segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 71 - Por Luiz Domingues

A nossa próxima apresentação ao vivo foi em um local inédito em nossa trajetória e inusitado, pelas suas instalações, sui generis, digamos assim. No entanto, não foi a primeira vez que apresentar-nos-íamos em um tipo de ambiente assim, não usual e ao ir além, recentemente havíamos passado por experiência semelhante e cujas atuações (foram duas vezes nessa casa que cito, a "Cervejaria da Granja"), eu comentei anteriormente. 

Desta feita, a empreitada seria realizada em um espaço criado pelo mandatário de uma padaria, localizada em um bairro da zona leste de São Paulo (Jardim Brasília), que por ser um entusiasta de Rock e música em geral, construiu um palco no estacionamento de seu estabelecimento e denominado: "Espaço Cultural Rock na Padoka", estava a produzir shows com bandas autorais do circuito underground, com regularidade. 

Ótimo, a ideia de haver um espaço assim com tal proposta dinâmica de produção aberta aos artistas outsiders do underground, por si só já mostrara-se muito animadora, mas ficou ainda melhor quando eu cheguei ao local e ao ser o primeiro da nossa banda a marcar presença, pude conversar bastante com o dono do estabelecimento, um rapaz apelidado como: "Poia" e o seu sócio no projeto, o divulgador e produtor musical, Marcos Paulo. 

Pude notar pelo entusiasmo de ambos, que a produção estava de vento em popa e sob uma segunda observação de minha parte, eu fiquei surpreendido pela estrutura física que montaram, com um palco espaçoso, coberto, a conter um PA, sistema de iluminação e que diante de casas que produzem shows a obrigarem os artistas a levarem tudo (até usina de força elétrica em alguns casos), realmente mostrara-se um alento.

No pré show, o nosso set a postos. Acervo e cortesia de Espaço Cultural Rock na Padoka. Click, acervo e cortesia: Marcos Paulo

Logo a seguir eu vi a aproximação do Carlinhos Machado e enquanto o ajudava a descarregar o seu automóvel, fui a contar-lhe que estava impressionado pela estrutura, que era simples, mas funcional e que os mandatários da casa eram muito hospitaleiros.

Encravado em um bairro longínquo da imensa zona leste de São Paulo, não surpreendeu-me por outro lado, aliás em nada, a questão da hospitalidade, pois sei de longa data que o calor humano advindo de comunidades mais simples da sociedade é sempre inversamente proporcional ao nariz empinado por parte de habitantes de bairros nobres da cidade (claro que eu sei que não se pode generalizar nem por um lado, quanto do outro). 

Já anoitecia quando Kim Kehl e Lara Pap estacionaram o seu carro. Montamos o equipamento e vimos com alegria que pessoas chegavam e ocupavam mesas. Não havia cobrança de ingresso ao público e a padaria obtinha o seu lucro no intenso movimento ali construído. 

Ótimo, banda feliz, dirigentes idem e um espaço Rock na cidade, democrático e gratuito a deixar o público também satisfeito. Além do fato de que ali tornava-se um polo para uma região carente de oportunidades e por ser bastante distante do centro da cidade, foi uma chance excelente para haver uma atividade cultural e ainda por cima, gratuita, com atrações marcadas para toda sexta e sábado.

Eu (Luiz Domingues) e o baixista superb, Fernando Tavares, que gentilmente veio prestigiar-nos no Espaço Cultural Rock na Padoka. Acervo e cortesia de Fernando Tavares. Click de sua esposa, Renata Tavares

Faltava pouco para iniciarmos a nossa apresentação quando eu notei a aproximação do baixista superb, Fernando Tavares, acompanhado de sua esposa. Fernando, tirante ser um virtuose, é um professor celebrado e foi por dois anos, o meu editor na revista "Bass Player", pela qual eu fui colaborador e foi para ele que eu enviava os meus textos brutos etc. 

Nesta fase envolvido com vários projetos (Banda "Apostrophe", Medusa Trio e na banda base do ex-"Recordando o Vale das Maçãs", o tecladista Lee Recorda), Fernando veio prestigiar-nos e logo a seguir o ótimo guitarrista, Adilson Oliveira que tocava com ele na banda de Lee Recorda, apareceu, também. 

Figura igualmente sensacional, Adilson é um guitarrista virtuose e também ministra aulas, além de ser um dos produtores da Webradio Stay Rock Brazil.

Os Kurandeiros em ação no Espaço Cultural Rock na Padoka de São Paulo, em 2 de setembro de 2017. Clicks: 1) Fernando Silveira; 2) Marinho MTB 3 e 4) Marcos Paulo

A nossa apresentação iniciou-se e infelizmente o PA da casa não deu vazão à nossa volúpia sonora e assim, na terceira música o Kim pediu desculpas ao público, que já era muito bom nessa altura e paramos para instalar o PA da banda, que era pequeno, mas bem prático a atender a nossa demanda primordial. 

