segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Autobiografia na Música - Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada - Capítulo 41 - Por Luiz Domingues

Conforme eu especifiquei anteriormente, a situação da nossa formação do "Nudes" ficara em uma espécie de suspensão "sine die". 

Na verdade, o panorama que desenhou-se à nossa frente, foi mais de suspeição do que suspensão, quando notamos, ao observarmos o desenrolar dos fatos, via redes sociais da Internet, que o Ciro estava a todo vapor a empreender todos os seus esforços em prol da criação de sua nova banda, denominada: "Flying Chair". 

Falo isso no bom sentido, certamente, pois nem eu, tampouco os meus colegas, Kim e Carlinhos, nem por um segundo sequer sentimo-nos preteridos, desprestigiados ou a nutrirmos qualquer tipo de ressentimento, mesmo por que se o houvesse, seria descabido. 

Isso por que o Ciro não recrutou novos músicos para formatar o Nudes à nossa revelia, mas simplesmente optou por formar uma banda em paralelo, com outra sonoridade e outro nome, portanto, nós que éramos Os Kurandeiros e tínhamos a nossa própria banda em paralelo, igualmente, jamais poderíamos reclamar de tal predisposição semelhante, adotada por ele. 

Mesmo por que, os próprios Kurandeiros desdobraram-se em "Magnólia Blues Band" por mais de dois anos, e além disso, a nossa banda fora grupo de apoio para artistas como Edy Star e Big Chico, além de ter criado a identidade secreta de: "Os Koveiros" e o próprio 'Nudes", portanto, ver o Ciro a montar o "Flying Chair" tornou-se algo muito natural para a nossa percepção e ao irmos além, gostávamos (gostamos) dos guitarristas, Chico Marques e Claudio "Moco" Costa, com os quais interagimos algumas vezes (com o "Moco", muitas vezes ele fora nosso convidado da Magnólia Blues Band e dos próprios Kurandeiros, por ocasião do Projeto: "Sunday Blues", realizado no "Templo Club" no início de 2016).

Ótimos guitarristas e pessoas gentis, eram componentes da banda Pop-Rock, "8080", cujo primeiro álbum eu tive o prazer de resenhar no meu Blog 1. Veja a resenha, através do Link abaixo:

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/search?q=8080

Em suma, estávamos a par de toda a movimentação de Ciro, Chico & Claudio e a comunicação do Ciro via E-mail, nesse ínterim, dizia sobre o Nudes entrar em descanso temporário etc. e tal, conforme já expliquei em capítulo anterior, inclusive. 

Mas o tempo foi a passar e a cada dia, o entusiasmo do Ciro com o seu novo projeto, fez-nos enxergar que sua energia estava 100% baseada nesse novo projeto e mesmo que houvesse intenção de sua parte de fazer algum show específico do "Nudes", como por exemplo um contratante esporádico a aparecer com a proposta de uma boa produção mediante cachê robusto que fosse, dificilmente o Ciro, empolgado que estava com a sua nova banda, pensaria em recrutar-nos para tal tarefa e o mais lógico seria usar a sua nova banda, entrosado e empolgado que estava com seus novos companheiros de trabalho.

Portanto, ficou patente que a nossa formação do "Nudes" esteve encerrada e cabe-me fazer agora, o balanço final dessa etapa pessoal da minha carreira e os agradecimentos finais, como de praxe no meu texto autobiográfico, conforme assim procedi em relação à todas as bandas por onde atuei no passado. 

Ao retroagir ao ano de 2011, quando eu recebi o telefonema do guitarrista, Kim Kehl, em um dia qualquer de julho daquele ano, a sua proposta detinha dupla intenção. Ele convidou-me a integrar a sua banda, Os Kurandeiros, e ao mesmo tempo ofereceu-me vaga na banda de apoio de Ciro Pessoa, denominada, "Nu Descendo a Escada", ou "Nudes" como carinhosamente a chamamos, e na qual ele estava recém-ingresso igualmente, em meio a uma reformulação total do time que o acompanhava o famoso Ciro Pessoa. 

Claro que eu aceitei a dupla jornada, de imediato, mas não sem elucubrar muitas dúvidas a respeito do trabalho do Nudes, ao basear-me na carreira pregressa do Ciro, com a sua atuação em trabalhos fortemente mergulhados no mundo do Pós-Punk da década de oitenta, portanto, a antever um possível conflito motivado por interesses antagônicos, que preocupou-me.

