Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
Foi em 26 de julho de 2024, que o disco novo d'Os Kurandeiros, "Pronto pra Festa!" foi lançado com estardalhaço nas plataformas "streaming". Munido de um padrão de áudio exemplar, fato que eu já mencionei amplamente anteriormente no decorrer desta autobiografia, vale a pena ressaltar que se o padrão de excelência que alcançamos quando da apresentação ao vivo que resultou neste áudio bruto, foi mesmo espetacular, se tornou fato cabal que o padrão de mixagem e masterização que o nosso guitarrista, Phill Rendeiro imprimiu como produtor técnico do disco, foi notável.
Com performance incrível da banda no palco, alcançada no dia em que participamos do festival "Dellaz Fest" no teatro Red Star de São Paulo (em 23 de outubro de 2021), e mediante a captura assegurada com o requinte de ter todos os canais usados pelo PA na gravação do material bruto, o toque de classe veio através de Phill Rendeiro, quando assumiu a tarefa de mixar e masterizar a gravação e assim, chegamos a um resultado de disco ao vivo, espetacular.
Sobre a capa, a ideia foi usar as diversas abordagens fotográficas feitas dessa apresentação ao vivo e no caso, uma capa provisória, montada especificamente para ser usada nas plataformas streaming, por ocasião do lançamento oficial marcado então para 26 de julho de 2024, porém, concomitantemente, a ideia de se preparar uma versão tradicional para o CD físico, avançou e já no decorrer dos primeiros dias de agosto desse mesmo ano, o ilustrador José Eduardo Rendeiro, primo de Kim Kehl e pai de Phill Rendeiro, preparou três versões iniciais de arte de capa e contracapa para a versão do CD físico.
Eis acima a primeira proposta de capa para a versão CD do álbum "Pronto pra Festa!" d'Os Kurandeiros. Arte de José Eduardo Rendeiro. Agosto de 2024
Neste ponto de agosto de 2024, ainda não havia sido feita a escolha oficial da capa do CD, mas particularmente eu havia gostado bastante das três versões apresentadas pelo José Eduardo Rendeiro.
Essa segunda ideia trouxe uma evocação ao CD anterior, "Cidade Fantasma", cuja arte também levou a assinatura de José Eduardo Rendeiro
Eis a terceira versão de capa proposta por José Eduardo Rendeiro para o novo disco d'Os Kurandeiros: "Pronto pra Festa!" Agosto de 2024
Enquanto a produção da versão física do CD "Pronto pra Festa!", d'Os Kurandeiros estava em vias de seus ajustes técnicos, o disco começava a repercutir, mesmo que só existisse virtualmente nessa época. Um bom exemplo disso ocorreu quando fomos objeto de uma boa matéria a repercuti-lo no site "Flertaí", publicada no dia 19 de agosto de 2024.
Fomos escalados para participar da 34ª Feira de Artes da Vila Pompeia, em maio de 2022. Ora, já havíamos participado de muitas edições anteriores e também de várias feiras paralelas e derivadas dessa mesma em específico, no entanto, desta feita a ambientação se mostrou diferente por alguns aspectos.
Primeiro ponto, a Feira grande do bairro, sempre ocorrida em maio, não teve edições em 2020 e 2021, por conta da pandemia e dessa forma, o anúncio da sua volta triunfal em 2022, ganhou ares épicos para a festa em si, e certamente para todos os envolvidos direta ou indiretamente com a sua produção e sobretudo, para a comunidade formada pelos moradores do bairro e adjacências, exatamente por demarcar uma espécie de vitória comum de todos contra o terror gerado pela pandemia mundial.
Nessa altura, com quase toda a população devidamente imunizada pela ação vacinal, sendo que um grande contingente de pessoas com três ou quatro doses a agir nos seus respectivos organismos, o fato de que os números da pandemia haviam arrefecido drasticamente, proporcionou a sensação da vitória sobre a contaminação e consequente volta da vida normal.
Eu não pensava assim, no entanto e ainda achava imprudente o relaxamento das medidas profiláticas. Nessa altura, mesmo com quatro doses de vacina a agir no meu organismo, não havia abolido o cuidado de evitar aglomeração, ainda observava o uso de máscara e o constante cuidado com a higiene pessoal e de minhas vestimentas, inclusive com o tubo de álcool em gel sempre a postos no bolso da minha calça para ser usado.
