Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
Julio Revoredo é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Poeta e letrista de diversas músicas que compusemos em parceria, em três bandas pelas quais eu atuei: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço. Neste poema, ele criou imagens nauseantes em meio a uma montanha russa verbal.
Apesar desse baixo astral em ter tido
contato direto com a repressão da ditadura, aquele período foi um dos mais
luzidios que tive, culturalmente. Aliado à euforia de ver a minha banda
em processo de crescimento (embora com a experiência adquirida de hoje em dia, é claro que eu considero as limitações
artísticas que tínhamos), foi também uma época onde assistidúzias de shows;
cinema; teatro; exposições e palestras, as mais variadas. Quando não foi com o
pessoal da banda, aconteceu comoutros amigos ou com meus primos. Fora as inúmeras vezes
em que ajudei o Laert a vender a sua revista, "Sarrumorjovem", em
lugares estratégicos da cidade. Lembro-me que nesse mesmo mês em que vi os
Novos Baianos no Tuca (em duas sessões), vi também uma sensacional
maratona no Sesc Vila Nova, no Teatro Pixinguinha. Nessa noite, assisti artistas como : “Jorge
Mautner”; “Made in Brazil”; “Bendengó”; “Papa Poluição”; “Flying Banana”, e “Hermeto
Paschoal”.
Em um outro sábado, maratona de Rock no
ginásio da Portuguesa de Desportos, com : “Mutantes”; “O Terço; “Made in Brazil”;
“Sindicato”; “Novos Baianos”; “Joelho de Porco”...
Mas foi no final de maio, que enlouquecemos
de vez. Um gigante do Rock aportava na terra tupiniquim : “Genesis”... tratou-se da
tour do disco, "Wind and Wuthering", lançado em 1976, e o segundo trabalho
sem o seu mítico vocalista, Peter Gabriel. Apesar da desconfiança inicial em torno do
fato do baterista, Phil Collins, ter assumido o vocal solo da banda, essa continuidade
do Genesis pós-Gabriel estava aprovada, pois o Collins deu conta do recado,
pelo que apuramos ao ouvir os dois discos recém lançados. E nessa fase, a
orientação da banda ainda era pelo Prog Rock que consagrara-a. Perdeu-se com a falta
da teatralização toda, marca registrada do Peter Gabriel, mas o Collins revelou-se não só um
excelente vocalista, mas também um frontman desinibido e muito carismático.
Eu;
Osvaldo Vicino e Laert Sarrumor fomos ao Ginásio do Ibirapuera
na noite do dia 20 de maio de 1977. Já havia assistido o show de Rick Wakeman,
em 1975, mas o Genesis foi demais. Ouvir "Supper's Ready", ao vivo, no
alto de seus gloriosos vinte e três minutos de duração, foi um “desbunde”.
Quando chegou naquele trecho em que canta-se, "Flower", duas flores
infláveis imensas surgiram nas laterais do palco. E "desbundes"
assim, só davam-me mais ânimo para sonhar com o Boca do Céu a ascender...
Lembro-me que apesar do frio de rachar, fui
trajado a ostentarorgulhosamente uma camiseta que o Laert desenhara para mim,
manualmente, com a capa do LP "Rising", do “Rainbow”. Assistimos na arquibancada, como pobres
mortais, mas víamos na ala vip, Rita Lee e membros do Tutti-Frutti, o Jet Set
do Rock Brasuca... outra lembrança incrível : foi o primeiro show de Rock no
Brasil com um artista internacional a usar raio laser, como efeito especial.
Nesse vídeo acima, um trecho filmado através deuma velha filmadora "Super-8", a conter uma música do show do Genesis no Ibirapuera
E
acima, o áudio do show de 21 de maio de 1977, no Ginásio do Ibirapuera
de São Paulo, que um abnegado fã gravou e com boa qualidade. Bem simpático a postura do
Phill Collins, a esforçar-separa falar em português com o publico ali presente e a
constatação que a banda vivia grande fase, com o som redondo, apesar dos
ventos serem tenebrosos para o Rock Progressivo em 1977, mas aqui no
Brasil nós nem percebíamos isso, naquele momento... ainda bem...
