sábado, 16 de abril de 2022

O Toque de Classe de Lincoln Baraccat - Por Luiz Domingues

Músico, compositor, fotógrafo, ilustrador, webmaster, capista, arte finalista gráfico e ativista cultural: Lincoln Baraccat. Fonte: Internet

Foi no ano de 1982, que eu conheci pessoalmente o baterista e líder da lendária banda de Rock, Patrulha do Espaço, Rolando Castello Junior, por intermédio do meu amigo e companheiro d’A Chave Sol, Rubens Gióia, mas na verdade eu já era um fã dessa banda desde a sua fundação em 1977. Por conseguinte, conhecia a trajetória do Rolando desde 1974, quando foi lançado o primeiro álbum de outra banda icônica do Rock Brasileiro e da qual ele foi componente, o Made in Brazil.

O hoje saudoso guitarrista, Rubens Gióia, já o conhecia e quando nos apresentou, assim que acrescentou que nós estávamos a fundar uma banda, que chamar-se-ia: A Chave do Sol, o Rolando foi generoso pois passou a nos apoiar em nossas primeiras ações, ao emprestar uma parcela do equipamento de PA da Patrulha do Espaço para suprir as primeiras apresentações da nossa banda iniciante.

E foi nessa mesma época, 1982, que a Patrulha do Espaço havia lançado o seu então mais recente álbum, chamado simplesmente: “Patrulha”, famoso entre os fãs como o da “capa branca”, em que o lay-out dessa produção gráfica e as fotos da contracapa são assinadas por um fotógrafo ali descrito como, “Abe Lee”, mas que na verdade se tratava de um profissional chamado: Lincoln Baraccat.

O tempo avançou e eu tomei ciência de que esse empreendedor era mais do que um excelente fotógrafo, mas também um ilustrador de fino trato, experiente como profissional do meio editorial, inclusive premiado e com todos os méritos (ele venceu o prêmio Abril de melhor ilustração, por exemplo). 

Algumas capas de discos assinadas por Lincoln Baraccat nos anos 1980. Artistas de alto quilate como: Patrulha do Espaço, Made in Brazil e Tutti-Frutti. Fonte: Internet

Mais um dado, que na verdade é muito importante: Lincoln é um Rocker de coração e alma, portanto, todas as fotos, capas de discos e quaisquer outros trabalhos gráficos que fez em sua carreira para retratar bandas e artistas solo, foram feitos com paixão, convicção e mediante aquele toque de classe que lhe é peculiar e faz toda a diferença.

Com a sua inseparável guitarra Fender Telecaster a produzir Rocks, Blues & Baladas, eis Lincoln Baraccat a expressar a sua paixão pela música. Fonte: internet

E finalmente, Lincoln entende a música de uma forma profunda, por que também é músico, cantor e compositor, portanto, conhece os meandros e a relação humana mais direta com a arte musical.

O tempo passou e foi em 1999, quando eu me tornei um componente da Patrulha do Espaço, que surgiu a chance de finalmente conhecer pessoalmente a persona de Lincoln Baraccat. O Rolando comentou comigo que precisávamos de uma sessão de fotos com urgência para as nossas necessidades prementes em termos de divulgação, a demarcar a nova formação da nossa banda e já havia uma perspectiva de prepararmos um álbum de estúdio com inéditas, portanto precisaríamos também de fotos para compor a capa e encarte de um novo disco.

Uma das muitas habilidades que Lincoln Baraccat possui e cumpre com enorme maestria, a arte da fotografia! Fonte: Internet

E foi então que ele disse que procuraria o Lincoln e aproveitou para contar-me sobre as boas lembranças que ele guardava dele sobre trabalhos anteriores prestados nesse sentido e se mostrou animado com a perspectiva de novamente ter os serviços dele em favor da nossa banda.

Não aconteceu esse desfecho, infelizmente por uma questão de logística da época e assim fizemos tal trabalho com outro profissional, mas a ideia primordial foi contar com Lincoln, pela convicção de que o Rolando me passou, baseado na boa experiência pregressa que tivera nos anos 1980, com ele a trabalhar com a Patrulha do Espaço. 

Isso sem contar o fato de que muitas jam-sessions foram feitas com a Patrulha do Espaço em sua fase de ouro com o Power-Trio formado por Rolando Castello Junior, Dudu Chermont e Sergio Santana a tocar com o guitarrista e cantor Lincoln Baraccat, a sedimentar a amizade com ele desde aquela década.