Contudo, mesmo ainda cético em relação à erradicação da pandemia, é claro que me senti feliz por verificar o seu gradual arrefecimento, consequente volta da vida social e sobretudo cultural, de onde me inseria completamente com uma carreira musical em pleno curso e assim, claro que me senti contente quando soube da escalação da nossa banda.
O segundo ponto positivo para se enaltecer nessa mesma ocasião, foi o fato de que na mesma Feira, palco e marcada para atuar exatamente antes da nossa banda no cronograma, foi anunciada a apresentação da banda: "Uncle & Friends" do amigo, Lincoln Baraccat, simpático combo que era montado por músicos de alta qualidade para defender as suas composições e do qual, eu mesmo, Luiz Domingues e o baterista d'Os Kurandeiros, Carlinhos Machado, também estaríamos a participar, mais uma vez.
E um terceiro ponto importante se deu por que fomos escalados para encerrar a apresentação, ou seja, com a Feira em seu auge de frequência entre o final da tarde e início da noite, portanto, um ponto nobre da festa para se tocar.
Dessa forma, haveria de ser (e o foi, efetivamente), uma tarde agradável por nos proporcionar vivenciarmos diversos fatos agradáveis sob todos os aspectos.
Nesse ínterim, os esforços do nosso guitarrista, Phill Rendeiro seguiram para se mixar o áudio do show ao vivo que havíamos cumprido durante o Dellaz Fest em outubro de 2021. E dessa maneira, ele havia nos enviado uma série de vídeos curtos, com caráter caseiro para que ouvíssemos trechos com os quais ele estava a trabalhar e assim tomarmos ciência de como o seu trabalho de preparação desse áudio estava a se desenvolver.
Trecho da música: "Cidade Fantasma" em versão ao vivo, sob processo de mixagem. Filmagem, acervo e cortesia: Phill Rendeiro
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=usY84Hb5vGs
Outro trecho da mesma música, "Cidade Fantasma", sob versão ao vivo, em fase de mixagem. Filmagem, acervo e cortesia: Phill Rendeiro
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=jI0jsugLGZ4
Um trecho da música "A Noite Inteira", oriunda do mesmo show no Dellaz Fest de 2021. Filmagem, acervo e cortesia: Phill Rendeiro
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=snql5onUOQI
Trecho da música "Viagem Muito Louca", também pertencente ao mesmo áudio ao vivo obtido durante a apresentação d'Os Kurandeiros no Dellaz Fest de 2021. Filmagem, acervo e cortesia: Phill Rendeiro
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=vorxcwLV5c0
Mais um trecho da música "Viagem Muito Louca", versão ao vivo e em processo de mixagem. Filmagem, acervo e cortesia: Phill Rendeiro.
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=g1n6SLNktKc
Um ensaio foi marcado para termos um apronto seguro a fim de selar a nossa participação na Feira da Vila Pompeia.
A
pandemia mundial em decorrência do Coronavírus, estava longe de
terminar ainda, mas eis que a nossa banda foi convidada a participar de
uma versão bem reduzida da famosa Feira da Vila Pompeia. Se por um lado
as pessoas estavam fatigadas pelo confinamento tão longínquo, os
comerciantes estavam desesperados para trabalharem e o artistas, idem,
tudo isso muito compreensível.
Nesses termos, a verdade foi que em maio de 2021, a
situação sanitária não sinalizara com a possibilidade de uma retomada
das atividades, mas mesmo assim, a barra foi forçada e quando o convite
chegou, aparentemente eu fui o único componente da nossa banda que não
considerei conveniente participar.
No
entanto, ante a animação dos demais, eu não poderia recusar e assim,
frustrar os planos dos companheiros que se mostraram sequiosos pela
oportunidade e lá fui eu participar, mesmo imbuído da minha norma
pessoal de usar duas máscaras, a higienizar as mãos com álcool em gel o
tempo todo e a me prontificar de fugir da aglomeração, mesmo cônscio de que
nos bastidores, isso seria praticamente impossível, dada a obviedade
que os amigos que eu ali encontraria e estes não evitariam a oportunidade de se
cumprimentarem com entusiasmo, após tantos meses sem o convívio social.
