Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 166 - Por Luiz Domingues
Claro que eu fui saber com minha prima, e o namorado dela, o que havia acontecido com o Chico Dias. Eles disseram que o rapaz estava muito deprimido, a sentir saudade de sua cidade; família; amigos e namorada. Até aí, foi legítimo e previsível que sentisse-se dessa forma. Todavia, disseram-me que ele resmungava o tempo todo sobre as dificuldades que estava a sentir na sua adaptação a São Paulo, e também por ter iludido-se em relação à Chave do Sol, pois alegara que quando entrou na banda, pensou que nós estivéssemos a usufruir de um esquema muito maior, em situação de banda mainstream, amparada por uma gravadora major.
Ora, quando o convidamos, deixamos muito claro o patamar onde estávamos; o que desejávamos e os caminhos que precisaríamos percorrer para tal. Portanto, considero inaceitável tal argumento, pois explicamos-lhe muito bem a nossa situação naquele instante. Outro ponto importante, foi que mesmo por estar longe de uma carreira coroada e plena de mordomias inerentes, por considerar-se sermos ainda artista a habitar o degrau "underground", estávamos, na contrapartida, a subirmos muito rapidamente.
Então, se ele não considerava tais conquistas como importantes, foi uma falha de avaliação de sua parte, por inexperiência (muito provavelmente), e uma certa dose de pessimismo, que era uma marca registrada de sua personalidade. Basta reler os capítulos anteriores para o leitor verificar que a agenda da banda, estava em plena expansão, por exemplo. Sem nenhum menosprezo, soberba ou presunção de minha parte, mas ao ser apenas muito realista, nesta análise autobiográfica, duvido que a banda em que ele fazia parte, no interior do Rio Grande do Sul, pudesse chegar nesse patamar, nem em 10% do que estávamos a obter naquele momento de 1984, quando ele entrou em nossa banda.
A despeito de suas dificuldades pessoais (reconheço que foram mesmo difíceis), ele deveria ter esforçado-se para ficar um pouco mais, mesmo por que as perspectivas de melhorias, eram concretas. Faltou-lhe maturidade, haja vista a sua debandada, ao aproveitar-se de nossa ingenuidade em ter acatado a sua comunicação a alegar doença e assim não participar de dois shows consecutivos. E pior, ainda soube que ele ficara "magoado", porque não fomos ao apartamento da Aclimação, para visitá-lo. Ora, tivemos dois shows em São Paulo, e uma viagem para o Rio, tudo seguido. O que ele queria, que cancelássemos tudo para dar-lhe sopa quente na sua boca ? De minha parte, sabia que ele estava amparado pela minha prima; seu namorado e o outro casal que dividia o apartamento / república com eles. Deixei um dinheiro com eles para ajudar nas despesas e comprar eventuais remédios na farmácia que ficava na esquina, sob uma distância menor do que cinquenta metros do apartamento. Enfim, o que pesou mesmo, foi a inaptidão dele para viver longe de sua terra, e do amparo familiar. Isso eu entendo e respeito.
Mas nunca engoli o abandono sumário, ainda mais em uma fase onde tivemos muitos compromissos importantes. Estávamos a lutar para mudar a imagem da banda, e tirante os compromissos, havíamos gasto dinheiro em reformular o release oficial; organizar sessão de fotos etc. Fora os planos para gravar uma demo-tape, o quanto antes, o tempo gasto com ensaios a visar adaptá-lo à banda etc. Ele tinha toda a liberdade para sair, se estava insatisfeito, mas não custava nada ter falado-nos abertamente a sua situação, em uma reunião. A franqueza sobre tais sentimentos que nutria, não teria chocado-nos tanto, certamente, quanto a sua fuga. Enfim, de minha parte, vinte e nove anos depois (escrevi este trecho em 2013 na plataforma do Orkut), é claro que esse evento diminuiu a sua carga emocional, e há muitos anos que nem penso nisso como uma mágoa. Está para lá de perdoado, e espero que perdoe-me também, por eu ter ficado chateado na época, ainda que eu tivesse um motivo forte para tal.
Alguns dias depois, recebemos uma carta manuscrita dele, a pedir-nos desculpas. Dizia-se muito arrependido por ter tido essa atitude não recomendável, mas justificava-se ao alegar tudo o que eu disse acima, sobre a não-adaptação; saudade desmesurada da família; decepção com os recursos da banda etc. Por volta de 1989, com uma outra banda chamada "A Chave / The Key", a viver os seus momentos "pós- Sol", o Zé Luiz disse-me que havia encontrado-se com o Chico Dias a circular por São Paulo. Mais maduro, aproveitou para reiterar o seu pedido de desculpas pelo seu ato cometido em 1984. Menos mal. E muitos anos depois, o Zé Luiz contou-me que novamente havia falado com ele, via telefone, onde conversaram sobre amenidades.