BB King, Peter Frampton e Jethro Tull, entre inúmeros outros artistas que Lincoln Baraccat clicou ao vivo. Fonte: Página do artista no Facebook. Clicks: Lincoln Baraccat

Lincoln foi morar fora e no exterior, em meio à essa sua vivência internacional, ele fotografou uma infinidade de artistas sensacionais do espectro do Rock, Blues e Jazz. Suas fotos impressionam pela qualidade, mas contém aquele algo a mais que vai além do estilo de um fotógrafo que é ótimo sob o ponto de vista técnico, mas a denotar haver aquele componente extra, ou seja, o fator da paixão pela música e mais um detalhe e que faz a diferença nas suas fotos, ele deixa impregnado na imagem a reverência ao artista, ou seja, tais fotos passam exatamente a ideia da grandeza de cada artista retratado por ele. 

Entre as décadas de setenta e oitenta, no Brasil e no exterior, Lincoln Baraccat fotografou uma enorme quantidade de shows. Acima, uma pequena amostra, com Ney Matogrosso, Raul Seixas, Sérgio Dias com os Mutantes e Queen. Fonte: Página do artista no Facebook. Clicks: Lincoln Baraccat

Em suma, trata-se de uma proeza exercida por poucos fotógrafos ao redor do mundo e Lincoln faz parte desse seleto rol que tem na sua constituição pessoal, essa perspicácia tão especial.

Em uma selfie, Lincoln nos mostra uma arte a lápis que estava a concluir em sua mesa de trabalho, mediante uma caricatura sensacional do astro do Rock sessentista, Jimi Hendrix. Fonte: Internet. Click: Lincoln Baraccat

Para falar mais sobre os atributos do Lincoln como profissional das imagens, é preciso elucidar ao leitor que não obstante o fato de ser um fotógrafo incrível, ele é antes de tudo, um ilustrador fantástico. A trabalhar com ilustrações de toda monta, mediante um lápis na mão, é um desenhista de um nível impressionante.

Eis acima, três exemplos de ilustrações criadas por Lincoln Baraccat publicadas em revistas renomadas do mercado editorial brasileiro. Na primeira ilustração, um trabalho sensacional a retratar uma matéria sobre automobilismo, mediante uma ilustração rica a conter as imagens de três pilotos pioneiros: Chico Landi, Christian Heins e Fritz D'Orey. Na segunda ilustração, para a revista Pop em 1977, a caricatura de vários astros do Rock internacional setentista a voar sobre uma guitarra Gibson "Flying V" estilizada como uma aeronave e assim a reforçar a matéria que dava conta da possível confirmação de suas respectivas vindas ao Brasil para a realização de shows. E na última, para realçar a propaganda da revista Playboy em torno do seu prêmio anual de música, vemos as caricaturas sensacionais de diversos artistas da MPB naquele panorama do início dos anos 1980. Fonte: página do artista no Facebook e Site "Pitadas do Sal". Artes: Lincoln Baraccat   

A utilizar diversas técnicas e a fazer uso de muitas ferramentas, ele foi durante muitos anos um profissional da famosa revista "Guia 4 Rodas" da editora Abril, como um desenhista cartográfico. Dali em diante, foram muitas contribuições para ilustrar as páginas de tal revista focada no automobilismo, mas que lhe abriu portas para outras revistas da mesma editora e assim, ele passou a desenhar artistas com uma precisão incrível, tanto de uma forma realista quanto no campo das caricaturas, todas sensacionais para abrilhantar as páginas de revistas tais como “Pop”, “Carícia”, “Veja” e “Playboy”. Além de trabalhos para ilustrar peças publicitárias.

Concomitantemente, o seu trabalho como fotógrafo de shows de Rock o levou também para ser designer de capas & contracapas de álbuns, portanto, eis que ele assinou trabalhos dessa monta para artistas de primeira grandeza como o Made in Brazil, Patrulha do Espaço e Tutti-Frutti, entre outros.

