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domingo, 15 de outubro de 2017

Nota de Falecimento - Colunista Tereza Abranches - 12 de outubro de 2017


É com muito pesar que este Blog comunica aos seus leitores que perdemos uma querida colaboradora, a colunista, Tereza Abranches.

Vítima de um enfisema pulmonar agudo, que desencadeou uma série de outros problemas sérios e decorrentes, forçando a falência múltipla dos seus órgãos, Tereza não resistiu e deixou-nos na madrugada do dia 12 de outubro de 2017. Nascida no Rio de Janeiro, no ano de 1958, há muitos anos vivia em Niterói, na companhia de suas filhas.

Artesã, escritora e uma estudiosa de espiritualidade em geral, tornou-se colaboradora de meu Blog, a partir de novembro de 2013, mas na verdade já conhecíamo-nos desde o início de 2010, através da extinta Rede Social Orkut.

Por muitos anos, foi voluntária em casas de acolhimento para pessoas carentes, e em estado terminal, cuidando delas com um carinho tremendo e notável, sendo uma mãe para todos ali, em seus últimos suspiros.

Como artesã, tinha uma habilidade incrível para a tecelagem, tendo criado roupas, acessórios e objetos, de uma beleza fantástica.

Fã inveterada da contracultura sessenta / setentista, como eu, tinha uma alma Hippie, libertária, acolhedora e sem nenhum egoísmo, sempre disposta a compartilhar tudo o que podia ofertar, exatamente a seguir os preceitos dessa filosofia, que para a maioria das pessoas soa utópica, quiçá piegas, mas as que a professam de coração aberto, revelam-nos o quão possível é fazer a sociedade constituída neste planeta, tornar-se mais solidária. E nesse caso, Tereza fez além da sua parte, tenho certeza, pois conheci bem o seu lado altruísta e tendo como combustível, a sua extrema sinceridade em exercer seus nobres propósitos.

Dona de um bom gosto musical a toda prova (de fato, tornamo-nos amigos inicialmente por identificarmo-nos pelas predileções musicais), Tereza amava muitos sons e entre eles, na sua cabeceira, tinha sempre à mão, os discos dos Beatles; os discos solo de John Lennon que ela adorava (e que por muitos anos teve no seu próprio "avatar" em Redes Sociais, a imagem dele, Lennon, a representá-la); Traffic; The Doors; King Crimson e o Pink Floyd, que ela amava profundamente. Sempre que ouvir tais artistas doravante e dos quais gosto muito, igualmente, não deixarei de lembrar-me de minha amiga.


Tereza tinha um talento extraordinário para tocar o coração das pessoas com seus escritos. Todos os textos dela que foram publicados em meu Blog, foram sucesso de público, gerando muitas visualizações e comentários emocionados, além de grande repercussão nas Redes Sociais da Internet. Lembro-me bem quando ela comentava comigo que estava espantada a constatar o seu "inbox" nas Redes Sociais e na caixa de E-Mail, repleta de pessoas a repercutir seus textos publicados. Humilde por natureza, dizia-me que queria apenas ajudar, mas no alto de sua bondade, não mensurava o quanto emocionava seus leitores. E eu sempre a incentivava a prosseguir, pois sua maneira doce em abordar a espiritualidade, era tão poética e delicada, que sua contribuição era a de espalhar gotas de luz em meio às trevas, tamanha a sua capacidade para compartilhar doses com amor fraternal puro, impessoal, altamente espiritualizado aos seus semelhantes.

Mais que a falta para o Blog, eu, Luiz Domingues, perco uma amiga leal, que muito ajudou-me nesses sete anos em que mantivemos a nossa amizade, sendo sempre um porto seguro em questões espirituais, nas prazerosas conversações que mantivemos.

Tereza deixa duas filhas (ambas foram retratadas em seus textos, inclusive), Taís e Camila, que tornaram-se minhas amigas igualmente, muitos sobrinhos, alguns deles também em meu rol de amizades e duas irmãs. E também uma quantidade de amigos, significativa, entre os quais, incluo-me, orgulhosamente.

Vá em paz, minha amiga. Um dia reencontramo-nos, com certeza e agora você fica aí com os nossos outros amigos, James e Winston, membros de nossa confraria, e com os três tendo muito trabalho pela frente, enquanto eu fico por aqui mais um pouco, mas logo irei também ao encontro de nossa turma.