Chico Dias tinha muito potencial vocal, e se lapidado, poderia ter tornado-se um excelente frontman de banda de Rock. Vida que seguiu, ainda em novembro tínhamos compromissos a cumprir, e uma luz surgiu no horizonte, em relação a um novo vocalista em potencial para a banda. Luz, não, mas uma autêntica, "Aurora Boreal"...
Continua...
Marcadores:
A Chave do Sol,
A Chave do Sol Capítulo 166,
Autobiografia de Luiz Domingues,
Chico Dias,
José Luis Dinola,
Luiz Domigues,
Rubens Gióia.
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 165 - Por Luiz Domingues
Essa notícia foi um choque, porque denotou um ato de abandono
premeditado, que provavelmente ele estaria a planejar há dias, talvez
semanas. Bem, estou a narrar algo que chateou-me muito, há vinte e nove anos
atrás (quando escrevi este trecho, em 2013, no Orkut), e nessa época, ele era um garoto do interior; despreparado para
viver em uma cidade grande; e longe de sua estrutura familiar; de sua
namorada, e amigos. A despeito de ainda achar que eticamente ele errou, claro que levo em consideração que todo mundo erra. Eu
mesmo, ao longo desta autobiografia, já relatei fatos pelos quais portei-me mal, e por ter errado, magoei pessoas, portanto, usei esta plataforma
pública para retratar-me. Portanto, se contei essa história, não
foi para execrar a pessoa dele, mas por ser um importante pedaço da
história da banda, na qual seria impossível não deixar de contar.
Indo em frente, mesmo atônitos com a notícia, não tínhamos tempo para pensar no fato. Mesmo muito abalados, carregamos a Kombi, e partimos para o Rio de Janeiro, imediatamente. Nessa época, eu não sabia dirigir, portanto, a responsabilidade da condução ficara a cargo do Zé Luiz, e eventualmente o Rubens propusera-se a assumir, em caso de cansaço. A viagem foi bem, dentro do possível que uma Kombi oferecia em termos de conforto, é claro. Já estava amanhecido quando o trecho da serra encerrou-se, e ao adentrarmos a Baixada Fluminense, eu cochilava, quando senti a Kombi diminuir, e estacionar na Avenida Brasil. Meio zonzo de sono, ouço o Zé Luiz a conversar com um estranho.
Quando tomo consciência do que ocorria, vejo um soldado do exército na carroceria, ao falar com o Zé Luiz, e fornecer-lhe instruções sobre o caminho a ser percorrido. O que havia acontecido, afinal ? O Zé Luiz resolvera dar carona para um soldado, e este, ao perguntar-lhe para onde íamos, ofereceu os seus préstimos como guia, para indicar-nos um atalho, que segundo ele, seria bem melhor que o caminho tradicional que faz com que atravesse-se a cidade inteira, até acessar a Barra da Tijuca. Eu apenas sei que demos voltas e mais voltas, e só lembro-me de em um dado instante, estarmos no bairro de Bangu. Depois disso, perdi a noção, completamente. Como paulistano, acho que conheço bem o Rio, devido às minhas andanças por lá, mas daquele jeito... da Tijuca para o Leblon. Bem, em um dado instante, ele pediu para descer pois estava em seu bairro. Mas dali em diante foi fácil prosseguir, com as suas dicas adicionais, e o apoio de placas pelas ruas.
Chegamos à danceteria "Mistura Fina", bem antes da hora marcada para a gravação do programa, mas foi bom, por que pudemos descansar e comer, com tranquilidade. O programa era interessante em seu formato, pois dava um bloco para cada banda participante, e um bloco de conversa interativa entre as bandas, além de uma mini entrevista com cada uma.
A estética era bem oitentista, com um cenário que parecia feito de encomenda para o "Culture Club", incluso o apresentador, Billy Bond, bem caracterizado nessa onda New Wave. As bandas participantes foram : Hojerizah; Rapazes de Vida Fácil; Alynaskina; Baga da Praia; A Chave do Sol, e Garotos do Centro. Antes do início, a produção ofereceu-nos um lanche. A Danceteria "Mistura Fina", mostrara-se como uma casa bem montada, muito diferente daquela falsa "danceteria" em que tocáramos na noite anterior, em Santo André / SP. Enquanto comíamos, ouvi uma garota que estava sentada na mesa do Billy Bond, tecer um comentário sobre o nosso visual. Lembro-me dela ter ironizado as nossas longas cabeleiras, e o meu paletó de cetim, ultra setentista.
Bem, ao considerar-se aquele métier, claro que éramos "estranhos no ninho", ou no mínimo, anacrônicos para aquela ambientação tão oitentista. Em nosso bloco de atuação, tocamos as músicas : "Luz"; "18 Horas"; "Crisys (Maya)"; e "Anjo Rebelde'. Em "18 Horas", os técnicos ficaram surpreendidos, pois estavam acostumados a ouvir bandas oriundas do movimento BR-Rock 80's, e invariavelmente dentro daquela sonoridade padrão da época, e nós ali a mandarmos um Jazz-Rock nervoso, cheio de firulas e super setentista...