O Pink Floyd em foto entre 1966 e 1967, aproximadamente
 
Todavia, assim que o conheci (Ciro), de sua fala, eu ouvi a expressão: -"o futuro é Pink Floyd", e dessa forma, ele assim demoliu-se por inteiro de qualquer tipo de receio que eu pudesse ter sobre a nossa convivência, ideias & ideais na música, apreço à contracultura & afins e a visão macro da história do Rock, com aberta simpatia à psicodelia sessentista clássica. 

Em síntese, senti-me inteiramente a vontade para integrar-me nesse trabalho e mais que isso, apreciar muito fazer parte dele e dar a minha contribuição, grande admirador da estética sessentista em geral que sou, e mais detidamente ao universo do Rock psicodélico daquela década.

Foto do primeiro show do Nudes na formação em que fiz parte. 9 de dezembro de 2011. Click de Lara Pap

E assim foi, ao realizarmos os primeiros ensaios, com o Kim e os músicos, Paulo Pires (bateria), Caleb Luporini (teclados) e a bela e competente vocalista, Luciana Andrade. 

Vieram os primeiros shows, sob condições modestas de produção, mas relevei, pois o trabalho se mostrara tão interessante e a companhia dessa turma tão boa, que eu nunca incomodei-me com esse início "franciscano". Mas ao mesmo tempo, causava-me espanto como um membro egresso do mundo Pós-Punk que sempre teve o apoio da "intelligentsia" e o beneplácito da mídia mainstream, não tivesse caminho aberto para produções maiores e com direito à agenda sustentável. 

No entanto, eu logo fui a perceber que o Ciro também sofria com barreiras intransponíveis, assim como todo artista que sempre militou na contramão da formação de opinião, meu caso e do Kim, igualmente. Nesse aspecto, o Ciro, apesar de ter sido um ex-"Titãs" e um ex-"Cabine C", fora ter sido parceiro de gente incensada como Edgard Scandurra e Julio Barroso, por exemplo, na verdade estava no limbo da carreira tanto quanto nós, que nunca tivemos tais oportunidades. 

Uma pena, mas essa foi a realidade e não o que imaginei no início, com o autor de "Sonífera Ilha" a fazer muitos shows sob agenda lotada e abertura em uma mídia, senão a mainstream, pois os tempos foram outros, ao menos sob um padrão intermediário entre isso e o mundo abissal da obscuridade underground.

Nesses termos, um novo show só foi ocorrer oito meses depois em uma cidade paulista interiorana, já em agosto de 2012, e foi muito interessante conforme o descrevi com detalhes em capítulo anterior. 

Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada em São Carlos-SP. 11 de agosto de 2012. Click, acervo e cortesia de Pedro Paulo Machado

Com direito a trem de carga a passar durante o show realizado em uma plataforma ferroviária e a fazendo com que a banda flutuasse em alguns instantes, trata-se de uma lembrança das mais queridas. E foi a última vez que essa formação contou com Paulo Pires e Caleb Luporini e já o fizemos sem Luciana Andrade, portanto, muitas modificações ocorreram na formação.

Uma lástima, daí em diante seguiu-se um longo período de inatividade só quebrado em 2014, quando dois shows muito estimulantes foram realizados, um no interior do estado e o outro na capital, e aí sim, ambos em teatros, com uma infraestrutura mais condizente com a psicodelia proposta. 

O amigo, Carlinhos Machado entrou para a banda e então o Nudes definitivamente tornou-se mais mais um braço d'Os Kurandeiros. E a ótima e bela cantora, Isabela Johansen também ingressou. Casada com Ciro na ocasião, Isabela era na verdade uma boa cantora, guitarrista e compositora, portanto, a despeito da relação conjugal com Ciro, Isabela foi uma artista que agregou valor para a banda.

Apesar desses ótimos shows realizados com essa nova formação, e maior interatividade, pois eu (Luiz), Kim e Carlinhos contribuímos com ideias de novas canções para o trabalho. 

O show sofisticou-se ainda mais, com a inserção de mais textos surrealistas, baseados no livro que Ciro preparava para lançar e isso animou-nos ainda mais.