Sob a lente do grande Lincoln Baraccat, eis duas fotos da Magnólia Blues Band em ação no dia
12 de fevereiro de 2014. Na primeira, a banda toda enquadrada da seguinte forma, da esquerda para a direita: Kim Kehl (com o tecladista Alexandre Rioli ao fundo), o convidado especial dessa edição, guitarrista Marceleza "Bottleneck", Carlinhos Machado na bateria e eu, Luiz Domingues. Abaixo, uma chapa exclusiva a me retratar em plena ação em outra edição, desta feita realizada no dia 19 de fevereiro de 2014. Clicks: Lincoln Baraccat  

Mais alguns anos passaram e finalmente em 2014, eu pude conhecer o Lincoln pessoalmente, de uma forma deveras inesperada. Eu atuava nessa ocasião em uma banda paralela ao trabalho d'Os Kurandeiros, chamada: “Magnólia Blues Band”, que por três temporadas manteve um projeto de shows periódicos em uma casa noturna (Magnólia Villa Bar, localizado no bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo), e cujo objetivo foi acompanhar um convidado especial da cena do blues brasileiro, a cada semana, dentro do projeto denominado como: “Quarta Blues”. E foi nessa circunstância em que ele apareceu como convidado do grande guitarrista Marceleza “Bottleneck” (então guitarrista do grupo, “Cracker Blues”), que fora o convidado de uma determinada edição e fotografou o nosso espetáculo.

Eis a minha persona em ação ao vivo com Os Kurandeiros, sob a lente de Lincoln Baraccat durante o espetáculo realizado na Feira da Vila Pompeia em 15 de maio de 2016. Click: Lincoln Baraccat

Por mais algumas semanas ele esteve presente nas "Quartas Blues" que ali vivemos e fez muitas fotos da nossa banda e de seus convidados. Não chegamos a ficar amigos verdadeiramente nessa ocasião, mas logo a seguir, isso se concretizou, quando ele fotografou diversos shows da minha banda, “Kim Kehl & Os Kurandeiros”

E já no avançar de 2018, ele me abordou e me fez um convite, para que eu fizesse parte de uma apresentação que ele faria em breve, com um super time de músicos que o acompanhava em torno da sua banda, “Uncle & Friends”. 

Cartaz a anunciar a minha primeira participação com o combo "Uncle & Friends", ao lado de Lincoln Baraccat e de seus convidados, na verdade uma miríade de estrelas do Rock Brasileiro e acima de tudo, comprometidos com o Rock e o Blues sob intensa fraternidade. Festival "A Gosto Musical" nas ruas da Vila Pompeia em São Paulo. 19 de agosto de 2018. Arte de Lincoln Baraccat

Claro que eu fiquei lisonjeado, aceitei participar e assim, em agosto de 2018, me apresentei com essa banda formada por grandes feras do Rock brasileiro para defendermos as suas composições contidas em seus dois discos lançados como guitarrista, cantor e compositor (os álbuns: With a great help from my friendseemBluescetado”).

Alguns flagrantes da primeira apresentação que fiz com o grupo de Rock, "Uncle & Friends" em 18 de agosto de 2018. Na primeira foto, da esquerda para a direita: Roy Carlini, eu (Luiz Domingues), Lincoln "The Uncle" Baraccat, com Franklin Paolillo atrás, na bateria e Caio Durazzo. Na segunda foto, Caio Durazzo em destaque, com a minha presença (Luiz Domingues) e Roy Carlini ao fundo. Já na terceira foto, eu (Luiz Domingues) e Lincoln Baraccat em momento de confraternização fraternal no palco, durante a realização do espetáculo e finalmente na última foto, confraternização pós-show com a presença do público ao fundo. Da esquerda para a direita: Caio Durazzo, Franklin Paolillo, Lincoln Baraccat, eu (Luiz Domingues), Amanda Semerjion e Roy Carlini. Clicks 1 a 3: Humberto Morais. Click 4: Vinícius Trojan 

Foi assim eu que subi ao palco pela primeira vez com tal banda para atuar com muito prazer, em um show realizado ao ar livre, ao lado de Lincoln Baraccat e outras feras incríveis (Roy Carlini, Caio Durazzo, Franklin Paolillo e Amanda Semerjion).

Na primeira foto, em uma segunda apresentação de minha parte com Uncle & Friends, da esquerda para a direita: Caio Durazzo, Lincoln Baraccat, Franklin Paolillo e eu (Luiz Domingues). 19 de dezembro de 2018. Na segunda foto, sob o frio intenso: Caio Durazzo, Lincoln Baraccat e eu (Luiz Domingues) em 4 de agosto de 2019. Click 1: Rogério Utrila. Click 2: Vanderlei Bavaro

Outros convites surgiram e entre 2018 e 2021, e assim, mais shows ocorreram com essa mesma banda e a contar inclusive com algumas participações fora da formação acima citada (Dmitri Medeiros, Marcelo Frisoni, Luiz Carlini, Rick Vecchione, Rogério Utrila e os meus companheiros d’Os Kurandeiros, Carlinhos Machado, Nelson Ferraresso e Kim Kehl, também atuaram em diversas situações), inclusive com a gravação de um especial em vídeo e de um clip.