No bloco interativo, o Billy perguntou-nos, como víamos a rivalidade entre as bandas de Rock, paulistas e cariocas. Eu respondi que achava a rivalidade válida somente para o mundo do futebol, e que deveríamos na verdade, preocuparmo-nos com o fato de estarmos a menos de dois meses da realização do Festival "Rock in Rio", e verificarmos com estupefação, que muitas bandas boas haviam ficado de fora da programação, em detrimento de alguns artistas "alienígenas", que estavam formalmente escalados...
Não falei isso para fazer média com os cariocas ali presentes, mas fui sincero, ao criticar a mentalidade dos produtores de tal evento, em inserir artistas que não eram nada próximos sequer do mundo do Rock, e nem precisavam do festival como plataforma de impulso para as suas carreiras, enfim. Entretanto, algo inusitado aconteceu, pois eu mal acabei de proferir tais palavras, e todo mundo que ouvia atentamente atrás das câmeras, aplaudiu com veemência, com direito até a alguns gritos e assovios, em sinal de apoio.
Já batia as 21:00 h. mais ou menos, quando vimo-nos liberados pela produção da TV, e dessa forma, colocamo-nos na estrada. Cogitamos dormir no Rio, mas o Zé Luiz garantiu-nos estar sem sono, e disposto a enfrentar a estrada, portanto, colocamos tudo na Kombi, e partimos. Nunca vimos a nossa participação em tal programa, porque ele era exibido de forma regional, e ninguém gravou no videocassete, para nós. Nunca vi no You Tube alguma postagem, infelizmente. O único registro que tenho, é o relato de amigos cariocas que assistiram, e disseram que colocaram "18 Horas" no ar, e que haviam gostado bastante. Uma pena não ter essas imagens para a memória da nossa banda.
Um último ato desagradável aguardar-nos-ia nessa viagem, e ocorreu logo no primeiro posto rodoviário, ao sairmos do Rio. Parados pela fiscalização; cabeludos, e com o carro cheio de instrumentos... o guarda insistiu em examinar as notas fiscais dos instrumentos; equipamentos etc. -"Ora, somos músicos "seu guarda", fomos fazer um programa na TV Bandeirantes do Rio, veja o nosso disco"... assim argumentamos. Então, ele resolveu fazer uma inspeção minuciosa no veículo, e proferiu a famosa frase terrorista : "-está tudo perfeito, mas se eu quiser, eu acho uma irregularidade"... Bem, após uma canseira de mais de uma hora, conseguimos seguir adiante, e chegamos em São Paulo no meio da madrugada.
Descansaríamos na segunda-feira, essa fora a nossa planificação inicial, porém, dadas as novas circunstâncias alheias à nossa vontade, agora teríamos que encarar o fato de que éramos um trio novamente, e começaria mais uma vez, a luta para procurarmos um novo vocalista. A ideia da demo-tape com canções novas, e cantadas por um frontman a mostrar uma garganta portentosa, estava arruinada, e atormentava-nos a ideia de que o Festival Rock in Rio aproximava-se, e um mundo de oportunidades abrir-se-ia nesse vácuo, portanto, estávamos prestes a ficar despreparados para agarrá-las...
Continua...
Indo em frente, mesmo atônitos com a notícia, não tínhamos tempo para pensar no fato. Mesmo muito abalados, carregamos a Kombi, e partimos para o Rio de Janeiro, imediatamente. Nessa época, eu não sabia dirigir, portanto, a responsabilidade da condução ficara a cargo do Zé Luiz, e eventualmente o Rubens propusera-se a assumir, em caso de cansaço. A viagem foi bem, dentro do possível que uma Kombi oferecia em termos de conforto, é claro. Já estava amanhecido quando o trecho da serra encerrou-se, e ao adentrarmos a Baixada Fluminense, eu cochilava, quando senti a Kombi diminuir, e estacionar na Avenida Brasil. Meio zonzo de sono, ouço o Zé Luiz a conversar com um estranho.
Quando tomo consciência do que ocorria, vejo um soldado do exército na carroceria, ao falar com o Zé Luiz, e fornecer-lhe instruções sobre o caminho a ser percorrido. O que havia acontecido, afinal ? O Zé Luiz resolvera dar carona para um soldado, e este, ao perguntar-lhe para onde íamos, ofereceu os seus préstimos como guia, para indicar-nos um atalho, que segundo ele, seria bem melhor que o caminho tradicional que faz com que atravesse-se a cidade inteira, até acessar a Barra da Tijuca. Eu apenas sei que demos voltas e mais voltas, e só lembro-me de em um dado instante, estarmos no bairro de Bangu. Depois disso, perdi a noção, completamente. Como paulistano, acho que conheço bem o Rio, devido às minhas andanças por lá, mas daquele jeito... da Tijuca para o Leblon. Bem, em um dado instante, ele pediu para descer pois estava em seu bairro. Mas dali em diante foi fácil prosseguir, com as suas dicas adicionais, e o apoio de placas pelas ruas.