Mas as oportunidades rapidamente escassearam e mais um período de limbo sobreveio. Muito desse hiato foi por conta do furor político forjado sorrateiramente que cresceu ao longo do ano de 2015, e nessa circunstância, Ciro havia empolgado-se com a militância política via "hang outs" de internet e aliado a artistas como Lobão e Roger Moreira, mergulhou com ênfase nessas ações e assim, o trabalho prejudicou-se bastante. 

Tirante um show motivado exatamente por essa militância política da sua parte e da qual participamos a fazermos uma aparição de choque apenas, uma nova ação só foi aparecer no mês de outubro, quando o Ciro propôs um show para coroar a noite de autógrafos de seu livro, enfim lançado.

Noite de autógrafos e show dos Nudes, no Café Delirium de São Paulo. Na foto, momento pré show e durante a sessão de autógrafos da obra "Relatos da Existência Caótica", seu autor, Ciro Pessoa e Luiz Domingues em foto de Lara Pap. 23 de outubro de 2015.
 
Foi muito agradável e honroso para nós, e chegamos a tocar músicas novas compostas especialmente para a ocasião, baseadas em textos do próprio livro. 

No entanto, apesar da noite profícua, pouco tempo depois, a vocalista, Isabela Johansen deixou a banda e desfalcou-nos doravante. Um novo show foi marcado logo a seguir, no mesmo espaço, uma casa noturna de São Paulo, e na formação de um quarteto, o Nudes com a minha presença (Luiz), além de Kim e Carlinhos, apresentou-se pela derradeira vez, no início de 2016. 

Logo a seguir, Ciro começou a empreender esforços em prol de sua nova banda e o Nudes ficou engavetado. Portanto, neste momento que escrevo este trecho e encerro a minha história nesse trabalho, não houve mesmo a possibilidade de mudança de tal panorama, mas como a vida é mutável e / ou volátil, se houver uma continuidade ao menos em termos de resgate de material da nossa fase com a banda, nada impede-me de abrir novo capítulo e relatar tal continuidade, ou sobrevida, como queira o leitor.

Agora, vou agradecer aos personagens que gravitaram em torno do Nudes, nesse período pelo qual eu fui componente, entre 2011 e 2016:

1) Kico Stone 

O grande, Kico Stone (a usar óculos), na foto acima, em companhia do guitarrista superb, Tony Babalu. Acervo e cortesia de Tony Babalu. Click: Karen Holtz
 
Agitador cultural, ator, grande conhecedor da história do Rock e um film-maker de primeira linha, Kico acompanhou os shows do Nudes desde o início de minha entrada na banda, sempre a prestigiá-los com entusiasmo e a filmá-los. Sou-lhe grato por esse apoio e pela amizade expressa, nesse e em outros trabalhos onde estive e estou, quando sempre conto com a sua companhia, conversa inteligente, amizade e filmagens de categoria. Sempre brinco com ele, ao chama-lo como o "D.A. Pennebacker" da pauliceia.

2) Gustavo Johansen
      Gustavo Johansen, irmão da vocalista, Isabela Johansen

Irmão de Isabela Johansen, sou-lhe grato pela filmagem do show no Teatro Parlapatões de São Paulo, em 2014

3) Lara Pap
                        Produtora d'Os Kurandeiros, Lara Pap

Produtora d'Os Kurandeiros, Lara Pap emprestou um pouco de sua força de trabalho para o Nudes e claro que os seus esforços foram muito providenciais e bem-vindos. Agradeço-lhe por ter ajudado-nos tanto.

Hora de falar dos membros da primeira formação do Nudes, onde eu fiz parte:

1) Paulo Pires

Nessa foto promocional da banda: "Lavoura", Paulo Pires é o rapaz na parte de baixo, à esquerda e Caleb Luporini está ao seu lado, com cabelos mais longos
 
Baterista da formação assim que ingressei no trabalho, Paulo era (é) um bom baterista, muito firme e como pessoa, mostrou-se sempre sério na maior parte do tempo. Somente no terceiro show que fizemos juntos, pudemos enfim conhecermo-nos melhor e aí eu verifiquei que ele era (é) um grande conhecedor de música em geral e do Rock em específico, além de colecionador de discos. 

O nosso convívio foi pequeno, com apenas três shows, apesar desses eventos terem espalhado-se por muitos meses entre uns e outros. Sujeito de boa índole e bom músico, fiquei com uma boa impressão ao seu respeito. 

