sábado, 15 de julho de 2023

A minha ligação com a literatura (parte 2) - Por Luiz Domingues

Finalmente, em algum momento entre os anos de 2018 e 2019, eu tive uma ideia que mudou completamente o meu planejamento. Ao invés de debutar no mundo literário com a minha própria autobiografia, que seria caro para investir, trabalhoso para produzir e ao mesmo tempo com tal estratégia não ser possível demarcar claramente ao público que eu pretendia me lançar oficialmente como escritor e não apenas ser enxergado como um músico que escreveu a sua autobiografia musical. E a despeito de ter sido de fato uma autobiografia e não um texto ditado para um "ghost writer", como um mérito a ser realçado nessa vontade de me lançar como um escritor, verdadeiramente, ainda assim eu repensei e cheguei à conclusão de que a estratégia deveria mudar.

Foi então que eu cheguei à preparação do que veio a se tornar de fato o meu primeiro livro: "Luz; Câmera & Rock'n'Roll". Mesmo assim, eu tive alguns percalços e aprendi muito com isso, ao finalmente lidar com o mundo literário.  

O primeiro ponto a ser mencionado, foi no sentido de quando eu resolvi que deveria acelerar a produção do meu primeiro livro, ponderei que para a minha trajetória especificamente como escritor, não seria a melhor estratégia começar com um livro de teor autobiográfico. Isso porque se eu fosse um músico que houvesse escrito uma autobiografia da minha própria trajetória, porém sem nenhuma pretensão a mais no sentido literário, não haveria prejuízo algum. No entanto, para demarcar um posicionamento nesse sentido de querer me impor como escritor, não seria a melhor estratégia a ser adotada.

A foto ficou invertida, mas o que importa foi o momento de felicidade que eu tive no dia em que peguei na mão, finalmente, um livro impresso que escrevi. Abril de 2020. Click (selfie) e acervo: Luiz Domingues

Portanto, eu optei por lançar inicialmente uma obra autoral para realçar a minha entrada no mundo literário, com a implícita intenção de assumir esse feito como o início da minha carreira literária em paralelo à atuação na música, ou seja, para deixar claro que doravante eu iria me dedicar a lançar discos e livros, e não necessariamente em uma "casa no campo", porém mesmo dentro da urbanidade total, com esse espírito, certamente. 

E a minha dúvida nesse instante foi: qual livro lançar então, fora da minha autobiografia ou próximo disso? Bem, o livro mais pronto para ser finalizado, mediante tal perfil que eu precisava, seria em torno da compilação de resenhas de filmes de Rock, e aí, a base foi mesmo centrada naqueles textos iniciais que eu lançara em 2011, no Blog do Juma, mas com algumas republicações em outros blogs e no meu blog 1, naturalmente. 

Entretanto, os textos originais que eu já havia escrito, eram curtos em demasia, condensados propositalmente para a adequação ao padrão de um blog, com leitura mais rápida e segundo ponto, apesar de haver uma boa quantidade (cerca de cinquenta resenhas), para compor um livro, eu julguei ser muito pouco material. Dessa forma, acelerei em duas frentes, a conter a tarefa de rever e aumentar os textos já existentes e criar mais resenhas inéditas já a se configurar tal formato.

Para criar mais resenhas de imediato, foi relativamente fácil avançar, pois eu ainda mantinha na memória afetiva mais próxima, diversos filmes dos quais eu passei a analisar para dar vazão a compor para o livro. Porém, a pesquisa para escrever também englobou a necessidade de assistir pela primeira vez alguns filmes desconhecidos até então, ou ver de novo muitos desses filmes.

Nesse momento, entrou em voga o fator imponderável, ou seja, empolgado com a perspectiva, pus-me a escrever livremente, sem uma meta pré-estabelecida em termos de metragem. Sem uma maior noção sobre como funciona o processo de diagramação de um livro, o máximo que eu havia absorvido daqueles rapazes que tentaram me ajudar entre 2016 e 2017, foi que o texto do meu livro autobiográfico era gigantesco ao ponto de que mesmo que eu o dividisse em três partes, ainda sim renderiam três volumes com mais de quinhentas páginas para cada um. Mas eles não me informaram com maior precisão nessa época, como eu deveria proceder no aplicativo "word" para calcular exatamente quantas páginas ali escritas (e com qual fonte de letras e tamanho eu deveria usar), isto é, a repercutir no quanto isso seria calculado em laudas tradicionais, tampouco o que representaria em termos de páginas para um livro impresso.  

Forro para travesseiros comemorativos do lançamento dos meus livros e alguns exemplares dos mesmos colocados nesse cenário. Abril de 2020. Click e acervo: Luiz Domingues

Foi então que sem essa noção básica, fruto de ser um escritor debutante no meio, apesar da idade cronológica avançada na época, que sem limites, escrevi livremente e à medida que eu pesquisava informações sobre os filmes que eu estava a analisar, descobria filmes obscuros, porém interessantes, dos quais alguns eu já havia ouvido falar, mas nunca tivera a oportunidade de assistir, e outros completamente desconhecidos na minha percepção e que me chamaram a atenção. 

Quase ao final de 2019, mesmo sem a real noção do tamanho do texto que eu preparava, ainda tive o ímpeto de esperar o lançamento de dois filmes que chegaram às salas de cinema ("Rocket Man", cinebiografia do astro Elton John e "Yesterday", uma comédia romântica misturada com o gênero Sci-Fi e cujo mote era mais do que a música do quarteto britânico "The Beatles" em si, mas a se tratar de uma fantasia sobre a sua não-existência no mundo).

Munido de bloco de anotação e caneta, escrevi notas a assistir tais filmes em salas de cinema, ou seja, foi nos estertores da produção do livro, com tais obras ainda nas telas grandes em plena exibição, que eu concluí a obra. Já havia indícios de outros filmes ligados ao Rock que estavam em fase de produção e isso sem contar o fato que em meio à minha pesquisa, eu havia chegado à conclusão de que além dos cento e trinta e um filmes que analisei sob resenhas, havia mais de quatrocentos e cinquenta outros filmes de Rock, produções ao longo da década de cinquenta aos dias atuais, para ver e analisar.