Chegamos à danceteria "Mistura Fina", bem antes da hora marcada para a gravação do programa, mas foi bom, por que pudemos descansar e comer, com tranquilidade. O programa era interessante em seu formato, pois dava um bloco para cada banda participante, e um bloco de conversa interativa entre as bandas, além de uma mini entrevista com cada uma.
A estética era bem oitentista, com um cenário que parecia feito de encomenda para o "Culture Club", incluso o apresentador, Billy Bond, bem caracterizado nessa onda New Wave. As bandas participantes foram : Hojerizah; Rapazes de Vida Fácil; Alynaskina; Baga da Praia; A Chave do Sol, e Garotos do Centro. Antes do início, a produção ofereceu-nos um lanche. A Danceteria "Mistura Fina", mostrara-se como uma casa bem montada, muito diferente daquela falsa "danceteria" em que tocáramos na noite anterior, em Santo André / SP. Enquanto comíamos, ouvi uma garota que estava sentada na mesa do Billy Bond, tecer um comentário sobre o nosso visual. Lembro-me dela ter ironizado as nossas longas cabeleiras, e o meu paletó de cetim, ultra setentista.
Bem, ao considerar-se aquele métier, claro que éramos "estranhos no ninho", ou no mínimo, anacrônicos para aquela ambientação tão oitentista. Em nosso bloco de atuação, tocamos as músicas : "Luz"; "18 Horas"; "Crisys (Maya)"; e "Anjo Rebelde'. Em "18 Horas", os técnicos ficaram surpreendidos, pois estavam acostumados a ouvir bandas oriundas do movimento BR-Rock 80's, e invariavelmente dentro daquela sonoridade padrão da época, e nós ali a mandarmos um Jazz-Rock nervoso, cheio de firulas e super setentista...
No bloco interativo, o Billy perguntou-nos, como víamos a rivalidade entre as bandas de Rock, paulistas e cariocas. Eu respondi que achava a rivalidade válida somente para o mundo do futebol, e que deveríamos na verdade, preocuparmo-nos com o fato de estarmos a menos de dois meses da realização do Festival "Rock in Rio", e verificarmos com estupefação, que muitas bandas boas haviam ficado de fora da programação, em detrimento de alguns artistas "alienígenas", que estavam formalmente escalados...
Não falei isso para fazer média com os cariocas ali presentes, mas fui sincero, ao criticar a mentalidade dos produtores de tal evento, em inserir artistas que não eram nada próximos sequer do mundo do Rock, e nem precisavam do festival como plataforma de impulso para as suas carreiras, enfim. Entretanto, algo inusitado aconteceu, pois eu mal acabei de proferir tais palavras, e todo mundo que ouvia atentamente atrás das câmeras, aplaudiu com veemência, com direito até a alguns gritos e assovios, em sinal de apoio.
Já batia as 21:00 h. mais ou menos, quando vimo-nos liberados pela produção da TV, e dessa forma, colocamo-nos na estrada. Cogitamos dormir no Rio, mas o Zé Luiz garantiu-nos estar sem sono, e disposto a enfrentar a estrada, portanto, colocamos tudo na Kombi, e partimos. Nunca vimos a nossa participação em tal programa, porque ele era exibido de forma regional, e ninguém gravou no videocassete, para nós. Nunca vi no You Tube alguma postagem, infelizmente. O único registro que tenho, é o relato de amigos cariocas que assistiram, e disseram que colocaram "18 Horas" no ar, e que haviam gostado bastante. Uma pena não ter essas imagens para a memória da nossa banda.
Um último ato desagradável aguardar-nos-ia nessa viagem, e ocorreu logo no primeiro posto rodoviário, ao sairmos do Rio. Parados pela fiscalização; cabeludos, e com o carro cheio de instrumentos... o guarda insistiu em examinar as notas fiscais dos instrumentos; equipamentos etc. -"Ora, somos músicos "seu guarda", fomos fazer um programa na TV Bandeirantes do Rio, veja o nosso disco"... assim argumentamos. Então, ele resolveu fazer uma inspeção minuciosa no veículo, e proferiu a famosa frase terrorista : "-está tudo perfeito, mas se eu quiser, eu acho uma irregularidade"... Bem, após uma canseira de mais de uma hora, conseguimos seguir adiante, e chegamos em São Paulo no meio da madrugada.
