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sábado, 8 de agosto de 2015

Pessoas, Pessoas, Pessoas... - Por Telma Jábali Barretto

Pessoas, pessoas, pessoas...
  
Quantas pessoas vivem dentro de nós ? Sim ! Quantas ?
Moram muitas pessoas dentro de cada individualidade!

A depender de quanta harmonia convivem entre si as tantas facetas, depende, quase sempre, também, a forma que convivemos com as muitas pessoas, aqui, fora de nós.

Qual, das muitas pessoas que somos, é cartão de visita ou comissão de frente que nos representa ?
Podemos, assim, lembrar: antes de tudo sou mulher ?!...mãe ?!...
profissional ?!...cargos, funções que exercemos ?!...a fé ou bandeiras que defendemos ou professamos ?!...e por aí vamos, com essa dificuldade de SER !

Sem rótulos ou prévias apresentações !

Diante de cada outro, quanto confortáveis ficamos dentro da própria pele, com qual das pessoas de nós, que somos, de pronto, vistos ?

Nossa...complexo isso né...mas, esse é o desafio do con viver !

E assim, por aí vamos...pessoa boa, pessoa diplomática, pessoa gentil que logo ali parece, se mostra ou trans parece intolerante, inflexível...acontece ! Daqui e dali !

Somos uma caixa preta, um convite, sem fim, a desvendar !
Bom que assim seja, mesmo desafiador, e, por vezes, desalentador !

Melhor sendo dessa maneira, deixando espaços abertos por descortinar, descobrir no lugar de definições fechadas, definitivas, conclusivas e rígidas!

E, quanto ameaçador para alguns, parecem ser tais possibilidades que testam o muito que somos: bonita, inteligente, sensata, desapegada... melhor que brava, impaciente ou corajosa ?
Pessoa calma, tranquila, sutilmente medrosa/contida ou, só mesmo indecisa ?

Somos, em alguma medida, o que apresentamos aos outros,
também o que somos para nós mesmos e as muitas, muitas pessoas, pessoas e pessoas para todos quanto convivemos que nos veem
(daquele olhar, da perspectiva do outro, assim parecemos...?!...)
arrebanhando, brilhando, abarcando, suportando, conciliando, camuflando, acolhendo e espantando...

E muito além, buscando e almejando ser, transformando com ou sem ciência, surpreendendo-nos e surpreendendo no empenho por si, pelo próximo, pelos fatos, pela Vida !
Tangenciando e/ou mergulhando nas muitas revelações a nos desvendar, desnudar e no desabrochar onde conhecemos
o que vestimos a cada trajetória/personagem dos muitos que nos habitam !

Quanta liberdade (ou sofrimento ?!...) interna a ser exercida, no absorver, permitir diante de tantos e alheios olhares, sem macular ou transgredir aquela pureza advinda de uma fidelidade interior não barganhada na moeda da carência, que negocia com vitimização ou pequenos poderes, a cada aqui/agora explorado, representada nos muitos papéis que nos cabem cumprir.

Quantas infinitas chances e jornadas povoam cada Eterno Vir a Ser,
onde anterior e sub repticiamente sempre Somos: Divinos, Imutáveis, Perenes...UM, OMMM !





Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2.
Engenheira civil, é também uma experiente astróloga; consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga.

Nesta reflexão, nos fala sobre a multiplicidade interna que temos, mas que invariavelmente converge para o uno, tal como o prisma em relação às cores.

domingo, 24 de agosto de 2014

A Sombra - Por Tereza Abranches




Engraçado... eu tenho uma sombra e ela é desatinada e bêbada de Vida.

Na verdade, todo mundo tem uma sombra.

É só ir pro sol que, dependendo da hora (e da vontade da sombra) ela aparece. 

