terça-feira, 23 de maio de 2023

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 187 - Por Luiz Domingues

Eu, Luiz Domingues em ação durante o trabalho. Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo. 22 de março de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Com essa motivação assegurada em torno de um show com direito à noite de autógrafos dos meus livros no mesmo evento, marcamos ensaios prévios para nos prepararmos bem. De fato estávamos a viver um hiato na agenda da banda, mas não o suficiente para criarmos uma "ferrugem" desagradável, pois quando nos encontramos no dia 22 de março de 2023.

A banda no momento pós-ensaio. Da esquerda para a direita: Phill Rendeiro, eu (Luiz Domingues), Kim Kehl, Carlinhos Machado e Nelson Ferraresso. Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo. 22 de março de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Passamos bem o repertório, quase sem erros a não ser pequenos por  deslizes insignificantes, o que nos forneceu confiança para acreditarmos que no próximo ensaio estaríamos em plena forma.

Nos encontramos mais uma vez em 19 de abril de 2023 e conforme havíamos projetado, o ensaio transcorreu ainda mais solto do que anterior. Desta feita com o sexteto completo, a contarmos com a cantora superb, Renata "Tata" Martinelli para abrilhantar o som.

Com o time completo! Da esquerda para a direita: Eu (Luiz Domingues), Phill Rendeiro, Renata Martinelli (com os exemplares do meus livros em mãos), Kim Kehl, Nelson Ferraresso e Carlinhos Machado. Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo. 22 de março de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Nesse segundo ensaio, também fizemos uma filmagem desse apronto, que serve como um registro bom desse momento de 2023 para a nossa banda.

Filmagem do ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo, em 19 de abril de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Filmagem: Lara Pap

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=x0_XmMjDuNg

Mais um ensaio foi marcado, e este, bem próximo do dia do grande evento que faríamos para lançar os meus livros e a versão digipack do CD "Cidade Fantasma".

Entretanto, antes do próximo ensaio, nós tivemos a música "O Filho do Vodu" inclusa na lista do programa "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock, para tocar na semana de 20 de abril a 5 de maio de 2023. 

Da esquerda para a direita: Eu (Luiz Domingues), Phill Rendeiro (encoberto), Nelson Ferraresso aos teclados e Kim Kehl. Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo. 3 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Ana Cristina Domingues

E assim, mesmo desfalcado da nossa grande cantora, Renata "Tata" Martinelli, nos reencontramos no dia 3 de maio para mais um ensaio realizado nas dependências do estúdio "Mad", no dia 3 de maio de 2023. Passamos o show completo, e aproveitamos para filmar mais alguns vídeos com testemunhais a reforçar a ideia do lançamento do nosso CD "Cidade Fantasma" em sua versão digipack e a noite de autógrafos dos meus livros.

Eis que eu aproveitei a "selfie" do meu amigo para promover o lançamento do meu livro, "Humanos Pitorescos". Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo. 3 de maio de 2023. Click (selfie), acervo e cortesia: Carlinhos Machado

Terminado esse apronto, nos colocamos prontos para a festa, como diz a letra de "A Noite Inteira".

Na primeira foto, eu (Luiz Domingues) e um exemplar do novo livro que estava a lançar na ocasião: "Humanos Pitorescos), Na segunda, a banda reunida no momento pós-ensaio. Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo.  3 de maio de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Continua...

sábado, 20 de maio de 2023

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 186 - Por Luiz Domingues

Não tivemos grandes oportunidades nesse início de 2023 em termos de agenda, talvez como um reflexo ainda da retomada cultural paulatina no momento pós-pandemia e claro que tivemos a forçosa compreensão desse momento difícil para todos. No entanto, ao menos no campo midiático a banda teve uma movimentação bacana. Programas de webradio anunciavam a todo instante a inclusão de músicas nossas em suas listas e isso foi bem interessante, certamente, embora sobre os três que elucidarei abaixo, haja uma reserva ética a ser discutida.

Bem, a verdade foi que dois desses programas eram da minha própria responsabilidade na produção de suas respectivas playlists e um deles, do Carlinhos Machado, mas em meio a tantos artistas que programávamos normalmente, que mal haveria em indicarmos o nosso próprio som para tocar? Enfim, discussão ética a parte, a nossa canção, "Ultimo Blues", tocou no meu programa: "Eu Recomendo" da Webradio Orra Meu, em 14 de fevereiro de 2023.

