apesar de haver espaço para as manifestações típicas oitentistas de apelo Hard-Rock e Heavy-Metal, havia tal como no "Fofinho", uma predileção por cultura sessentista e setentista.

Foi um dos poucos ambientes para freaks da "velha guarda", hippies, bichos-grilo, seguidores de Raul Seixas e "micróbios" (uma pejorativa pecha para designar hippies sujos, quase a se equivaler a mendigos). Bem, alheios à essas constatações socioculturais e antropológicas, até, lá fomos nós com nossa banda montada às pressas, quando urgira divulgar o LP The Key, e vendê-lo, a todo custo!

Tocamos antes do Made in Brazil, logicamente, pelo aspecto respeitoso de seu status maior adquirido por anos de labuta, mas também pelo fato do Oswaldo Vecchione, seu baixista, cantor e líder, ser o organizador do festival e dessa maneira, o seu equipamento alimentar o palco e o P.A. do evento. Fizemos um set maior que o show de choque que havíamos feito dois dias antes no "Verão Vivo" da TV Bandeirantes. Ou seja, tocamos o LP The Key inteiro, além da pequena intervenção de solos individuais do Edu Ardanuy e Fabio Ribeiro, que já haviam apresentado no show do Guarujá. 

Foi um show mais seguro, é verdade, pois o gelo houvera sido derretido no show da praia. Rapolli tocou tranquilo e ficou o sentimento de que poderia ter tocado no show anterior, mas, tudo bem, creio que a sua decisão fora acertada pelo fator da prudência.

O palco montado era pequeno e estava sob um outro ambiente do salão, que era enorme. Do lado de fora, inclusive, havia uma área ao ar livre que era gigantesca e anos antes havia sido o cenário para que a casa houvesse promovido shows com estrela da MPB, como Gilberto Gil, Alceu Valença e Zé Ramalho, por exemplo, com multidões de mais de vinte mil pessoas presentes em ocasiões assim, mas nesse festival em que tocamos, o palco fora montado na parte interna e era bem menor.Ao se considerar o tamanho do referido salão, creio que o resultado com cerca de trezentas pessoas presentes não poderia ser comemorado como um grande público, inclusive para os parâmetros oitentistas onde o comparecimento das pessoas em shows de Rock, era muito maior, costumeiramente.

Os irmãos Vecchione, Celso e Oswaldo, se impressionaram com a técnica do Eduardo Ardanuy e chegaram a formular um convite para ele ingressar no Made in Brazil, naquela momento. Eu e Beto nos resignamos, pois ficara claro que Eduardo despertaria a atenção não só deles, os Vecchione, mas à medida que avançássemos com essa banda, outros assédios a vir de outros músicos, seriam inevitáveis. Porém, o Eduardo não se seduziu com a proposta e seguiu a apostar nessa nova banda que formávamos, todavia, em um futuro não muito distante, tal fidelidade não seria mais levada à risca e logo mais eu chego nesse ponto.

A nossa luta prosseguiu e nesse ponto, teríamos mais tempo para ensaiar, pois o próximo compromisso de show só esteve marcado para o mês de abril. 

Enquanto, isso, concomitante aos ensaios, matérias e resenhas ainda a tratar da velha, A Chave do Sol estavam a sair nas bancas de jornais e revistas e a árdua batalha para vender discos "no braço", literalmente, prosseguira, ao juntarmos moedas para pagar as dívidas adquiridas pela produção do LP The Key.

E na parte artística, esse sexteto montado de forma emergencial, enxugou-se, pois o guitarrista, Theo Godinho, deixou-nos. Foi uma decisão tomada de comum acordo, e muito amigavelmente. De fato, com Edu e Fabio, estávamos super servidos com a parte harmônica e de solos da banda, e ao irmos além, com duas guitarras e teclados, o som ficou pesado e embolado demais. Não houve a necessidade de duas guitarras, mesmo por que, se no caso de uma ou outra música houvesse tal situação de uma base de guitarra a mais ser necessária, o próprio, Beto, poderia suprir tal lacuna, por também ser guitarrista. 

Além do mais, com o Theo, que era ótimo guitarrista, sempre haveria a questão de inserir os seus solos, também, é claro. Portanto, com três solistas na banda, pois o Fabio também era um virtuose nos teclados, a tendência seria a de estabelecermos uma overdose de solos nas músicas, ao torná-las maçantes para os ouvintes.

Então, ao ponderarmos tudo isso, Theo Godinho e a banda se despediram amigavelmente, e de nossa parte, ficou o agradecimento pela contribuição muito boa que nos deu, em um momento de dificuldade de nossa parte, ao aceitar o convite para preparar a toque de caixa, as músicas de um LP inteiro, para executá-las em dois shows, com pouco tempo de preparo prévio.