O meu amigo e editor, homem de múltiplos talentos e entre eles, como escritor tarimbado: Cristiano Rocha Affonso da Costa. Fonte: Facebook

Nesse ínterim, eu havia tido o contato de um amigo meu de longa data (Cristiano Rocha Affonso da Costa), que por ser músico igualmente, tinha aberto em seu nome uma produtora cultural para prover os shows da sua banda (Matilda Rock Band), e pelo fato de também ser escritor, ele usava tal produtora como editora igualmente, para lançar os seus livros. Falamos sobre essa possibilidade em 2018, e no início de 2019, quando eu estive no sul do país para fazer shows e ele acompanhou essa fase minha com a Patrulha do Espaço e não só assistiu como nos ajudou muito na logística dessas apresentações ocorridas em muitas cidades dos estados do Paraná e Santa Catarina. Ao reafirmar a sua gentil oferta, ficou essa porta aberta da sua produtora.

Mesmo assim, ao ver que meus amigos, Ciro, Walter e Áureo haviam lançado os seus respectivos livros por uma editora portuguesa que anunciava estar a abrir as portas para autores novos, julguei que seria o meu caminho também. No entanto, ao consultar um deles, Walter Possibom, ele me disse que se decepcionara em demasia, não exatamente com a sede dessa editora em Lisboa, mas com a direção do escritório dessa companhia em São Paulo, no tocante às contas não prestadas devidamente e também com a distribuição dos exemplares, além da divulgação inexistente segundo o seu relato e assim, no seu livro subsequente ele mudou de editora e lançou o novo trabalho por uma editora de Brasília. 

Entretanto, ele me disse que ali nessa outra casa editorial com a qual trabalhara não havia a liberdade artística que sentira na editora portuguesa, pois o editor era um sujeito temperamental, cujo crivo para aceitar ou rejeitar uma obra era mensurado pela condição volátil do seu humor ao acordar a cada manhã e pior, toda a despesa técnica referente à revisão gramatical e diagramação, arte de capa e despesas com a obtenção do código ISBN (o famoso código de barras emitido pela Biblioteca Nacional e sem o qual, não é possível vender o livro em grandes livrarias físicas ou sites de vendas virtuais), além da despesa na gráfica com uma cota mínima de exemplares pré-estabelecida, estaria por conta do autor (fora todo o esforço de divulgação). E além do mais, para o próprio autor obter exemplares foi uma dificuldade, pois ele havia recebido apenas duas cópias do seu livro até então, apesar dos pedidos insistentes para contar com mais exemplares.

Ora, se fosse para pagar tudo, seria preferível lançar como o Cristiano havia proposto, ou seja, ao usar o selo da sua produtora, e mandar imprimir através do "Clube de Autores", uma cooperativa na qual qualquer autor publicava, sem avaliação de editores, sem cobrança de nada, a imprimir gratuitamente e o livro era impresso por demanda, conforme vendia ao público em geral e não apenas através do próprio site dessa cooperativa, mas a respingar em sites famosos de vendas da internet.

Ao ponderar sobre tais vantagens, claro que fechei a parceria com o Cristiano e assim, a "Matilda Produções", mesmo não sendo oficialmente uma editora, passou a ser a minha casa editorial. Cristiano assumiu a posição de meu editor e mediante a sua experiência em torno de seus próprios livros lançados anteriormente, se tornou o meu conselheiro, ao emitir todas as dicas, para lidar com os trâmites todos exigidos pelo Clube de Autores.

A jovem, Alynne Cavalcante, responsável pela revisão, diagramação e outros detalhes dos meus livros até aqui e espero, por muitos outros. Fonte: internet

Dentro do próprio site do Clube de Autores, eu logo descobri um imenso cadastro com profissionais da editoração a oferecer seus préstimos para os autores associados e mediante uma pesquisa básica, resolvi abordar uma jovem profissional pernambucana, chamada, Alynne Cavalcante, que oferecia vários serviços dessa natureza. 

Dei muita sorte, pois ela é uma profissional muito competente, além de simpática no trato com o autor e assim, o bom trabalho que desenvolvemos juntos, motivou o convite para ela trabalhar novamente comigo, quando lancei em 2023, uma segunda obra, no caso o livro: "Humanos Pitorescos". 

E foi ela, que na qualidade de diagramadora, me advertiu que seria inviável lançar o livro, "Luz; Câmera & Rock'n' Roll" como um tomo único, pois ele ficara com uma metragem com mais de setecentas páginas, aliás a ultrapassar a meta do próprio Clube de Autores, e daí, foi muito solícita ao me orientar e ajudar a dividir a obra, ao fracioná-la em três volumes.

Foi uma construção súbita, pois devido à minha inexperiência, eu planejei lançar um livro e na prática, lancei três a demandar despesa em triplo, em todos os quesitos.

A jovem, Victoria Costa, popular "Vick" e que foi a responsável pela arte das capas e material de divulgação dos meus livros. Fonte: internet

Victoria "Vick" Costa é filha do Cristiano e profissional das artes gráficas. Foi sugestão do pai dela, mas eu dei aval total para que Vick cuidasse da arte das capas dos três volumes, pois já conhecia o trabalho dela na preparação das capas dos livros lançados pelo seu pai e eu havia gostado bastante do resultado. Ela também cuidou de todo o aparato de divulgação do livro.

O grande "uncle", Lincoln Baraccat, cuja grife forte que tem naturalmente ao assinar as minhas fotos de autor nos livros, abrilhantou em demasia as obras

E finalmente para fechar a equipe, eis que eu convidei o "uncle", Lincoln Baraccat, para criar a minha foto de autor nas três capas e ele fez uma sessão maravilhosa para compor esse item com muita categoria e dessa sessão, muitas outras fotos foram e ainda são usadas para a minha divulgação em geral.

Eu planejei, ainda em 2019, produzir uma noite de autógrafos para lançar tais volumes e com direito a um show d'Os Kurandeiros. Pensei até em convidar um amigo para fazer uma apresentação de entrada do espetáculo, na base da voz & violão, para interpretar canções oriundas de diversas trilhas sonoras dos filmes analisados nos três volumes e teria sido na casa noturna, "Santa Sede Rock Bar", do amigo, Cleber Lessa, ou seja, um autêntico "oásis hippie woodstockiano" encravado na zona norte de São Paulo e do qual eu havia tocado muitas vezes com Os Kurandeiros.

Todavia, eis que em meio à produção do livro em si, a pandemia mundial estourou e frustrou completamente o meu plano. Os livros foram lançados em maio de 2020, mesmo assim e para compensar esse momento difícil, eu tive uma cobertura acima do que esperava, com muitas solicitações de entrevistas para podcasts, programas de YouTube, emissoras webradio e até jornalismo mainstream, pois eis que fui parar no jornalismo da Rede Globo sob um súbito convite, além de um enxurrada de entrevistas impressas em revistas eletrônicas de blogs e sites.

