domingo, 16 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 99 - Por Luiz Domingues

O próximo compromisso da nossa banda deu-se com a retomada da turnê, "Toca Raul", em conjunto com Edy Star e o percussionista, Michel Machado. Foi a terceira etapa e nesta altura, já estávamos habituados não somente com a parte musical, mas com as particularidades que marcaram tal turnê. 

Como por exemplo o fato de que o circuito das Casas de Cultura que visitamos e ainda visitaríamos na sequência, caracterizaram o nosso mergulho mais profundo pela periferia da cidade de São Paulo, em várias regiões. Já havíamos visitado os bairros do M'Boi Mirim (no extremo da zona sul) e Cidade Tiradentes (no extremo da zona leste) e houvera sido uma boa aventura deslocarmo-nos para tais quadrantes longínquos e a fazer uso de caminhos muito tortuosos. 

Agradecemos o fato de vivermos a realidade da Era digital e se não fossem os aplicativos dos Smatphones e o uso do Google Map como consulta obrigatória quando realizada no dia anterior para cada viagem dessas, realmente teria sido muito difícil chegar em tais logradouros. Esse foi o lado mais sombrio, eu diria. 

Mas o lado bom, compensara tudo e não falo apenas pelo prazer de se realizar os shows, mas a constatação de que em tais Casas de Cultura, a amabilidade demonstrada pelas pessoas responsáveis pela sua administração e sobretudo pelo seu engajamento em causas culturais e sociais nobres, encantara-me. 

Observei tais características fortemente nas edições anteriores já citadas e agora, nessa terceira edição, não somente comprovei tal prerrogativa novamente, como fiquei ainda mais impressionado. Para início de conversa, a Casa de Cultura Itaquera, fica dentro de um Parque Público, denominado: Raul Seixas, no bairro José Bonifácio, na zona leste de São Paulo. 

Um verdadeiro oásis em meio a um enorme conjunto habitacional e a conter uma vegetação vasta, com brinquedos para a criançada, quadras esportivas e diversas atividades culturais oferecidas através de apresentações artísticas, cursos os mais variados etc. e tal. 

Assim que cheguei, vi a presença de Carlinhos Machado que chegara antes de todos. Rapidamente ele auxiliou-me a estacionar dentro do Parque e enquanto esperávamos pelos demais, conversamos sobre a beleza do local e o quanto aquele equipamento seria vital para a população daquele bairro e arredores.

A banda a tocar no palco improvisado, no alpendre da casa de administração do parque. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Turnê Toca Raul. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas, bairro José Bonifácio. São Paulo-SP. 4 de novembro de 2018. Click: Lara Pap

Logo eu fui apresentado pelo Carlinhos à administradora, uma simpática senhora chamada: Aurora e ao caminhar um pouco por tal ambiente bucólico, vi que pequenas charretes coloridas, semelhantes aos famosos, "Tuc-Tuc" indianos, conduziam crianças com a presença de monitoras a segurarem livros infantis em mãos, a narrarem historinhas para os pequenos, enquanto passeavam. 

O palco onde atuaríamos, seria na verdade um alpendre de uma casa bem antiga, com característica de casa de fazenda e naquele instante, a atração anterior estava a apresentar-se. Tratou-se de um combo sambista a representar a velha guarda da Escola de Samba Camisa Verde e Branco, tradicional na cidade de São Paulo. 

Foram vários cantores em cena, bem idosos, mas com uma vitalidade fora do comum, acompanhados de músicos/membros da escola em questão, a tocarem instrumentos de percussão típicos, além de instrumentistas de cordas, também típicos do samba e um tecladista, que pareceu-me não usual ao combo, pois este se apresentou a ler partitura o tempo todo e harmonizava de uma forma bem sofisticada, a denotar possuir formação erudita ou seja, ele encorpou bem o sambão dos veteranos e simpáticos cantores. Achei bem animada a apresentação e o público presente respondeu com entusiasmo com muita gente a dançar e cantar junto. 

Dentro da casa, a hospitalidade foi enorme, antes mesmo de perguntarem o meu nome, já estavam a trazer-me um café passado na hora, ou seja, essa turnê não estava a ser apenas marcada pelos caminhos tortuosos e longínquos, mas permeada pelo contato com pessoas simples, mas idealistas e muito amáveis.

Eis que os demais companheiros chegaram, e assim, paulatinamente eu e Carlinhos que já estávamos a par da questão do estacionamento e onde tocaríamos, ajudamos nessa orientação logística aos demais. 