Continua... 

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 5 - Por Luiz Domingues


Como de praxe, as bandas que se apresentariam no dia, se reuniram em um ponto de encontro determinado pela produção do show/filmagem. No caso, viajamos em um ônibus da Rede Bandeirantes de TV, acompanhados da agradável presença dos amigos do "Proteus", banda com a qual interagíamos desde 1987, quando ainda eu, Beto e Zé Luiz fomos membros d'A Chave do Sol. No ônibus, além da comitiva das duas bandas, muitos técnicos da TV Bandeirantes, viajaram conosco.

Fazia um calor de rachar, e claro, foi o normal para o mês de janeiro, ainda mais a levar-se em conta que descíamos a serra em direção a uma cidade praiana, tradicionalmente quente, ainda mais em pleno verão. 

A viagem foi bastante prazerosa, para quebrar um pouco o clima pesado com o qual eu e Beto vivêramos nos últimos quarenta dias aproximadamente, por conta dos acontecimentos terríveis que culminaram com a extinção d'A Chave do Sol e abrupta formação dessa nova banda dissidente. Não só por isso, eu diria, mas também pela incidência de dívidas que nos atormentavam, e cuja única saída, foi promover a nova banda e vender discos para pagar a conta da anterior que desintegrara-se...

Ao chegarmos à cidade do Guarujá-SP por volta do meio da tarde de uma quinta-feira, dia 28 de janeiro de 1988, fomos conduzidos diretamente à praia, onde o palco estava montado e com o P.A. já inteiramente erguido e a ser afinado pelo técnico.

Fizemos o soundcheck sob forte calor e um sol causticante, com poucos banhistas a se interessar com a movimentação toda pela produção, ainda bem, eu diria, para não tumultuar o trabalho.

Claro, foi um soundcheck rápido, sem maiores requintes e a contar com a má vontade generalizada de técnicos e auxiliares que adotaram a postura de "estrelas", e assim a manter a estúpida praxe de maltratar artistas que não são proeminentes na mídia mainstream, como se os incomodássemos com a nossa simples existência, e muito pior, pela falta de projeção midiática avantajada, como se isso fosse por nossa culpa.

Encerrado esse trabalho, que foi feito bem superficialmente para o nosso gosto (e convenhamos, seria um show para uma grande, supostamente, multidão ao vivo, e com a responsabilidade de se tratar de uma filmagem para a TV, portanto, deveria haver um apuro na qualidade do áudio, muito maior), a produção da TV nos conduziu a um um hotel, onde descansaríamos e nos aprontaríamos, portanto, para o show.

Infelizmente, o hotel alugado pela Rede Bandeirantes se mostrou precário e não reunia condições para que descansássemos adequadamente. Sou muito grato à essa Rede de TV por nos ter inserido nessa programação do seu programa: "Verão Vivo", pela evidente oportunidade de uma exposição em cadeia nacional, mas deixo a pergunta: será que artistas mais famosos do que nós, usavam normalmente aquele hotel "pulgueiro?" Duvido que algum medalhão da MPB, ou até mesmo do BR Rock 80's ainda em voga na mídia, fosse hospedado ali, mas enfim.

Fomos para o show, então e o Proteus tocou primeiro. A sua apresentação era sempre energética, e tendo ou não público, se portavam em cena como se estivessem em um estádio de futebol lotado, e isso era louvável ao meu ver, sob o ponto de vista cênico, na postura deles.

Quando fomos para o palco, a nossa preocupação, além de tocar o melhor possível diante de uma monitoração bem ruim e totalmente diferente da estabelecida durante o soundcheck (para que equalizar o som antes dos shows, se na da apresentação eles mudam tudo?), a ordem foi ter a melhor performance cênica possível, ao pensarmos na audiência de milhares, talvez de milhões de telespectadores, mas a motivação teria que vir de um foco muito forte nesse sentido, por que ali, no calor do show, seria bem difícil extrair ânimo para tal.

Uma abertura de show com bastante energia, com "Profecia", primeira faixa do lado B do LP The Key, e que era a mais pesada desse disco de uma outra banda...

O link para assistir o vídeo no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=qCLUfoAQYSc

Isso por que o público presente foi diminuto e a portar-se muito friamente no geral. Houve sim um pequeno público Rocker presente, perto do palco, mas a grande massa, dos poucos que se manifestavam, estiveram ali apenas para tumultuar, e não mediram esforços para tal...
"A Woman Like You", primeira faixa do LP The Key. O áudio da mixagem da TV é sofrível (a caixa da bateria parece uma "caixa de sapatos", e quase não dá para se ouvir o baixo etc), mas dá para ver um registro da participação dessa nova banda, na TV, ao vivo. 