Ninguém se preocupa com a própria sombra, acho eu.
Às vezes ela está atrás de mim, às vezes à minha frente e quando não pode ser projetada (esqueci de dizer... minha sombra tem um pacto bendito com o sol), fica escondidinha dentro de mim, só esperando a hora de saltar e dar piruetas e, mesmo eu estando triste naquele momento, ela fica à minha volta, se estica, encolhe e dança em volta de mim... acho que essa danada dessa sombra tem é vida própria e mesmo em dias nublados está em algum canto de mim, pronta pra pular e brincar.

Eu não tenho certeza, mas acho que é isso mesmo o que ela faz.
E quando meu peito se aperta, me dou colo sem a mínima decência.

Nessas horas de plena covardia e dor, me abraço forte (sim, porque eu posso ser abraçada por uma multidão, mas se eu não me sentir abraçada por mim mesma e pela minha sombra, de nada adianta esse monte de gente).

Sou rocha, espuma, raio e trovão (aliás, pra quem não sabe, relâmpagos e trovões me habitam o rosto).

A minha sombra é assim, quando os trovões, relâmpagos e tempestades tentam chegar, ela canta Beatles pra mim, dança Zé Ramalhos, e de cada tristeza ela tece Piafs, quase arrancando minha alma fora.
Quando os tufões me cortam com seus poderosos chicotes e eu fico em frangalhos, rota e acabada, minha sombra querida me leva pela mão à procura da Luz e do Ar puro.

E ela sempre me diz, com cara de monge tibetano, que ser infeliz é chato demais.

Fácil demais.

Monótono demais.
Quando eu caminho de cabeça baixa, minha sombra, mais teimosa que mula empacada, me diz, com todas as letras, na minha cara e escrachadamente, que ela é deliciosamente doida e feliz e quando eu vejo o seu dançar (que se recusa totalmente a acompanhar minha triste cara de besta), termino por abraçar essa criaturinha que corre à minha frente, ao me lado, e me mostra o quanto sou boba por baixar a cabeça e permitir que meu peito se aperte e que meu coração, quase desmaiado de dor, chore.

E quando eu choro, ela sempre me lembra das aldeias que eu tenho dentro do peito.
Pra aqueles que nunca nem sonharam em olhar a própria sombra, não riam de mim.

Mas se descobrirem a sua própria sombra, riam alto dessa descoberta absolutamente maravilhosa e lembrem de que nunca estamos sozinhos, pois temos cada um a nossa própria sombra e, mesmo que a gente não a veja, está sempre conosco, nos dando força e esperando apenas e tão simplesmente, pela nossa descoberta de que há, sempre houve e sempre haverá a nossa sombra, que mora dentro de cada um de nós e é feita de Valentia, Coragem e Força!

E é tão bom descobrir coisas simples... simples como uma sombra...

É só procurar.




Tereza Abranches é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Escritora e artesã, desenvolve também estudos sobre literatura e espiritualidade.


Nesta crônica, trata de uma forma poética, da questão do "outro Eu", a sombra que tem vida própria e de certa forma, é bem mais livre de obrigações comportamentais do que nós.
 


Conheça seus trabalhos de artesanato, através desses links  :

Facebook :
https://www.facebook.com/terezaabranchesmanualidades 


https://www.facebook.com/terezaabranchesartesahippie
 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Surpresa - Por Tereza Abranches