Tempos depois vi notícias suas com um outro trabalho, uma banda com ares experimentais, quiçá, "industriais", chamada: "Lavoura". Torço para que esteja bem e feliz em seus projetos.

2) Caleb Luporini

             O tecladista, baixista e compositor, Caleb Luporini

Simpatizei com a pessoa de Caleb Luporini desde o primeiro ensaio que realizamos juntos em 2011 e de fato, Caleb mostrava-se super simpático, expressivo e gentil. 

Bom tecladista, disse-me ser baixista, também e demonstrava pela conversa, ter boas influências musicais do passado, embora claramente fosse um músico ligado também em sonoridades modernas de cunho "indie", experimentalismos etc. 

Também componente do "Lavoura", vejo o seu nome sempre citado em eventos de música eletrônica e demais modernidades etc. e tal. Estarei sempre a torcer por ele, pessoa boa que o é, para ser bem sucedido e feliz.

3) Luciana Andrade

A cantora, instrumentista e compositora, Luciana Andrade. Foto: Leonardo Pereira
 
Eu tenho a tendência de simpatizar de imediato com pessoas que mesmo ao adquirir proeminência na sociedade, seja lá por qual motivação, mantêm-se humildes, sem que o sucesso altere o seu comportamento social e sobretudo, pessoal. 

É o caso de Luciana Andrade, uma artista que fez sucesso mega popular através da banda: "Rouge", ao frequentar o mundo das celebridades da esfera da TV aberta, revistas de fofocas & afins, mas mesmo assim, ela não mudou o seu comportamento diante dessa fama e não só isso, ao demonstrar amor a arte, pois ela esteve conosco imbuída de cantar as canções surrealistas do Ciro, com o mesmo empenho que teria em cantar os seus hits radiofônicos no programa da Hebe Camargo ou similares. 

Dona de uma linda voz e que coloria sobremaneira o som do Nudes, além disso era (é) muito afinada, tem talento de sobra e é uma mulher muito bonita, portanto sem soar piegas, Lu canta e encanta. 

Assim que saiu do Nudes, logo no começo de 2012, ela colocou os seus esforços em prol de uma carreira solo que teve um começo promissor, muito embalada pela sua fama popular pregressa, portanto eu a vi em muitas ocasiões em programas de TV aberta e afins, o que naturalmente deveria aproveitar ao máximo, vide o caráter efêmero com as quais, essas oportunidades surgem e desaparecem. 

Falei com ela por algumas vezes pelas Redes Sociais e a sua simpatia é muito grande. Torço para que faça muito sucesso e seja feliz!

Hora de falar dos membros da formação mais recente:


1) Isabela Johansen

       Isabela Johansen: cantora, instrumentista e compositora
 
Com uma juventude a flor da pele, Isabela trouxe muita vitalidade à banda, com sua verve Rock'n' Roll bem acentuada. Guitarrista e vocalista de bandas com proposta "Indie-Rock", em um passado próximo, Isabela revelou-se uma boa cantora e com performance bastante interessante no palco, ao mostrar desenvoltura, poder de improviso, uma boa dose de loucura cênica e muito carisma. 

Jovem, muito bonita e vivaz, claro que chamava bastante a atenção nos shows, mas Isabela era mais que um rostinho bonito, pois mostrou-nos ser boa cantora, instrumentista e compositora. 

Infelizmente, o desgaste de seu casamento com Ciro, respingou na banda, pois tornou-se impossível a sua permanência no trabalho, após a separação do casal. Atualmente, Isabela integra uma banda de Rock chamada: "Taberna Escandinava" que tem feito uma boa escalada inicial de carreira, apesar de militar no mundo underground com as suas dificuldades inerentes. Torço pelo sucesso dela, sempre. 

2) Carlinhos Machado

Baterista com currículo gigantesco, Carlinhos Machado somou mais um trabalho à sua enorme lista, ao ter tocado no Nudes, também

Não há muito o que acrescentar sobre Carlinhos Machado, visto que estamos a trabalhar juntos desde 2011 n'Os Kurandeiros, e ele esteve junto nos demais desdobramentos que essa banda teve (tem), incluso o Nudes. 

Portanto, só posso dizer que é um amigo de longa data, leal colega que muito ajudou-me em muitas circunstâncias, grande companheiro de conversas, lembranças & "causos" e um ótimo baterista, com o qual entrosei-me inteiramente, e é sempre bom saber que eu contarei com as suas baquetas a favor de meu baixo, a cada show.