Já no programa "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock, a música "Anjo" foi tocada entre 25 e 31 de março de 2023.

Uma semana depois e a canção "Maria Gasolina" foi incluída na programação do programa "Planeta Música" da emissora Nova Cultura 93.1 FM de Botucatu-SP, exatamente em 5 de abril de 2023.

E enfim a luz brilhou em termos de apresentação e teve tudo a ver comigo meu, Luiz, pois o show foi programado para ser vinculado à "noite de autógrafos" de meus livros.

O fato, foi que esse plano era antigo. Quando surgiu a oportunidade concreta do lançamento do meu primeiro livro ("Luz; Câmera & Rock'n' Roll"), eu havia conversado com a banda e também com o amigo Cleber Lessa, proprietário da casa de espetáculos, "Santa Sede Rock Bar" e ao combinar com ele, já havia fechado a ideia de programar um show d'Os Kurandeiros e a noite de autógrafos no mesmo evento promovido nessa citada casa. Tal conversa foi travada ao final de 2019, e uma data seria marcada em breve, assim que eu tivesse a confirmação da parte da gráfica de que o meu livro estivesse publicado. Mas em 2020, a pandemia mundial decorrente do coranavírus explodiu e tudo foi cancelado sine die.

Bem, nesse ínterim, o Santa Sede Rock Bar anunciou o fechamento de suas portas, em decorrência da própria pandemia e assim, a casa onde mais tocávamos naqueles anos de 2017 a 2019, simplesmente não existia mais e assim, toda aquela boa vibração sessentista que ali existia, desapareceu. Eu planejava além do nosso show, convidar um artista para tocar voz e violão durante a noite de autógrafos e com a intenção dele tocar temas oriundos de trilhas de filmes enfocados no meu livro, para ilustrar o evento de uma forma temática e teria sido muito bonito. 

O tempo passou, sofremos, tivemos medo, perdemos parentes e amigos próximos, a pandemia arrefeceu e Os Kurandeiros gravaram dois discos nesse ínterim. Eu também escrevi outros livros e quando o ano de 2023 despontou no horizonte, enfim eu reuni meios para acelerar a publicação desse segundo livro.

Com a iminência do novo livro ficar pronto ("Humanos Pitorescos", um livro de contos), eis que surgiu a ideia de se reativar aquele plano não concretizado de 2020, e assim, contatos foram feitos e uma nova casa que surgira recentemente em São Paulo, abriu as suas portas e ficou fechado o acordo para que eu realizasse enfim a minha noite de autógrafos para os dois livros lançados, com show d'Os Kurandeiros e neste caso, a aproveitar o fato de que a nossa banda também lançara o CD "Cidade Fantasma" em versão digipack, em 2022 e não fizera um show de lançamento.

Bingo, "habemus" lançamentos com direito a um show e no caso, na falta da saudosa casa, Santa Sede Rock Bar, fora marcado em um outro estabelecimento com atmosfera absolutamente parecida, a se tratar do Instituto Cultural Bolívia Rock, o "ICBR", então recentemente inaugurado no bairro da Penha, na zona leste de São Paulo. Espaço gerado pelo sonho do casal de fotógrafos e film-makers, Bolívia & Cátia, tal empreendimento foi enfim concretizado pela Cátia, infelizmente na condição de viúva do grande Edgar Franz, o popular: "Bolívia" que nos deixara tempos antes. Então foi esse o panorama todo para nos animar bastante.

Continua...

sábado, 13 de maio de 2023

O parto nosso de cada dia - Por Telma Jábali Barretto

Sempre lembramos da ciranda didática proposta pela vida que empurra para recomeços, novos inícios, após fecharmos ciclos quando deparamos com circunstâncias que já vimos não mais se sustentam, mantêm e... aí... quer estejam em nossos planos ou não?!... tudo conspira e se impõe. E mais um parto, mais uma etapa, mais um engatinhar e mais uma escola e sequência de aprendizados são alinhados e desafios seguem se apresentando num abecedário que, a depender de quão conscientes estejamos, tomam conta da vidinha corriqueira que, muitas vezes, simplesmente, exclamamos enfáticos “coisas da vida”. 