A tocar ao vivo com "Uncle & Friends" no estúdio V8 de São Paulo. Música: "Situação" de Lincoln Baraccat em 15 de março de 2020. Filmagem: Vanderlei Bavaro

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=0P3mzY4BrAE

A versão Rock para o clássico da Soul Music nacional: "Muito Estranho" (Dalto). Ao vivo no estúdio V8 com "Uncle & Friends"

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=apL6ht42TNQ

Para saber como foram as minhas apresentações ao vivo com o grupo “Uncle & Friends”, deixo o link de diversos capítulos da minha autobiografia publicados no meu blog 3, e que estão centrados nesses trabalhos que realizei com tal banda, ao narrar com detalhes as experiências musicais que eu tive ao seu lado e acompanhado por músicos incríveis arregimentados em torno de tal banda/fraternidade:

http://luizdomingues3.blogspot.com/2019/01/trabalhos-avulsos-capitulo-44-uncle.html

http://luizdomingues3.blogspot.com/2020/01/trabalhos-avulsos-capitulo-45-uncle.html

http://luizdomingues3.blogspot.com/2021/02/trabalhos-avulsos-capitulo-47-uncle.html

Em 19 de julho de 2019, a exposição de fotos de Lincoln Baraccat

Em 2019, uma exposição foi organizada para mostrar as preciosas fotos executadas pelo Lincoln Baraccat. Foi muito merecida a iniciativa, não resta dúvida e que venham outras. 

Peça promocional sob a produção de Lincoln Baraccat, eis os três volumes do meu livro e uma das fotos por ele clicadas em uma sessão empreendida gentilmente sob a sua condução. Click e arte de Lincoln Baraccat

Em 2020, quando eu estava na fase de produção do meu livro, “Luz; Câmera & Rock’n’ Roll”, o convidei para fotografar as minhas fotos de autor nas orelhas dos três volumes que foram publicadas dessa obra e ele foi mega gentil ao realizar o trabalho e me retratar com aquela categoria toda que abrilhantou demais a qualidade gráfica do meu livro.

Três de muitas fotos oriundas do ensaio comandado por Lincoln Baraccat para extrair as minhas fotos de orelha do autor para os três volumes do meu livro: "Luz; Câmera & Rock'n' Roll". Clicks: Lincoln Baraccat

E cedeu-me também fotos especiais para eu usar na minha divulgação pessoal e neste caso, muitas ações que foram feitas para divulgar o livro, se valeram das ótimas fotos da minha persona clicadas por ele, para ilustrar matérias em sites, blogs e servir também como “cards” para propaganda de muitas entrevistas que concedi para programas de TV e rádio na internet.

Gentil, assim que recebeu as cópias dos três volumes de meu livro, ele fez essa foto a mostrar o seu contentamento pelo recebimento da obra que tem a sua marca como fotógrafo para abrilhantar a obra, naturalmente. Click e arte: Lincoln Baraccat

Sou muito grato ao grande, Lincoln Baraccat, por esse apoio ao meu livro, pelo convite para participar de tantos shows que fizemos ao atuar com a sua banda, “Uncle & Friends”, participar de filmagens e até de um clip a projetar uma canção de sua autoria.

Por ocasião da última apresentação da qual participei com "Uncle & Friends", na porta do estúdio V8 de São Paulo em 15 de março de 2020. Da esquerda para a direita: Carlinhos Machado, Caio Durazzo, Roy Carlini, Lincoln Baraccat e eu, Luiz Domingues. Click: Vanderlei Bavaro

Neste clip da música: "Velho Lobo Mau", composição do Lincoln em parceria com o grande guitarrista, Norba Zamboni, eu tive o prazer de participar da filmagem, embora não seja eu a participar da gravação desse áudio. A bela atriz da dramaturgia, é Priscilla Endo e além dos super músicos que aparecem ao meu redor, a acompanharmos o Lincoln em sua performance, aparecem outros grandes músicos e personalidades do métier do Rock paulista e brasileiro no enquadramento. Filmado no estúdio V8 de São Paulo em 2019. Imagens: Fausto Lopes e Marcos Trojan Direção e Finalização: Fausto Lopes Roteiro: Lincoln Baraccat "Uncle" 

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=kyKJltUnXRg 

Espero que mediante a perspectiva da pandemia decorrente do Coronavírus/Covid-19 ser controlada, ele volte a se apresentar ao vivo, pois sei bem o quanto ele ama tocar ao vivo e sobretudo, cercado por amigos queridos da música que como ele, amam o Rock e o Blues.