A banda em ação, com Edy Star a cantar. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Turnê Toca Raul. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas, bairro José Bonifácio. São Paulo-SP. 4 de novembro de 2018. Click: Lara Pap

Então fomos avisados que o show da Escola de Samba estava para acabar e que teríamos cerca de meia hora para arrumar o nosso palco.Tudo muito simples, não haveria como consumir mais tempo do que o programado. 

Nesse ínterim, eu pude verificar a existência de inúmeras ilustrações emolduras pelas paredes, a enfocar a figura de Raul Seixas. De certo, de todos os shows dessa turnê, este haveria de ser o mais coadunado pela ambientação, com a proposta do espetáculo e certamente com a figura do Edy e tudo o que ele representa nesse universo formado pelos apreciadores da obra do Raul Seixas. 

Com o apoio do simpático técnico de som da Casa de Cultura, eis que aprontamos tudo e verificamos haver na plateia que ali aguardava-nos, a presença de fãs de Raul Seixas, pelas suas vestimentas e adereços a denotar tal apreço pessoal pelo Raulzito. 

Mais flagrantes da banda em ação. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Turnê Toca Raul. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas, bairro José Bonifácio. São Paulo-SP. 4 de novembro de 2018. Click: Lara Pap

Então, eis que iniciamos a apresentação e foi agradabilíssimo tocar com uma resposta tão boa do público. E por sentir tal sinergia positiva, o Edy, que é um artista muito experiente, soltou-se inteiramente e aquele seu lado ator/entertainer de cabaré europeu, fez com que improvisasse diversas brincadeiras com o público, que por sua vez, reagiu bem às piadas e interagiu fartamente com ele. 

Inclusive, durante a nossa execução de "Maluco Beleza", três rapazes cantaram, a convite do Edy, mas no terceiro rapaz, que saiu muito do padrão da afinação, o Edy deu um basta sutil na brincadeira e retomou, ainda bem.

Uma panorâmica da banda no palco, com a perspectiva do público. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Turnê Toca Raul. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas, bairro José Bonifácio. São Paulo-SP. 4 de novembro de 2018. Click: Lara Pap

Enfim, encerramos a apresentação e o clima estabelecido fora tão bom que poderíamos ter até estendido um pouco mais, mas sem iluminação e com a tarde a cair rapidamente, não teve outro jeito. 

Foi certamente o melhor show da turnê, até então, e ficamos contentes com tudo o que vivenciamos ali naquela tarde de 4 de novembro de 2018, no Parque Raul Seixas, no bairro José Bonifácio, na zona leste de São Paulo. 

Em meio a tantas situações prazerosas que ali observamos, houve espaço para uma ocorrência engraçada, também. Eis que em determinada música que tocávamos, o percussionista, Michel Machado observou-me que havia uma figura exótica a assistir-nos. Tratou-se de um homem a trajar um roupão de banho, que estava ali a assistir-nos. Ora, será que havia alguma piscina disponível no Parque? Ou talvez o rapaz morasse em algum apartamento no entorno, oriundo daquele imenso conjunto habitacional e ao ouvir o som, saiu do banho em sua residência e foi conferir imediatamente o show? Ou mesmo, para fazer jus ao Raul Seixas, o patrono do Parque e o homenageado em nossa turnê, tal espectador fantasiara-se como um genuíno: "Maluco Beleza?" Bem, ficamos sem saber, mas que foi exótico, isso foi. 

Na desmontagem do equipamento, o simpático técnico de som contou-me sobre a atuação como militante da organização da Casa de Cultura e o quanto estava magoado por ter ouvido de uma certa senhora (que representava o poder na Secretaria de Cultura Municipal), em recente vistoria, que esta ordenara a completa remoção dos grafites que ornavam a casa, em si. 

Ao indagar-lhe sobre o por que dessa ordem, a tal senhora limitou-se a dizer-lhe que aquilo tratava-se de uma aberração e que a "verdadeira" arte era feita apenas por Monet, Rembrandt, Rafael etc. 

Chateado, o rapaz dizia-me que não sabia o que dizer aos artistas que haviam feito as ilustrações, todos jovens egressos daquele bairro simples da periferia e que obviamente sentiram-se honrados em prestar tal melhoramento ao Parque que serve-lhes, tão bem. 