Eu,
Luiz Domingues, a me apresentar devidamente mascarado em tempos de
pandemia, em ação. Kim Kehl & os Kurandeiros na Feira da Vila
Pompeia de São Paulo. 16 de maio de 2021. Click, acervo e cortesia:
Marcos Kishi
Bem,
temeroso sim pelo evento inoportuno em minha ótica, não posso negar que
é claro que eu também estava com saudade de tocar ao vivo, rever os
companheiros da banda, colegas músicos de outras bandas e amigos em
geral que transitam pelo meio, portanto, é claro que gostei de
participar.
De
minha parte, me esforcei ao máximo para não quebrar o protocolo de
segurança, mas foi inevitável me deparar com amigos menos cautelosos ou
mesmo nada preocupados com as medidas sanitárias mais básicas e o
contraste ficou estabelecido, isso eu já esperava e foi uma pena nesse
aspecto.
Kim
Kehl em destaque! Kim Kehl & os Kurandeiros na Feira da Vila
Pompeia de São Paulo. 16 de maio de 2021. Click, acervo e cortesia:
Marcos Kishi
Bem,
mesmo reduzida ao extremo, ao ocupar apenas um quarteirão das ruas do
bairro, a Feira da Vila Pompeia de 2021, atraiu um contingente de
pessoas sedentas pela convivência social, a beberem, comerem e se
confraternizarem e claro, prontas para ouvirem o som dos artistas ali
escalados que atuariam. Como é bom um show ao ar livre, não é mesmo? Eu
também acho, naturalmente.
O
tecladista, Nelson Ferrraresso em foto bem climática! Kim Kehl & os
Kurandeiros na Feira da Vila Pompeia de São Paulo. 16 de maio de 2021.
Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi
Enfim,
quando chegamos ao quadrante do bairro, a se situar na Rua Padre Chico
entre os quarteirões das Ruas Caraíbas e Cotoxó, o ótimo guitarrista,
Márcio Pignatari se apresentava com
a sua banda: "Os Takeus" e o público estava a apreciar muito a seleção de
clássicos do Blues-Rock que ele tocava com os seus companheiros.
Revi
muitos amigos e fiquei feliz certamente, apesar de não ter havido muito
cuidado da parte de muitos ali presentes, em relação aos cuidados
básicos em termos de protocolo sanitário. Paciência, eu já antevira que
isso ocorreria no decorrer da Feira.
Eu,
Luiz Domingues em destaque. Kim Kehl & os Kurandeiros na Feira da
Vila Pompeia de São Paulo. 16 de maio de 2021. Click, acervo e cortesia:
Marcos Kishi
Entramos
em cena enfim, com o quarteto, visto que o guitarrista, Phill Rendeiro
acusara um problema familiar de última hora e não pode estar conosco na
apresentação. Nós tocamos com o equipamento um tanto quanto caótico na
monitoração, mesmo que estivéssemos ali assessorados por técnicos
competentes e que nós conhecíamos há tempos, por eles terem nos
auxiliado em edições anteriores da Feira e também em feiras menores em
que participamos nos anos anteriores.
Kim
Kehl em ação! Kim Kehl & os Kurandeiros na Feira da Vila Pompeia de
São Paulo. 16 de maio de 2021. Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi
E
assim, apesar dos pesares, fizemos uma apresentação boa e que se leve
em consideração o fato de que estávamos há um ano e dois meses sem
tocarmos ao vivo, tirante uma apresentação feita para a gravação de uma
"live" ocorrida em janeiro. Mas um show nos moldes tracionais, fazia
muito tempo.
Eu,
Luiz Domingues em atuação! Kim Kehl & os Kurandeiros na Feira da
Vila Pompeia de São Paulo. 16 de maio de 2021. Click, acervo e cortesia:
Marcos Kishi
Então,
tocamos um set com músicas bem tradicionais do repertório, com apenas a
inclusão de uma música nova, a se revelar: "Só o Terror", oriunda do último álbum
lançado, "Sonhos & Rosquinhas Suite", não promovido ao vivo até então, por conta
da pandemia, portanto, praticamente inédito para o público ali presente.
O
grande fotógrafo e nosso amigo, Marcos Kishi teve a felicidade de obter
um efeito psicodélico nessa foto que tirou do Kim Kehl. Kim Kehl &
os Kurandeiros na Feira da Vila Pompeia de São Paulo. 16 de maio de
2021. Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi
Bem,
o resultado em termos de receptividade foi ótimo, houve um pedido de
bis da parte da plateia, mesmo com o avançar do horário e protocolo
sanitário em voga, a deixar claro que a feira deveria ser mais curta e
assim, voltamos para tocar: "Sou Duro" e "Rabo de Saia". Enfim, pelo
aspecto do calor humano e vontade de todos para voltarmos a recuperar a
vida social e cultural plena, é claro que foi gratificante.
