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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Trilhas - Por Tereza Abranches


E que cada luta,
cada tristeza e dança,
reencontro e luz,
que cada flor, charco e estrela,
sombra e aurora 
e cada montanha escalada ao vento...
Que cada batalha vencida,
cada derrota de limites,
que o medo e a coragem
na estrada que se trilha
de ascensão e de queda,
de enigma, claridade e treva
na busca insana pelo infinito...
Que cada ânsia de beleza,
mágoa, força e fraqueza
e cada furacão de desespero e dor,
resultem e resumam
hoje e sempre,
em somente,
e em tão somente
Amor !





Tereza Abranches é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Escritora e artesã, desenvolve também estudos sobre literatura e espiritualidade.

Com "Trilhas", nos aponta através de um belo poema, o caminho interior, como senda segura a ser percorrida.

Conheça seus trabalhos de artesanato, através desses links :

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terça-feira, 27 de maio de 2014

Surpresa - Por Tereza Abranches


Eu, lago perdido numa floresta tão distante como o tempo
que não se conta, água doce, morna e fecunda, colhia duendes e nuvens, insetos e luas e refletia a placidez insondável de um abismo onde o sem fim é um sem fim que amedronta...
Eu, cheiro de chuva, da chuva que beija a terra e que, avidamente a seiva consome, afagada pelo silêncio estranho e cantante da noite fechada, brincava em paz entre as ervas miúdas de cores sem nome,
cantava o canto das Mil Vozes da Vida com o sol, com o corpo e com a alma e dançava, na minha floresta oculta, insondável e perdida a dança solitária e intocável de toda a minha imperturbável calma...
Até que, por entre os ninhos de ramos e das minhas flores tecidas
de mágicas teias lancinantes, no mais ignoto e abstrato silêncio,
teus olhos profundos e antigos como de uma era já esquecida,
inexorável e fatalmente me descobriram e, brilhantes de Vida,
rondaram meus recantos ocultos e mais obscuros que o peso mudo
da minha rota sem mapa, recantos onde eu vivia despreocupada
e irremediavelmente escondida.
E esses olhos de pura e límpida luz assistiram à dança que eu dançava comigo no meu compasso absurdo; contemplaram a minha nudez tão só e tão hermeticamente minha; a tua força mais estranha
que o silêncio doido e cantante da noite jorrou dias, meses e anos
sobre a minha dança serena e sozinha...e sobre o esconderijo em meio ao meu plácido Nada supostamente inatingível, dançou nas minhas subterrâneas e até então mansas águas, a tua dança ancestral, doída e desesperadamente imprevisível !
E eu, lago perdido na floresta onde o tempo não se pode contar,
danço no hoje que do louco imponderável surgiu...mas agora,
entrelaçado o corpo na poeira tênue de uma estrela
que em eras distantes fulgiu, o cheiro doce de noites estranhas me afaga de forma até então desconhecida e ausente porque é um afagar divino e secular que teima em me tomar inteira
de forma abismal, infinita e inclemente !

Ainda danço hoje...
Mas danço com uma dança onipresente e bruxuleante soprada pelo Incriado, porque é um dançar absoluto e abandonado ao que quer que seja de soberanamente estonteante !



Tereza Abranches é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Escritora e artesã, também desenvolve estudos sobre literatura e espiritualidade.

Aqui nos traz um poema onírico, evocando o poder energizante que a dança provoca em nosso corpo físico, mas sobretudo na psique e na alma.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Descoberta - Por Tereza Abranches


Se os teus sonhos se desfizerem 
e os teus pés sangrarem na caminhada,
se o céu escurecer
e se fizer dura e fria a tua jornada,
se os teus anseios sinceros
se chocarem com a dureza 
do coração humano,
se as tuas noites forem frias 
e houver chuva e neblina na estrada
e as tuas mãos antes quentes e macias
e então ocas, indecisas e vazias
desesperadamente espalmarem o Nada,
se a tua cabeça pender
e só te restar amargo e obscuro gemido,
se a tua canção de ninar
se desfizer na realidade da vida
e, devagarinho e calada
te brotar uma mágoa distante,
dolorosa, triste e doída...
Rasga o peito valente
e faz com que os teus sonhos
sejam a Coragem e a Força;
Luta bravamente pra que as tuas cavernas
jorrem Luz e Esperança;
Que o teu Céu seja um ninho louco
de estrelas cadentes;
Que o teu grito se solte mais alto e bonito
do que o riso limpo, alto e bonito de uma criança
e que os teus olhos se acendam a cada Dia
com o lume bendito da Vida,
e que esse grito alto e profundo
repleto e transbordante de Cor e Luta,
se converta em música celeste
abraçando, envolvendo e imantando o Mundo !
Pois nessa luta sem tréguas
teu Ser brotará claro e límpido !

E se a vida insana te sangrar,
apesar da mágoa, do medo e da dor,
inunda e devolve a essa vida insana a tua Paz,
a tua Teimosia que vem da Força Divina
que mora na Coragem do teu peito único
e na descoberta rodopiante de si mesmo,
dos teus abismos de Luz
e na força sideral do teu Amor !




Tereza Abranches é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Artesã, poetisa e escritora, realiza estudos no campo da literatura e espiritualidade.

Nesta participação, nos traz um belo poema, exaltando a força interior que todos temos, mas que poucos notam-na, infelizmente. Fica a dica contundente da poetisa, para que a busquemos no Eu interior.