Bem, a discussão sobre o que é arte ou deixa de ser, vai longe e não cabe aqui, abrir tal reflexão que é bem complexa, No entanto, é bom frisar o que eu vi ali, ou seja, um conjunto de ilustrações criativas e que coloriam o espaço de uma maneira bem salutar, portanto, no mínimo, faltou sensibilidade para essa senhora altiva, que na qualidade de uma gestora de políticas culturais, principalmente no tocante ao lidar-se com populações carentes de bairros periféricos, decididamente não entende nada e deveria ater-se às suas visitas às galeria de arte sofisticadas dos bairros nobres da cidade ou mudar-se para Paris, como desejasse, mas jamais manter um cargo com poder decisório dessa monta para desrespeitar os munícipes, mediante as suas convicções pedantes. E sobre as ilustrações, eu observei inclusive a existência de imagens do Raul Seixas, o patrono do Parque. 

O próximo show dessa turnê, seria apenas em 1° de dezembro de 2018, todavia, um show regular d'Os Kurandeiros aconteceria antes e a ser realizado em uma casa que não visitávamos desde 2017.

Edy Star, rodeado pelas pessoas amáveis e muito prestativas que compunham a direção da Casa de Cultura Itaquera/Parque Raul Seixas. O rapaz com chapéu e a mocinha bonita, auxiliaram bastante na logística. A moça com cabelos curtos e vestimenta ao estilo indiano, é a administradora, chamada: Aurora e o rapaz com camiseta azul, ao lado Edy, o técnico de som. Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Casa de Cultura Itaquera/Parque Raul Seixas. Bairro José Bonifácio em São Paulo. Dia 4 de novembro de 2018. Filmagem: Lara Pap
Eis acima, um compacto do show: "Toca Raul" com Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas. Bairro José Bonifácio em São Paulo-SP. Dia 4 de novembro de 2018. Filmagem: Lara Pap

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=G3o-f0IqyCg

Continua...

sábado, 15 de dezembro de 2018

Uncle & Friends - 16/12/2018 - Domingo / 16 Hs. - Festival Mulherada Criativa - Vila Pompeia - São Paulo / SP


Uncle & Friends

16 de dezembro de 2018  -  Domingo  -  16 Horas

Festival Mulherada Criativa

Rua Padre Chico x Rua Xerentes
Vila Pompeia
Estação Barra Funda / Palmeiras do Metrô
São Paulo  -  SP

Entrada Gratuita

Lincoln "The Uncle" Baraccat : Guitarra e Voz
Roy Carlini : Guitarra e Voz
Caio Durazzo : Guitarra e Voz
Franklin Paolillo : Bateria
Amanda Semerjion : Voz
Luiz Domingues : Baixo

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Os Kurandeiros + Edy Star - 15/12/2018 - Sábado / 16 Horas - Turnê Toca Raul - Casa de Cultura Ipiranga - São Paulo / SP

Os Kurandeiros + Edy Star

15 de dezembro de 2018  -  Sábado  -  16 Horas

Turnê Toca Raul

Casa de Cultura Ipiranga / Chico Science
Avenida Tancredo Neves, 1265
Vila Nancy
Estação Sacomã do Metrô
São Paulo  -  SP

Entrada Gratuita

Edy Star : Voz

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

domingo, 9 de dezembro de 2018

Advento - Por Telma Jábali Barretto


Advento... Que espécie de advento esperamos ? Vivemos num adaeternum, expectativa de um grande acontecimento, chegada ou fato que nos eleve a algum suposto paraíso...Um grande ser (físico ou espiritual...?!...), um portal, uma iniciação ou qualquer situação mágica que lá, naquele idealizado lá, nos coloque, instantaneamente... do minuto antes para o seguinte, num piscar de olhos... Próximo há 2000 anos atrás assim aconteceu...e, mesmo lá, naquele tempo, muitos não comemoraram como se, também assim, tivesse sido?!... Ainda há quem afirme, hoje, questione mesmo aquela vinda e o que tenha provocado... Igual há cem anos e o mesmo na virada do milênio... E, sim! muito viemos conquistando! Como não perceber e constatar ?!... Ainda que estejamos bem aquém das lições já ouvidas e não, totalmente, assimiladas, seguimos avançando ! 