Link para ouvir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=IeQPAr0vxWw

"Sweet Caroline", a segunda faixa do LP The Key. No fim da música, deu uma pane geral entre os guitarristas que se esqueceram da pausa, mas eu (Luiz) e o Zé Luiz Dinola não deixamos de cumprir a convenção, ao fazermos os acentos e quase ninguém percebeu o "branco" dos demais.

Link para ouvir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=rtna5DWn07g

Tratara-se de um pequeno, mas bastante impetuoso grupo de pessoal mal-intencionadas, que debochavam o tempo todo de nós, ao nos provocar com gritos a afirmar: -"hei roqueiros, toquem um pagode aí", e esse tipo de pedido galhofeiro, foi a coisa mais suave que nos disseram naquela noite.

Não contentes em nos hostilizar verbalmente, arremessaram alguns tufos de areia, mas felizmente a distância da grade de segurança que os continha foi o suficiente para que os seus arremessos não chegassem até nós, diretamente, mas apenas a conspurcar a ponta do palco, antes mesmo da linha do "side fill" (um micro P.A. posicionado nas laterais do palco, que visa reforçar a monitoração para os músicos se ouvir melhor), mas mesmo assim, o baixo astral em termos que passar por isso, gratuitamente, foi um horror...

A canção "Sun City", sob uma uma performance sem grandes novidades em relação ao arranjo original do disco.

https://www.youtube.com/watch?v=Kia9ARQQ_U8
Acima, eis o Link para ver no YouTube.

Bem, independente dessa deprimente manifestação de um público frio e com manifestações hostis como as que descrevi acima, por parte de alguns gatos pingados, acho que a nossa performance foi digna. Demos o nosso recado para a TV, e quebramos o gelo entre eu & Beto, em relação aos demais novos músicos, e de fato, foi o que mais importara ali naquele instante.

A performance foi bastante energética. Com a segurança do José Luiz Dinola, muito habituado com aquelas músicas, a banda soou como se estivesse junta há tempos. Não transpareceu que havíamos nos juntado há poucos dias, e que a maioria dos músicos não tinham intimidade alguma com aquele repertório.

Ali, logo nessa primeira apresentação, houve uma amostra do que seria essa nova banda, ao ser dada com eloquência eu diria, pois o virtuosismo do Edu Ardanuy e de Fabio Ribeiro, foi proeminente.
Diante de alguns poucos improvisos, pois a base dessa apresentação foram as canções do LP The Key, ambos já mostraram a sua qualidade como músicos excepcionais, com pequenas "camas" harmônicas feitas para dar vazão aos solos longos e virtuosísticos de ambos. Aliás foi um raro momento em que fugimos do repertório do LP The Key, para apresentar algo diferente e que de fato, nortearia o trabalho dessa nova banda doravante.

O pequeno solo individual do Edu Ardanuy naquela noite, amparado por uma cama harmônica de teclados feita pelo Fábio Ribeiro

Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=ZWq82zrlTFo

O Zé Luiz Dinola tocou como nos velhos tempos, mas não haveria a menor possibilidade de cogitar se juntar a nós, apesar de estar claro que desistira da ideia esdrúxula de abandonar a música, fato que motivou a sua saída d'A Chave do Sol, cerca de seis meses antes, e mesmo por que, mesmo que houvesse tal possibilidade, estávamos fechados com Zé Luis Rapolli, e se fosse para o Dinola voltar, o correto seria que A Chave do Sol se reconciliasse inteiramente e com Rubens Gióia a retomar o seu posto, simples assim!
 
Depois do show, fomos abordados por alguns fãs, mas poucos sabiam realmente quem éramos. Houve um diminuto contingente de Rockers naquela noite ali presentes, e a maioria que foi nos abordar no improvisado camarim atrás do palco, estava ali pelo embalo de ocasião, simplesmente.

Então, algo ainda mais bizarro ocorreu. Um sujeito ficou a nos abordar com uma insistência bem desagradável, ao pedir um LP de presente. E ficara nítido que esse rapaz mal sabia quem éramos, infelizmente. Durante o show, o Beto arremessara algumas capas para o público, para fazer um agito, e a fazer a promessa ao microfone, de que lhes entregaria a bolacha de vinil no pós-show como um meio de promoção.

