Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
sábado, 10 de agosto de 2019
Natureza - Por Telma Jábali Barretto
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Os Kurandeiros + Edy Star - 10/8/2019 - Sábado / 18 Horas - Praça da República - São Paulo / SP
Os Kurandeiros + Edy Star
10 de agosto de 2019 - Sábado - 18 Horas
Festival O Início; O Fim e o Meio
Praça da República
Estação República do Metrô
São Paulo - SP
Ao Ar Livre - Gratuito
Participação de outras bandas, desde o meio-dia
Edy Star - Voz
Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo e Voz
Convidados especiais :
Renata "Tata" Martinelli : Voz e Percussão
Michel Machado : Percussão
terça-feira, 6 de agosto de 2019
Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 109 - Por Luiz Domingues
Uma honra para Os Kurandeiros, estávamos escalados para apresentarmo-nos em meio às festividades pelo aniversário da cidade de Osasco-SP.
Várias atrações estavam arroladas para compor tal festejo, em vários eventos espalhados pelos bairros da cidade e acredito que tivemos sorte, visto que fomos designados para o evento a ser realizado no pátio do paço municipal da cidade, ou seja, o mais central dos espaços disponibilizados pela prefeitura dessa simpática cidade.
E mais um aspecto positivo, não seria um contingente muito grande de artistas a apresentarem-se, fator comum em festas populares ao ar livre, geralmente. Pelo contrário, a programação musical seria bem enxuta, a apresentar um grupo de Rap, que normalmente são representados por vocalistas que não usam bandas tradicionais com músicos a tocarem verdadeiramente ao seu redor, mas estes apenas cantam em cima de sons disparados mecanicamente e nós, a seguir.
A ênfase da festa estava concentrada na atração de uma exposição de carros, com automóveis modificados em sua maioria e alguns carros antigos, também, além da oferta anunciada em termos de Food Trucks.
Contaríamos com o guitarrista e cantor, Phill Rendeiro a reforçar a nossa banda e assim como ocorrera dois dias antes no Santa Sede Rock Bar, naturalmente que isso agregaria valor para o nosso trabalho.
Fui para Osasco-SP, na carona com Carlinhos Machado e foi um prazer viajar em seu carro, a ouvir uma espetacular seleção formada por Rock Progressivo setentista em predominância, além da conversa sempre agradabilíssima e que sempre atinge a memória remota, visto que relembramos muitos fatos sobre os anos 1960 & 1970, décadas essas em que não conhecíamo-nos pessoalmente, mas vivemos muitos acontecimentos ocorridos, simultaneamente.
Chegamos bem ao local e verificamos que a tal exposição automobilística havia arregimentado um bom público, com muitas pessoas a filmarem e fotografarem amplamente os bólidos ali expostos, mas decepcionamo-nos um pouco com o seu teor, visto que em sua maioria esmagadora, os carros ali expostos eram os ditos "modificados", com aquele típico aspecto a mostrar-se as suas respectivas suspensões rebaixadas e a exibirem equipamento de som a parecer um mini PA ambulante (não é Beethoven, tampouco, King Crimson o que os donos desses bólidos costumam tocar sob volume ensurdecedor, infelizmente), portanto, não agradou-nos em nada.
Dos poucos carros "vintage" ali expostos, gostamos apenas de uma Kombi e um Fusca, ambos sessentistas e impecáveis. A Kombi, que devia ser de 1964 ou 1965, arrancou suspiros e reminiscências da parte do Carlinhos, que contou-me sobre ter aprendido a dirigir na Kombi de seu pai etc. e tal.
No meu caso, diante daquele Fusca 1300, ano 1967 e com cor "bordô", impecável, foi inevitável lembrar-me do tempo bom em que o meu pai teve um exemplar desses, justamente entre 1967 e 1968, o que trouxe-me lembranças muito boas, certamente.