Nós
já sabíamos, uma outra feira já estava marcada para a semana
subsequente e novamente com Os Kurandeiros foram convidados para fazer
parte, em outro quadrante do bairro, desta feita a caracterizar o
"Festival Miúdo".
Teria sido adequado marcar mais uma feira
tão próxima e com a pandemia em curso? Bem, na minha ótica, eu creio
que não, portanto, eu não daria o meu aval, mas para não frustrar os planos dos companheiros, eu
aceitei e eis que ficou fechada a nossa participação para tal
Feira/Festival marcado para a outra semana.
Desta
feita, nós tocamos na versão reduzida da Feira da Vila Pompeia em 16 de
maio de 2021, com cerca de duzentas pessoas na audiência.
Na
terça-feira subsequente, o nosso guitarrista, Kim Kehl, participou de
uma "live" para o pessoal do "Stage Studio", entrevistado pelo baixista Grecco e
também pelo guitarrista, Frank Hoenen. Aconteceu no dia 18 de maio de 2021.
Entre
os dias 22 e 28 de maio, a música: "Bom Rock", canção oriunda do CD
"Sonhos & Rosquinhas Suíte", foi programada para ser executada no
programa "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock.
Em abril, a nossa banda teve a boa nova de uma resenha publicada na revista Roadie Crew, a analisar o nosso mais recente álbum gravado, "Sonhos & Rosquinhas Suíte". E nesta altura, 2021 em curso e com pandemia mundial em alto grau de periculosidade, o inevitável chegou também para tal publicação, ou seja, a sua versão tradicional, impressa, não era mais distribuída normalmente nas bancas.
Resistente, tal revista ainda não havia se rendido inteiramente às evidências e assim, se dispunha a ser vendida em sua versão impressa, conforme a demanda e também em versão pdf de computador, mas na prática, pelas bancas não circulava mais.
E que prazer eu tive, no alto da vida sexagenária, e com quase quarenta e cinco anos de carreira, contar com mais uma resenha de disco assinada pelo grande jornalista, Antonio Carlos Monteiro, o popular: Tony Monteiro. Mais que isso, foi uma honra, sem dúvida.
Eis abaixo o teor da resenha do Antonio Carlos Monteiro:
"Se acabar o sonho, a gente come rosquinhas, era uma das tiradas que o saudoso crítico e produtor Ezequiel Neves costumava repetir. O guitarrista, vocalista, compositor e produtor, Kim Kehl aproveitou essa grande sacada e batizou seu mais novo disco de "Sonhos & Rosquinhas Suíte".
Na verdade é um disco ao vivo, já que Kim, Luiz Domingues (baixo) e Carlinhos Machado (bateria), reforçados por Phill Rendeiro (guitarra) e Nelson Ferraresso (teclados), aproveitaram o convite para participar do projeto Estúdio V8 convida e resolveram registrar esse material.
Assim, as seis faixas são envoltas naquele clima orgânico que só as gravações ao vivo proporcionam, fazendo jus ao som totalmente cravado nos anos 70 desenvolvido há tempos pelos Kurandeiros.
O Rockão "Só o Terror", a divertida "Bom Rock" com letra bem sacada falando sobre a eterna "rivalidade" entre bandas covers e autorais, e o desfecho com a exótica faixa-título são destaques num disco homogêneo e que, como toda produção de Kim Kehl & Os Kurandeiros, sempre entrega o que promete.
Nota 8,5
Antonio Carlos Monteiro
Ora, que crítica positiva ao dissecar de forma precisa e bem sucinta o que esse álbum representa em termos artísticos e ao mesmo tempo a situar sob o aspecto da sua produção, de uma forma surpreendente antes as condições que a banda teve a vivenciar em 2020, aliás não apenas a nossa banda, mas toda a humanidade, por motivos óbvios.
Portanto, eu fiquei muito feliz por essa resenha, pelo seu teor e por mais uma vez contar com a análise de um disco meu, assinada por um jornalista competente e que sabia o que estava a falar, sobretudo.