 
Eis acima, algumas das muitas ilustrações assinadas por Lincoln Baraccat. Na primeira, de cima para baixo, uma espetacular visão a conter a presença de grandes comediantes, que serviu como arte para a faixa de humor criada pela TV Bandeirantes, chamada: "Vamos Rir", décadas atrás. Na segunda, a capa de um LP coletânea dos Beatles chamado: "Beatles Stars on 45". Depois disso, várias caricaturas por ele criadas para retratar grandes astros, tais como: The Beatles, o fenomenal guitarrista, Alvin Lee (Ten Years After), Frank Zappa, Frank Sinatra, Elis Regina, Gal Costa, Caetano Veloso, Bob Dylan e por fim, o trio formado por David Bowie, Neil Young e Bob Dylan. Fonte: Página do Facebook do artista. Artes de Lincoln Baraccat 

Para compor esta matéria, eu utilizei a minha memória pessoal recheada com tantas conexões diretas e indiretas que mantenho com o amigo Lincoln, mas também li com interesse uma bela entrevista que ele concedeu ao bom site “Pitadas do Sal”, do jornalista, Sal, no qual o Lincoln revelou diversas facetas de sua atuação profissional e dessa forma, recomendo essa leitura, certamente. E claro, visitei e copiei muito material diretamente de sua página de artista no Facebook.

Eis o link para visitar o site: Pitadas do Sal” a entrevistar Lincoln Baraccat:

https://pitadasdosal.com/pitadas/o-embluescetado-lincoln-baraccat/

Para conhecer melhor o trabalho do artista Lincoln Baraccat, visite também:

Página do Facebook:

https://www.facebook.com/lincolnbaraccatcaricatures

Instagram:

https://www.instagram.com/_lincolnbaraccat/

YouTube:

https://www.youtube.com/channel/UCmjcCgLUfd4gcIaSyMfc6Zg/videos

Som13:

https://som13.com.br/lincoln-embluescetado-baraccat

Soundcloud:

https://soundcloud.com/lincoln-embluescetado/pra-ser-feliz-lincoln-baraccat

Contato direto com o artista:

lincoln@lincoln.com.br

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Pessoas... - Por Telma Jábali Barretto

Cada um de nós abriga um universo de conteúdos, informações e experiências com nossas novelas, trajetórias carregadas dos caminhos trilhados. Somos livros ambulantes, bem vivos, recheados das dores transpostas, desafios com vitórias e derrotas envolvidos das muitas emoções, aprendizados que vêm vestidos de conquistas enaltecidas antes, assim, e perdas reconhecidas só depois, às vezes bem depois, como os verdadeiros ganhos... Jogo natural da Vida! ... ... por essas percepções acumuladas no andar, sentir, trocas de lugares marcados e motivações novas que antes incomuns, em meio a revelações e quebras vamos escrevendo, parágrafo a parágrafo, saídos alguns numa rapidez da luz, reveladores e outros arrastados, lentos, lerdos e concisos. 

Algo de nós surge do nada... quase que brota espontâneo e causando, em meio a lentas e investidas mortes necessárias, sabidas e autenticadas como necessárias, marcadas pela falta de coragem de mais um luto que, mais adiante, reconheceremos como o fecho para abertura advinda que, então, trazem o florescer, possibilidades que tais cinzas propiciaram os tais humus, ricos dos adubos para aquela abertura não vislumbrada, nem desejada e tão bem-vinda quando nascida. 

E... por essas sequências, vividas e vívidas para todos nós, talvez devêssemos ser mais confiantes nas cartas, propostas trazidas por essa mágica experiência do aqui estar, fluindo mais e naturalmente que, muitas vezes, em esforços homéricos, tudo fazemos para resistir, segurar e prender aquilo conhecido nesse agora numa apreensão, medo, muitas vezes e novamente, insanos, imaginando, elucubrando que o desconhecido a convidar signifique sempre perda, desconforto e alguma dor... numa continuada e alimentada expectativa pessimista. 