Claro, mesmo não sendo a minha autobiografia a ser lançada, a conexão com a música, o Rock em específico e o cinema, foi estabelecida, e nesse caso a aproveitar a minha "fama" no mundo do Rock underground, foi automático que tal prestígio tenha aberto tantas portas e como eu já disse, algumas bem inesperadas. Enfim, aproveitei ao máximo tal "onda" midiática e vendi uma quantidade de livros bem acima do que mensurei.

O tempo passou, a pandemia se arrefeceu e eu levantei recursos em 2023, para lançar um novo livro. Mais experiente para lidar com todo o processo da produção, convidei todos os componentes da equipe de trabalho do livro anterior, e por sorte minha, todos aceitaram trabalhar na produção do novo livro.

Com muito maior rapidez, eis que eu consegui publicar o livro: "Humanos Pitorescos", uma obra de contos que eu também escrevi aos poucos, e quando cheguei a um número razoável histórias concluídas, e já a ciente da importância de se coibir o fator do exagero na metragem, dei por encerrada a obra, preparei prefácio, texto de contracapa, orelhas e press-release e coloquei a obra na rua com muito maior rapidez.

Sobre a obra, "Humanos Pitorescos", aí sim eu me desgarrei da minha imagem como músico, Rocker e ativista cultural com muita proximidade desse universo e criei um conjunto de contos de motivações as mais diversas, mesmo que alguns deles, sejam ambientados com a música, mas a se valer de ser algo meramente ocasional. Em suma, finalmente a demarcar a aura de uma obra literária elaborada por um escritor e não da parte de um músico que gosta de escrever.

E assim foi a minha história com a escrita, da infância transcorrida na década de sessenta até 2023, quando finalmente eu pude fechar o ciclo, a cumprir um rito da literatura que me faltara até então, na realização de uma "noite de autógrafos", algo tão protocolar na vida de um escritor, quanto um show de lançamento de disco representa para um músico.

Falo sobre isso em uma próxima publicação.

domingo, 9 de julho de 2023

A minha ligação com a literatura (parte 1) - Por Luiz Domingues

Eu, Luiz Domingues", preparado para receber os leitores na minha noite de autógrafos dos meus primeiros quatro livros. 6 de maio de 2023. Acervo e cortesia: ICBR/Catia Bolívia. Click: Alexandre Chagas

Eu sempre gostei de muito de ler e concomitantemente a minha voracidade para ler jornais, revistas e sobretudo, livros, posso afirmar que gostava de ler antes mesmo de me alfabetizar, porquanto pedia para os adultos que me cercavam (principalmente a minha mãe), que lessem em voz alta tudo o que eu me interessava, para poder absorver o teor dos textos.

Daí foi natural que eu também nutrisse a vontade muito grande de escrever, o que veio a acorrer com voracidade eu diria, assim que iniciei o processo de alfabetização. Tanto foi assim, que ainda de forma muito rudimentar no trato às palavras, eu esbocei escrever um "livro", aos sete para oito anos de idade, para dar vazão à minha vontade de me expressar. 

A maravilhosa coleção: "Trópico-Enciclopédia ilustrada em cores"  

Claro que guardo com carinho o manuscrito que redigi no longínquo ano de 1968, ao escrever essa "obra" que chamar-se-ia: "O mundo em qualquer época", que de uma forma muito audaciosa e ao mesmo tempo absolutamente ingênua, haveria de ser na minha concepção infantil, um livro de história geral da humanidade, a refletir as influências que me impressionaram nesses primeiros anos de vida, isto é: os filmes, principalmente de origem norte-americana que eu via na TV, seriados com tal teor, como "O Túnel do Tempo", de Irwin Allen, a leitura da enciclopédia Barsa e sobretudo a coleção com o mesmo teor chamada: "Trópico - Enciclopédia Ilustrada em Cores", da editora Martins (licenciada pela editora Larousse da França), que eu ganhara de presente de aniversário em 1963, mas que só comecei a ler de fato, em 1968. Todavia, desde que ganhei a coleção e na mesma predisposição que eu mencionei acima, esperava avidamente a passagem do almoço familiar, todo dia, quando a minha mãe dedicava o início do período vespertino para ler as páginas dessa enciclopédia que me fascinava. 

A singela capa da minha suposta primeira obra escrita em 1968, "O mundo em qualquer época", um pretenso livro de história geral da humanidade, ou sendo mais realista, uma ingênua, porém sincera forma de expressão da minha infância, a viver o início do processo de alfabetização e ao mesmo tempo a desejar desesperadamente me expressar nos mesmos moldes das obras cinematográficas e literárias que me impactavam

Na medida em que cresci e cheguei à adolescência, tive a convicção de que estudaria jornalismo e enveredaria para essa profissão, provavelmente a me dedicar às editorias de cultura, esportes ou política, que mais me interessavam e em paralelo, a escrever livros para fomentar uma possível carreira como escritor.

Só que aquele negócio da "tal" da música e do Rock mais em específico, também vinha a acontecer na minha vida, desde 1963, mas a ficar mais próximo da minha percepção após o ano de 1966 em diante e assim, no decorrer da década de setenta, ao entrar no período da adolescência, foi a vez do cabelo crescer e o mergulho profundo que eu dei, me levou de encontro a um outro mundo, embora, na prática, fosse o mesmo mundo, a englobar o espectro da cultura como um todo, é claro. 

Enfim, entre 1970 e 1975, eu não deixei de gostar de escrever, ler e a viver a minha rotina como cinéfilo inveterado e nem mesmo deixei de ser um acompanhante assíduo das arquibancadas de estádios de futebol, no entanto, a verdade foi que o Rock me arrebatou e assim, de 1976 em diante esse foi o meu foco principal e salvo um poema que eu publiquei em um jornal de bairro em 1979, e uma matéria que escrevi para a revista "Rock Brigade" a pedido do editor-chefe dessa publicação, Toninho Pirani (em 1988), ocorreu que não dei vazão para esse meu lado de "escritor", obscurecido desde a tenra infância.