Feito isso, praticamos três entradas com bastante qualidade e com resposta muito boa do público. Tanto nas canções autorais, quanto nas releituras que tocamos, a passearmos pelo Rock e Blues internacional, tudo funcionou bem e até a seleção de baladas sessenta-setentistas, agradou em cheio aos mais veteranos ali presentes, ao arrancar assovios e eu impressionei-me em ver que as pessoas cantaram conosco, sob certa comoção, eu diria.

"Caroline" (Status Quo), no Espaço Cultural Rock na Padoka, de São Paulo, em 2 de setembro de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=6tf1oN1tzeI
"Faz Frio" (Kim Kehl), no Espaço Cultural Rock na Padoka, de São Paulo, em 2 de setembro de 2017.

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=OMR2Gb77j3M
Os Kurandeiros em ação no Espaço Cultural Rock na Padoka, de São Paulo, em 2 de setembro de 2017. Foto1) Kim Kehl a conversar com o público. Foto 2) A banda a agradecer ao público no final. E na foto 3, o simpático coprodutor do projeto, Marcos Paulo, ao lado de Kim Kehl. Acervo e cortesia de Espaço Cultural Rock na Padoka. Clicks de Poia

Em suma, foi uma ótima apresentação e que abriu caminho para novas investidas futuras nesse prazeroso espaço no qual fomos muito bem tratados. Noite do dia 2 de setembro de 2017, com seguramente mais de cem pessoas a assistirem-nos.

Passado o show agradável realizado no Espaço Cultural Rock na Padoka, voltamos a um outro espaço que recentemente abrira as suas portas para nós e mesmo que tenha sido algo recente, já havíamos habituado-nos a tocarmos ali e sermos muito bem recepcionados, igualmente. 

E lá estivemos nós no Rockers Self Garage, a bela garagem das motos, encravada no bairro da Saúde, na zona sul de São Paulo. Desta feita, haveria uma festa na casa e portanto, abriu-se uma perspectiva boa de haver um público mais numeroso.

Os Kurandeiros em ação no Rockers Self Garage de São Paulo, em 15 de setembro de 2017. Clicks: Foto 1) Lara Pap. Fotos 2 e 3) Regina de Fátima Galassi

E foi o que ocorreu, com um contingente maior e bem animado. Uma surpresa agradável, o amigo Victor D'Avilla apareceu acompanhado de sua esposa e filho e foi agradabilíssimo poder conversar com ele, visto ser um apoiador de meus Blogs há muito tempo nas redes sociais da internet. Vocalista de uma banda de Heavy Metal, Victor é um rapaz culto, inteligentíssimo e muito bem articulado, portanto, a conversa foi muito boa, certamente.
"Close to You" (Burt Bacharach/ Hal David), no Rockers Self Garage de São Paulo, em 15 de setembro de 2017. Filmagem de Regina de Fátima Galassi

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=Ri9jr1T7jqo 

"Superstar" (Leon Russell/Bonnie Bramlett), no Rockers Self Garage de São Paulo, em 15 de stembro de 2017. Filmagem de Regina de Fátima Galassi

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=myqqnFiFzGA

"Caroline" (Status Quo) (trecho), no Rockers Self Garage de São Paulo, em 15 de setembro de 2017. Filmagem de Regina de Fátima Galassi

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=oz1GRug4u_Q

"Born to Be Wild" (Steppenwolf), no Rockers Self Garage de São Paulo, em 15 de maio de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=oz1GRug4u_Q
Os Kurandeiros em ação no Rockers Self Garage de São Paulo, em 15 de setembro de 2017. Click, acervo e cortesia de Regina de Fátima Galassi
 
Noite de 15 de setembro de 2017, no Rockers Self Garage de São Paulo, com mais de cem pessoas eufóricas no recinto.
A próxima novidade, foi no campo discográfico. Uma coletânea a conter várias faixas inéditas, provenientes de formações anteriores e material da minha formação, incluso, estava pronta para ser lançada pelos Kurandeiros, oficialmente. Uma surpresa boa a reforçar a minha discografia e claro que animei-me muito quando o Kim anunciou-nos o seu plano de lançar tal compilação. Falo sobre isso no próximo capítulo.

Continua...

domingo, 5 de novembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 70 - Por Luiz Domingues

Uma oportunidade rara no ambiente musical de fim de segunda década do século XXI e digo isso com pesar, surgiu através de uma casa noturna com infraestrutura bem avantajada, que abriu as suas portas para um show compartilhado d'Os Kurandeiros com mais duas bandas, a caracterizar praticamente um micro festival, pode-se afirmar.