Taís e Camila : força ! Estou aqui, sempre que precisarem de alguma coisa.

Tereza : muito obrigado por tudo !!

Luiz Domingues

Abaixo, deixo os respectivos links de todos os textos que Tereza Abranches publicou neste meu Blog número 2 :     



Meu Anjo  -  28 / 11 / 2013



Aldeias  -  2 / 1 / 2014



Descoberta – 25 / 1 / 2014



Um Bichinho – 21 / 2 / 2014



Tudo o que quero é não querer – 22 / 3 / 2014



Um Sonho na Fonte dos Segredos – 26 / 4 / 2014



Surpresa  - 27 / 5 / 2014



Trilhas – 25 / 6 / 2014



A Sombra – 24 / 8 / 2014



Camila – 28 / 7 / 2014

domingo, 1 de janeiro de 2017

Um Monte de Coisa - Por Tereza Abranches

Hoje resolvi que não sei de nada, que não entendi e não entendo nada, que vivo viajando pra cima e pra baixo na nave mãe.

Um não saber absurdo e incorreto politicamente... será? 

-Não sei se é ou não é porque não entendo nada mesmo...



Hoje faço questão de ter cara de parede, de ficar rodando até ficar tonta (quando a gente faz isso e para, fica tentando se equilibrar e olhando de lado, procurando achar o prumo).

Que não me peçam bom senso, cenho franzido de gente apressada ou sem pressa até, mas de cenho franzido mesmo assim... vai entender. Que não me peçam responsabilidade e muito menos ainda, educação. Sim, hoje eu quero fazer careta pro passarinho pousado no muro só porque não é certo fazer careta pra passarinho.

Quero correr pra chuva, só porque existem trilhões de guarda-chuvas pelo mundo (gente que cresceu tem medo de se molhar). 

Eu, hein !

Quero achar uma praia bem longe, tão longe que o único ruído que eu escute seja das ondas que lambem a areia molhada e a única marca que exista seja a marca dos meus pés... ou das minhas mãos, se eu resolver andar plantando bananeira e cantando bem alto "cara caramba cara caraô", liberta dos olhares desconfiados com que me olhariam se pudessem me ver, mas eu vou estar bem longe, rolando na areia fina, me colorindo de branco, com o cabelo todo emaranhado de areia e  concha.



Hoje, não entendo nada.

E por não entender nada, vou gritar um palavrão bem alto (um qualquer que a gente não fala na frente de pai e mãe) e, com as mãos na cintura, rebolar bastante, fazendo mais careta, mas essa não é pro passarinho não, essa é pra uma flor bem bonita - porque também é falta de educação fazer careta pra flor.

E tem muito mais coisa que resolvi fazer hoje e fiz, mas acho que não vai interessar muito, afinal quem não sabe nada e não entende nada sou eu, e ia ficar muito grande contar tudo o que eu fiz hoje.

Ah, já ia esquecendo de uma coisa que não falei aqui e essa é bem legal: abri os braços e caí de costas num mato alto e virei mato mas depois desvirei mato e virei gente de novo. Gente com cara de mato, não mais com cara de parede.



E o sono da noite, depois desse dia, foi o mais pacífico e sereno que já tive em toda a minha vida e, antes de adormecer completamente, vi anjos sobrevoando o tapete mágico onde dormi, viajando pelas galáxias !



Tereza Abranches é colaboradora do Blog Luiz Domingues 2. Escritora e artesã, também desenvolve estudos sobre literatura e espiritualidade. Nesta crônica, fala essencialmente sobre a liberdade de ser o que quiser, pouco preocupando-se com a opinião alheia

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Taís - Por Tereza Abranches

Era uma vez uma poeirinha brilhante que pairava no espaço.

Ela cantava e dançava uma música cantada por ela mesma (foi ela mesma que inventou) e talvez fosse esse o motivo pelo qual ela era tão feliz.
Passeava pelos anéis de Saturno, corria pela lua como doida, e ria com aquela gargalhadinha de bebê, tão linda. Um dia ela se fragmentou mais e a poeira cósmica da qual fazia parte, ficou menor ainda e ela veio buscando a Terra (ela tinha uma surpresa, mas não sabia qual era) e esses fragmentos de Luz, Felicidade e Música, pousaram de mansinho sobre mim, me inundando de Luz.
Desceu tão de mansinho que eu nem percebi e quando pergunto a ela como foi, ela não se lembra.