Os Kurandeiros em ação no palco. Kim
Kehl & Os Kurandeiros no aniversário de Osasco-SP, em 10 de março
de 2019. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap
Feita essa vistoria à exposição, eis que notamos a chegada de Kim Kehl e Lara Pap. Nesse ínterim, o grupo de Rap já estava a apresentar-se. Bem condizente com as expectativas criadas pelo tipo de público que estava a admirar os tais carros "modificados", achei que a apresentação dos rapazes do Rap, cairia como um
a luva e que o nosso som geraria uma estranheza generalizada, mas curiosamente, os rapazes gastaram a sua verborragia, não exatamente musical, sem angariar nenhuma atenção do público, que mostrou-se não frio, mas gelado em relação ao esforço dos artistas ali em cima do palco.
Chato, é claro, pusemo-nos então a aplaudirmos a cada final de número deles, a denotar mais que um sinal de respeito de quem sabe o quanto é duro subir em um palco e não receber nenhuma reverberação popular, mas para ver se as nossas parcas palmas geravam um efeito multiplicador, no entanto, o nosso esforço foi em vão, visto que as pessoas estavam mesmo interessadas nos carros ou em comer & beber pelos Food Trucks. Paciência, tentamos ajudar, mas não conseguimos.
A nossa banda em ação, pela percepção do fotógrafo, Marcos Kishi. Kim
Kehl & Os Kurandeiros no aniversário de Osasco-SP, em 10 de março
de 2019. Clicks, acervo e cortesia: Marcos Kishi
Antes de subirmos ao palco, fomos informados que haveria uma rápida apresentação de dança "fitness", comandada por professores e assim, ao som de ritmos baianos carnavalescos, vimos de longe a movimentação, que atraiu um razoável contingente a aproveitar a aula gratuita, notadamente formada por mulheres e crianças em sua maioria.
Foi rápido, ainda bem, visto que com todo o respeito aos seus admiradores, mas após uma apresentação de Rap, seguida de uma seleção versada pela "Aché Music", a nossa ambientação lounge para fazer um show de Rock, estava devidamente arruinada.
Ossos de ofício, fomos enfim, ao palco e ali eu surpreendi-me com a atuação do técnico responsável pelo PA. Não recordo-me de seu nome, para citá-lo, infelizmente. Tratava-se de um equipamento modesto e com o rapaz a trabalhar sozinho. Pasmem, ele controlava o PA, a monitoração e atuava como roadie, tudo ao mesmo tempo.
Pois foi assim, aos trancos e barrancos para lidar com um equipamento precário e principalmente por atuar sozinho, que esse rapaz mostrou o seu valor, ao ser solícito e na medida do possível, proporcionar-nos um som bastante aceitável.
Nesta altura dos acontecimentos, com quase quarenta e três anos de carreira, foi mais uma comprovação que eu tive em torno do valor anônimo de certos profissionais humildes, caso desse rapaz, em contraste diametralmente oposto com muitos outros que atuavam com tecnologia de ponta, arvoravam-se em serem super técnicos preparados por cursos feitos no exterior, mas que na prática, desapontavam e pior ainda, destilavam soberba desmedida, ao agirem como estrelas temperamentais e afetadas.
Mais flagrantes da banda em ação! Kim
Kehl & Os Kurandeiros no aniversário de Osasco-SP, em 10 de março
de 2019. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap
Começamos enfim o nosso show e o contingente presente a verdadeiramente prestar atenção, melhorou consideravelmente. Alguns Rockers surgiram a prestigiar-nos, caso do bom guitarrista osasquense, Marcio Pignatari, com alguns amigos, o fotógrafo superb, Marcos Kishi e o guitarrista, Nição Altino, acompanhado de sua bela namorada, Tili Roxy Andreotti.
O show começou bem animado, colocamo-nos a tocarmos muitas canções, baseados em nosso repertório autoral e estávamos satisfeitos com o som, na medida em que vimos ser o melhor possível diante das circunstâncias. Mas uma intempérie anunciou a sua chegada, visto que enquanto tocávamos, víamos nuvens negras a formar-se no horizonte.
Pelo posicionamento do palco, foi possível deduzir que alguns bairros da zona oeste de São Paulo, que fazem divisa com Osasco, já estavam a serem castigados por um temporal e que em uma questão de minutos, a chuva alcançar-nos-ia. Já passava da metade do nosso show, quando os primeiros pingos começaram e o técnico ficou desesperado ao dizer-nos que começaria a cobrir algumas peças do PA, com lona impermeável e que seria prudente tocarmos a música em curso e anunciarmos o encerramento.