Tal casa em questão foi o Gillian's Inn, um estabelecimento que desde que fora fundado, por volta de 2011, mantinha a salutar prática de abrir as suas portas para bandas autorais, embora também tivesse nesse ínterim, que render-se à realidade da necessidade de se agendar bandas cover/tributo, como fator de sobrevivência, porém mesmo assim, esforçava-se para manter um espaço aos outsiders do underground mais profundo, portanto foi um fator a comemorar-se com fogos de artifício.

Eu, Luiz Domingues e Rodrigo Hid (encoberto), a tocarmos com o Pedra no Gillan's Inn, no ano de 2012. Foto: Naty Farfan
 
Eu já havia apresentado-me nesse estabelecimento uma vez, no ano de 2012, com  o "Pedra" e a repetir um padrão em estar inserido em meio a um espetáculo triplo, daquela vez a compartilhar com as bandas: "Tomada" e "Balls". 

E devo acrescentar que a casa operava nessa ocasião em outro endereço, próximo à Praça Roosevelt, no bairro da Consolação, bem perto do centro antigo da capital paulista. Posteriormente, eu soube que mudara-se para outro endereço, ali perto mesmo, a ocupar um espaço bem mais amplo, com direito a uma infraestrutura melhor para shows, com palco grande, melhores camarins e tudo mais e agora, 2017, estava em um novo local, a caracterizar o seu terceiro endereço e desta feita mediante uma mudança radical, por ir estabelecer-se na zona norte de São Paulo, no bucólico bairro do Jardim São Paulo. 

Nessa ocasião, além d'Os Kurandeiros, o show seria também compartilhado por duas bandas com sonoridades bem distintas entre si e conosco, igualmente. A primeira, chamada: "Boomer", a fazer um Pop-Rock com ares oitentistas e a outra, "Pop Javali", que apesar da sugestão implícita de seu título, apresentava um Heavy-Metal super técnico, a esbarrar em virtuosismos bem acentuados.

Interessante, um show triplo com bandas autorais a exibirem trabalhos bem diferentes, uma das outras, pareceu mais que uma estratégia eclética a demonstrar ousadia por parte da produção, mas haveria de atrair públicos específicos de cada sonoridade e na soma, garantir à todas, um quórum significativo, assim esperávamos. 

Da esquerda para a direita: Eu (Luiz Domingues), Kim Kehl e Carlinhos Machado. Os Kurandeiros no camarim do Gillan's Inn de São Paulo, em 20 de agosto de 2017. Clicks (selfies), acervo e cortesia: Kim Kehl

E assim fomos para o soundcheck na parte vespertina de um domingo, sob uma chuva bastante desagradável para quem vai participar de uma produção que depende da movimentação da bilheteria e não deu nem para lastimar o azar de uma chuva em pleno agosto, mês que tradicionalmente é seco e frio, mas apenas constatar que em uma época tão carente de oportunidades, foi para lastimar-se ter intempéries da natureza a atrapalhar uma rara oportunidade para tocar-se em uma casa melhor estruturada e dentro da realidade de um show 100% autoral. Paciência. 

Passamos o som e a casa apresentava um PA compatível com o espaço e o seu técnico mostrou-se competente e eficaz na preparação do nosso set up. E convenhamos, o nosso rider técnico era bem simples quando apresentávamo-nos no formato Power-Trio, portanto, a facilidade para se preparar nosso set up, foi total. 

No camarim, esperamos pelo soundcheck do Pop Javali e do Boomer, que na ordem inversa desse procedimento prévio, abriu a noitada. Eu assisti o show do Boomer em meio ao público e gostei da sua apresentação, a mostrar composições bem ao gosto do Pop-Rock da década de oitenta. 

Essa estética não é do meu agrado, todo leitor da minha autobiografia está amplamente avisado sobre isso, mas um aspecto é certo, gosto pessoal a parte, os rapazes apresentaram boas composições e desenvoltura. 

Formatado como quarteto, o Boomer impressionou-me bem, gostei de sua apresentação, inclusive ao prestar atenção nas boas letras versadas pela preocupação em se exprimirem crônicas do cotidiano urbano, tipo de temática que agrada-me, certamente, ultra paulistano que sou. 

Com uma boa cozinha, o vocalista principal a tocar uma competente guitarra base e um guitarrista solista de bastante qualidade, além de todos fazerem backing vocals afinados, é claro que a sonoridade teria que ser agradável e o foi. 

Enquanto eu assistia sua performance, um pensamento veio à minha mente: foi incrível como estavam a surgirem bandas que naquela atualidade de 2017, pretendiam resgatar a sonoridade dos anos oitenta (leia-se na realidade do Pop-Rock dentro da cena do BR-Rock daquela década), mas que soavam paradoxalmente muito melhores do que os artistas que eles deviam admirar. 