E sim! são mesmo coisas da vida mas, um olhar mais atento pode ou...?!... poderá aprender a tratar essas ‘coisas da vida’ como um curso, lição de casa, tarefa cotidiana que talvez nem sempre precisemos que se imponham, obriguem ou será que só mesmo assim, quando inevitável, damos passinhos, avançamos no caminhar desse aqui estar?!...?!... 

Por essa razão costumamos dizer que a vida, Vida, VIDA, tem sim uma proposta para nós, um projeto ou propósito, missão que, por vezes, preferimos não aceitar, encarar nem mesmo buscar, ou... buscamos ainda que, amedrontados, queiramos manter nossas sagradas seguranças no piloto automático (talvez e até inconscientemente?!...). Viver com esse enfado de ‘coisas da vida’, situações compulsórias conspiradoras ou inspiradoras para nosso crescimento, também parecem ser da agenda diária, mesmo quando não precisemos chegar a crises, impactos ou sacudidas que só assim, carregados pelos fatos, enfrentamos. 

Dessa forma ouvimos e repetimos para nós mesmos, ‘escuta o canto da Vida’ e esteja atenta a tons e semitons. Ouça com ouvidos, escute com atenção de quem aguça os sentidos, dos mais densos aos mais subjetivos para que didáticas não precisem gritar, chacoalhar para que despertemos com mais sutilezas e menos impactos parecendo bruscos. 

E, assim, por essa percepção que estamos em curso continuado, eterno aprimoramento, dizemos que essa jornada tem e sim um diário de bordo, norte e bússola... e que agucemos as antenas aos fluxos e convites que chegam em nossos mails, mensagens, avisos abundantes que ela, Ela, sábia envia seguidamente intuindo, inspirando para que os olhares, instintos da alma sejam ampliados, maximizados, extrapolados e as sintonias refinadas e acessadas das mais diversas maneiras usando o melhor de nossas possibilidades nesse se auto-parir constante, perene, nesse mar de existir e descobrir-se na Escola da Vida. E que assim seja, assim é, É, e sempre será... nos encontrando por aí, por aqui...

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga, consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga 

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 93 - Por Luiz Domingues

Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, Wilton Rentero e o nosso convidado, Carlinhos Machado, na bateria. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Red Star de São Paulo. 23 de abril de 2023. Click e acervo: Luiz Domingues 

Foi então que nós demos mais um passo concreto ao marcarmos um ensaio com o baterista convidado, Carlinhos Machado, meu velho amigo d'Os Kurandeiros. Com o objetivo dele conhecer a música e se ambientar para criar a sua linha de bateria, tal apontamento ocorreu no dia 23 de abril de 2023, em um estúdio localizado no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.  

E não poderia ter sido melhor esse primeiro contato do nosso  convidado com a canção, pois o Carlinhos já havia se preparado previamente, mediante um vídeo de ensaio residencial perpetrado pelo trio de cordas anteriormente e que eu mesmo havia enviado para ele conhecer a canção. 

Carlinhos Machado, meu querido amigo d'Os Kurandeiros veio nos auxiliar nessa missão do resgate. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Red Star de São Paulo. 23 de abril de 2023. Click e acervo: Luiz Domingues

Dessa forma, já com esse conhecimento prévio, foi fácil para ele já sair tocando conosco e melhor ainda, já a criar a sua linha de bateria com bastante desenvoltura, a acrescentar sutilezas muito interessantes no seu arranjo pessoal, viradas bem bacanas e dinâmicas condizentes com o espírito da canção.

Satisfeitos com esse ótimo desempenho da parte do nosso convidado, passamos a música algumas vezes com bastante tranquilidade e filmamos três tomadas da canção através de diversos telefones celulares. 