Descansaríamos na segunda-feira, essa fora a nossa planificação inicial, porém, dadas as novas circunstâncias alheias à nossa vontade, agora teríamos que encarar o fato de que éramos um trio novamente, e começaria mais uma vez, a luta para procurarmos um novo vocalista. A ideia da demo-tape com canções novas, e cantadas por um frontman a mostrar uma garganta portentosa, estava arruinada, e atormentava-nos a ideia de que o Festival Rock in Rio aproximava-se, e um mundo de oportunidades abrir-se-ia nesse vácuo, portanto, estávamos prestes a ficar despreparados para agarrá-las...
Continua...
Marcadores:
A Chave do Sol,
A Chave do Sol Capítulo 165,
Autobiografia de Luiz Domingues,
Chico Dias,
José Luis Dinola,
Luiz Domingues,
Rubens Gióia.
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 164 - Por Luiz Domingues
Chateados por termos que novamente realizar um show sem a presença de Chico Dias, fomos para a danceteria "Radioatividade", de Santo André, sob estado de alerta. Sabíamos que a jornada seria cansativa, porque na falta de uma estrutura melhor, teríamos que ir a bordo de carro para o Rio, por que resolvemos levar amplificadores, e a nossa bateria. Isso por que a apresentação seria gravada, mas com a banda a tocar ao vivo, portanto, queríamos assegurar o máximo de qualidade sonora para apresentarmo-nos bem na TV.
Nós estávamos há meses com a música "Luz" na programação da Rádio Fluminense FM. Não acho exagero afirmar, que tal emissora, fora o principal centro irradiador do BR-Rock oitentista para todo o Brasil, ainda que dirigida por apaixonados pelo Rock 1960 / 1970. Recentemente, havíamos visto publicada, uma excelente resenha sobre o nosso primeiro disco, nas páginas da revista "Roll"; e cerca de dez dias antes, tocamos ao vivo no Circo Voador, no Rio de Janeiro.
Portanto, pareceu-nos que participar do programa "BB Vídeo-Roll", seria um importante passo para sedimentarmos posição no Rio, daí a importância que depositáramos nessa aparição na TV, e sendo assim, contar com a banda inteira, mediante a presença de seu frontman em condições, teria sido vital para os nossos planos. Diante de tudo isso que estava em jogo, resolvemos viajar ao Rio com a Kombi do irmão do Zé Luiz, o João Dinola. Ele tinha uma Kombi, com carroceria aberta, que usava para as entregas de sua fábrica de brinquedos de madeira (aliás, ele fazia belos caminhões; carrinhos, e casinhas de madeira, diga-se de passagem). João Dinola tinha o mesmo talento para a carpintaria e marcenaria, que o seu irmão, Zé Luiz.
Seria cansativo, mas éramos jovens, e não medíamos esforços para a nossa carreira deslanchar, enfim. De volta a mencionar sobre o show do sábado, quando chegamos à porta da Danceteria, localizada na Avenida Dom Pedro II, em Santo André, achamos a sua fachada, acanhada. Geralmente, as danceterias que surgiam nessa época, eram megalomaníacas, e de certa forma, bregas, por desejar ostentar ares kitsch, ao estilo de cassinos de Las Vegas. No entanto, o que vimos ali, foi um estabelecimento discreto; sem iluminação de fachada; a exibir uma cor escura; quase incólume, o que destoava da moda oitentista das danceterias espalhafatosas. Enfim, fomos para dentro, e aí verificamos que o dono estava a dourar a pílula, pois aquilo era na verdade um bar mediano, que ele queria conferir um status de "danceteria", mas sem fazer nada para reformar o local, a não ser mudar o seu nome. O palco era tímido, com luz deficiente e um P.A. típico de barzinho, com poucos paramétricos, e caixas insuficientes para um show de Rock, de verdade. O camarim, era na verdade um quarto de despejos, que mais parecia o ambiente desses programas sobre acumuladores de lixo, que passam na TV a cabo. Entretanto, o mais bizarro estava por vir...
Havia um grupo de amigos nossos de São Paulo, presente, mas quando o público começou a entrar, notamos que não eram nem cabeludos "hedbangers", tampouco tribos oitentistas e entusiastas das correntes do Pós-Punk, tipo de gente que sempre esperávamos ver nesses lugares. Eram homens em sua maioria esmagadora, e todos a parecer-se com o Freddie Mercury, fase pós-Glitter, quando por incrível que pareça, ficara mais "bicha" ainda, com aquele bigodão e cabelo curto e engomado.
E para coroar a noitada na "gaiola das loucas" de Santo André, um fato inusitado ocorreu. Quando o show acabou, em meio a cerca de cinquenta pessoas que ali estavam, só havia uma única mulher. Tratou-se de uma garota acompanhada por alguns amigos seus, e que não tinham nada a ver com os gays, em sua maioria. Fiquei a saber disso, de uma forma inusitada e digamos, agradável, pois quando estava para sair do palco, ainda com o instrumento em mãos, ela subiu ao palco e notei que seus amigos estavam a incentivá-la a fazer isso.