A minha tese é de que essa turma atual, primeiro aprendeu a tocar instrumentos e depois preocupou-se em formarem bandas, ao contrário de seus ídolos que fizeram o contrário, respaldados pelos ideais errôneos da "revolução Punk" que inebriou-os naquela ocasião. 

Dessa forma, bandas como o "8080", "Flying Chair" e o "Boomer", que buscavam tais sonoridades da década de 1980, eram em realidade, muito melhores que as bandas que influenciaram-nas, em tese.

Os Kurandeiros em ação no Gillan's Inn de São Paulo, em 20 de agosto de 2017. Foto: Lara Pap

Nos últimos momentos do show do Boomer, eu fui ao camarim iniciar a minha preparação final para entrar em cena e ainda comemorei a releitura que eles incluíram em seu show, ao executarem: "Come Togheter" dos Beatles, ou seja, nem só de som oitentista eles eram influenciados, ainda bem. 

Chegara a nossa vez e fomos apresentados pelo Adilson Oliveira que era (é) um dos dirigentes da Webradio Stay Rock Brazil (e também é um excelente guitarrista e professor de música, sendo membro da banda base do Lee Recorda, um dos remanescentes da banda setentista "Recordando o Vale das Maçãs", em plena atividade e a ter o baixista virtuose, Fernando Tavares como colega de banda, ou seja, uma banda de alto nível), com uma reverência tremenda que chegou a provocar-me arrepios.

O seu respeito pela nossa banda e também incluso o bojo da carreira pregressa de cada componente, foi emocionante e quase desestabilizador, pois dentro dessa aura de comoção, ficou meio comprometida a nossa capacidade de concentração, porém, e aí eu posso contabilizar como lucro, o fato de que envelhecer tem o lado bom da experiência acumulada em detrimento das mazelas da decrepitude física em curso, portanto, balançamos mas não caímos, como falava-se no humorismo popular de antigamente...

Roberto San'Anna, músico e fotógrafo, amigo virtual pelas Redes Sociais da Internet, de longa data, apareceu e nós conversamos bastante nos momentos pré-show. As três fotos acima do nosso show, são de sua autoria. Os Kurandeiros no Gillan's Inn de São Paulo, em 20 de agosto de 2017. 

Logo na primeira música, a simpatia do público foi muito boa e nós embalamos uma bela performance da música: "A Noite Inteira", mas um fato alheio à minha vontade, ocorreu. Na parte da parada gerada do instrumental, arranjo que estabelecemos fazer ao vivo e diferente da versão de estúdio, eu costumava percutir nas cordas abafadas do meu baixo, a usá-lo como a um instrumento de percussão, mas enquanto o Kim brincava com a plateia e o Carlinhos mantinha o ritmo, eu notei que o som do meu baixo falhava e não deu outra, uma pane instaurou-se no meu amplificador. 

Assim que chegou a vez de voltar para a música e ao verificar que os meus esforços para resolver a falha ali não lograram êxito, eu sinalizei ao Kim que não conseguiria prosseguir e que ele e Carlinhos conduzissem a música até ao seu final. 

Imediatamente o técnico de som e o amigo, Adilson Oliveira, vieram mexer no amplificador, mas ele não mostrava reação. Foi quando ele voltou a funcionar de uma forma inexplicável e o show prosseguiu sem mais percalços ainda bem. Vida que seguiu, falhas técnicas que aborrecem, mas que são dribladas, sempre.

Eis acima um "trailer" do especial a cobrir a nossa participação no Gillan's Inn, ao anunciar a seguir o lançamento do vídeo completo. 20 de agosto de 2017. Filmagem de Kico Stone

O Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=944sEUTWA18 
Mais registros d'Os Kurandeiros em ação no Gillan's Inn de São Paulo, em 20 de agosto de 2017. Clicks, acervo e cortesia de Regina de Fátima Galassi 

Dali em diante e sem prejuízo pela falha técnica logo na primeira música, o show foi ótimo, com a banda a manter uma ótima performance e a ser muito aplaudida. Encerramos felizes pela nossa participação e doravante, entregamos o palco para o Pop Javali.

Os amigos Roberto Sant'Anna, Regina de Fátima Galassi e eu (Luiz Domingues) no Gillan's Inn de São Paulo em 20 de agosto de 2017. Acervo e cortesia de Regina de Fátima Galassi. Click: Lara Pap 

Veio a seguir o Pop Javali e eu já havia ficado muito lisonjeado pela forma carinhosa com a qual seus componentes haviam falado comigo no camarim e durante o soundcheck, a se mostrarem muito gentis em enaltecer a minha carreira pregressa, ao citarem A Chave do Sol como um trabalho que influenciara-os na década de oitenta. 