Uma tomada da música: "1969" em ensaio realizado no dia 23 de abril de 2023. Boca do Céu no Estúdio Red Star de São Paulo. Filmagem e acervo de Wilton Rentero.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=u-v8FltlX88

Sob as bênçãos de Janis Joplin, da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues), Wilton Rentero e Carlinhos Machado, nosso convidado especial. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Red Star de São Paulo. 23 de abril de 2023. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: funcionária do estúdio

Felizes por tal resultado prático inicial tão bom, já tínhamos um novo ensaio marcado com antecedência, para o dia 7 de maio, desta feita com a presença do Laert e quem sabe de alguns outros convidados.

Antes disso, porém, após assistirmos os vídeos produzidos no dia 23 de abril, percebemos que talvez a música soasse melhor se estivesse um ponto atrás no beat. Havíamos testado o bpm 61, mas pairou no ar a possibilidade de testarmos o padrão 60 para o próximo ensaio.

Mais uma tomada da música "1969" em ensaio realizado no dia 23 de abril de 2023. Boca do Céu no estúdio Red Star de São Paulo. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para ver no YouTube: 

https://www.youtube.com/watch?v=up9_9rPScvQ

E também no decorrer dos dias posteriores, eu mesmo travei contato com os outros convidados para atualizar informações com todos e assim, avançamos sobre essa preparação prévia da participação deles como contribuintes dessa produção do Boca do Céu.

Da esquerda para a direita: o nosso convidado, Carlinhos Machado, Wilton Rentero, Luiz Domingues e Osvaldo Vicino. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Red Star de São Paulo. 23 de abril de 2023. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: funcionária do estúdio 

Com bastante tempo para focarmos em uma única música, eu penso que foi a melhor solução possível para fazermos o projeto ganhar um impulso extraordinário, a garantir imediatismo, empolgação e certamente a promover um choque de energia para que o resgate completo ganhasse enfim uma perspectiva concreta.

Sob a minha perspectiva pessoal, eu posso dizer que estive muito feliz nesses dias por enxergar enfim um passo adiante para o projeto.

Continua...

domingo, 7 de maio de 2023

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Caio Durazzo Trio) - Capítulo 122 - "Uma tarde de 2023, com sensação de 1957" - Por Luiz Domingues

Foi em meados de fevereiro de 2023, que eu recebi um recado do excelente guitarrista, Caio Durazzo, a me formular um convite para que eu participasse de uma apresentação do seu ótimo grupo de Rock'n' Roll/Rockabilly, "Caio Durazzo Trio" em um evento a ser realizado em abril do mesmo ano. Na ocasião, ele me dissera que a sua banda estaria desfalcada de seus dois companheiros fixos da formação por algum problema de agenda conflitante dos rapazes e que convocara a "cozinha" d'Os Kurandeiros, ou seja, eu (Luiz Domingues) e Carlinhos Machado para suprir a ausência de seus colegas e assim cumprir o compromisso.

Na mesma ocasião desse recado que eu recebera, inclusive, encontrei-me por coincidência com o Carlinhos Machado nos bastidores de um show do Língua de Trapo no Sesc Belenzinho de São Paulo e comentei com ele que tocaríamos juntos com o Caio, brevemente. Um mês depois, durante a ocasião de um ensaio d'Os Kurandeiros, o Carlinhos avisou-me que o Caio sinalizara que o baterista titular da sua banda, Rick Vecchione, tocaria normalmente e assim, somente eu seria o convidado especial desse aventado compromisso.

Dada a constatação de que o repertório escolhido seria formado por uma série de Rocks, Country-Rocks e Rockabillys de origem cinquentista, mediante harmonia simples, a dita "quadrada" em torno dos três acordes no padrão do Rock primordial, o Caio resolveu cancelar o ensaio previamente marcado e assim, só me passou a lista e a respectiva seleção de canções anotadas em uma "playlist" por ele elaborada para que eu a ouvisse durante a semana que precedeu o show.

O meu set de baixo pronto para ser usado na Cervejaria Madalena de Santo André-SP, a favor do "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click e acervo: Luiz Domingues

Muito bem, fui confiante para a casa de espetáculos, "Cervejaria Madalena" de Santo André-SP, baseado na certeza de que apesar da falta de ensaio, não teria problema de tocar o longo repertório, mesmo por que, teria total respaldo do Caio e do Rick para me guiar no palco em algum momento de dúvida sobre algum arranjo das canções escolhidas.