Os sujeitos que conseguiram capturar as capas no ar, apareceram para reivindicar os seus vinis, mas isso também atraiu outros rapazes e moças e alguns inconvenientes, que queriam ganhá-los também. Nesse instante, eu a ver aquelas pessoas a pedir discos com insistência, pensei comigo: -"estamos a precisar vender cópias desesperadamente e esses sujeitos que nem sabem quem somos, aí, a pedir discos que provavelmente vão tentar vender em um sebo, no dia seguinte, ou mesmo jogar no lixo"...

Foi quando um dos mais agressivos entre eles, abordou-me e veio com uma conversa absurda de que havia nos ajudado na produção naquele dia, e que "merecia" ganhar um disco, como um direito adquirido! Pois esta foi uma das poucas ou talvez a única ocasião em que eu fiquei muito aborrecido com uma abordagem de pós-show da parte de um estranho em toda a minha carreira, tamanha a insistência pegajosa do sujeito, e somado ao cenário dramático em que estávamos mergulhados, desde a dissolução d'A Chave do Sol, com inúmeros dissabores e preocupações para resolver e ali, aquele sujeito desagradável a passar dos limites...

Sei que tudo resolver-se-ia se eu tivesse cedido e lhe dado um disco de cortesia, mas simplesmente, não o fiz. Primeiro, que criaria um precedente terrível. Se tivesse lhe ofertado o disco, havia pelo menos mais cerca de trinta pedintes ali na mesma situação e isso geraria um tumulto. Em segundo lugar, a abordagem dele houvera sido tão descortês, que ele não fez por merecer, de forma alguma. E em terceiro lugar, por que provavelmente esse rapaz nem se interessava pelo som da nossa banda. E finalmente em quarto lugar, pela situação dramática em que nos encontrávamos naquele instante, onde a ideia de "doar" cerca de trinta discos a esmo, seria cometer uma heresia financeira para nós.

Então, ao sentir-se contrariado, esse rapaz passou a proferir um discurso revanchista de baixo nível. Não partiu para agressões ou ofensas no uso do baixo calão, mas ficou a falar alto para todo mundo ouvir, algo do tipo: -"é assim mesmo... você ajuda um artista desconhecido e ele lhe vira as costas quando sobe um pouquinho"...

Não contente com esse discurso absurdo, ao nos imputar uma suposta "soberba", indevidamente, eis que rogou-nos uma praga... ao afirmar aos seus amigos, ao seu redor, que por conta de "atitudes mesquinhas desse tipo", nós fracassaríamos no avançar da nossa carreira etc. e tal. Em suma: acho que eu nunca vira uma pessoa tão descortês e baixo astral assim, a abordar artistas em um bastidor de show, e no cômputo geral, falo do alto de trinta e nove anos de carreira que somo neste momento em que escrevo este trecho (2015), tive inúmeras experiências com outros inconvenientes de plantão, mas este, superou-se. Bem, entrei no ônibus e pela janelinha, ainda o ouvia a falar e a mostrar-me ironicamente um copo d'água, que usava para enfatizar a sua contrariedade na forma de um brinde que me oferecia, como forma de deboche.

Alheios a essa situação, fomos jantar em um restaurante bom e o fim da noite foi bastante agradável entre amigos, a dissipar a nuvem de baixo astral perpetrada pelo assédio de energúmenos, sem noção de educação básica, como esse rapaz que eu citei acima.

De volta para São Paulo, tivemos mais um pouco de tempo para ensaiar, mas bem pouco, pois no sábado subsequente, teríamos que realizar um show completo.  

Acima, um pequeno vídeo sobre os bastidores do pós-show, filmado a esmo pela equipe de cinegrafistas da Rede Bandeirantes e que não foi ar, mas muitos anos depois, alguém disponibilizou-o para um DVD pirata que passou a ser vendido em lojas da Galeria do Rock, e agora está disponível através do YouTube, aliás, caso da maioria das músicas desse show e que na época, também não foram ao ar.

O Link para ver esse curto vídeo de bastidores:



Então foi assim, quinta-feira, dia 28 de janeiro de 1988, tocamos no palco do projeto, "Verão Vivo", patrocinado pela Rede Bandeirantes de TV. Ali na praia, não deve ter havido mais do que quinhentas pessoas na plateia, mas quando o programa foi ao ar, dias depois, em 11 de fevereiro de 1988, a edição "maquiou" a audiência, ao mesclá-la com outros shows onde o público fora bem maior. Naquela circunstância de um show gravado ao vivo em uma praia durante o verão, acredito que nem medalhões do BR-Rock 80's fariam papel muito melhor. Toda a atmosfera seria adequada apenas para artistas populares, quiçá popularescos e assim, bandas de Hard-Rock do underground não fariam sentido, mesmo, para aquela audiência.
"A Chave é o Show", música que era emblemática nos shows d'A Chave do Sol, a ser executada por essa nova banda, que ironicamente apresentava-se doravante como "A Chave/The Key", daria um certo sentido maior ao título da canção...  