Por essa eu não esperava e claro que fiquei muito enaltecido e agradecido. Fora disso, pessoas de uma gentileza ímpar e muito bem articulados, evidentemente que a nossa conversa nos bastidores foi das mais agradáveis. 

Sobre o show deles, assisti parcialmente, pois na primeira parte estava a arrumar os meus pertences no camarim, já a deixar tudo arrumado para a saída posterior, somente a ouvir a rebarba do som que vinha do palco sob um primeiro instante. 

Quando eu fui para a plateia assistir de fato, já chegava-se à metade da apresentação deles e eu pude constatar que são excelentes músicos e com tal nível técnico elevado a seu favor, realmente impressionara-me a robustez instrumental dos três componentes, inclusive a demonstrarem virtuosismo em diversas passagens de seu instrumental. 

A estética foi do Heavy Metal e eu não saberia definir ao certo em qual de suas inúmeras subdivisões o trabalho dos rapazes encaixava-se, mas obviamente era pesado demais para o meu gosto, mas isso não desabonou em nada o bom trabalho deles.

No pós show, a agradecermos ao público. Os Kurandeiros no Gillan's Inn de São Paulo, em 20 de agosto de 2017. Click: Lara Pap

Fechada a noite, pelo aspecto artístico, foi um triunfo a produção. Mas por outro lado, a chuva minou a presença de um público maior que certamente esperávamos. 

Cerca de um mês depois, o "Focus", a lendária banda progressiva setentista de origem holandesa, apresentar-se-ia naquele palco, a demonstrar que a casa continha fôlego para apresentar atrações internacionais. 

Cereja do bolo, alguns componentes e amigos da banda Boomer, abordaram-me com muita simpatia a revelarem-me gostar do meu trabalho com A Chave do Sol nos anos oitenta e claro que mais uma vez eu senti-me muito lisonjeado.

Os Kurandeiros no camarim. Da esquerda para a direita: eu (Luiz Domingues), Kim Kehl e Carlinhos Machado. Os Kurandeiros no Gillan's Inn de São Paulo em 20 de agosto de 2017. Click de Lara Pap

Kico Stone, o nosso amigo e film-maker de vários shows nossos, esteve presente e filmou a nossa performance, a gerar um micro especial, sempre bem-vindo para a videoteca da banda e da minha em particular.

Noite de 20 de agosto de 2017, um domingo chuvoso, mas proveitoso, com três bandas do mundo underground da música a apresentarem os seus trabalhos autorais, ou seja, uma chance rara no cenário da música underground de 2017...

Eis acima um resumo de nossa apresentação no Gillan's Inn de São Paulo, no dia 20 de agosto de 2017. Filmagem de Kico Stone

O link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=54LGz-94CbE
O nosso próximo passo seria uma apresentação em um espaço inusitado, mas que revelar-se-ia agradabilíssimo pela receptividade calorosa do público e dos responsáveis pelo local. 

Continua... 

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 69 - Por Luiz Domingues

Após uma noite com muitas emoções na Granja Viana, o próximo compromisso d'Os Kurandeiros ocorreria no mesmo mês de agosto, em uma volta ao Santa Sede Rock Bar. Foi sempre prazeroso estar no reduto Rocker & Hippie da zona norte de São Paulo e de fato, fizemos mais uma animada apresentação.
Sequência de fotos do show d'Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar, em 11 de agosto de 2017. Primeira foto de Kim Kehl e a segunda de Lara Pap. As demais são de Regina de Fátima Galassi

Kico Stone, o amigo e film-maker da pesada, apareceu e novamente filmou-nos em ação, com a sua categoria digna de um cinegrafista profissional. Eis abaixo, um apanhado de nossa apresentação no Santa Sede Rock Bar, de São Paulo, no dia 11 de agosto de 2017, sob a ótica do grande, Kico Stone:
Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=8Z-YRSHvKV4&t=5s

"O Kurandeiro", no Santa Sede Rock Bar, de São Paulo, em 11 de agosto de 2017. Filmagem de Regina de Fátima Galassi

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=J6tQ85aRrbc

Bem, foi ótima a noitada, nenhuma turma de estudantes de direito apareceu para pendurar a conta em nome da tradição do "dia 11 de agosto", e de lá saímos satisfeitos com a performance e as reações.

A nossa próxima parada foi uma volta à simpática casa próxima do aeroporto de Congonhas e onde já havíamos tocado duas vezes anteriormente, a deixar-nos com a boa impressão pela acolhida e pelo caráter aconchegante do estabelecimento. Tratava-se do "Tchê Café", uma casa bem montada e onde a disponibilidade de backline e até de instrumentos de bom nível, surpreendia, pelo seu aspecto nada usual.
Flagrantes do show d'Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo, no dia 18 de agosto de 2017. Primeira foto do palco montado no pré-show, de Kim Kehl e as demais, de Regina de Fátima Galassi 

Foi a noite de 18 de agosto de 2017, ainda sob o frio de inverno e neste caso nós consideramos que dada a temperatura baixa naquela noite, a tendência dos clientes da casa em privilegiarem a parte externa ao ar livre para ficarem, ao menos nessa noite mudaria, porém no decorrer da noitada, percebemos que não, a prática habitual prevaleceu ali.