No avançar para o mês de maio, recebemos a notícia de que uma plataforma de música que também trabalhava com textos, a exibir boas matérias sobre música, havia colocado em sua grade o CD "Sonhos & Rosquinhas Suíte", mais o EP "Seja Feliz!" e também o single "Andando na Praia". Fiquei feliz ao ver que usaram a matéria assinada pelo Cesar Gavin para ilustrar o assunto sobre o primeiro disco citado neste parágrafo.
Na mesma plataforma, eu notei igualmente a presença de textos a falarem sobre a produção musical dos anos 1980 e neste caso, usaram para ilustrar uma foto extraída deste meu Blog 2 (e republicada no Blog 3, também), sobre o estúdio Mosh, aonde A Chave do Sol gravou o seu primeiro álbum.
Tratou-se da plataforma Mubrin.com (Música brasileira para ouvintes independentes).
Incrível, chegamos ao ano de 2020. Tecnicamente a falar, não foi o primeiro ano da década de vinte, mas simbolicamente, o número "vinte" sugeriu a entrada em tal década.
Eu que sou um admirador confesso da década de vinte do século passado, sinto uma indisfarçável nostalgia por algo que na prática eu não vivi, pois o meu natalício só veio a ocorrer no ano de 1960, no entanto, a minha admiração pelos anos 1920, existe na medida em que gosto da movimentação cultural ali desenvolvida nas artes em geral, incluso na música.
É claro, a minha década preferida é a de 1960, por conta do desenvolvimento da contracultura e do Rock em sua linha de frente, mas eu nutro em alta estima pela produção cultural vintista, igualmente.
Nesses termos, o que este preâmbulo deseja exatamente externar? Seria uma vã esperança que os anos vinte do século vinte e um, sejam iguais? É claro que não, o mundo anda para frente e não para trás, no entanto, a minha torcida é que a nova década que entrará em breve, assim que 2021 despontar no horizonte, contenha a sorte em saborear o mesmo élan dos loucos anos vinte do século passado, mas naturalmente em seus termos atuais, com novidades boas, incluso inovações, assim espero.
O novo logotipo d'Os Kurandeiros, repaginado e lançado nos primeiros dias de janeiro de 2020
Na prática, o ano novo de 2020 começou para Kim Kehl & Os Kurandeiros, com perspectivas para uma gravação ao vivo, mas esta fora transferida para um momento mais adiante, a revelar-se em março. Portanto, as novidades iniciais ficaram por conta da produção de merchandising e no campo do repertório.
Na questão dos novos produtos, uma nova safra com camisetas foi produzida a incluir doravante, a estampa de mais membros da banda.
As camisetas com as estampas de Carlinhos Machado e Luiz Domingues, produzidas em janeiro de 2020
E além das novas camisetas a contar com a estampa a exibirem-se as personas de Carlinhos Machado e da minha, Luiz Domingues, o lançamento de um novo logotipo estilizado para o ano novo, também foi providenciado.
No campo do repertório, o Kim propôs a preparação de quatro novas canções e tratou por gravar uma demo-tape, já a conter uma boa base de arranjos seus para a guitarra em destaque e disponibilizou tal material para todos os membros poderem criar cada um, os seus arranjos individuais.
Com isso, abriu-se a perspectiva para uma futura gravação a ser realizada em breve, portanto, a animar à todos em relação a um novo álbum com canções inéditas da nossa banda.
Em suma: 2020 não poderia começar melhor com tal criação inédita, ao lançarem-se novas luzes. Que viesse sobre nós a loucura vintista do Charleston, devidamente adaptada ao Blues-Rock do século XXI!
Eis que
chegamos em outubro de 2019 e um convite foi formulado-nos para que
apresentássemo-nos novamente em um show ao ar livre. Tratou-se da 10ª Feira de
Artes e Cultura da Lapa, um tradicional bairro da zona oeste de São Paulo.
Melhor ainda tornou-se, em minha percepção pessoal, quando eu soube o exato
local onde seria realizada tal apresentação, a tratar-se da Praça Cornélia, um
logradouro público onde eu tive uma forte conexão afetiva em minha infância, e mais do
que isso, creio que tal singelo ambiente silvestre foi o local onde eu tive um
dos mais significativos impulsos iniciais para passar a apreciar a música mais
detidamente, lá pelos idos de 1966 e 1967. Portanto, fiquei muito contente por
saber que tocaria ao vivo em tal local, que tão importante papel cumprira em
minha remota infância.