Nossa humilde teoria (e teorizar costuma ser bem fácil, verbalizar mais... momento atual que, para tudo, temos voz !) passa pelo óbvio: os aparecimentos reveladores abundam ao longo de nossa vidinha, mas, dar sentido a eles, na prática, no pleno exercício rotineiro, exige o que mais tememos: mudança! Primeiro na própria atenção com que olhamos para os fatos, pessoas e nós mesmos... E não que não queiramos, necessário se faz, também, vencer a incrível inércia, piloto automático e zona de conforto para, enxergando, detectando, o campo minado que pisamos, não consintamos numa permanência lerda, pouco decidida, preguiçosa... aí então, só vencido esse primeiro sentimento conhecido (e quanto...) começaremos os diferentes passos. Cuidadosos, receosos e, via de regra, mesmo percebendo aos poucos, oscilaremos entre vícios que nos absorvem, dragam no automático e anseios libertadores a insurgir, despertar, estimular a que vençamos a normose, mesmice... provável, começando a trazer descontentamento. 
A cada dia uma assombração / fantasia a nos alcançar, reconvidando em nova aparição que continuemos investindo naquilo que o advento propiciou de vislumbre...ou, ainda, mostrando outros e diferentes... E, aí está o contínuo e encantador jogo da vida: se, perseverantemente, nos mantivermos, se bem nos conhecermos, onde deliberamos chegar, aprimoraremos a experiência, fazendo valer o insight, iniciação... aprofundaremos e daí mesmo tiraremos a essência, assinando e comprometendo-nos mais... Caso sigamos cada novidade, nunca chegaremos a saborear cada fruto, reconhecendo cada perfume sem nunca tê-los absorvido, assimilado... numa contínua insatisfação, à espera de outro e novo milagre... Re inventar em meio ao conhecido, cobra de nós mais primor, atenção... 
Cansamos facilmente das diferentes teorias porque enquanto não as experimentamos, não as respeitamos... não as retivemos na alma... e, com tal, continuarão sendo bonitas teorias, arquivadas numa memória pouco produtiva, não enriquecida pela magia da vivência. E, em nossa manutenção da segurança, enchendo o peito de confiança, afirmaremos que continuamos na busca... que não desistimos do intento, num passar superficial por inúmeras condições, circunstâncias sem delas beber da fonte... Sem nunca chegar ao âmago ! Desistimos das aparições, encantamentos que outrora nos encantaram ?!...Não !!! Motivaram, mas morrem na praia por falta de retroalimentação, que essa deve acontecer de dentro para fora, inverso do advento propiciador do starter, e, esse, SIM ! já cumpriu sua função: despertar ! Sair, então, do espectador e bem usar o efeito revelador, exige de nós o tal empenho coerente, sem trairmos a aparição, numa denodada conquista de nós, dando espaço para o desabrochar em que o abrir das pétalas de nosso lótus sejam ações conscientes, saindo do processo, puramente ,passivo e buscando encontrar o compasso da dança entre o agir e o fluir, atentar e aquietar... Quanta inovação será necessária a cada etapa, a cada terreno desconhecido desbravado, mergulhando ... com diversas respirações e pulsares, até aqui, estranhos, assenhorando-nos de outros terrenos internos. Aí começamos a desvendar os surgimentos interiores e os chamativos externos que, antes, nos mantinham à expectativa dos acontecimentos fora de nós, parecem bem menos convidativos... Aí e sim!!! a aparição, iniciação, terá, finalmente, cumprido sua função! Que o ano novo venha muito além dos fogos do 31... trazendo, principalmente, beleza e colorido de quem se move numa esperança consolidada nas pequenas conquistas da trajetória, sabendo honrar os próprios propósitos num significativo e continuado alvorecer! Que assim seja... na mas tê!

Telma Jábali Barretto é engenheira civil e também uma experiente astróloga; consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Neste artigo, fala-nos sobre o "advento", sob luzes nunca antes vistas.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Os Kurandeiros + Edy Star - 9/12/2018 - Domingo / 18 Horas - Turnê Toca Raul - Sala Olido - Centro - São Paulo / SP

Os Kurandeiros + Edy Star

9 de dezembro de 2018  -  Domingo  -  18 Horas

Turnê Toca Raul

Sala Olido
Avenida São João, 473
Centro
Estação República do Metrô
São Paulo  -  SP

Entrada Gratuita

Edy Star : Voz

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

Participações Especiais :
Michel Machado : Percussão
Renata "Tata" Martinelli

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 325 - Por Luiz Domingues

Ainda em Curitiba, quando estivemos ali pouco dias antes, a visar prolongar a nossa viagem para apresentarmo-nos posteriormente em Caçador-SC, havíamos conversado sobre o repertório que faríamos no último show da história da banda, na cidade de São Paulo, em 3 de novembro. 