O link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=OAgnRlVPros

Portanto, a confusão gerada pela criação de um novo nome e uma nova banda, mas a tocar o material e a divulgar o recém lançado LP de uma banda extinta há poucos dias, não fez diferença alguma aos gatos pingados que nos viram naquela noite ao vivo e para a imensa maioria que nos viu na TV, dias depois.
Outra versão da música: "A Chave é o Show, mas fora de sincronia, e pelo menos com a bateria mais alta na mixagem, quando nos possibilita ver o Zé Luiz Dinola a estraçalhar em sua performance. 

O link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=ASSwPowUeME

Com a ressalva óbvia de que ao tratar-se de exibição na TV, claro que o público Rocker tomou conhecimento também, incluso os fãs da velha, A Chave do Sol, e a confusão gerada foi grande. Pois é... aonde está o Rubens? Onde está o "Sol?" Zé Luiz Dinola voltou? E sobretudo, quem são esses dois guitarristas e o tecladista?

Paciência, foi o que aconteceu ...

Continua...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 4 - Por Luiz Domingues


A nossa primeira missão foi então o compromisso marcado para a TV. Com esses músicos reunidos e agrupados na sala de estar da residência do Beto Cruz, tivemos dois dias apenas para nos preparar. No show da TV, seria uma típica apresentação de choque. Sete ou oito músicas apenas, e com a possibilidade de três ou quatro irem ao ar, posteriormente.

No entanto, dois dias depois teríamos um show completo para cumprir em um salão de Rock da zona leste de São Paulo e aí, teríamos que no mínimo, tocar o LP The Key inteiro, pois não haveria a menor chance de termos tempo hábil para compormos músicas novas. Aliás, mal tivemos tempo para deixar o material da velha, A Chave do Sol pronto para ser tocado ao vivo, a honrar as suas tradições rompidas indevidamente, por uma série de lamentáveis mal-entendidos.

Ao término do primeiro ensaio, o Zé Luis Rapolli se mostrou pessimista em relação à sua participação. Ele achou precisava de mais um tempo para decorar convenientemente as músicas, e talvez estivesse mais seguro para o show completo no tal salão que eu mencionei, mas para o compromisso da TV, se mostrou inseguro. Portanto, o Beto não teve dúvidas e ligou para o José Luiz Dinola, ex-baterista d'A Chave do Sol e formulou o convite para que ele se apresentasse conosco na TV, ao lhe expor a situação a dar conta de que o seu xará recém ingresso na nova banda, precisava de mais um tempo para adaptar-se etc.
Foi incrível, mas de uma forma absolutamente bizarra, tocaríamos com nosso velho colega, Dinola, mas sem que fosse A Chave do Sol a pisar no palco, mas ao mesmo tempo, a tocar o seu material, e cujo disco recém lançado ainda com a banda clássica, houvesse sido gravado por outro músico, no caso, Ivan Busic!

Foi muito confuso e certamente que só aumentou a nossa percepção de que tudo houvera sido um grande equívoco. Éramos para estarmos unidos e a trabalhar normalmente com a nossa banda, a realizar shows promocionais de nosso novo álbum, com a nossa marca, e a formação clássica sobre os palcos. Mas estávamos ali, com um novo nome, rompidos com o nosso guitarrista cofundador da banda, a cumprir compromissos que seriam da nossa banda, mas que, diante de tais dramáticas novas circunstâncias, nos obrigaram a criar uma nova banda às pressas, com outros componentes, e a ter que recorrer ao nosso velho baterista, que fora o primeiro a deixar o nosso antigo bote. Então, o lado bom disso, se é que existiu algo positivo nesse imbróglio, foi que o Dinola aceitou nos socorrer de pronto, e mesmo sem tempo para ensaiar, nos deu segurança de que mantinha as músicas em sua memória. Não foi para menos, ele as conhecia de cor e salteado, talvez com exceção de três que houveram sido incluídas nos estertores de sua permanência no cotidiano da banda.

Quanto aos demais novos membros, estes estavam mais seguros, mas também não se tratava daquela segurança absoluta de uma banda perfeitamente entrosada e afiada, características inclusive que eu me acostumara em cinco anos a atuar com a na antiga, a Chave do Sol.

Bem, não adiantavam os lamentos... foi o cenário com o qual tivemos que lidar e fim de reclamação. Chegou o dia da viagem para o litoral, enfim...
Continua...