Eu, Luiz Domingues, na sala de ensaio d'A Chave do Sol, em janeiro de 1984. Click, acervo e cortesia: Fabio Rubinato

Nesse ínterim, de certa forma eu exerci a escrita quando sempre tomei a frente para escrever releases, históricos, curriculum e até documentos burocráticos para suprir a parte de textos, praticamente para todas as bandas das quais fui componente, além de escrever todo o texto para o fã-clube de uma delas, no caso, "A Chave do Sol", inclusive a manter um jornal informativo trimestral para ser enviado aos membros cadastrados desse clube de admiradores da nossa banda. Nesse mesmo sentido, no tempo do "Sidharta", outra banda que eu tive entre 1997 e 1999, eu participei de uma tentativa de editarmos um fanzine cultural que seria uma publicação para movimentar o ambiente pelo qual tencionávamos transitar, mas desta feita não prosperou tal intento. 

Mais ou menos em 2009, eis que fui solicitado pelo guitarrista do "Pedra", banda pela qual eu atuava na ocasião, a escrever alguns textos com tema livre para serem publicados no Blog que a banda mantinha no ar, como uma novidade extra aos boletins de atividades específicas da banda que ali eram publicadas, mas ao se deparar com a minha completa vontade de não falar sobre música e abordar temas do cotidiano de uma forma livre, a minha participação não prosperou.

De uma forma muito tardia, mas não por alguma resistência da minha parte contra a tecnologia, todavia, por absoluta falta de oportunidade anterior, finalmente eu me conectei com a internet e mesmo a tatear o mais básico do básico da aprendizagem inicial do uso de um computador bem simples, pus-me a interagir imediatamente em diversas comunidades de meu interesse que existiam na extinta rede social Orkut, mesmo que aquele ambiente estivesse decadente em 2010, quando ali ingressei, graças a uma campanha difamatória insuflada exatamente com tal objetivo de degastá-la e esvaziá-la, ação sabotadora esta que fora supostamente orquestrada pela concorrência, no entanto, e foi algo que logo percebi nitidamente, com total anuência da própria rede vilipendiada, ou seja, tudo foi fruto de uma fonte única de manipulação. 

Juma Durski, o blogueiro & Rocker que me deu a primeira chance de escrever oficialmente para um veículo de internet, no longínquo ano de 2011

Foi quando eu recebi o primeiro convite para escrever para um Blog, da parte de um abnegado Rocker da cidade de Campo Mourão, no estado do Paraná, que se chama: Juma Durski. Graças ao seu apoio, eu passei a lhe enviar textos quinzenais, inicialmente com temas díspares entre si, contudo, ele desejava algo mais direcionado ao Rock e ao mesmo tempo, me deu mais um impulso extraordinário ao me indicar blogs de amigos seus para eu enviar textos com outras temáticas, como por exemplo o Blog Pedro da Veiga, gerido pelo simpático senhor do mesmo nome, que mantinha o seu Blog sobre política com nítido viés conservador, mas ele nunca reclamou dos textos que lhe enviei com outra visão bem mais amena do que a dele.

Então eu passei a escrever resenhas de cinema, baseadas em filmes de Rock para o Blog do Juma e como a receptividade do público leitor foi muito acima da esperada nas redes sociais, ele me incentivou a tratar o tema com assiduidade e assim, quinzenalmente eu me esforcei para lançar uma nova resenha sobre um filme e claro, os primeiros que eu escolhi para analisar foram os que eu mantinha mais nítidos na minha memória afetiva.

Logo o Blog do Juma também se transformou em uma emissora de rádio web e ganhou uma boa notoriedade, e sendo assim, ele se entusiasmou com o sucesso da emissora e me forneceu o terceiro impulso de sua parte para me ajudar, ao abrir uma plataforma para eu criar o meu próprio Blog, no sentido de que não usaria mais o seu Blog para tal. E foi assim que em janeiro de 2012, coloquei no ar o meu primeiro Blog, "Blog do Luiz Domingues". Inicialmente, me dediquei a  republicar todos os textos que eu havia escrito não só para o Blog do Juma e Blog Pedro da Veiga, mas também publicados em outros blogs que haviam me convidado ainda em 2010 e com intensificação forte no decorrer dos anos de 2011 e 2012.

Por exemplo, em paralelo ao Blog do Juma, eu já havia recebido o convite para escrever textos para uma revista eletrônica de cinema, denominada: "Cinema Paradiso", conduzida pela professora de cinema, Claudia Mogadouro, e eu ali fui introduzido graças a intervenção de uma amiga querida que também havia conhecido através da rede social Orkut, que me abordou inicialmente após ler uma resenha que eu publiquei sobre um filme brasileiro chamado: "Noite vazia", na comunidade específica do diretor dessa obra, Walter Hugo Khoury. Tal amiga se chama: Janete Palma e ela como cinéfila e esposa de um professor universitário de cinema, conhece como ninguém a obra desse cineasta e gostou da minha abordagem, embora o meu texto estivesse muito longe do rigor acadêmico e profundo da compreensão do cinema como o seu marido, o professor Renato Pucci mantém pela sua formação avantajada sobre o tema, porém, ainda assim ela gostou da minha escrita e me indicou para colaborar nessa revista sobre cinema.

Na mesma época, colaborei com um dos projetos do inquieto poeta e ativista cultural, Luiz Carlos Cichetto, o popular, "Barata" e assim escrevi para o Blog da emissora webradio que ele criara nessa ocasião, a "KFK".

Através do jovem jornalista esportivo, Thomas Lagôa, filho do baixista. Norton Lagôa (do grupo "Burmah", famosa banda de Blues-Rock setentista, brasileira e argentina), a minha paixão pelo futebol também ganhou vazão quando escrevi textos para o seu blog, "Futebol apaixonante" e com temas a envolver os bastidores desse esporte e não necessariamente sobre o jogo em si. Isso inclusive até surpreendeu o Thomas, pois ele me deu carta branca referente à pauta, mas é claro que esperava algo em torno da análise de um rodada ou de um jogo em específico.

O músico e blogueiro, Eduardo Sandoval, que me convidou para escrever em dois blogs seus: Planet Polêmica e "Rock Imortal"

Foi então que surgiu o convite de um músico e ativista cultural de Santa Catarina, chamado: Eduardo Sandoval, que usava o pseudônimo, "Brian Priest", nessa ocasião. Foi dessa maneira que eu passei a ser colunista do seu Blog denominado: "Planet Polêmica", que em princípio eu relutei para participar, pois a proposta da parte dele foi no sentido de que eu escrevesse textos provocativos para gerar polêmica, mas esse não é meu estilo, pacificador e diplomata por natureza que sou, ou seja, não é o meu estilo pessoal buscar confrontos e nesse sentido, eu tenho como norma de conduta jamais provocar ninguém, pois sou respeitoso ao extremo com a opinião adversa. 