Naquela fração de segundos, pensei tratar-se de um pedido de autógrafos, tão somente, mas ela surpreendeu-me, pois aproximou-se a perguntar-me se eu permitia-lhe um beijo. Disse que sim, ingenuamente ao achar tratar-se de um respeitoso beijo na bochecha. Contudo, ela agarrou-me, e beijou-me na boca. Fiquei atônito e só lembro-me do amigo, Wagner "Sabbath", aos berros dizer para os nossos outros amigos : -"olhem, a garota agarrou o Luiz", seguido de gargalhadas ! Foi a única mulher presente naquele lugar infestado por gays, e era jovem e bonita... pareceu ter sido o meu dia de sorte, enfim.
Bem, passado esse momento a viver uma situação típica de um Rock Star, voltamos à realidade, e foi a hora para desmontar o palco; voltar para São Paulo; pegar a Kombi com o restante do equipamento; buscar o Chico Dias, e entrar na Via Dutra, em direção ao Rio. Quando chegamos à casa do Rubens, nosso QG, havia um recado próximo ao telefone principal da casa, assinado pela minha prima, dona do apartamento onde o Chico Dias estava hospedado : -"Chico Dias pegou todas as suas coisas, e partiu para o Rio Grande do Sul, nesta tarde de sábado"... ficamos desnorteados, em plena madrugada, prestes a tomar o rumo para o Rio !
Continua...
Marcadores:
A Chave do Sol,
A Chave do Sol Capítulo 164,
Autobiografia de Luiz Domingues,
Chico Dias,
José Luis Dinola,
Luiz Domingues,
Rubens Gióia.
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 163 - Por Luiz Domingues
No dia seguinte ao show realizado na Danceteria Raio Laser, sexta-feira, fomos procurar o Chico Dias. Precisávamos saber se ele melhorara, pois no sábado teríamos um show, desta feita a ser realizado em uma danceteria nova que estava a inaugurar na cidade de Santo André.
A informação que tínhamos, foi de que a casa já existia em outro formato, e que nós seríamos o primeiro show dessa nova fase que pretendiam iniciar, como danceteria. Vale notar que realmente havia a febre de danceterias a abrir o tempo todo, o que era animador de certa forma, pois tratava-se de espaços para bandas de Rock tocar, sob vários estilos, fator que se comparado com a atualidade de 2013 (referi-me ao momento em que escrevi esse trecho, no Orkut), chega a dar saudade, ao vislumbrar a escassez árida da atualidade.
Então, mediante uma conversa telefônica, o Chico Dias relatou-nos que piorara da gripe, e estava sem voz. Tínhamos além desse show em Santo André, um importante compromisso no Rio de Janeiro, para o domingo. Estávamos escalados para gravar participação no "BB-Vídeo Roll", que era um programa de TV importante no Rio, com exibição pela Rede Bandeirantes.
Tratava-se de uma parceria da Band, com a revista Roll. A apresentação estava a cargo do Billy Bond, ex-vocalista da "Pesada del Rock", histórica banda argentina dos anos setenta e aqui no Brasil, do Joelho de Porco, igualmente setentista e importante na história do Rock brasileiro. Portanto, mediante um exercício de dosimetria forçada, tínhamos que considerar que o compromisso no Rio era mais importante para a nossa carreira, ainda que não envolvesse ganhos financeiros, pelo contrário, apenas despesas.
Dessa forma, pedimos ao Chico para repousar o máximo possível nos dois próximos dias, para ver se podíamos contar com sua presença na gravação do programa : "BB Vídeo-Roll". Ele prontificou-se a preservar-se, e combinamos assim, buscá-lo no apartamento da Aclimação, onde estava alojado, na madrugada de sábado para domingo, quando partiríamos para o Rio, imediatamente, pois a gravação do programa estava marcada para as 16:00 hs. na danceteria Mistura Fina, na Barra da Tijuca, zona sul daquela cidade. Sobre a Danceteria Radioatividade, de Santo André, mais uma vez, teríamos que fazer um show como trio, desfalcados mais uma vez do novo vocalista da formação. Tudo bem, foram ossos do ofício, mas essa falta estava a repetir-se com constância, a despeito de um problema de saúde ser imprevisível. E assim, fomos tocar na danceteria, "Radioatividade", em Santo André...
Continua...