Bem, em
dezembro de 2017, a nossa banda já havia tocado em uma edição desse festival do
bairro da Lapa (a oitava edição, portanto), e desta feita, com o palco
proporcionado por um caminhão ao estilo de trio elétrico e que ficou
estacionado entre as ruas Faustolo e Tibério. No trecho do texto autobiográfico concernente
à esse acontecimento, eu já havia narrado tal reminiscência e nessa ocasião, o
palco ficara localizado a distância de um quarteirão exatamente, onde eu residira nesses anos
citados.
Paróquia São João Maria Vianney, na Praça Cornélia, em São Paulo
Pois agora, em 2019, eis que eu estaria a tocar em dois quarteirões adiante, mas em
tal praça onde eu mantinha também, reminiscências muito fortes e como já
comentei anteriormente com detalhes.
Por aqui apenas reforço que aos domingos daquela época entre 1966 e 1967, o
padre da paróquia ali existente, “São João Maria Vianney”, costumava agregar
a comunidade do bairro, ao colocar um sistema de som na Praça Cornélia. Por
conta dessa predisposição e principalmente pela sorte de que quem comandava a
discotecagem que devia ser jovem e muito bem antenado, o melhor do Rock e da MPB em
voga, ali no calor dos anos sessenta, era executado por horas a fio, até as
seis da tarde quando encerrava-se o expediente para a missa ao final da tarde, poder ocorrer em
paz.
Dentro dessa realidade, por exemplo, foi nessa praça que eu escutei o LP "Rubber Soul"
dos Beatles, recém lançado e na íntegra, pela primeira vez na vida, portanto,
um fato aparentemente prosaico que no entanto marcou-me de uma forma indelével.
Dessa maneira, tocar exatamente ali, em 2019, seria um prazer recôndito, a revelar-se na prática, um elemento a mais
para motivar-me.
Tarde fria,
surpreendentemente para um dia de outubro em plena vigência da primavera, eis
que eu cheguei acompanhado do meu amigo, Kim Kehl, à Praça Cornélia. Lá estava a
velha Paróquia, com a sua arquitetura inalterada, mas o velho chafariz não existia mais
(aliás, há muitos anos), e o astral observado, é óbvio que não foi mais o de 1966, com o
som dos Beatles (e outras tantas bandas sessentistas sensacionais), a ecoar entre as árvores, como outrora, mas eu estava ali, feliz
da vida por tocar em um praça onde jamais imaginei tocar verdadeiramente, quando ali transitei, nos remotos anos
sessenta.
Bem, na realidade de 2019, a alegria por estar ali também foi boa por
reencontrar amigos da música, muitos aliás, e até novas amizades formam firmadas,
quando eu conheci o baterista do grupo “The Spark's”, Edison Della Monica, a
tratar-se de uma banda veterana, que fora fundada em 1964, por ele mesmo.
Simpático, Edison contou-nos várias histórias da sua trajetória na música e
agraciou-me com uma cópia do último álbum do grupo, lançado recentemente.
Ora,
que positivo constatar uma banda versada pelo estilo do Rock instrumental sob a inspiração
de grupos orientados pela dita “Surf Music”, tais como o The Ventures e o The Shadows, ainda em atividade e cheia de energia.
O The Spark's foi contemporâneo d’Os Incríveis, Jet Blacks e outras tantas bandas
significativas da história do Rock brasileiro.
Na primeira foto, um álbum do The Spark's, no início dos anos sessenta e na segunda foto, o disco que recebi gentilmente, a tratar-se do último lançamento do grupo, denominado: "Beyond the Stars"
Parece que a
tarde foi marcada pelas reminiscências mais profundas, pois eis que um amigo
que eu conhecia apenas virtualmente, abordou-me e ali travamos uma longa
conversa sobre a sua atividade pregressa como gerente de loja de discos nos
anos setenta e a conversa foi longe a abranger sobre a indústria fonográfica, a
distribuição antiga feita pelas gravadoras e sobretudo pelo Rock Progressivo e
a música erudita, estilos de seu apreço mais detalhado. Tratou-se de Vinício
Meira, que trabalhou muitos anos na loja Hi-Fi e também foi distribuidor de
discos, a serviço de pequenos selos europeus, quando trabalhou com a produção da
música erudita.