Embora em meio a discursos de fé, confiança e até positivismos que margeiam do surreal inocente/romântico ao acreditar motivador saudável, constatamos quão abastecidos por bases ainda bem pouco racionais e bem mais primitivas seguimos, muito e muitos na espreita, ameaçados por qualquer sinal, cheiro e som diferente similares aos que usávamos na condição instintiva e animal, mesmo equipados que estamos hoje de maquininhas, atualmente, super mágicas e ágeis a enfumaçar, iluminar ou ofuscar seguida e perseverante, por todas as vias ao nosso redor num acompanhar e combinar com enredos interiores de nossa própria bagagem de histórias que enlevam, somam, apavoram, amedrontam, incitam do melhor ao mais sofrido, pulsando em nossas almas criando as mais diversas sintonias, frequências, melodias das mais harmoniosas às mais dissonantes. 

Quanto cada contato pode desvendar em nós e no outro... Tão fundamental, mais que sempre e antes, estar atento ao que reverberamos, onde mais responsabilidade de nos é esperada com a notas, pitacos e intersecções que façamos para que novelos pessoais promovam enlaçar de beleza no enriquecimento do todo que somos parte! Assim possamos, assim sejamos, assim seja, AMÉM! Sonoro e reverente NA MAS TÊ!

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga, consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga.

terça-feira, 5 de abril de 2022

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 162 - Por Luiz Domingues

O início do ano de 2022 para Os Kurandeiros foi marcado por atividades midiáticas e lançamentos de novos vídeos de promoção do CD Cidade Fantasma. Fecháramos o ano anterior com perspectivas para alguns shows logo no início do ano novo, contudo, uma nova onda crescente de casos decorrentes da pandemia em torno da Covid-19 fez com que as autoridades restringissem novamente as apresentações musicais com público presencial e assim, todos os shows previamente acertados foram cancelados. Ficamos chateados, naturalmente, porém resignados após vivermos nessa situação de dois anos com tantas restrições.

Bem, para início de conversa, eu mesmo programara antecipadamente (algo pensado desde o final de 2021), uma música d'Os Kurandeiros para o meu programa na Webradio Orra Meu e assim, na edição sete do "Eu Recomendo, com Luiz Domingues", tocou a música "O Filho do Vodu", e neste caso, com liberdade para montar a pauta, eu aproveitei o ensejo e contei aos ouvintes, certas particularidades sobre essa canção que gravamos em 2016, peça integrante do repertório do disco "Seja Feliz", lançado nesse mesmo ano citado. 

Nesses termos, para reforçar a compensação pela falta de shows ao vivo, mais novidades advieram também através de ações midiáticas espontâneas. Por exemplo, soubemos que havíamos sido escalados para uma execução da nossa música: "Noite de Sábado" em meio ao programa "Lado  2" da Internova Rádio de Aracaju-Se. Isso ocorreu no dia 16 de janeiro de 2022, com repetição nos dias 19 e 20.

Já no programa "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock, cuja elaboração de playlist foi de minha autoria igualmente (mas neste caso, sob a produção e locução de Julio Cesar Souza), eu pude relacionar uma música ("Hey, Gringo"), peça essa extraída do CD "Sete Anos", um álbum lançado pela banda com material de formações anteriores, e neste caso, eu não participo em nenhuma faixa desse disco. Enfim, tal execução esteve no ar entre 22 e 28 de janeiro de 2022.

E foi então que lançamos no dia de aniversário da cidade de São Paulo, 25 de janeiro, o promo da música: "São Paulo" (Vai Sobreviver), também oriunda o CD Cidade Fantasma e com ótima repercussão pelas redes sociais.

Veja acima o promo da música "São Paulo" (Vai Sobreviver), d'Os Kurandeiros.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=bRdFRC5Yrc8

E o planejamento da banda se movimentou em seguida para lançar logo após o evento do carnaval, marcado para o final de fevereiro, mais um promo a divulgar o CD Cidade Fantasma, no caso, a música: "Viagem Muito Louca".

Continua... 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Crônicas da Autobiografia - Fanatismo a Gerar Vilipêndio Gratuito - Por Luiz Domingues

            Aconteceu no tempo do Pitbulls on Crack em 1995

Esta pequena ocorrência não diz respeito diretamente à minha banda na ocasião, mas esteve indiretamente ligada em sua órbita.

Foi em algum dia de junho de 1994 que um compromisso surgiu para a nossa banda e seria uma entrevista na qual todos os componentes participariam. Para facilitar a logística dessa ação, combinamos de nos encontrar em uma estação do metrô, especificamente a estação Paraíso.