De fato, os pingos intensificaram a sua força e em poucos segundos, caracterizou-se então uma forte chuva. Bem, diante das circunstâncias, encerramos, mas sem lamentar muito o corrido, visto ter sido uma imposição pela força da natureza e além do mais, o público evadira-se a buscar abrigo, aos primeiros pingos, portanto, em nossa concepção, a missão foi cumprida.
O guitarrista e amigo, Nição Altino, a posar com Kim Kehl (foto 1) e comigo, Luiz Domingues, na foto 2. Kim Kehl & Os Kurandeiros no aniversário de Osasco-SP, em 10 de março de 2019. Acervo e cortesia: Nição Altino. Clicks: Tili Roxy Andreotti
Começamos a recolher os nossos instrumentos e acessórios, quando o improvável ocorreu: a chuva cessou completamente. Estranho fenômeno, foi tão súbito que pareceu-nos um ato premeditado miraculosamente a determinar o encerramento precoce, porém sem prejuízo algum à imagem da banda.
Enquanto víamos o palco ser desmontado pelo seu abnegado técnico solitário e com o pátio esvaziado, apenas com a presença dos funcionários dos Food Trucks a desmontarem os seus empreendimentos ambulantes, igualmente, tivemos tempo para uma conversa agradável com os amigos que ali foram a prestigiar-nos e saímos posteriormente de Osasco-SP, com uma sensação boa de dever cumprido.
Foi assim, então, aniversário de Osasco-SP, em 10 de março de 2019, show d'Os Kurandeiros no Paço Municipal dessa agradável localidade, com um público não exatamente numeroso, mas significativo e com direito a uma interrupção imposta pelos desígnios de São Pedro.
Continua...
domingo, 4 de agosto de 2019
Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 108 - Por Luiz Domingues
Duas novidades boas foram anunciadas pel'Os Kurandeiros, a ocorrerem em seu próximo show. Contaríamos com dois convidados, o guitarrista e cantor, Phill Rendeiro, aliás, não exatamente um convidado, mas um membro honorário que já havia sido da formação anteriormente e por conta do nascimento de sua filha, mostrava-se com dificuldade para estar presente em nossos compromissos com regularidade.
No entanto, o tempo passara e com a sua filha já a chegar à casa dos três anos de idade, tal cenário familiar mudara um pouco, o suficiente para ele arriscar mais participações.
E o segundo convidado, foi: Lincoln "The Uncle" Baraccat, que dispensa apresentações maiores, pois eu já falei sobre ele diversas vezes em minha autobiografia, inclusive em capítulo exclusivo a descrever dois shows que eu cumprira em sua banda de apoio, ocorridos em 2018.
Com o Phill, a ideia seria executar o set autoral d'Os Kurandeiros, acrescidos de novas canções que gravamos nesse ínterim e das quais ele nunca havia tocado conosco anteriormente. E com o "uncle" Baraccat, tocaríamos três canções do seu repertório ("Hey You", "Bolinha de Gude" e a sua versão para "Muito Estranho", a tratar-se do clássico Soul do compositor, Dalto).
Da esquerda para a direita: Phill Rendeiro; Kim Kehl, Carinhos Machado e Luiz Domingues. Kim
Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo-SP, em 8 de
março de 2019. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Clicks: Lara Pap
Iniciamos com o repertório autoral e claro que o Phill Rendeiro encorpou o som sobremaneira, ao facilitar para o Kim, que na condição como guitarrista/cantor e entertainer, acumulava muitas funções na banda e dessa forma, com o Phill a harmonizar e eventualmente também a realizar alguns solos, tudo ficaria mais ameno para o Kurandeiro-Mor.
Fiquei feliz por verificar que a sonoridade da banda ficou bem preenchida e sobretudo em temas que nunca havíamos tocado ao vivo anteriormente, com duas guitarras, foi a primeira vez que em que as executamos como elas soavam em suas gravações de estúdio, ou seja, mais preenchidas. Tudo bem que não tivemos o Nelson Ferraresso com os seus teclados, mas mediante duas guitarras, soou tudo muito bem.