Não pude
ouvir todos os grupos ali programados para tocarem, mas os que eu pude assistir,
gostei muito, como por exemplo, "Encruzilhados", um Power-Trio afiado, que fez um set muito bom, baseado em Blues-Rock
texano da melhor qualidade, incluso com muitas músicas do grande, Johnny Winter,
em seu repertório.
Ora, que sensacional, se eu mantivera a lembrança dessa praça
por ter ouvido The Beatles, The Rolling Stones e The Kinks, nos idos de 1966 e 1967,
agora, em 2019, ouvir Johnny Winter a soar naquela praça foi uma espécie de elo bom a ser restabelecido com o passado.
Veio a seguir a competente banda, “Pompeia 72”, e mais uma série de covers internacionais do Rock setentista foram
destilados com ótima fidedignidade ali naquela praça.
Uma sequência com fotos individuais dos componentes d'Os Kurandeiros durante o show realizado na Feira da Lapa. Foto 1: Nelson Ferraresso e Luiz Domingues. Foto 2: Carlinhos Machado. Foto 3: Kim Kehl. Foto 4 : Kim Kehl e Phill Rendeiro. Kim Kehl & Os Kurandeiros na 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, em São Paulo. 20 de outubro de 2019. Clicks, acervo e cortesia: Marcos Kishi
Então,
chegou a hora d'Os Kurandeiros entrarem em ação e apesar do frio, o público não
dispersou com o fim da tarde e início da noite e assim, com um som bem razoável
em termos de equipamento, fizemos um ótimo show, bem animado mesmo e até posso afirmar que a
superar as nossas expectativas.
Desta feita como um quinteto, a contar com o
talento do ótimo, Nelson Ferraresso aos teclados, o som ficou encorpado e
animado, pois houve uma margem de improvisação para que o Kim, Nelson e o
guitarrista, Phill, revezassem-se em solos.
Kim Kehl em destaque, com Luiz Domingues e Carlinhos Machado na retaguarda. Kim
Kehl & Os Kurandeiros na 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, em
São Paulo. 20 de outubro de 2019. Clicks, acervo e cortesia: Carlos Dutra
Noite avançada,
frio e garoa, e assim, de certa forma só reforçou a minha lembrança sobre o bairro e o
bom período em que ali morei, na tenra infância (e sem suspeitar nessa época,
que morava a poucos quarteirões da residência dos irmãos Dias Baptista, das famílias Carlini, Paolillo e Vecchione, ou seja, entre Os Mutantes, Tutti-Frutti e Made in
Brazil, todos em fase embrionária nessa época).
Aliás, cabe a explicação que ali
naquele ponto, é um quadrante do bairro da Lapa, que é na verdade um subdistrito
chamado: Vila Romana, com várias ruas do entorno a evocar em seus nomes, imperadores e figuras
proeminentes da cultura do Império Romano. E pela proximidade total com a divisa de bairros
com a Vila Pompeia, os três bairros na verdade, misturam-se no imaginário dos
moradores locais.
Tocamos no Festival da Lapa, mas ali é tecnicamente a Vila
Romana e para muitos, uma extensão da Vila Pompeia, capisce?
"A Noite Inteira" (Kim Kehl) - Kim Kehl & Os Kurandeiros na 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, em São Paulo. 20 de outubro de 2019. Filmagem: Carlinha Manha
Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=63w7LzyuXRg
"P'ro Raul (Kim Kehl/Osvaldo Vecchione) - Kim Kehl & Os Kurandeiros na 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, em São Paulo. 20 de outubro de 2019. Filmagem: Carlinha Manha
Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=0CkwIS8Y7JY
"A Galera Quer Rock" (Kim Kehl) - Kim Kehl & Os Kurandeiros na 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, em São Paulo. 20 de outubro de 2019. Filmagem : Carlinha Manha
Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=8pFnYaHyHoY
Em síntese,
uma tarde/noite plena de lembranças, com muito Rock sessenta/setentista para
embalar os sonhos de um velho Rocker e sim, com uma boa apresentação d'Os Kurandeiros,
para contabilizar na história e ser relembrada no futuro, com carinho.
Ali na
silvestre Praça Cornélia, em 2019, eu toquei com o sentimento bom ao estilo:
"Veni; Vidi & Vici", para honrar as tradições da Vila Romana