Mas nesse caso eu dei um jeito de escrever sobre temas fortes, mediante margem para a controvérsia, porém sem desrespeitar ninguém, e assim mantive uma atuação contundente e profícua nesse blog por vários anos. E também colaborei com outro blog do Eduardo, este mais direcionado ao Rock, chamado: "Rock Imortal".

Fernanda Valente, musicista, professora e blogueira que me convidou para escrever para o seu Blog: "Limonada Hippie"

Ainda em 2012, eu recebi o convite de uma jovem blogueira de Niterói-RJ, chamada: Fernanda Valente, que mantinha no ar um blog com forte inspiração sessenta-setentista, sob a alcunha de: "Limonada Hippie" e com o qual eu colaborei bastante, a escrever sobre contracultura, geralmente, e dessa forma a repercutir fatos do passado e do presente sobre tal tema. Dessa colaboração, eu tenho como um ponto de honra o fato de que o grande filósofo, Luiz Carlos Maciel, considerado como o "guru" da contracultura no Brasil, tenha lido um texto meu a falar ao seu respeito e ter gostado, pois se manifestou de forma pública a demonstrar o seu agrado pelo teor do meu texto.

Também abordei o tema da contracultura nos blogs Psychedelic Girl e Olhar Poético, além de tratar sobre assuntos gerais no Blog Bicho do Paraná (este também do Juma Durski).

Por um bom tempo eu mais usei o meu Blog próprio para republicar textos que estavam a ser publicados nesses diversos blogs nos quais eu atuava como colunista fixo ou com colaborações sazonais, e logo percebi que para fomentar melhor o meu próprio blog, também precisava criar textos inéditos nessa plataforma e assim comecei a criar textos especialmente concebidos para o meu blog, sem no entanto deixar de alimentar os blogs de outros amigos com a minha colaboração. 

Mario Figueiredo Filho, o popular: "Marinho", que impulsionou a comunidade "Luiz Domingues" no Orkut e abriu campo para eu começar a escrever a minha autobiografia na música

Em 2011, um amigo querido de Lavras-MG, chamado: Mario Figueiredo Filho, popular "Marinho", abriu tópicos baseados em todas as bandas pelas quais eu atuei e atuava na ocasião, em uma comunidade que existia na rede social Orkut desde 2006, chamada: "Luiz Domingues", aberta por fãs e admiradores da minha carreira musical e que eu sabia que existia, mas somente passei a interagir diretamente com os meus admiradores em 2010. 

Esse foi o estopim para eu começar a escrever a minha autobiografia na música, pois em cada tópico ali aberto pelo Marinho, eu respondia as perguntas que ele formulava a respeito daquele trabalho em específico e nesse esforço de memória que tive que fazer, passei a escrever o longo texto que compõe o meu livro: "Quatro Décadas de Rock", que eu finalizei em 2015, e que se encontra inteiramente publicado nos meus blogs 2 e 3 e aguarda apenas um tempo a mais para ser publicado de forma tradicional, mediante livro impresso. 

E foi por conta desse texto que já se fazia enorme nessa época, escrito como rascunho inicial a usar a plataforma dessa comunidade do Orkut, que em abril de 2012, eu lancei o meu Blog número dois, para dar vazão ao que eu já tinha escrito da minha autobiografia e prosseguir rumo à finalização do texto. Concomitantemente, ao pensar na função de um segundo blog, eu também pensei em dar espaço para textos alternativos de minha autoria que não caberiam no meu Blog número um, como crônicas, contos e até poemas, além de uma outra vertente que abracei, ao investir nas entrevistas de personalidades da cultura em geral e também, ao convidar outros autores para colaborar, na contramão de que eu sempre usei o espaço generoso de muitos blogueiros que me convidaram para atuar nos seus blogs e sites. 

E assim, o poeta e meu amigo de velha data, Julio Revoredo, autor de letras para três bandas que eu tive ao logo da minha carreira musical (A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço), ali esteve atuante como colunista meu por muitos anos, além do escritor, Marcelino Rodriguez e as cronistas espiritualistas, Telma Jábali Barretto e Tereza Abranches, além de participações sazonais de Luiz Cichetto, Juma Durski, Eduardo Sandoval e Fernanda Valente.  

Nesse blog dois (Blog do Luiz Domingues 2), eu decidi usar a partir do texto que eu já havia escrito no Orkut, uma formatação da minha autobiografia dividida em micro-capítulos, ou seja, como se fossem micro crônicas, eu pude tornar a leitura muito leve, rápida e muita gente acompanhou e ainda acompanha o texto por esse blog, com atualizações constantes, mediante uma rígida organização numerada que lhes permite ler o texto continuado sem confusão alguma, a lhes bastar seguir a ordem e procurar no arquivo do Blog.

Eis que surgiram oportunidades maiores, quando a partir de 2013, fui convidado a escrever para o Blog Junk Box do saudoso jornalista, Dum de Lucca, da revista Dynamite. Ali ele mantinha uma audiência gigantesca, assim como o Luiz Cichetto que me convidou para escrever para uma revista impressa, a "Gatos & Alfaces" que acabara de lançar. Nessa mesma dinâmica, eis que surgiu a seguir o convite para outra revista impressa, a "Bass Player" e embora eu nunca tenha sido fã de revistas para músicos baseadas em pautas sobre técnica, equipamentos e afins, propus uma linha de atuação mais a ver com o meu gosto, a falar sobre a vida e obra de baixistas do Rock Brasileiro sessenta-setentistas e por incrível que pareça, a pauta agradou a cúpula editorial da revista e também aos seus leitores, pois eu mantive essa temática por quase dois anos, em uma ambiente tem como público alvo um nicho de músicos e aspirantes a músicos, majoritariamente, e que tende a valorizar mais os músicos virtuoses oriundos da vertente do Jazz-Fusion ou do Hard-Heavy virtuosístico pós-anos 1980. Fui parar na editoria da revista Bass Player por conta da generosidade de grandes músicos e amigos meus, Fernando Tavares e Milton Medusa.