Ao centro da foto, a usar uma guitarra Gibson Les Paul, modelo Junior, o convidado especial, Lincoln "The Uncle" Baraccat. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo-SP, em 8 de março de 2019. Clicks, acervo e cortesia: Pat Freire
Foi na segunda entrada, que apresentamos o amigo, Lincoln "The Uncle" Baraccat, e executamos as três canções de seu repertório. Claro que todos fizeram a lição de casa ao preparar tal set de choque, mas a boa surpresa foi que a apresentação soou muito além da nossa expectativa, ao gerar uma empatia com o público que mostrou-se muito agradável.
Pareceu que éramos a banda de apoio dele, os "Friends", respaldados por ensaios prévios, mas nada disso, apenas agrupamo-nos no palco e sem ensaios, tocamos com bastante desenvoltura e alegria. Noitada prazerosa, foi mais do que um encontro musical entre amigos, mas certamente um momento mágico daqueles que não são premeditados, mas, simplesmente acontecem, talvez por intercessão direta da parte dos Deuses do Rock.
O link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=DY9snjcSAIo
Painel com fotos d'Os Kurandeiros a acompanhar o convidado especial, Lincoln "The Uncle" Baraccat. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo-SP, em 8 de março de 2019. Clicks, acervo e cortesia: Vanderlei Bavaro
E assim foi a apresentação memorável d'Os Kurandeiros de Kim Kehl, no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 8 de março de 2019, mediante a presença de um bom público e certamente a conter muitos amigos presentes. Dois dias depois, tivemos um novo compromisso, desta feita em um show em praça pública.
Continua...
sábado, 3 de agosto de 2019
Uncle & Friends - Festival A Gosto Musical - 4/8/2019 - Domingo / 18:30 Hs. - Vila Pompeia - São Paulo / SP
Festival A Gosto Musical
4 de agosto de 2019 - Domingo - 18:30 Horas - Palco New Small Stage
Rua Padre Chico com Rua Caraíbas
Vila Pompeia
Estação Palmeiras / Barra Funda do Metrô
São Paulo - SP
Ao ar livre - Gratuito
Uncle & Friends :
Lincoln "The Uncle" Baraccat : Guitarra e Voz
Caio Durazzo - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Uncle & Friends) - Capítulo 98 - Por Luiz Domingues
Eis que o domingo, dia 19 de maio de 2019, chegou, e desta feita a minha participação com a banda de Lincoln "The Uncle" Baraccat, teve um elemento diferente, no sentido de que no mesmo evento, a Feira de Artes da Vila Pompeia, marcou-me também por uma apresentação da minha banda, Kim Kehl & Os Kurandeiros.
Portanto, foi intenso realizar um show com Os Kurandeiros em um palco e horário diferente e pouco tempo depois, estar em outro quadrante do bairro para apresentar-me com outra banda. Foi corrido, certamente, mas prazeroso, pois mesmo extenuado pela apresentação dos Kurandeiros, eu estive feliz por também atuar com o Lincoln Baraccat e o seu grupo, "Uncle & Friends".
Já ali nos bastidores, a temperatura caíra bastante no avançar da tarde e início da noite, mas o calor no palco e arredores, esteve sensacional. Assim que eu cheguei, vi que a banda de Zé Brasil estava a apresentar-se e o público respondia entusiasmado. Logo a seguir, subiu ao palco a boa banda, "Fórmula Rock", que também deu um belo recado, mediante uma seleção de clássicos internacionais e nacionais setentistas, escolhidos a dedo e muito bem executados.
Alguns flagrantes do espetáculo. Uncle
& Friends na Feira da Vila Pompeia em São Paulo, no dia 19 de maio
de 2019. Click, acervo e cortesia: Dih Baraccat
Um impasse inicial foi gerado, quando por força das circunstâncias, o palco sob proporções diminutas deixou que a dúvida pairasse a questionar se a ideia original em tocar-se com duas baterias, prosperaria. De fato, não apenas pela sua extensão e profundidade limitada, mas sobretudo pela falta de estrutura do equipamento terceirizado, a dar conta de providenciar uma adequada microfonação de duas baterias.