Fui o primeiro a chegar e fiquei impressionado positivamente com o fato de que a instalação da casa se mostrara muito grande. De fato, como sugerira o cartaz do evento, se tratou de uma ambientação em torno dos aficionados de motos, principalmente as antigas, com caráter "retrô" ou "vintage" como queira o leitor e além do mais, fora a grande quantidade de pessoas devidamente paramentadas a sinalizar o seu comprometimento com escuderias de moto-clubes & afins, impressionou-me também a quantidade grande de fãs da cultura cinquentista, homens e mulheres inclusive vestidos à moda dos anos cinquenta, a denotar ser um público cultuador de Rockabilly, sobretudo. Em suma, como diz uma letra de uma canção autoral do Caio Durazzo (e que inclusive nós tocamos nesse dia), "estou me sentindo em 1957".

Um casal com nítida predileção cinquentista acentuada, dança embalado pelos nossos Rocks clássicos direto dessa década primordial da história do estilo musical que defendemos. "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click, acervo e cortesia: Kadu Castro

E sob um forte calor, tocamos aquela seleção proposta pelo Caio Durazzo e de fato, devo confessar que me diverti muito ao interpretar um repertório tão raiz do Rock, algo inclusive inédito na minha carreira, pois eu já havia tocado clássicos cinquentistas muitas vezes em diversos momentos anteriores e com bandas e circunstâncias diferentes, mas jamais havia participado de uma apresentação temática desse porte a tocar exclusivamente um repertório tão centrado nessa década em específico.

A banda em ação. "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click, acervo e cortesia: Kadu Castro 

Outro ponto interessante dessa experiência, deu-se ao se constatar que nem só de clássicos genuinamente oriundos de astros cinquentistas nós tocamos, pois eu notei que algumas canções eram de artistas mais "modernos", dos anos oitenta em diante e que tinham ou tem essa característica como mote de suas respectivas obras, o que foi interessante.

A receptividade do bom público presente foi ótima, muito além do que eu esperava, aliás, no sentido de que eu dimensionei inicialmente que as pessoas ali presentes estariam mais interessadas em motos do que prestar atenção em uma banda e nesse sentido a se considerar o fato de que tenderiam a tratar a banda como uma atração de "lounge" e não como o centro das atenções da festa. Claro que muita gente agiu dessa forma e de fato, o ambiente era enorme e induzia as pessoas à dispersão. No entanto, fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que se aglomerou para nos assistir a tocar de perto e que não se furtou de prestar atenção, se divertir, dançar e aplaudir a apresentação.

A banda em ação. "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click, acervo e cortesia: Kadu Castro

O calor se mostrou muito forte. Da primeira para a segunda entrada, eu me senti cansado e desidratado, apesar de ter bebido bastante água. Não que tal fato tenha me surpreendido, pois eu sei que a idade já estava a pesar nos meus ombros nessa altura da carreira e vida, e isso fora uma constatação paulatina e não súbita a grosso modo. 

Todavia, tirante o efeito do calor e o fato de estar com uma agenda mais fraca em relação aos anos anteriores e com isso sem o devido traquejo natural para suportar a regularidade de apresentações constantes, eu sabia que o efeito da idade a avançar chegara como uma nova realidade para a minha carreira e dessa forma, eu precisava aprender a dosar a energia do palco, para não ficar sem forças em cima de qualquer palco. 

Bem, sentei-me no intervalo em um local mais arejado, bebi mais água ainda e na segunda entrada, me movimentei com maior precaução, a driblar o instinto juvenil de vibrar naturalmente com o Rock, mas a preservar o sexagenário que eu já era nessa ocasião, a caminhar rápido para a idade septuagenária naquele instante.

Mais um flagrante do espetáculo. "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click, acervo e cortesia: Kadu Castro

Tudo foi perfeito nessa apresentação, inclusive no tocante ao equipamento que usamos, bastante comedido em termos de potência sonora na teoria, mas que na prática, supriu de uma forma muito surpreendente e agradável a demanda. Tocamos confortavelmente e sem forçar o equipamento, apesar do ambiente ser enorme e a dispersão do som, ter sido inevitável.     