O link para ouvir esse show do Genesis em São Paulo, na íntegra :
https://www.youtube.com/watch?v=HfiWwN7TRPo
Quando os raios laser foram acionados, o público teve uma reação de “Jeca Tatu”,
ao soltar em uníssono um grito com a interjeição, "OOOOHHH", que foi engraçado, por exacerbar o
nosso terceiro-mundismo envolto no atraso...
A banda só cometeu uma falha, mas na
verdade quem errou feio o público brazuca, com seu fanatismo despropositado.
Quando voltaram para o bis, estavam todos a usar camisetas do Santos FC. O
raciocínio dos britânicos deve ter sido : qual é o time do Pelé ? Deve ser o
mais popular, certamente... não contavam com a reação de repulsa dos corintianos;
palmeirenses, e sãopaulinos na plateia...
Uma vaia mastodôntica deixou-os atordoados
e rapidamente voltaram ao camarim para retornar então com as camisas amarelas
da seleção brasileira... mais um atestado de “caipirice” que assinamos... mas
alheios às nossas reações prosaicas, foi um grande show deles !
Julio Revoredo é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Poeta e letrista de diversas músicas que compusemos em parceria, em três bandas pelas quais eu atuei: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço. Neste poema, ele fala sobre o tema da dominação.
Ivan Scartezini e eu, Luiz Domingues, estaremos nesta quarta-feira, dia 15 de agosto de 2012, a partir das 9:00 h da manhã, no programa Futebol Apaixonante, do jornalista Thomas Lagôa.
No menú : A rodada do brasileirão; a derrota brazuca nas Olimpíadas e o plebiscito para definir o nome oficial da bola oficial da Copa 2014.
E claro, falaremos também sobre a nossa banda, Pedra e os seus novos rumos na carreira.
Julio Revoredo é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Poeta e letrista de diversas músicas que compusemos em parceria, em três bandas pelas quais eu atuei anteriormente: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço. Neste poema sintético, ele aponta o meandro das engrenagens da vida.
Tempos atrás eu tinha uma amigo pernambucano bastante viajado. Engenheiro, vivera na França, inclusive.
Ele costumava parar e ficar filosofando ao ver os populares que fazem performance e pregam o apocalipse na praça do Largo da Carioca.
-"Olha ai, meu rapaz. Aqui tem de tudo: profetas, saltimbancos. O país está em plena Idade Média, a espera de ser descoberto. Não tem ferrovias, não tem transporte marítimo. Não tem nada. Tudo ai estar por ser feito."
E vejo que ele, do alto de sua experiência de viajante, tinha toda razão. Se não se criar cérebros pensantes e criativos para o futuro, não se terá nunca uma infra-estrutura desenvolvida. Será sempre os banheiros fechados aos cidadãos, a porta na cara, o salve-se quem puder, pois não haverá quem construa pontes humanas.
Será sempre o custo de vida mais alto possível, o máximo lucro junto com o máximo desconforto e insegurança. Será sempre essa coisa melancólica e ingênua, desperdiçando tempo, espaço, capital, talentos e vida. Sim, por falta de mentes com ideias e de uma coletividade mais esclarecida, da arquitetura do transporte ao esporte e da total desorganização social vemos o que dá a "estética" da ignorância consentida.
Estava certo meu amigo. O país foi visto, demarcado, mas não necessariamente descoberto. Um país é feito de gente e inteligência. A gente já está ai.
Falta investir em inteligência.
Marcelino Rodriguez é colunista esporádico do Blog Luiz Domingues 2. Escritor com vasta obra publicada, critica com veemência neste artigo, a falta de investimentos do governo na infraestrutura brasileira.