Eu morava relativamente perto, cheguei primeiro e em seguida, o guitarrista solo da nossa banda, Deca, apareceu em uma das entradas dessa estação em que havíamos marcado o encontro.

Encontro aguardávamos a chegada dos outros dois componentes da nossa banda, ficamos a conversar animadamente, quando eis que vimos duas moças na faixa dos trinta anos mais ou menos, a nos olhar de uma maneira acintosa.

Elas não pareciam ser fãs de Rock and Roll, portanto, descartamos de imediato a hipótese de que elas pudessem ter nos reconhecido por nossa atuação como músicos de uma banda de Rock, que se não estava no patamar de celebridade mainstream, certamente mantinha exposição dentro desse nicho, com bastante aparições na MTV, por exemplo e isso poderia ocorrer, acaso essas moças fossem adeptas dessa cultura típica da década de noventa.

Muito pelo contrário, elas estavam trajadas de uma maneira bem característica a deixar claro que faziam parte de alguma denominação religiosa e além do mais, os seus olhares estavam carregados de um indisfarçável incômodo, certamente relacionado à nossa presença naquele hall de entrada da estação.

Relevamos, no entanto, pois estávamos entretidos em nossa conversa e a nossa única preocupação foi na verdade que os nossos colegas não demorassem em demasia para que não chegássemos atrasados ao estúdio de uma emissora de rádio.

Infelizmente, as duas moças não se contiveram apenas a nos mirar com semblantes de desaprovação e assim, eis que vieram em nossa direção com passos firmes a denotar a determinação de nos abordar.

A interromper-nos de uma forma rude, a mais impetuosa das moças se pôs a falar de uma maneira bastante agressiva e a usar de empáfia igualmente, ao dizer que nós que éramos “metaleiros” que cultuávamos o demônio deveríamos abandonar a “vida errática que levávamos” e nos rendermos ao seu Deus. Ao prosseguir no seu discurso inconveniente, afirmou que nós deveríamos cortar os nossos respectivos cabelos longos e pararmos imediatamente de ouvir a música do “demônio”.

Perplexos pela inconveniência, agressividade e claro, pelas asneiras que essa moça desconhecida perpetrara contra nós, perguntamos de pronto para ela: -“quem lhe disse que somos metaleiros?”

Tal pergunta, tecnicamente a dizer, foi um questionamento correto para início de conversa, porém, por outro lado se revelou como um erro de nossa parte, pois para uma pessoa de baixo nível cultural e com a mente carcomida por preconceitos e falta de discernimento completo, fazê-la entender tal nuance não faria nenhum sentido para ela.

Claro que ante ao seu ataque tresloucado, ela nem parou para pensar e buscar entender a nossa pergunta, e pelo contrário, seguiu a sua verborragia insana a nos dizer que nós servíamos os “demônios do inferno” e que tais.

Foi quando o Deca, que sempre foi um brincalhão contumaz, lançou uma ironia no ar, ao dizer que usávamos cabelos longos iguais ao do Ser que ela seguia tenazmente e sem entender a piada por ele lançada, ela retrucou com enorme arrogância que: -"somente ele teria permissão do seu Deus para usar cabelos longos, segundo constava em suas escrituras sagradas". E falou isso como se fosse um axioma irrefutável, o que nos causou espanto pela demonstração de extrema ingenuidade e também pela incrível falta de noção civilizatória de sua parte.

Cada vez mais histérica, a fanatizada seguidora de um orientador que certamente devia instruir os seus pupilos a abordar pessoas pelas ruas em nome das suas crenças paradigmáticas, ela aumentou ainda mais o volume de sua voz, a transformar aquela situação inconveniente em um escândalo, a chamar a atenção de outras pessoas que estavam ao nosso redor.

Foi quando o Deca mais uma vez resolveu investir no escárnio para encerrar a questão e ao usar um gestual teatralizado e bem exagerado, soltou a sua voz como um tenor de ópera e assim proferiu diversas palavras de ordem com sentido de uma ode a um determinado demônio infernal, e assim a fornecer a confirmação que ela esperava e certamente com o intuito de ironiza-la.

Então, a brincadeira dele surtiu efeito, pois as duas moças saíram a correr daquele hall, já a entoar cânticos que possivelmente elas usavam como algum tipo de proteção contra forças infernais, por orientação do seu tutor. Ou seja, a estratégia deu certo para espantar aquelas duas moças fanatizadas e completamente desprovidas de  educação básica.