Nessa mesma época, eu senti a necessidade de criar um terceiro blog próprio, a abranger todo o texto da minha autobiografia, já no formato preparado para o livro impresso, ou seja, a juntar diversos micro capítulos publicados anteriormente no meu Blog 2, para formatar capítulos longos com uma linha narrativa coerente ao desenvolvimento da abordagem histórica e neste caso a formatar o texto para o padrão de um livro impresso. E a aproveitar o ensejo, para armazenar todo o material da carreira a envolver, fotos, portfólio, documentos, vídeos, áudio de todos os discos e demo tapes gravados, fotos de objetos de "memorabilia" e material em geral, ou seja a tornar o Blog do Luiz Domingues 3, o meu museu virtual da carreira musical.

Eu, Luiz Domingues, a atuar com Kim Kehl & Os Kurandeiros      em 2018. Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi

Nessa altura, os textos complementares da minha carreira após abril de 2016, também passaram a formatar um segundo livro autobiográfico, denominado: "Mais Rock depois dos quarenta" e as inúmeras crônicas que eu publiquei no meu Blog 2, a narrar casos não contidos nos livros "Quatro décadas de Rock" e "Mais Rock depois dos quarenta", se avolumaram ao ponto de me deixar claro que eu já tinha mais um livro pronto em mãos, que receberia o nome de "Crônicas da autobiografia". 

Concomitantemente, o texto do segundo livro autobiográfico, "Mais Rock depois dos quarenta", também ficou enorme e assim, abriu campo para que de um determinado ponto em diante, eu separasse a continuação da narrativa de carreira para formatar um terceiro livro, chamado: "Rock no fim do Mundo".

Em paralelo, também escrevi contos e crônicas livres, sem conotação alguma com a minha autobiografia e daí saiu a essência para finalizar o livro: "Humanos Pitorescos", que foi publicado em 2023. 

Assim como há também já em curso, uma boa quantidade de textos criados sob uma linha de crônicas que escrevi sobre o tema da percepção inicial da vida sob o ponto de vista do bebê recém-nascido e absorto naquela confusão mental que o norteia em seus primeiros meses de vida, em contraponto à visão dele mesmo como adulto ao relembrar tais sensações pelo ponto de vista positivo e negativo de tais percepções. Esse projeto ainda está em fase de elaboração, mas possivelmente também culminará em um livro impresso.

Esboço feito por Cesar Benatti e Sérgio Rocha por volta de 2017, para o que seria a capa do meu livro: "Quatro Décadas de Rock", no qual eles trabalharam para me ajudar em termos de diagramação

Bem, foi por volta de 2016, que eu fui abordado por um profissional da editoração de livros e revistas (Cesar Benatti), que também era admirador da minha obra musical, e ele, ao saber da existência do meu texto autobiográfico inicial (o livro: "Quatro Décadas de Rock" compreende a minha carreira de seu ponto inicial, em abril de 1976, até abril de 2016, ou seja a delimitar a marca de quatro décadas preconizada pelo seu título), ele se prontificou a prover a diagramação e mais do que isso, agregar uma colega sua, bem experiente também, para fazer a revisão gramatical e melhor ainda, César me disse que conhecia algumas editoras que possivelmente publicariam a obra de forma gratuita, graças aos seus bons contatos no ramo e que eu teria que arcar com pequenas despesas de praxe. O serviço dele seria feito de forma gratuita, pela amizade e apreço à minha pessoa e obra musical.

Foi nessa fase que eu verdadeiramente me senti um escritor, pois nem mesmo o fato que nessa altura os meus textos espalhados nos meus três blogs e muitos nos Blogs, sites e revistas impressas com as quais colaborava desde 2010, me garantiam tal sensação sedimentada, pois tal como uma banda de Rock pode realizar centenas de shows, mas se não gravou um disco sequer com a sua música autoral, permaneça com a sensação de que não se realizou inteiramente (embora muitos colegas pensem o contrário, como músicos de baile ou bandas cover de reprodução do trabalho de artistas consagrados e claro que os respeito muito por isso). Porém, na minha ótica pessoal, se eu tivesse chegado até aqui, 2023, sem ter gravado sequer um álbum de música autoral, eu não me sentiria realizado.  

"Still" do documentário: "Onde está a música" (produção de Ronaldo Estevam e Renata Corrêa), do qual participei com um depoimento.

Em suma, eu precisava lançar um livro impresso para me sentir verdadeiramente um escritor e sem que nesse caso viesse a importar se a obra não atingisse a notoriedade popular para me elevar nesse sentido de uma consagração pública e notória.

Mas o tempo passou e as reuniões que eu realizei com esse rapaz, nunca passaram das especulações sobre editoras que eu gostaria de abordar e conversas sobre diagramação que ele travou com um outro rapaz que se agregou para colaborar no meu projeto. Da parte desse segundo rapaz (Sérgio Rocha, que também é um bom músico, além de profissional da editoração), houve um avanço até, pois ele chegou a preparar uma diagramação bonita do trabalho, para o formato "e-book", mas como a parte do livro impresso diagramado não avançou com o outro rapaz, o projeto foi abandonado. 

Além do mais, por ser um texto autobiográfico, a quantidade de pessoas que eu citei, ficou enorme e em muitos casos, eu precisei repensar a forma como abordar certas situações e sobretudo, como citar seus nomes nesse aspecto, sem que houvesse margem para que alguém citado tivesse a interpretação errônea e assim se sentisse ofendido com certas colocações. Por outro lado, simplesmente omitir certas passagens mais espinhosas para não melindrar ninguém citado, seria contraproducente para a inteligibilidade da obra, pois mediante um corte desse porte, várias situações ficariam confusas para a compreensão do leitor. 

Portanto, o texto que já era gigantesco por natureza, me gerou trabalho extra, pois perdi meses de trabalho duro, com dias de até 16 horas gastas atrás do monitor de um computador, a reformular o texto, além de aproveitar para colocar inserções extras na medida em que sempre fui a me lembrar de fatos não narrados anteriormente, ou nas citações, ao descobrir o nome completo de certas pessoas ou a citar datas e acontecimentos com maior precisão, mediante descobertas novas que se revelaram na minha pesquisa.

Nesse sentido, tive a colaboração de muitos colegas de ex-bandas, e de certos colaboradores tais como Chris Skepis, Deca, Jason Machado, Rubens Gióia, José Luiz Dinola, Beto Cruz, Laert Sarrumor, Aru Junior, Edmundo Gusso, Rodrigo Hid, Adelaide Giantomaso e Pollyana Alves, entre outros, que me relembraram fatos que eu havia esquecido ou me forneceram dados e datas precisas para eu citar com maior complexidade acrescida ao texto.