Mais fotos da apresentação d'Os Kurandeiros na casa de espetáculos, Tchê Café de São Paulo, em 18 de agosto de 2017. Clicks de Regina de Fátima Galassi 

Outro aspecto que lastimamos, mas não teve nada a ver conosco diretamente, foi quando o Carlinhos chegou para ajustar as peças da bateria e verificou que os pratos disponibilizados eram de qualidade inferior, visto que nas ocasiões anteriores, o dono da casa deixara-o usar a vontade um kit novo em folha da marca "Zildjian", consagrada marca norte-americana. 

Claro que o Carlinhos levara os seus pratos particulares, uma praxe de todo o baterista mesmo quando está combinado de se usar a bateria disponibilizada pelo contratante, mas ao indagar o por que da ausência dos pratos bons da casa, ele foi colocado a par de que um outro baterista que ali apresentara-se com uma banda, furtara todos os pratos bons disponibilizados pelo estabelecimento. 

Estava explicada a troca por pratos inferiores e de fato, a lastimar-se muito a atitude sorrateira. Esse tal músico, além de ser um ladrão contumaz, é também um idiota, pois é claro que o dono sabe muito bem de quem se trata e a sua banda ganhou fama no métier por conseguinte, a prejudicar-se e mesmo que os seus companheiros não possam ser corresponsabilizados diretamente. 

Profundamente lamentável e explica muito da estupefação nossa desde a primeira vez que ali apresentáramo-nos, ao tomarmos conhecimento que a casa oferecia instrumentos para qualquer banda que ali aparecia, pois no Brasil, é muito normal que os "espertos de plantão" sejam profundamente desrespeitosos com o patrimônio alheio.

"Gimme Shelter" (The Rolling Stones), no Tchê Café de São Paulo, no dia 18 de agosto de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=TPU78-8Rp0Y  
"Rock'n Roll (Led Zeppelin), no Tchê Café de São Paulo, no dia 18 de agosto de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=4uWi4bx3YHc
O amigo, Toni Estrella, em pé e de costas, a falar com Carlinhos Machado e Luiz Domingues. A esposa dele, em pé, também. Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo, em 18 de agosto de 2017. Foto: Regina de Fátima Galassi 

O nosso próximo compromisso seria dali a dois dias, em uma casa com uma estrutura mais sofisticada para shows, na zona norte de São Paulo.

Continua...          

sábado, 4 de novembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 68 - Por Luiz Domingues

O nosso primeiro compromisso para o início de agosto de 2017, foi uma volta a um espaço onde havíamos sido muito bem tratados pela direção do estabelecimento, em nossa primeira estada ali, mas que também havia proporcionado-nos alguns dissabores, perpetrados por alguns membros da plateia que exageraram no uso de bebidas alcoólicas e naturalmente com tal fator a tirar-lhes o freio social, a torná-los assim, inconvenientes. Outro aspecto negativo foi por conta da estrutura inadequada, principalmente na questão do suporte de energia elétrica para a banda poder montar o seu equipamento. 

Portanto, sob uma análise objetiva, eu diria que nas questões negativas e não por culpa da casa, bastava tomarmos providências para evitar ou minimizar os problemas e foi assim que planejamos uma volta ao estabelecimento. 

Mas o local da apresentação era externo e sim, estou a referir-me ao boulevard onde ficava a casa: "Cervejaria da Granja". Prevenidos em relação às dificuldades no suporte energético ali naquele espaço, providenciamos mais extensões. 

Mas pelo fato de que o show seria mais uma vez ao ar livre, as intempéries da natureza poderiam atrapalhar e esse risco foi permanente nessas circunstâncias. 

Por muito azar, um dia antes da apresentação, choveu muito. Ora, nos meses de inverno, a incidência de chuva em São Paulo é praticamente nula, historicamente, todavia, tal fato deixou-nos receosos pela realização do show no dia seguinte.

Em suspense, ficamos por horas a consultar sites com dados de meteorologia para saber das condições na Granja Viana, bairro onde ficava o estabelecimento e assim, só quase no início da noite, resolvemos não cancelar, mediante a perspectiva de que esteve afastada a possibilidade de uma chuva torrencial, mas apenas uma garoa. 

Mesmo assim, ao chegarmos no estabelecimento, uma tenda fora providenciada pela casa, portanto, mesmo se a garoa viesse conforme o previsto, a nossa integridade e sobretudo de nossos instrumentos e equipamentos que de forma alguma poderiam ficar expostos, estaria garantida. 