Ironia das circunstâncias, tudo isso aconteceu sem que elas soubessem que éramos músicos e que a nossa banda detinha o nome de: Pitbulls on Crack, ou seja, se tomassem conhecimento desse detalhe, imagine o teor do chilique que teriam protagonizado...

segunda-feira, 28 de março de 2022

Espírito Inconveniente - Por Luiz Domingues

Eis que certa vez em uma casa de orientação espírita, haveria uma sessão de consulta mediúnica, com várias pessoas a buscar tal tipo de tratamento. Entretanto, um dos mais experientes médiuns que ali trabalhavam nessa ação voluntária, faltara bem nesse dia, ao alegar um problema súbito que teve em sua residência e que o impedira de comparecer.

Sem ninguém ali presente para prover tal lacuna, alguém lembrou de uma pessoa que ali comparecia sazonalmente. Então ligaram para a casa desse homem. Ele atendeu o telefone com a seguinte reação, ao ser solicitada a sua presença:

-“Mas não tem outro para ajudar, mesmo? Justo agora? É que falta pouco para... enfim, está bem, eu vou se não tem outro jeito”.

Para o dirigente da casa, a solução foi improvisar com a substituição do médium ausente feita por essa outra pessoa a fim de compor a equipe de trabalho, mas esse homem, apesar de ser veterano sob o ponto de vista cronológico, não era tão atuante nessa função, e assim, apesar da sua idade, nesse específico quesito ele simplesmente não possuía muita experiência.

Bem, eis que feita a preparação básica de abertura dos trabalhos, o “seu” Nelson como era conhecido na casa este senhor chamado às pressas, entrou em transe mediúnico sem maior dificuldade, no entanto, assim que um espírito obsessor que atormentava a vida do paciente ali assistido foi interpelado, algo não usual aconteceu.

Os demais médiuns seguiam o protocolo da casa para esse tipo de abordagem, ao conversar com o obsessor no sentido de convencê-lo a seguir um caminho de maior retidão moral e assim deixar de praticar maldades, aceitar os ensinamentos de Jesus Cristo e se regenerar etc. e tal, mas o “seu” Nelson não seguia as normas de conduta no procedimento usual daquele centro espírita.

E não era por rebeldia de sua parte ao contestar a metodologia, ou por querer impor o seu jeito de ser, nada disso. Ele simplesmente deixava fluir livremente a sua atuação, sem se preocupar com regras, ou seja, a agir de forma espontânea.

Foi então que o tal espírito obsessor começou a emitir ruídos através do médium com o qual estava sintonizado e o “seu” Nelson não teve dúvida ao lhe interpelar de uma maneira nada usual em uma sessão espírita tradicional:

-“ô, amigo, amigão...afinal de contas, "che cazzo" você veio fazer aqui?

Então, o “desencarnado” respondeu com veemência, ao se mostrar bem irritado com abordagem:

-“Você que me diga! Estava na minha, quando de-repente vocês me aprisionaram neste lugar e me interrogam como se fosse um julgamento”.

Mas o “seu” Nelson não se abalou nem um milímetro com a fala indignada do rapaz desprovido de corpo material e talvez não por estratégia, mas simplesmente por não haver nem entendido o que o sujeito lhe disse, retrucou:

-“amigão, então você só veio aqui para me encher o saco?”

Desta vez o espírito não aguentou a fala inusitada da parte do velho encarnado e certamente a interpretou como um ato de desfaçatez com o objetivo de debochar dele ou coisa que o valha e assim, aos gritos ficou a dizer:

-“Me tirem daqui, esse velho é completamente louco! Eu não sou amigo dele!”

Bem, a sessão se encerrou e quero crer que o obsessor deixou de atormentar a vida do paciente depois dessa sessão, certamente por temer ser novamente interpelado por esse senhor encarnado, a agir completamente fora do contexto.

Depois desse evento, para quem achava que um espírito é que deveria assustar uma pessoa encarnada na matéria, a experiência ali decorrida se revelou no mínimo inusitada. 

Quanto ao “seu” Nelson, bem, depois de encerrado o trabalho, ele voltou para a sua casa e tranquilamente foi assistir a reprise do jogo de futebol que ele lastimara ter perdido a transmissão ao vivo, justamente por ter sido convocado a substituir alguém na casa de trabalhos mediúnicos.

De certa forma, se justificou por conseguinte a razão pela qual ele se indignara com o espírito obsessor, ao ponto de lhe dizer frontalmente que este Ser invisível lhe causara um aborrecimento, embora não exatamente com essas palavras mais refinadas, digamos assim.