Em outubro de 2015 com o saudoso amigo, Ciro Pessoa, em meio à sua noite de autógrafos e solenidade essa que gerou uma apresentação, quando subimos juntos ao palco do Café Delirium de São Paulo para realizarmos o show da nossa banda. Acervo e cortesia: Herdeiros de Ciro Pessoa. Click: Isabela Johansen

Então, eis que o meu saudoso amigo, Ciro Pessoa, lançou finalmente o seu livro ("Relatos da Existência Caótica"), e eu participei da sua noite de autógrafos, pois a nossa banda "Nu descendo a escada" fez o show no mesmo espaço dessa celebração literária. Mais ou menos na mesma época, um outro amigo músico, Walter Possibom, também lançou um livro de romance: "Um Brilho nas Sombras" e logo a seguir, mais um amigo músico (Áureo Alessandri), lançou: "Conspiração Andron", um romance com teor Sci-fi em clima de guerra fria. Li os três, prestigiei os seus respectivos lançamentos e os resenhei no meu Blog 1. Isso sem contar que o músico e ativista cultural, Antonio Celso Barbieri, também lançara na mesma época a sua obra: "O Livro negro do Rock".

E claro que ao ver amigos próximos, todos ligados na música e também a escrever e lançar livros, tal precipitação resultou que tal iniciativa da parte deles viesse a me motivar no sentido de que tal coincidência culminasse na obviedade de que eu me sentisse ainda mais estimulado a lançar enfim a minha autobiografia. 

No entanto, após a frustrada experiência adquirida com os rapazes que haviam se prontificado a me ajudar em 2016/2017, eu decidi repensar o projeto, pois eles haviam me advertido na ocasião que o meu texto era gigantesco e seria impossível ser acomodado em um tomo apenas. Foi sugerido dividi-lo em dois ou três volumes e mesmo assim, seriam livros com bem mais de quinhentas páginas cada um, a tornar tudo muito caro e inviável para o leitor padrão.

Continua...

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Autobiografia na música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 192 - Por Luiz Domingues

Da esquerda para a direita: Nelson Ferraresso, Phill Rendeiro, Renata "Tata" Martinelli, eu (Luiz Domingues), Kim Kehl e Carlinhos Machado. Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi

E logo depois do bom espetáculo que protagonizáramos no Instituto Cultural Bolívia Rock em maio, soubemos que uma nova data se apresentara em nossa agenda. Voltaríamos ao bom teatro da Fábrica de Cultura Parque Belém, na zona leste, local no qual realizáramos um espetáculo muito bom em maio de 2022. Desta feita estaríamos acompanhados de uma banda peso pesado do campo de Heavy-Metal, chamada: "Ácido". Convenhamos, com tal denominação, quando soubemos dessa parceria, logo pensamos se tratar de uma banda com influência psicodélica sessentista, mas qual não foi a nossa surpresa ao verificarmos o perfil da banda nas redes sociais que se tratava de uma outra realidade. 

Concomitantemente a essa perspectiva de agenda, as conversas em torno da produção do disco ao vivo (gravado em 2021 e preparado ao longo de 2022), vieram à tona. A perspectiva de realizarmos a masterização do álbum no estúdio Prismathias, foi levantada e nos agradou bastante a ideia, no sentido que havíamos gravado o CD "Cidade Fantasma" nesse estúdio e ali estabelecemos uma ótima relação de amizade e confiança com o seu técnico e proprietário, Danilo Gomes Santos.

Carlinhos Machado ao lado de Danilo Gomes Santos e sua namorada, nos bastidores do show d'Os Kurandeiros no Instituto Cultural Bolívia Rock de São Paulo. 6 de maio de 2023. Acervo e cortesia: ICBR/Catia Bolívia. Click: Alexandre Chagas

Para avançar um pouco nessa perspectiva, o próprio Kim lançou a ideia diretamente ao Danilo nos bastidores do Instituto Cultural Bolívia Rock, em 6 de maio, a aproveitar o ensejo de que ele foi nos prestigiar nessa casa, por ocasião do espetáculo que protagonizamos nessa mesma noite.

Mas nada foi oficializado nessa ocasião, apenas foi feita uma sondagem inicial. O importante foi que o projeto pareceu receber uma movimentação e se por um lado o hiato por nós estabelecido foi muito estratégico no sentido de dar um tempo hábil para que o trabalho anterior, o CD "Cidade Fantasma" obtivesse o devido espaço midiático para se impor, fator que fora obscurecido pela pandemia mundial da Covid-19, o fato de avançar na tratativa para colocar o álbum ao vivo na rua, se mostrou necessário.

Nesse ínterim, durante todo o mês de junho e no início de julho, tivemos o apoio do programa "Brasil Underground" da Webradio MKK, de segunda a sexta, 15 horas, ou seja, praticamente a fazer parte da programação diária da emissora! Neste caso, com a música "Cidade Fantasma".

E também tivemos a música "Andando na Praia" a ser executada na Rádio Cultura 93.1 FM de Botucatu-SP, através do programa "Planeta Música", nos dias 28 de junho e 2 de julho de 2023. Comemoramos sempre todo apoio radiofônico e aliás, qualquer apoio midiático.

No dia em que a nova encomenda chegara ao QG d'Os Kurandeiros. Junho de 2023

Mais uma novidade do início de julho, estávamos  a receber os novos "cards" promocionais impressos. Material a ser distribuído para fãs nos shows e já a conter fotos novos promocionais que havíamos extraído no camarim do ICBR em maio, através da lente do fotógrafo, Marcos Kishi.

Continua...

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Autobiografia na música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 191 - Por Luiz Domingues

Uma panorâmica estilizada da banda no palco. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi

Fechado o espetáculo, como eu já havia mencionado anteriormente, eu voltei ao mezanino do Instituto Cultural Bolívia Rock para dar prosseguimento à minha noite de autógrafos, referente aos meus livros, e assim como não me concentrei com a banda no momento pré-show, também não estive presente nos bastidores do pós-show como eu gostaria, mas na medida do possível, me desdobrei para cumprir as duas funções ao mesmo tempo.