Resolvida essa questão de abrigo, e com extensões extra para prover a energia com maior segurança, tudo pareceu ocorrer bem, mas no entanto uma surpresa desagradável ocorreu. Ao providenciar a extensão principal, ligada na caixa de força da Cervejaria, o funcionário ligou no parâmetro "220", e não avisou ao Kim, que usaria essa fonte primordial para alimentar a sua mini usina energética, que daí sim, alimentaria todas as demandas da banda.

Assim que ligou o seu estabilizador de voltagem, o inevitável ocorreu, com o ruído típico de queima, seguido da fumaça característica, Bem, essa apresentação já estava sob judice desde a suspeita de chuva, portanto, queimar a usina foi a prova cabal de que não deveríamos ter saído de casa e seguido a orientação do horóscopo de jornal...

Mas resilientes como sempre, Os Kurandeiros dificilmente desanimavam ante adversidades e banda "cascuda" que foi desde sempre, deu um jeito, por que com o perdão do clichê surrado, "o show deve continuar"... portanto, ao arriscarmos ligar tudo com extensões e sem a usina, a garantir a estabilidade da eletricidade, a banda achou uma solução e começou a tocar, heroicamente, eu diria.

Tudo ia relativamente bem, até o término da primeira entrada, quando confraternizamo-nos com amigos que ali prestigiaram-nos. Entre eles, Landoneto, o responsável pela nossa primeira ida ao estabelecimento, mais Regina de Fátima Galassi, que estava a acompanhar a banda há tempos e a nos fotografar e filmar constantemente. 

E também com uma surpresa, a compositora paranaense, Suka Rodrigues, viúva do grande Ivo Rodrigues, este, o ex-guitarrista/ cantor e compositor de bandas seminais do Rock brasileiro setentista, tais como "A Chave" e "Blindagem". 

Ela estava a visitar a sua filha que morava em São Paulo, no bairro de Alphaville, portanto relativamente perto da Granja Viana. Agradável surpresa, conversamos bastante. Isso sem contar a presença simpática de um casal de amigos da Regina, cuja moça, chamada Sandra, já houvera assistido-nos ali, por ocasião de nossa primeira apresentação e tanto ela quanto o seu marido, a serem super simpáticos.

Os Kurandeiros em ação na Cervejaria da Granja, em São Paulo, no dia 3 de agosto de 2017. Ainda bem que a tenda deu-nos um abrigo mínimo ali. Click de Regina de Fátima Galassi
 
Mas aí a tal da garoa fina tratou de intensificar-se e ao insinuar-se como uma chuva, mesmo, com pingos grossos que vieram sobre a mesa onde estávamos a conversar, só nos restou corrermos para recolher o equipamento e o cancelamento sumário do espetáculo pareceu inevitável. 

Contudo, por ter fica só na ameaça, nós resolvemos voltar para a segunda entrada. Foi quando uma outra surpresa ocorreu. Uma viatura da polícia e um carro oficial com funcionários públicos munidos de pranchetas e aparelhos de medição de decibéis em mãos, surgiram. Uma reclamação eclodira da parte de uma residência próxima e pareceu que o nosso Blues-Rock estava a atrapalhar a melhor compreensão dos diálogos travados pelos personagens da novela das nove na vizinhança.

Go, Kurandeiros! Os Kurandeiros em ação na Cervejaria da Granja, em São Paulo, no dia 3 de agosto de 2017. Foto: Regina de Fátima Galassi
 
Seguiram-se pedidos para que abaixássemos o som imediatamente e nós resolvemos parar, ao vermos a dona da casa a conversar com os fiscais e policiais. Todavia, de súbito, eis que todos foram embora e a proprietária sinalizou-nos para que continuássemos. apenas a contermos o ímpeto sonoro.

Mesmo com tal resolução da parte da mandatária da casa, não existe nada mais anticlímax para uma banda, do que esse verdadeiro choque térmico em ter que conter o volume e assim quebrar completamente o astral do show. 

Mesmo com ânimo coibido, seguimos a tocar, ao fazer uso de um repertório mais ameno, é bem verdade. 

Nesse ínterim, vimos várias viaturas a passarem pela rua por duas vezes os policiais pararam e ficaram a conversar com a dona e o gerente. Isso sem contar que um funcionário público ficou ostensivamente parado do outro lado da rua, no estacionamento de um supermercado, a usar o medidor de decibéis, por pelo menos meia hora. 

Não critico, ao pensar como cidadão, pois eu entendo que shows ao ar livre tendem a irritar as pessoas que não estão a apreciar o evento. Isso é muito normal e claro que o direito delas ao silêncio nesse horário avançado é legítimo. 