E essa Luz Bendita, pouco a pouco foi tomando forma e era de uma criaturinha que o Altíssimo me mandou de presente: um fragmento das Suas Estrelas.

À medida que essa pequena poeirinha sideral descia, devagarzinho se instalando no meu ventre, percebi que ela cantava dentro de mim, mas um cantar que eu percebia só com o coração porque ela cantava com a voz do espaço sideral.
Eu amava.
Eu sentia.
Eu sabia do pedacinho que estava aconchegado e guardadinho dentro de mim.
Eu a embalava com o som das batidas do meu coração e eu cantava pra ela também, o meu pedacinho de poeira estelar.

Quando enfim, ela veio dos fragmentos pro planeta Terra, descobri um amor que só o Altíssimo é capaz de perceber, porque esse amor era tão maior que eu, tão intensamente iluminado, que somente Ele poderia ser capaz de sentir.
E a Vida sorriu um sorriso belíssimo, feliz por colocar nos meus braços a minha Redenção em forma de poeirinha-menina.
Então eu e minha estrelinha nos entrelaçamos de amor, um amor tão incomensurável que não se desfaz, não importa o que aconteça.
E esse entrelaçar é eterno, gravado na pele e na alma.

E hoje minha estrelinha e eu dançamos porque ela me ensinou a dança das estrelas. Quando o vento é muito forte, a tempestade chega, o céu escurece e eu deixo um rastro de dor pelo caminho, minha estrelinha seca minhas lágrimas e eu as dela, com amor e ternura. 

Minha amada poeirinha estelar, obrigada pela sua paciência comigo, pelo seu amor. Obrigada por ter chegado à minha vida de mansinho, como só uma partículazinha de Universo sabe chegar.

E antes e acima de tudo, agradeço ao Alto por ter me mostrado que o meu pedacinho de estrela está sempre ao meu lado, sempre.
O nome dessa dádiva celeste?

O nome dela é Taís.
Tereza Abranches é colaboradora do Blog Luiz Domingues 2. Escritora e artesã, desenvolve também estudos sobre literatura e espiritualidade.
Nesta crônica, mostra-nos com emoção a felicidade em ter Taís Abranches como sua filha e fonte infinita de amor e inspiração. 

domingo, 19 de junho de 2016

Caminhos - Por Tereza Abranches


Quero ir sem precisar voltar, pois que há tempos germina em mim o cheiro bom da terra molhada, o gosto na boca do verde sem fim, onde a alma em floresta se alimenta de musgo. 


Quero ir, seguir, leve como pássaro que deixa o ninho, como grito que se liberta, ecoa longe e me chama, e eu ouço o seu chamar a cada sol que nasce e, à noite, quando chega a lua.

Quero ir sem olhar pra trás, apenas indo, indo, absorvendo marés, o orvalho dos prados, neblinas onde eu possa me perder, oculta do mundo, mergulhando profundamente dentro de mim.


Quero me perder na relva doce e calma e brotar do chão, criatura recém criada, inundada de céu, onde o silêncio ensurdecedor reine e, na esperança de redenção, mergulhar nos confins do meu ser.

Quero ir depositando com carinho, no chão mágico da minha estrada, as lágrimas que eu nunca tive coragem de chorar, palavras que ficaram presas e eu nunca disse. 


Quero olhar frente a frente a Vida, sem medo do obscuro que vive em mim e, transmutando minhas imperfeições numa luta serena e tranquila, quero expurgar minha escuridão, partir minhas correntes e cadeias e sorrir em paz diante da minha pequenez perante o Infinito.

Quero chegar ao fundo de mim, me confrontar e, de alma nua, olhar dentro dos meus próprios olhos e lutar, de mansinho, até não restar lugar pro orgulho, pro mesquinho e pra tudo o que é negativo e que dessa batalha resulte amor, paz, fraternidade, beleza, abraço quente que consola, e que a música que preenche o Universo, preencha também a fluidez da minha alma.


Que nessa caminhada, o que há de mais sublime possa me tocar e ficar comigo, penetrar meus poros e veias, me ensinar a bondade e a tolerância, o amor que nada pede em troca e apenas se doa, simples e límpido.