Marcadores:
A Chave do Sol,
A Chave do Sol Capítulo 163,
Autobiografia de Luiz Domingues,
Chico Dias,
José Luis Dinola,
Luiz Domingues,
Rubens Gióia.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 162 - Por Luiz Domingues
Algumas bandas tocaram e de fato, como o Mister Sam dissera-nos, (com exceção do Anthro e do Lixo de Luxo que eram bandas formadas por bons músicos, e eram até anacrônicos nos anos oitenta, pois traziam nítidas influências setentistas em seus respectivos trabalhos), o restante dos participantes eram bandas de formadas por garotos muito inexperientes, completamente desconhecidas, e em sua maioria, orientadas pelo Heavy-Metal, barulhentas e infantiloides, como seria por esperar-se. Havia também o "Nota Fiscal", como uma banda que buscava a sorte no nicho New Wave, ao tentar assegurar o vácuo do humor de bandas como Magazine; Ultraje a Rigor etc. Tocamos como trio, com a garra habitual, e sem nenhuma falsa modéstia, tampouco soberba, por favor não interprete-me mal o leitor, é claro que destacamo-nos em meio àqueles garotinhos em plena adolescência (referiro-me aos desconhecidos, que fique bem claro).
Essa matéria saiu na edição de outubro de 1984, na revista Rock Stars, nº 11
"Classificamo-nos" para uma nova etapa, porém, esta nunca foi marcada para uma outra oportunidade, e pior ainda, jamais ocorreu o tal show com cachet que fora-nos prometido. Paciência. Na saída, peguei carona com um amigo. Já passava das 2:00 h. da manhã, e eu não tinha alternativa para sair dali, a não ser com essa carona caridosa. Mas, infelizmente, eu não poderia imaginar o risco que estava a correr, ao aceitar tal oferecimento...
Essa matéria acima saiu na Folha de São Paulo, e fala sobre a cena do Heavy Metal em 1984, ao usar o gancho de um show ao ar livre que estava a ser anunciado para ocorrer na Praça da Sé, no centro de São Paulo. E ainda como mote jornalístico, o fato de que o Teatro Lira Paulistana tornara-se um ponto de encontro para shows do gênero. A Chave do Sol é citada en passant como membro desse rol. Duas curiosidades na foto : a banda a apresentar-se é o "Santuário", que era da cidade de Santos, e na plateia, a segunda pessoa da esquerda para a direita, no primeiro degrau da arquibancada, é o hoje saudoso, Hélcio Aguirra, na ocasião, guitarrista do Harppia, e posteriormente, do Golpe do Estado. Esse recorte de jornal pertence ao acervo do poeta, Julio Revoredo, que gentilmente emprestou-me para ilustrar este capítulo.
O rapaz em questão, estava acompanhado de sua namorada, e o clima entre eles parecia não estar muito bom. Bem, claro que eu não tinha nada com isso, e também não poderia supor que correria risco de vida em poucos minutos, por conta desse clima gerado entre o casal. Sentei-me no banco de trás, naturalmente, e mantive-me calado, ao reservar-me em um momento de tensão alheia. Então, quando o carro pôs-se em movimento, percebi que eles resmungavam com animosidade entre si.
À medida que o carro avançara em direção à Avenida Santo Amaro, os resmungos aumentaram, e o clima pôs-se a azedar. Quando já estávamos na avenida, percebi que o rapaz pisara mais firme no acelerador, conforme a discussão acalorou-se. Na rampa de acesso em direção à Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, a discussão explodiu. Já não resmungavam mais, pois entraram nos gritos mediante a verbalização de ofensas e a estabelecer o choro compulsivo, de ambos. E o pé no acelerador, respondeu ao impulso da cólera, para ir até o fundo...
Tudo bem que passava das 2:00 h. da manhã, mas o rapaz perdeu a noção completamente, e ultrapassou todos os semáforos vermelhos, em uma velocidade absurda, ao deixar-me apavorado no banco traseiro. Só restou-me torcer para não haver uma colisão, o que teria sido gravíssima naquelas circunstâncias.
Passar a voar pelo semáforo vermelho da Avenida Brasil, entre outros cruzamentos perigosos da Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, foi de uma imprudência ímpar. Quando o carro perdeu velocidade, enfim, quase na altura da Rua Tutóia, o motorista resolveu parar, e sob uma rápida conversa com a moça, pareceu-me que chegaram a um acordo, para selar a paz. Um pedido de desculpas lacônico foi feito direcionado à minha pessoa, com o rapaz a olhar-me pelo retrovisor, e claro, o que importou-me naquele instante, fora o fato de nada ter acontecido, e estarmos vivos, sãos e salvos.
O bizarro dessa história, foi que eu não senti em nenhum momento, no momento durante e no posterior, que o casal mensurou o perigo que corremos. Fiquei com a nítida impressão de que relevaram o perigo real que corremos, em detrimento de sua estúpida briga de casal, que deve ter sido motivada por ciúmes, dentro daquela danceteria. Bem, o meu anjo da guarda é forte, ou foram os Deuses do Rock, pois sobrevivi, passei por uma série de acontecimentos, e estou aqui a escrever essa história, quase vinte anos anos depois (refiro-me à data quando escrevi o original deste trecho da autobiografia no Orkut, em 2013). Mas o final de semana seria bem cheio. Tínhamos importantes compromissos, e uma surpresa desagradabilíssima a ocorrer nos próximos três dias...