Desde o começo dessa turnê, sabíamos e sem nenhum demérito aos outros espetáculos feitos em outras cidades, incluso dois na própria capital paulista, em maio último (na verdade, três, visto que o show que fizemos para gravar a nossa participação no programa radiofônico, "Live on The Rocks", da Webradio Stay Rock Brazil, houvera sido perante um significativo público, no melhor estilo dos programas de rádio de outrora, mediante um auditório lotado), esse derradeiro, em novembro, precisava conter algumas modificações essenciais a promover uma carga emocional condizente com a despedida da banda em sua cidade natal. 

Especulamos sobre haver mais músicas da nossa formação Chronophágica, não para impormos a nossa estética em detrimento a outras fases por quais essa banda passou, mas por sermos a banda base da turnê, portanto nada mais natural para nós três, eu (Luiz), Marcello e Rodrigo, que assim se procedesse. 

O Rolando Castello Junior não haveria por reclamar disso, protagonista igualmente como nós e a Marta, na qualidade de membro mais nova e a representar as últimas formações da banda, também mostrara-se admiradora confessa de nossa formação e por conseguinte, da obra. E claro, a conter um apanhado bom dos discos clássicos da formação Power-Trio com Rolando/Serginho e Dudu. 

E por fim, planejamos tocar algum material dos primórdios, com Arnaldo Baptista na formação, é claro. Seria imprescindível tocar o material inicial, através do seu "Elo Perdido", o mítico primeiro LP. 

Bem, em maio, no show que realizamos na dita "Virada Cultural" de São Paulo, fizemos uma versão emocionante da canção: "Sunshine". Essa peça composta pelo Arnaldo Baptista, faz parte do primeiro álbum, o "Elo Perdido", de 1977 e tem duplo significado, visto que a regravamos com um arranjo ligeiramente diferente, no CD Chronophagia, que foi o primeiro trabalho da nossa formação, lançado em 2000. 

E claro que tal canção credenciou-se naturalmente a fazer parte do último show em São Paulo, mas também cogitamos fortemente incluir: "Sexy Sua", igualmente do primeiro álbum com Arnaldo Baptista e muito executada pela nossa formação, em nossos shows entre 1999 e 2004. 

Além disso tudo, combinamos de executar alguns temas progressivos da nossa formação e nesse caso, a música "Sendo o Tudo e o Nada", tornou-se quase uma certeza, mas também cogitamos a inclusão de: "Terra de Minerais" (CD ".ComPacto", de 2003) e 'Véu do Amanhã", do CD "Missão na Área 13" (de 2004).  

Todavia em tal conversa travada em um quarto de hotel de Curitiba, em 11 de outubro de 2018, eis que o Junior comentou conosco que já havia convidado alguns músicos para participarem do show final em São Paulo e que por conta de tais participações, o repertório teria que privilegiar a presença desses convidados. 

Por exemplo, no caso dos guitarristas, Rubens Gióia e Xando Zupo, a carga emocional pela presença de ambos dar-se-ia pelo fato deles terem feito parte da formação do álbum, "Primus Inter Pares", lançado em 1992. 

Bem, como eu já expressei amplamente em minha autobiografia, em capítulos anteriores sobre a Patrulha do Espaço, eu tenho inúmeras restrições a esse trabalho da banda e creio ser enfadonho repetir tudo aqui. Dessa maneira, ao leitor que não acompanhou desde o início desta narrativa, fica o convite para buscar tal argumentação de minha parte, em tais capítulos anteriores, alojados no arquivo do Blog (ou no índice do livro impresso e/ou E-Book). 

Portanto, a rigor, tal convite obrigar-nos-ia a incluirmos músicas mais pesadas, versadas pela estética do Hard-Rock oitentista e no limiar do Heavy-Metal. Pelo lado pessoal e emocional, eu não tive nenhuma restrição, no entanto, pois achei que por esse lado humano, contar com Zupo e Gióia a participarem, seria bonito para a banda e para eles próprios, como ex-membros da nossa tripulação, por esse aspecto e além de muito justa a homenagem sob mão dupla, eu comemorei também pelo fato de eu ter uma história particular e longa com ambos, como companheiros que foram em dois trabalhos muito significativos da minha carreira, no caso, respectivamente: "Pedra" e "A Chave do Sol". 