Por outro lado, ao não ser parcial pela obviedade da situação, mas a relatar fidedignamente o que ali eu vi e vivi, o nosso volume ali praticado não foi nada ensurdecedor. Eu e Kim usávamos amplificadores ao estilo "cubo", bem modestos em sua potência e não plugados no mini PA. O PA, por sua vez, também bem comedido e a alimentar apenas as vozes e tendo como atenuante o fato da bateria estar completamente "in natura", sem tratamento sonoro algum, portanto, não foi nada absurdo o que produziu-se ali.

"Meu Último Blues", (trecho - a criaro a música ali ao vivo e bem na hora em que os dirigentes da casa conversavam com policiais e fiscais a respeito do volume) Cervejaria da Granja, São Paulo. 3 de agosto de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=d8el07lK9PE 

Fomos a conduzir a apresentação, mas sem dúvida que o astral por conta dessas inspeções policiais foi afetado e assim, a apresentação arrastou-se até o próximo intervalo. Sinceramente, achei que estaria encerrada a nossa participação. Se mais cedo a polícia e os fiscais ficaram de prontidão ao alegarem reclamações da vizinhança, como acreditar ser possível haver uma terceira entrada, com o horário ainda mais avançado? 

Mas o Kim não só começou a tocar Rocks mais vigorosos, como aumentou o volume e fez as suas costumeiras brincadeiras ao microfone, para brincar com o público etc. Portanto, acredito que a senhora idosa que queria ver a sua novela em paz, foi dormir e após a ingestão de seu reconfortante chá de maracujá, tenha apagado no sofá e ignorado por conseguinte, o som do Led Zeppelin que tocamos com acentuado vigor...

Desta feita, a presença de playboys impetuosos foi bastante amenizada, pois a casa organizara uma festa para motociclistas e com tal público em maioria ali presente, predominou a sua reação muito mais calorosa e respeitosa para conosco. 

Mas houve sim o contingente de garotões bem nascidos e malcriados, altivos como sempre e muitos que estiveram ali, por ocasião da nossa primeira vez nesse espaço e fato esse já relatado anteriormente. 

Mais uma vez, bêbados sem noção vieram pedir para "cantar" e pasmem, aquela senhora que destratara-nos na primeira vez e cujo caso eu comentei anteriormente, novamente veio pedir para assumir o microfone, também. Bem, como diz o Kim nessas situações: -"o karaokê é ali na esquina"...

"Dead Flowers" (trecho) (The Rolling Stones), na Cervejaria da Granja, de São Paulo, em 3 de agosto de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=0MHweM2os3A  

Tirante tudo isso, a apresentação foi boa nos momentos em que tocamos livremente sem a apreensão gerada por reclamações, presença policial e de fiscais etc. E mais uma vez, a hospitalidade ofertada pelo simpáticos Prado, pai & filha, mais os garçons e o gerente, foi muito cortês. 

E a noite encerrou-se sob intenso frio, para ter como antídoto uma sopa quente e saborosa, servida por um "food truck" estacionado em frente e espertamente a atrair a atenção dos frequentadores da cervejaria. 

A noite de revés encerrou-se com mais uma surpresa, nem tanto grave, mas que tratou de coroa-la como uma noite de infortúnios. No caminho para a estrada que deixar-nos-ia na pista certa, sentido São Paulo, sob um emaranhado de ruas estreitas, eis que nos deparamos com uma súbita interdição para obras, da parte da companhia de água e esgoto do estado de São Paulo, a gloriosa "Sabesp". 

Sem outra alternativa mais prática, mediante uma longa passagem pela pista contrária da estrada, eis que finalmente encontramos um retorno. Cerca de 3:00 horas da manhã e a estrada mostrava-se repleta de caminhões que estavam a se deslocarem de diversos quadrantes do interior do estado rumo à capital. 

Todos pareciam ensandecidos, em velocidade muito acima da permitida e muitas vezes a disputarem corrida entre si, perfilados nas quatro faixas da autoestrada. Tivemos que dirigir com bastante atenção naquele inferno tenso que recordou-me o filme dos anos setenta: "Duel" ("Encurralado"), com o personagem do ator, Dennis Weaver, a ser perseguido por um caminhoneiro assassino que deseja matá-lo a todo custo e sem nenhuma motivação plausível e aparente.

Carlinhos Machado em ação! Os Kurandeiros em ação na Cervejaria da Granja, em São Paulo, no dia 3 de agosto de 2017. Click, acervo e cortesia de Regina de Fátima Galassi

Aconteceu no dia 3 de agosto de 2017, na Cervejaria da Granja, no bairro da Granja Viana, na zona sudoeste de São Paulo. O próximo compromisso seria na semana subsequente, no Santa Sede Rock Bar, a sempre simpática casa dos amigos Cleber Lessa e Fernando Camacho. 

Continua...