Eu, lago perdido numa floresta tão distante como o tempo
que não se conta, água doce, morna e fecunda, colhia duendes e nuvens, insetos e luas e refletia a placidez insondável de um abismo onde o sem fim é um sem fim que amedronta...
Eu, cheiro de chuva, da chuva que beija a terra e que, avidamente a seiva consome, afagada pelo silêncio estranho e cantante da noite fechada, brincava em paz entre as ervas miúdas de cores sem nome,
cantava o canto das Mil Vozes da Vida com o sol, com o corpo e com a alma e dançava, na minha floresta oculta, insondável e perdida a dança solitária e intocável de toda a minha imperturbável calma...
Até que, por entre os ninhos de ramos e das minhas flores tecidas
de mágicas teias lancinantes, no mais ignoto e abstrato silêncio,
teus olhos profundos e antigos como de uma era já esquecida,
inexorável e fatalmente me descobriram e, brilhantes de Vida,
rondaram meus recantos ocultos e mais obscuros que o peso mudo
da minha rota sem mapa, recantos onde eu vivia despreocupada
e irremediavelmente escondida.
E esses olhos de pura e límpida luz assistiram à dança que eu dançava comigo no meu compasso absurdo; contemplaram a minha nudez tão só e tão hermeticamente minha; a tua força mais estranha
que o silêncio doido e cantante da noite jorrou dias, meses e anos
sobre a minha dança serena e sozinha...e sobre o esconderijo em meio ao meu plácido Nada supostamente inatingível, dançou nas minhas subterrâneas e até então mansas águas, a tua dança ancestral, doída e desesperadamente imprevisível !
E eu, lago perdido na floresta onde o tempo não se pode contar,
danço no hoje que do louco imponderável surgiu...mas agora,
entrelaçado o corpo na poeira tênue de uma estrela
que em eras distantes fulgiu, o cheiro doce de noites estranhas me afaga de forma até então desconhecida e ausente porque é um afagar divino e secular que teima em me tomar inteira
de forma abismal, infinita e inclemente !

Ainda danço hoje...
Mas danço com uma dança onipresente e bruxuleante soprada pelo Incriado, porque é um dançar absoluto e abandonado ao que quer que seja de soberanamente estonteante !



Tereza Abranches é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Escritora e artesã, também desenvolve estudos sobre literatura e espiritualidade.

Aqui nos traz um poema onírico, evocando o poder energizante que a dança provoca em nosso corpo físico, mas sobretudo na psique e na alma.

domingo, 11 de novembro de 2012

Meditação, Comunhão: Um Convite do Ser, para Ser - Por Telma Jábali Barretto


Longe de ser um exercício reflexivo,
meditar é um aquietar, silenciar e,
acalmando, observamos o pensar, passo a passo,
de tudo que em nós fala:
o corpo, a mente, sensações e emoções,
lembranças e expectativas...

Vamos, assim, respeitando o corpo,
para que esteja alerta, mas, também, confortável e,
além disso, conhecendo a mente,
inquieta, ruidosa e curiosa,
respeitando, igualmente, sua natureza, priorizando cada ‘aqui e agora’ que pretendemos explorar... e... nesse ‘aqui e agora’ de meditar, escolhemos o silenciar, para o tal encontro revelador.
Nesse estado de presença, completa atenção,
inteireza absoluta,
pleno olhar naquilo que quero silenciar,
para o que, livremente, quero reverenciar,
faço, assim, meu exercício de comunhão.

Comungo com o Ser fora ou dentro mim, ou talvez, me satisfaça mais,
pura e simplesmente, comungar com a beleza da Vida,
em sua pujança ou singularidade.
Há que se gostar da própria companhia:
ser seu melhor amigo/inimigo, promotor/defensor,
confiando no Supremo Juiz que é a própria Força da Vida em si mesma.

Respeitar suas falas, discussões e até gritos,
sem desistir, incondicionalmente, de encontrar
seu silêncio, sua paz e plenitude em cada respirar,
 em cada amanhecer, ao longo da existência,
participando e ‘ob observando’,
num trabalho de parto/morte de conhecer, entender e descartar a dor,
para permitir o deleite do prazer de vir a ser, de querer Ser,
indo ao encontro de Si mesmo.

Viver, então, no espaço/tempo, sem perder a conexão,
acessada, com o infinito e eterno do processo da Vida Maior.

Há que se eleger essa comunhão e encontro, escolhendo e deletando,
para que essa almejada quietude frutuosa, propicie o pulsar
na respiração do próprio processo, num fluxo de poder Ser,
saboreando e casando a cada sagrado momento, entregue, por opção,
livre para experimentar, no possível e desejado encontro,
o direito simples e natural de irrevogavelmente SER.

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira Civil, também é uma experiente astróloga, consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Nesta matéria, fala de maneira muito contundente sobre a necessidade de um mergulho interior, só possível em sua plenitude, através da meditação.