Perfeito, tive ambos como colegas em trabalhos tão marcantes, acumulei muitas histórias e sobretudo, gravei três discos com o Rubens e três com o Xando, dos quais, muito orgulho-me como peças artísticas que representam um legado cultural eterno e parte do tesouro acumulado da minha carreira. 

Então, de antemão, o Junior pediu-nos para providenciarmos a preparação de três músicas para dar vazão a estes dois convidados. Uma delas seria: "Gata", um Hard-Rock gravado pelo Rubens Gióia. A outra seria: "Serial Killer, gravada por Rubens Gióia e Xando Zupo, uma música que nunca teve execução ao vivo, pelo que o próprio Junior recordava-se e a terceira música, uma ideia enfim que achei boa, aliás ótima. 

Já a respeito da canção: "Livre Como Você", esta foi uma composição do Xando Zupo, com a participação da Patrulha do Espaço para o seu disco solo, "Z-Sides", lançado em 2003. Toda a história dessa produção da gravação de tal faixa, está amplamente relatada no capítulo dos "Trabalhos Avulsos", correspondente a tal história e basta o leitor procurar no arquivo do Blog. 

E por nunca ter tido uma execução ao vivo com a Patrulha do Espaço, em meio a formação que a gravou (o Xando salientou, no entanto, que a tocou certa vez com uma banda cover, em uma apresentação ocorrida em uma casa noturna e com a participação de Marcello Schevano nessa performance), eis que a ideia do Rolando foi ótima. 

E o fato é que tal canção é muito boa, bem mais amena em termos de sonoridade e mais próxima da nossa realidade Chronophágica e não só por tal demanda de ordem estética, mas eu comemorei a sua inclusão, também pelo exotismo em tocarmos e possivelmente gravá-la para um disco ao vivo, uma canção que fez parte da nossa banda e da nossa formação, mas praticamente manteve-se obscurecida para o grande público, portanto, seria um achado. 

E assim, absorvemos a ideia de que o repertório não seria o que projetáramos inicialmente e que haveria uma certa aura mais pesada para esse concerto final e justamente no berço natal da nossa banda...

Continua...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 98 - Por Luiz Domingues

Antes portanto de mais um show a se cumprir pela continuidade da turnê, "Toca Raul", com Edy Star, eis que tivemos mais um compromisso regular d'Os Kurandeiros. 

O local, se tratou de um velho conhecido da banda e posso afirmar sem receio de errar, uma casa que tornara-se um refúgio natural da banda, já de algum tempo, a ocupar o lugar que fora um dia do Magnólia Villa Bar, em termos de ancoragem para a nossa banda. 

E desta feita, a iniciativa partira da cúpula da Webradio Stay Rock Brazil, pois no domingo posterior, tal emissora realizaria a festa de seu aniversário e entre outras bandas, convidara uma banda de Brasília, chamada: Brazilian Blues Band e a aproveitar a vinda dos colegas brasilienses para São Paulo, quis promover um show extra dessa banda na capital paulista e assim, surgiu o convite para que Os Kurandeiros pudessem dividir a noite com esses artistas oriundos da capital federal.

Uma panorâmica da banda no palco. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 26 de outubro de 2018. Click, acervo e cortesia: Rogério Utrila 
Flagrantes da banda em ação. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 26 de outubro de 2018. Clicks, acervo e cortesia: Cleber Lessa 

Bem, claro que aceitamos de pronto o convite e o mais interessante foi constatar in loco, que mais que ser um prazer tocar no Santa Sede Rock Bar, foi igualmente um prazer atender o convite dos simpáticos amigos da Webradio Stay Rock Brazil e ao longo da noite, o contato com os colegas de Brasília foi dos mais agradáveis, tanto no aspecto social, sob extrema camaradagem e empatia instantânea, quanto pela ótima surpresa da banda ser muito boa e o seu show ter agradado-nos em cheio e quero crer, à todos que estiveram presentes no Santa Sede Rock Bar.
Mais uma foto da banda sob panorâmica no palco. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 26 de outubro de 2018. Click: Lara Pap 

O nosso show foi feito com extrema energia. Tocamos poucas releituras e privilegiamos mais o repertório autoral. Houve uma excelente receptividade do público presente e dessa forma, acredito que pudemos esquentar muito bem a plateia para receber a contento os rapazes do Brazilian Blues Band.