Só houve uma ocorrência desastrosa e que se revelou como um acidente. Ainda na primeira entrada e empolgado com tantos Rocks vibrantes e com reposta ótima do público, eis que eu fiz um movimento de "mise-en-scène" cuja resolução foi com o braço do instrumento apontado para baixo e por azar, uma mulher que estava bem perto do palco foi atingida no seu rosto pelo "headstock" do meu baixo. Bem, não foi por minha culpa, claro que eu não a atingi de propósito, e nem dela em tese, embora neste momento ela tenha sido um pouco imprudente ao colocar o seu copo de cerveja sobre o palco e estar ali naquele momento a apanhá-lo para beber. 

Assim que o choque ocorreu, eu vi que ela sentiu o impacto e se contrariou bastante, logicamente. Ainda a tocar, fiz contato visual com ela para lhe pedir desculpas e perguntar se havia se machucado com maior seriedade, mas ele evitou fitar-me, talvez constrangida ou com raiva da situação em si, acredito. Ninguém mais percebeu o acidente e logo a avistei a se divertir novamente, inclusive a dançar na frente do palco, portanto, deduzi que não se ferira com gravidade e que já esquecera do ocorrido.

Da esquerda para a direita: Caio Durazzo, Rick Vecchione e eu (Luiz Domingues). "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click (selfie), acervo e cortesia: Caio Durazzo

Encerrada a apresentação, eu estava bem cansado, contudo, menos debilitado do que ao término da primeira parte da apresentação, ou seja, acho que entendi o recado da natureza e ao economizar o dispêndio da energia, me preservei melhor. Ficou o recado do meu próprio corpo para estabelecer a postura a ser usada doravante, certamente.

Sobre o convívio e atuação com Caio e Rick, foi algo magnífico. Além de me ajudarem o tempo todo com sinalizações sobre o arranjo das músicas, foi um prazer enorme tocar com ambos. Eu já havia tocado com o Caio por sete ou oito vezes a bordo do grupo "Uncle & Friends", a defender o trabalho do nosso amigo em comum, Lincoln Baraccat, e em uma dessas ocasiões inclusive, com o Rick Vecchione na bateria. Portanto não foi uma novidade atuar com ambos, mas desta feita foi uma apresentação bem mais longa e recheada por clássicos cinquentistas, inclusive com algumas peças autorais do "Caio Durazzo Trio" que são centradas tematicamente nessa cultura da década de cinquenta. 

Foto da banda antes do show. Na ordem, da esquerda para a direita: Caio Durazzo, Rick Vecchione e eu (Luiz Domingues). "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click (selfie) e acervo: Luiz Domingues

E assim foi essa minha boa experiência de tocar por mais de duas horas um repertório mergulhado na produção cinquentista e como diz uma das letras das músicas do Caio Durazzo Trio, algo como: "estar vendo as meninas dançarem para fazer a suas saias rodadas levantarem, os rapazes a balançar os longos topetes no afã de se parecerem com o Elvis Presley e os Cadillacs imensos e reluzentes a passar pelas ruas, como se estivéssemos em uma noite de sábado de 1957"...

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Noite de autógrafos de livros de Luiz Domingues + Show d'Os Kurandeiros - Instituto Cultural Bolívia Rock (ICBR) - 6/5/2023 - 19 horas

Noite de autógrafos dos livros: "Luz; Câmera & Rock'n' Roll" (três volumes) e "Humanos Pitorescos", de Luiz Domingues

Show d'Os Kurandeiros e lançamento da versão digipack do CD "Cidade Fantasma"

Dia 6 de maio de 2023 - Sábado - 19 horas (noite de autógrafos) e 21 horas (show)

Instituto Cultural Bolívia Rock (ICBR)

Rua Dr. Suzano Brandão, 537/543

Penha

São Paulo - SP

300 metros da estação Penha do metrô

Apoio: Matilda Produções/ Clube de Autores, Instituto Cultural Bolívia Rock, Webradio Stay Rock Brazil

terça-feira, 2 de maio de 2023

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 92 - Por Luiz Domingues

Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues) e Wilton Rentero. Ensaio do Boca do Céu na residência do Osvaldo Vicino. 3 de abril de 2023. Click (selfie), acervo e cortesia: Wilton Rentero.  