Eu quero um caminho sem volta. 


Seguir em frente, deixar pra trás incompreensões, tristezas, mágoas e seguir, de peito aberto, em direção ao perdão mais impossível, à compreensão mais incompreensível, fazendo brotar amor do solo árido, áspero e completamente inatingível.


Quero me perder dentro desse caminho e ir... sem precisar voltar.





Tereza Abranches é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Escritora e artesã, desenvolve também estudos sobre literatura e espiritualidade.


Nesta crônica, nos fala sobre os caminhos que todo ser humano deve percorrer no mergulho interior de sua trajetória, buscando não só as respostas, mas sobretudo os acertos em sua trajetória.

sábado, 21 de maio de 2016

Música - Por Tereza Abranches


Por que é que hoje, um dia comum, sem nada de extraordinário acontecendo, me sinto quase afogada em música ?


Que força universal é essa que me faz chorar sem o mínimo receio de libertar essas pobres lágrimas ?
Não há no mundo nenhuma lágrima que seja pobre, mas as minhas nesse momento o são porque também não sabem o motivo de tanto êxtase, de tanta dor, de tanta harmonia que cada música traz consigo escondidinha e quando menos eu espero, pula pra dentro da minha alma e me leva ao encontro da felicidade ou da mais dilacerante dor.


E essas lágrimas descem arrastando tempos e lembranças e, naquele momento exato, naquele toque que a junção perfeita de notas consegue alcançar, a alma em flor, desabrocha e renasce.
Que furacão me mete no peito essa tal de música, que me faz engasgar, que faz com que não caiba dentro de mim, pois que a música, essa tal música, tem o poder de quase matar e ressuscitar ao mesmo tempo, sem dó nem piedade ?


E, numa mística viagem, faz o tempo voltar e parar onde ela decidir e tanto pode retalhar o coração em milhares de pedacinhos como fazer com que toda a tristeza do mundo desapareça, porque tem o dom de penetrar vales e poros.
Que notas descem do Universo, que coisa intocável é essa, que força, que poder essas notas trazem, me deixando grávida de luz e dança, de rodopios enlouquecidos pela brisa que sopra e, linda, me acompanha (a brisa consegue ver a cor dessas notas) e eu descobri isso no dia em que vi a brisa chorando e cada lágrima dela tinha uma cor... era a cor da música que ela ouvia e então eu soube.

Que grandeza é essa que, de mansinho deita no meu colo e de repente salta, girando, girando por tudo quanto é canto e eu, repleta de felicidade e alegria, acompanho esse rodopio e, abruptamente, ela se acalma e deita no meu colo outra vez, enquanto eu me despedaço inteira de saudade daquilo que não sei o que é, e nem onde está.
E a música, essa louca, se sabe, não me conta.



Mas só o fato de sentir esses momentos que ela me traz, vale a pena cada sorriso, cada lágrima, porque sentir é se tornar, é fazer parte dessa própria música, que é feita de um tipo de mágica como nenhuma outra há.
Que espécie de homens são esses que têm música nas veias e por conta desse toque imponderável, se tornam anjos quando as criam e tocam o eterno (a casa fulgurante da inspiração), alcançando o ponto exato em que o espírito, em êxtase, se torna quase que fluido ?

Através da magia da música, joelhos tocam o chão, peitos e seres se estilhaçam, felicidades genuínas e incandescentes invadem todos os sentidos, desafiam tristezas, reconstroem tempos idos, atingindo recantos onde só esse milagre consegue chegar, reverenciando o que há de mais sublime e puro em todos os quadrantes do Universo.
Não tem idioma, cor, credo ou fronteiras e irmana a tudo e a todos pelos jorros de Luz que brotam do seu cerne majestoso, fazendo com que a Calma, a Paz, a Serenidade e o próprio Cosmos possam ser traduzidos.



E se repararmos bem nas asas dos anjos e dos passarinhos, veremos, grafadas pelo Universo e pela Vida, em uma asa, a palavra Amor e na outra, Música !
  
Tereza Abranches é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Escritora e artesã, desenvolve também estudos sobre literatura e espiritualidade.

Sobre o tema de sua crônica, Tereza é grande entusiasta de música desde a infância, e sendo assim, acredita que esta forma de arte seja um grande combustível para alimentar a evolução de toda a humanidade.