Portanto, foi gasto um certo tempo em torno de tal elucubração. Chegou-se em um ponto, onde o baterista, Carlinhos Machado já estava resolvido a abrir mão de tocar, mas não para deixar de participar, visto que prontificara-se a tocar percussão e a cooperar nos backing vocals, pois estava acostumado a cantar e bem, em nossas apresentações dos Kurandeiros.
Todavia, eis que sob um rompante, decidiu-se que sim, as duas baterias seriam montadas conforme o planejamento inicial. Isso deu-se graças à boa vontade que os técnicos terceirizados tiveram para conosco, para resolver tal pendência. Algo raro, pois técnicos geralmente não são simpáticos e ainda mais em festivais, onde nessa altura do dia, por trabalharem desde as primeiras horas da manhã para montar tudo e após operar o som de inúmeros artistas desde o meio dia, praticamente, naturalmente que estariam devidamente esgotados. Não anotei o nome desses rapazes, e arrependo-me por não ter lembrado desse pormenor, pois caberia um enaltecimento à sua boa vontade em colaborar, algo muito raro no meio artístico e quando acontece, é algo que precisa ser elogiado.
Eis acima, alguns instantes do show. Uncle
& Friends na Feira da Vila Pompeia em São Paulo, no dia 19 de maio
de 2019. Click, acervo e cortesia: Vanderlei Bavaro
Nessa altura, todos os participantes desse simpático grupo de colegas fraternos, reunidos para dar suporte à arte do amigo, Lincoln Baraccat, já estavam a postos nos bastidores. O público, apesar do frio que chegou junto com o rápido entardecer, aumentou significativamente, mesmo com a Feira já a apresentar os sinais de seu encerramento, com alguns expositores a guardar o seu material, o que foi em contraste, bastante animador para nós que subiríamos ao palco, a seguir.
Apesar da boa vontade dos rapazes do som, o início da apresentação foi um tanto quanto sofrida, no sentido em que os monitores teimaram em falhar. E na contrapartida, ao tocarmos com três guitarras, duas baterias e um baixo, evidentemente que a massa sonora por nós produzida, fora acentuada. Para amenizar, todos estabeleceram esforços em observar a máxima dinâmica e assim, o espetáculo conduziu-se em seu início, com essa dificuldade sonora.
Eis acima, alguns momentos do show. Uncle
& Friends na Feira da Vila Pompeia em São Paulo, no dia 19 de maio
de 2019. Click, acervo e cortesia: João Pirovic
Eis que o som melhorou um pouco, quando em uma pausa, o técnico finalmente pode detectar e anular uma microfonia que atazanava-nos. Seguimos em frente com uma melhoria sonora amena. No entanto, apesar da insalubridade técnica, a performance estava sensacional. O público estava a apreciar de uma forma muito entusiasmada, a reverberar bem a energia que produzíamos ali em cima.
Caio Durazzo e Roy Carlini estavam infernais em seus solos, a colorir, sob estratégico revezamento, as boas canções do Lincoln. E mais um dado, achei incrível a sincronicidade em que tocaram, Carlinhos Machado e Rick Vecchione. Em alguns momentos, pareceu que ambos houveram ensaiados juntos, tamanha a massa em perfeita sintonia que estabeleceram. Ambos não furtaram-se a fazer viradas e mesmo assim, não houve falhas rítmicas e tampouco frases emboladas. Pelo contrário, houve momentos sob intensa criatividade.
Não sei se os demais companheiros notaram tais sutilezas em meio à massa sonora e adrenalina generalizada, porém, como eu sou baixista e trabalho sempre em sincronia com os bateristas, eu apreciei muito as levadas que eles estabeleceram, inclusive com a chance para que eu pudesse reforçar diversas nuances rítmicas em sintonia com ambos, e isso sempre enriquece e o som de qualquer banda, sem dúvida alguma. No caso do Uncle & Friends, que simplesmente não ensaia, foi um luxo e tanto, em minha opinião.