Na primeira foto, da esquerda para a direita: Nelson Ferraresso, Carlinhos Machado, Kim Kehl, Renata "Tata" Martinelli, eu (Luiz Domingues), a proprietária da casa, Catia Cristina "Bolívia" e Phill Rendeiro. Na foto 2, o jornalista Marcelo conversa com Renata "Tata" Martinelli e eu (Luiz Domingues), ainda na saída do palco. Na foto 3, Kim Kehl e Nelson Ferraresso conversam com o técnico de áudio e proprietário do estúdio Prismathias de São Paulo, Danilo Gomes Santos (ao seu lado, a sua namorada), que gravou o CD "Cidade Fantasma" da nossa banda em 2021. Na foto 4, Kim Kehl a conversar com a cantora Paula Mota, do grupo "Power Blues" que foi nos prestigiar. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Acervo e cortesia: ICBR/Catia Bolívia. Click: Alexandre Chagas

Bem, muita gente amiga esteve presente a nos prestigiar e nesse sentido, se misturou de uma forma bastante salutar, dois perfis de pessoas que não necessariamente absorviam normalmente as duas situações ali propostas. Ou seja, o maior contingente ali presente era habitue de uma ambientação Rocker, acostumados com shows e toda a sua energia inerente, entretanto, uma outra turma que foi ali ao Instituto exclusivamente para participar da minha noite de autógrafos e sem muita afinidade com o mundo do Rock, também se fez presente. 

A maioria dessas pessoas que me prestigiou, também assistiu o show d'Os Kurandeiros, mas houve o caso de uma senhora, amiga minha de longa data que foi ao local acompanhada de sua filha, comprou um dos meus livros, apanhou a dedicatória no seu exemplar e me pediu desculpas antecipadas, mas não quis permanecer no ambiente, sendo sincera sobre não cogitar assistir um show de Rock. Claro que eu entendi perfeitamente e lhe agradeci por prestigiar a minha noite de autógrafos. Esse pequeno acontecimento ilustrou como eu pude atrair pessoas de fora do espectro do Rock, ambiente no qual eu era mais conhecido, naturalmente. 

A proprietária do Instituto Cultural Bolívia Rock, Catia Cristina "Bolívia", com o baixo do saudoso amigo nosso em comum, André "Pomba" Cagni, que falecera recentemente, a conversar com Osvaldo Vicino (guitarrista da minha primeira banda, o Boca do Céu em 1976), e o cantor Ricardo "Cadinho" Alpendre na primeira foto. Na segunda foto, Osvaldo Vicino, Ricardo Alpendre, Catia "Bolívia", Renata "Tata" Martinelli e Laert Sarrumor, cantor e compositor do Língua de Trapo e também vocalista da minha primeira banda, o Boca do Céu, em 1976. Na foto 3, Catia "Bolívia" e o nosso guitarrista, Phill Rendeiro. Foto 4, Catia "Bolívia" e Kim Kehl. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Acervo e cortesia ICBR/Catia "Bolívia". Clicks: Alexandre Chagas.

E como as instalações do Instituto Cultural Bolívia Rock se mostraram confortáveis pela sua amplitude e também pela ambientação multifacetada no aspecto arquitetônico, o fato foi que muitas "rodas" observadas por conter tantos amigos queridos, se formaram em vários ambientes diferentes, o que tornou a noitada ainda mais agradável para todos.

Na primeira foto, vemos as personas de Vera Lígia de Andrade Lemos & Eric Lemos Krüger (esposa e filho de Paulo Krüger), o próprio, Paulo Krüger, grande baixista e amigo, o guitarrista superb, Adilson Oliveira e o nosso baterista, Carlinhos Machado. Na segunda foto, Kim Kehl ao lado do fotógrafo e amigo, Marcos Viana "Pinguim", que também cobriu o evento todo, com vários membros da nossa banda reunidos com amigos, ao fundo. Terceira foto com a nossa cantora, Renata "Tata" Martinelli, rodeada pelo casal de amigos, Raquel e Marcio Calabrez. Quarta foto com o encontro de  fotógrafos/amigos que cobriram bem o evento: Marcos Kishi e Marcos Viana "Kishi". E na última foto, Renata "Tata" Martinelli ao lado do competente técnico de PA, Luciano, que garantiu a qualidade sonora do nosso show nesse dia. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Clicks, acervo e cortesia: Marcos Viana "Pinguim"

Em suma, foi um dos mais sensacionais eventos dos quais a nossa banda participou, com tudo absolutamente perfeito, tanto nas questões técnicas do áudio, iluminação e detalhes de bastidores, camarim, hospitalidade, ambientação festiva, presença de ótimo público e muitos amigos queridos reunidos, quanto na realização da minha noite de autógrafos, que reafirmo ao leitor, é objeto de um relato em paralelo para descrevê-la em particular. 

Ao encerrar a apresentação, com quatro membros do nosso sexteto no enquadramento: Carlinhos Machado, Kim Kehl, Renata "Tata" Martinelli e eu, Luiz Domingues. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Ana Cristina Domingues

E nem mesmo o típico "lamento de segunda-feira", com muitas pessoas que anteriormente faziam comentários entusiasmados com a proximidade do show em torno das publicações a anunciar o evento previamente e que depois simplesmente não foram e se colocaram a lastimar a sua não presença, nos tirou a sensação de satisfação, pois realmente a casa lotou, portanto, se esses "furões do oba-oba" tivessem ido, talvez teria sido melhor ainda, mas a sua ausência nos causou nenhum mal maior.

A nossa diva, Renata "Tata" Martinelli, sentada na poltrona, rodeada pelos demais componentes da nossa banda: Kim Kehl, Nelson Ferraresso, Phill Rendeiro, eu (Luiz Domingues) e Carlinhos Machado. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo, 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi

É bem verdade que um grupo grande de pessoas me procurou pelos meios privados de algumas redes sociais para lastimar e justificar as respectivas ausências, a explicar-me, cada um, quais foram os  empecilhos que tiveram. Eu contei trinta pessoas nessas circunstâncias que me procuraram para esclarecer os seus motivos em particular e de fato foram questões plausíveis nos quais eu pude notar o quanto lastimaram, sinceramente, não ter comparecido. Ou seja, poderia mesmo ter tido mais gente ali presente naquela noite.

Felizes pela grande apresentação, tivemos perspectiva de agenda a seguir e muitas ações midiáticas positivas, ou seja, para contrastar com um começo de ano um tanto quanto relutante, ficamos com a impressão de que o ano de 2023 para Os Kurandeiros, iniciou-se nesse instante.

Continua...