Continua...
Marcadores:
A Chave do Sol,
A Chave do Sol Capítulo 162,
Autobiografia de Luiz Domingues,
Chico Dias,
José Luis Dinola,
Luiz Domingues,
Rubens Gióia.
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 161 - Por Luiz Domingues
Havia aspectos pró e contra, para que participássemos de tal show de choque. O lado bom, seria que o convite havia partido do apresentador, "Mister Sam", em pessoa, por ocasião de nossa segunda aparição no programa : "Realce", da TV Gazeta de São Paulo, por ele apresentado, dias antes. Nos bastidores, ele abordou-nos para falar que estava envolvido na programação de uma nova danceteria que estava a abrir em Moema, denominada : "Raio Laser". Em um primeiro instante, convidou-nos a participar de uma espécie de "festival", que estava a promover, onde bandas "enfrentavam-se", e as classificadas, mediante uma avaliação de um "corpo de jurados", avançavam para pleitear um prêmio ou coisa que o valha.
Antes mesmo de nós retrucarmos que não éramos amadores, e não interessava-nos entrar em qualquer tipo de festival em regime de disputa, ele disse-nos que seria uma participação apenas para ajudá-lo a ter mais uma atração de melhor nível (Barão Vermelho; Sangue da Cidade; Made in Brazil; Anthro, e Lixo de Luxo, também estavam programados, além de dúzias de bandas de garotos iniciantes), e que contratar-nos-ia para um show individual, mediante o pagamento de um cachet decente etc e tal. Bem, nessa circunstância, encaramos quase como um favor pessoal a um amigo que estava por abrir portas para nós, tanto na TV, quanto em uma oportunidade de show, posteriormente, portanto, apesar de um tanto quanto vexatório por essa questão juvenil de "disputa", nós aceitamos participar. Marcou-se portanto, para o dia 8 de novembro de 1984, na danceteria "Raio Laser".
Mas nesse ínterim, fatos muito desagradáveis aconteceram na vida pessoal do vocalista, Chico Dias, e para início de conversa, a nossa planificação para ensaiar com total afinco, a visar a gravação da demo-tape, ficou muito prejudicada. A mais nova desgraça na vida dele (incrível !), foi quando viu-se novamente sem lugar para morar. Infelizmente, um revés inesperado aconteceu-lhe onde estava hospedado, na casa do poeta, Julio Revoredo. A residência fora invadida e vitimada por um furto.
Nessa ação, muitos objetos foram roubados, incluso algumas roupas do Chico Dias, e sendo assim, indignado por mais esse azar, não sentiu mais clima para ali ficar. No entanto, claro, não havia outro lugar disponível, a provocar-nos uma preocupação extra. Foi então que lembrei-me que uma prima minha estava a viver com o namorado, e mais amigos em uma "república", através de um apartamento compartilhado que alugaram no bairro da Aclimação, zona sul de São Paulo. Não foi fácil para o Chico Dias, acomodar-se entre estranhos, apesar de ter sido super bem recebido por todos, pois ao conhecer pouco São Paulo, precisaria usar metrô e ônibus para deslocar-se até o ensaio, ao contrário de onde estava anteriormente, no bairro do Brooklin, onde bastava um ônibus apenas, e a trafegar praticamente sob uma linha reta, pela avenida Santo Amaro.
Mara Turci, minha prima, e que ajudou Chico Dias em mais um momento de sufoco dele na Pauliceia.
Contudo, foi uma situação emergencial, portanto, não podíamos fazer escolhas nesse instante, e o importante foi providenciar acomodação para ele. Claro, com aquele ânimo que lhe era peculiar, naturalmente que mais um revés desses o minaria profundamente. Por resmungar mais do que nunca, estava ciente dos compromissos, mas ao alegar estar a readaptar-se, pediu um tempo para tal, e assim, a ausentar-se dos ensaios. Às vésperas do show na danceteria "Raio Laser", comunicou-nos que estava muito gripado, e como seria um show de choque, pediu-nos para não fazer parte, ao deixar-nos sem amparo. Claro, nessas condições e por ser vocalista, estava sujeito a esse tipo de ocorrência, eu reconheço. Como tratava-se de um show de choque, e éramos uma banda sempre bem ensaiada, programamo-nos para tocar em trio, fator que era natural para nós, desde sempre. E assim fomos para o compromisso...
Continua...
Marcadores:
A Chave do Sol,
A Chave do Sol Capítulo 161,
Autobiografia de Luiz Domingues,
Chico Dias,
José Luis Dinola,
Luiz Domingues,
Rubens Gióia.
Assinar:
Postagens (Atom)