Momentos mágicos do show. Uncle
& Friends na Feira da Vila Pompeia em São Paulo, no dia 19 de maio
de 2019. Click, acervo e cortesia: Dih Baraccat (1 & 2) e Harmann Molina (3)
Eis que a cantora superb, Amanda Semerjion foi chamada ao palco e deu um show a parte. A sua interpretação foi estabelecida mediante um movimento crescente impressionante. O início ameno e doce, mudou paulatinamente a cada giro da harmonia e sob intensa entrega emocional, ela soltou a voz de uma forma muito marcante, reforçada por uma performance gestual forte, ou seja, Etta James. Aretha Franklin e Janis Joplin devem ter incorporado ao mesmo tempo em Amanda, para deixar o público extasiado. Luiz Carlini viu a performance esfuziante de sua nora, bem perto do palco e Lincoln não perdeu tempo para convidá-lo a participar. Que prazer tocar com esse mestre mais uma vez, sem dúvida alguma.
Eis que seguimos a tocar com a perspectiva boa em notarmos uma excepcional acolhida do público presente. Nessa altura, a multidão à nossa frente, se mostrava impressionante a denotar que a vibração estava a melhor possível.
Chegamos ao último número então, o sucesso de Lincoln Baraccat, "Bolinha de Gude". O comunicador, Rogério Utrila, que tradicionalmente gosta de cantar essa canção junto ao Lincoln e a tocar um cowbell, subiu ao palco e cumpriu a tradição. Final apoteótico, após uma longa Jam mediante revezamento de solos entre Caio e Roy, quando encerramos, o público mostrou-se em estado de grande euforia.
Apesar do avançado do horário e a noite já em curso, eis que um forte pedido de bis irrompeu naquele quadrante do bairro da Vila Pompeia e sob uma rápida sugestão feita pelo guitarrista, Roy Carlini, executamos a canção: "Rock'n' Roll" do Led Zeppelin, com uma volúpia tremenda. Ao final, houve mais pedidos para que prosseguíssemos, no entanto, decidimos encerrar, ao adotar-se uma atitude mais prudente, certamente, a preservar o bom astral com o qual esse show foi realizado. Recebemos muitos amigos nos bastidores e gostamos muito dessa apresentação, não apenas pela reação muito eloquente da parte do público, mas sobretudo, pelo fato de que apesar das dificuldades técnicas, a energia ali produzida, fora imensa.
Tive o prazer de conversar com o técnico, e lhe agradeci pelo esforço hercúleo que ele tivera para amenizar ao máximo as dificuldades e tal rapaz lamentou muito não ter podido fazer um soundcheck melhor e afirmou que esse tipo de som que nós ali produzimos, seria passível de um capricho a mais em sua mixagem ao vivo. Quem sabe em uma próxima oportunidade, ele consiga trabalhar mais confortavelmente com essa banda ou com outra em que eu estiver a tocar? Tomara que sim, gostei da sua boa vontade e educação para lidar com os músicos, devo ressaltar, fato raro entre técnicos de áudio em geral.
E assim foi a minha terceira participação na banda, "Uncle & Friends", um trabalho avulso feito sem ensaios, mas cercado por músicos da melhor categoria. Gostei muito de ter acompanhado o grande "uncle", Lincoln Baraccat, mais uma vez, além dos excepcionais guitarristas, Caio Durazzo e Roy Carlini e desta vez ao homenagearmos o grande, Franklin Paolillo, baterista recorrente para esse trabalho, mas que na ocasião, estava a convalescer, acometido por uma enfermidade grave que enfrentara subitamente ao final de 2018, e para tanto, com dois bateristas muito amigos dele, Carlinhos Machado e Rick Vecchione. Além da voz privilegiada de Amanda Semerjion e a presença surpresa do monstro, Luiz Carlini. Em suma, foi um prazer estar em meio aos "friends".