Muitas questões foram debatidas no âmbito interno da banda, através do grupo do "Whatsapp", entre o final de março e início de abril de 2023. Ponderou-se sobre muitos detalhes pertinentes à produção desse primeiro "single" e claro que a animação foi geral por conta da obviedade desse projeto e quero crer, nem preciso explicar ao leitor que acompanha a minha autobiografia, sobre o significado simbólico dessa ocasião. Para definir bem o sentimento que experimentamos, basta avaliar que para qualquer banda, chegar em um momento de gravação de uma música isolada ou de um álbum completo, é sempre uma grande marca e assim, o que dizer desta banda que estava prestes a passar pela primeira vez por tal experiência, no entanto sob uma defasagem de quase cinquenta anos?

Emocionante, portanto, para se dizer o mínimo, foi esse momento de abril de 2023, com essa perspectiva concreta a bater na porta da nossa banda formada por "adolescentes sexagenários", como o Laert observou tão bem. 

Enfim, animação juvenil/geriátrica a parte, por ser eu o componente mais experiente neste caso de se empreender uma gravação, tomei a dianteira e comecei a organizar a pré-produção, inclusive a pesquisar estúdios. Fiz uma lista com mais de dez estúdios de amigos meus, cuja excelência musical eu tinha plena confiança e ao colher os orçamentos, muitos desses ofereceram espontaneamente desconto significativo em torno de suas tarifas costumeiras em prol da nossa amizade, mas mesmo assim, dada a realidade de que o patamar com o qual trabalhavam era alto, normalmente, ficou pesado para a nossa condição.

Somente um desses estúdios foi muito além da amizade quando ofereceu espontaneamente um desconto, que na verdade sinalizou vir a ser uma oferta inacreditável, a demarcar praticamente uma "bolsa de gravação", ultra generosa, e assim, ao passar a situação para os amigos, não houve dúvida de que deveríamos fechar negócio com esse estabelecimento. Tal resposta generosa partiu do estúdio Prismathias, no qual eu havia tido a ótima experiência de ter gravado um single em 2018 e um CD completo em 2021, com Os Kurandeiros e dali em diante, a amizade e a confiança no trabalho do seu proprietário e técnico de áudio, Danilo Gomes Santos se estabeleceu. 

Da esquerda para a direita: Wilton Rentero, Osvaldo Vicino e eu (Luiz Domingues). Ensaio do Boca do Céu na residência do Osvaldo Vicino. 3 de abril de 2023. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click (selfie): Luiz Domingues 

Fechado com o Danilo, entramos no processo da pré-produção para a gravação da música: "1969" e assim, mediante um último ensaio caseiro do trio de cordas, ajustamos mais alguns detalhes do arranjo das guitarras.

Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues) e Wilton Rentero. Ensaio do Boca do Céu na residência do Osvaldo Vicino. 3 de abril de 2023. Click (selfie), acervo e cortesia: Wilton Rentero.

Em termos de pré-produção, fechamos com a ideia então de convocarmos o Carlinhos Machado, meu amigo e companheiro n'Os Kurandeiros, a seguirmos uma ideia lançada pelo Laert, que sugerira em reunião anterior que o disco fosse gravado por muitos bateristas em face ao fato do nosso baterista original, Fran Sérpico, não tocar mais há muitos anos. 

Sabíamos que o cunhado do Fran, Nelson Laranjeira, havia participado de alguns ensaios conosco anteriormente em 2020 e 2022 e que se tornara um candidato a ocupar a vaga de baterista para se gravar possivelmente o álbum inteiro, mas quando o Laert lançou essa ideia alternativa em uma das nossas conversações mais recentes, ponderou-se que nesta primeira gravação de um single isolado, talvez fosse mais conveniente se convidar um baterista mais experiente em termos de gravação de estúdio e dessa forma, chegou-se no nome do Carlinhos Machado com o qual eu já havia gravado vários discos em favor d'Os Kurandeiros e pelo fato dele ser amigo do Laert há décadas, também. Com essa configuração fechamos o "núcleo duro" para realizar tal gravação da base primordial, mas haveria a presença de outros convidados para colaborar, igualmente.

Continua...