A banda de Brasília-DF, "Brazilian Blues Band", em ação na primeira foto. Na segunda, em confraternização final com Os Kurandeiros. Da esquerda para a direita: Stivenson Neves Canavarro, Leonardo Vilela, Marçal Pontes, Kim Kehl, Renato Menez (Webradio Saty Rock Brazil), Carlinhos Machado, eu (Luiz Domingues) e Luiz Kaffa. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 26 de outubro de 2018. Foto 1: click de Lara Pap. Foto 2: Click, acervo e cortesia de Cleber Lessa 

Banda muito boa, gostei da versatilidade e excelente nível técnico de todos os seus instrumentistas e do vocalista. Gostei das suas boas composições, bem compostas e bem arranjadas e tudo versado pela observação clara em prol de timbres e escola estilística em torno de estética setentista. 

Apesar de levar o Blues como mote principal, a banda mostrara-se eclética e transitou também pelo Rock de uma maneira geral, R'n'B, Soul Music etc. Logo em uma das primeiras canções, com acento meio funkeado a la anos setenta, o guitarrista, Rubens Gióia, meu amigo e velho companheiro d'A Chave do Sol, que estava a assistir comigo na mesma mesa, falou-me: -"lembra-me o som do Mandrill". 

De certo que lembrou mesmo, assim como "War", "Little Feat", Buddy Miles e outros tantos artistas com essa sonoridade, oriundos bem no início dos anos setenta. Enfim, o Brazilian Blues Band agradou-nos muito, de certo. 

Uma surpresa boa, ao executar vários clássicos do Blues brasileiro mais moderno, eis que anunciaram que tocariam: "Má Noite", do repertório do grupo, "Nasi & Os Irmãos do Blues", e cujo arranjo original dessa releitura com Nasi, foi de sua responsabilidade e que também faz parte do repertório d'Os Kurandeiros. Inclusive, nós havíamos a executado naquela mesma noite, durante o nosso set regular. Bem, foi bem bonita versão deles, mais próxima da sonoridade do Nasi e melhor ainda quando tiveram a simpática atitude de convidar o Kim Kehl para cantar junto ao seu vocalista. Momento bonito do show, portanto.

Salve o batuque dos Kurandeiros! Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 26 de outubro de 2018. Click: Lara Pap 
A canção "Má Noite", na interpretação da Brazilian Blues Band de Brasília / DF e a contar com a participação especial de Kim Kehl, no show realizado no Santa Sede Rock Bar de São Paulo. Filmagem: Lara Pap

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=ZFTvl2YcUj4 

Eis que após o término do show dos rapazes, conversamos bastante e a boa impressão inicial só reforçou-se com a constatação de que todos se mostraram como artistas muito conscientes, com formação muito boa no tocante às suas influências pessoais (o que já ficara patente diante da sua apresentação), mas sobretudo, também na qualidade de ótimos seres humanos. Portanto, foi um prazer total dividir a noite com esses artistas e posso dizer, amigos, doravante.
A artista plástica e artesã, Pat Freire, com Carlinhos Machado, nos bastidores do pós show. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 26 de outubro de 2018. Click: Lara Pap
Carlinhos Machado e Marçal Pontes (tecladista da Brazilian Blues Band). Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 26 de outubro de 2018. Click, acervo e cortesia: Cleber Lessa
No primeiro plano, Aguinaldo Lerente e Carlinhos Machado. Atrás, sentados, Lara Pap, Ana Cristina Domingues (encoberta) e Kim Kehl. Em pé, intermediário, Kico Stone. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 26 de outubro de 2018. Click, acervo e cortesia: Cleber Lessa

Kim Kehl conversa com Renato Menez (Webradio Stay Rock Brazil) e Luiz Kaffa (vocalista da Brazilian Blues Band). Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 26 de outubro de 2018. Click, acervo e cortesia: Cleber Lessa      

E assim procedeu-se: noite de 26 de outubro de 2018, no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, com a prazerosa participação da Brazilian Blues Band, direto de Brasília-DF. 

Aí sim, o próximo compromisso d'Os Kurandeiros, dar-se-ia com a continuidade da turnê "Toca Raul", com Edy Star e Michel Machado e mais uma vez em uma Casa de Cultura da prefeitura de São Paulo, localizada em um distante bairro do extremo da zona leste da capital paulista. 

Continua...