Uncle & Friends a agradecer o público. Da esquerda para a direita: Roy Carlini, Rick Vecchione, Carlinhos Machado, Caio Durazzo, Luiz Domingues, Lincoln "The Uncle" Baraccat e Amanda Semerjion. Uncle & Friends na Feira da Vila Pompeia em São Paulo, no dia 19 de maio de 2019. Click, acervo e cortesia: Marcos Vinicius Troyan Streithorst
Bem, essa história acaba aqui, mas por enquanto, visto que tal banda sazonal pode produzir algo no futuro, em qualquer instante novamente. Portanto, possivelmente...
Continua...
segunda-feira, 29 de julho de 2019
Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Uncle & Friends) - Capítulo 97 - Por Luiz Domingues
Luiz Domingues & Lincoln "The Uncle" Baraccat, nos bastidores de um show dos Kurandeiros, no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 31 de janeiro de 2019, ocasião essa em que ele comunicou-me que já detinha uma nova data em vista para o seu "Uncle & Friends" e convidou-me a participar, desta feia a caracterizar-se como a minha terceira participação nesse trabalho entre amigos. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap
Foi então que o "friend" disse-me que dificilmente haveria um conflito, pois de antemão ele sabia que Os Kurandeiros provavelmente seriam escalados para tocar igualmente no mesmo festival, ou no horário anterior ou posterior, no mesmo palco, graças a uma informação da qual já dispunha na ocasião, por conta de ser bem relacionado com a cúpula da organização de tal Feira anual.
Dito isso, eu confirmei a minha participação e nessa altura, nós já sabíamos e lamentamos muito a notícia de que o excepcional baterista, Franklin Paolillo, havia recentemente tido um problema de saúde com bastante gravidade. Personalidade fantástica, além de ser um super músico, Franklin costumava participar com frequência dos shows dos Friends. Comentamos, naturalmente, que seria ótimo que ele recuperasse-se o quanto antes, para poder estar conosco em mais esta oportunidade. No entanto, à medida que o tempo pôs-se a passar, as notícias que recebemos sobre o restabelecimento do grande Franklin, não foram otimistas. A sua recuperação mostrava-se lenta, em decorrência da grave lesão que acometera-o e assim, tivemos que resignarmo-nos em compreender que não poderíamos contar com ele em tal apresentação marcada para o mês de maio.
Show dos Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, onde Lincoln "The Uncle" Baraccat foi o nosso convidado de honra e assim, inserido em nosso show, revivemos o "Uncle & Friends" mediante uma energia impressionante! 8 de março de 2019. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap
Em 8 de março 2019, Lincoln "The Uncle" Baraccat, foi o nosso convidado de honra, em mais uma apresentação dos Kurandeiros e ali fizemos um bom revival do som de "Uncle & Friends", com os Kurandeiros, a dar o sustentáculo e apesar de ter sido um show de choque tão somente, inserido em meio ao show regular dos Kurandeiros, foi uma apresentação espetacular, a conter uma energia absurda e assim caracterizar que uma feliz química Rock'n' Roll ali estabelecida, foi responsável por uma combustão natural.
Nesta altura, o Lincoln já mostrava-se resignado com a ausência forçada do grande, Franklin Paolillo e então, ele convidou o baterista dos Kurandeiros, Carlinhos Machado para participar e de antemão, comunicou-nos que também convidara outro baterista com ótimo nível para apresentar-se a caracterizar duas baterias em ação, no caso a tratar-se do ótimo, Rick Vecchione.
Excelente ideia, portanto, com duas baterias, haveria de ser uma homenagem ao Franklin e uma boa maneira para enviarmos-lhe as melhores vibrações para que a sua recuperação, se acelerasse. Ao final de abril, eu recebi o material, via e-mail e basicamente haveria poucas mudanças no repertório. Também estava confirmada a presença dos excelentes guitarristas, Caio Durazzo e Roy Carlini, além da voz privilegiada de Amanda Semerjion, portanto, praticamente a mesma turma dos dois shows anteriores dos quais eu participara em 2018, em agosto e dezembro, curiosamente em outras feiras organizadas no mesmo bairro da Vila Pompeia, em São Paulo.
Continua...


















