3) Kim Kehl

Kim Kehl, guitarrista de muitas bandas e histórias acumuladas, a serviço dos Nudes, na foto acima
 
O mesmo raciocínio em relação ao Carlinhos, eu e Kim Kehl interagimos em muitos desdobramentos d'Os Kurandeiros, igualmente no caso do Nudes. 

Sou-lhe grato por ter telefonado-me em um dia de julho de 2011, ao fazer-me proposta dupla de trabalho, sendo um dos empreendimentos, o Nudes de Ciro Pessoa. 

Sou-lhe grato também pelo companheirismo dentro do Nudes e por sua capacidade como guitarrista, ao trazer-nos formulações harmônicas e coloridos melódicos para esse trabalho, ao honrar as tradições da psicodelia sessentista. 

Tais momentos deram-me o prazer de atuar ao vivo dentro de uma vertente do Rock que eu aprecio sobremaneira, portanto, apesar da escassez de oportunidades que essa banda obteve, infelizmente, nas poucas vezes em que atuamos nos palcos, a psicodelia fez-se presente com galhardia. 

Estamos a trabalhar juntos n'Os Kurandeiros normalmente e assim espero, por muito tempo.

4) Ciro Pessoa

Cantor, instrumentista, compositor e poeta & escritor, Ciro Pessoa, é um baluarte do surrealismo & psicodelia, no Brasil
 
O protagonista-mor desse trabalho, Ciro Pessoa surpreendeu-me positivamente, quando enfim conhecemo-nos na gelada noite de 24 de agosto de 2011, e ao proferir uma frase de efeito, cativou-me em torno de seus reais propósitos para com esse trabalho: -"o futuro é Pink Floyd". 

Para quem enxerga a verdade expressa em uma frase que para todos os efeitos revela o retrocesso, se interpretada cartesianamente, eis aí o porto seguro que tranquilizou-me a interagir artisticamente com um artista que eu pensava deter ideais antagônicos aos meus.  

Ciro tem grande capacidade criativa, é performático ao extremo e exerce tal loucura no palco, sem parcimônia. Com ele em cena, tudo é possível e eu adorava ter tal elemento ao meu lado como trunfo do trabalho. 

Sentia-me a atuar em uma banda psicodélica ao tocar no auditório Fillmore West, em pleno 1967, com a loucura a dominar todas as ações. 

Como eu já explanei amplamente, Ciro mostra-se empolgado e empenhado com seu novo trabalho através da banda: "Flying Chair". Espero que seja muito feliz nessa nova empreitada e atesto que a banda tem alta qualidade, visto que já resenhei o seu álbum de estreia em meu Blog 1. 

Veja abaixo, o Link para saber de tal impressão que tive desse trabalho:

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2017/08/flying-chair-1-album-por-luiz-domingues.html

             Luiz Domingues em ação com o Nudes, em 2014

A encerrar, eu agradeço ao Ciro Pessoa a oportunidade de tocar ao seu lado, e poder exercer a psicodelia, que é uma das vertentes que eu mais aprecio no Rock sessentista, e se tive lampejos dessa escola em alguns trabalhos pregressos que realizei, com outras bandas onde fui componente (bem sutilmente no "Pitbulls on Crack" e mais incisivamente no "Sidharta" e na "Patrulha do Espaço"), creio que através do Nudes, eu pude exercer isso mais substancial e integralmente.

Está encerrada portanto a minha história com o "Nudes" (Nu Descendo a Escada), banda de apoio do cantor, compositor e poeta, Ciro Pessoa.

Daqui em diante, as atualizações seguem com minha banda atual, Kim Kehl & Os Kurandeiros e sazonais novidades com trabalhos avulsos e/ou reencontros com bandas do passado e/ou campo aberto para trabalhos novos que possam surgir.

Grato por ler a história dessa etapa da minha carreira!

Até logo...

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 61 - Por Luiz Domingues

De fato, tínhamos um histórico de apresentações no Espaço Cultural Gambalaia, da cidade de Santo André-SP, desde 2011, assim que eu ingressei na banda. E também foi um fato que simpatizávamos com tal aconchegante espaço, onde sempre era agradável apresentar-se e além disso, mediante a certeza de uma apresentação com boa possibilidade de captarem-se boas fotos e filmagem.

Luiz Domingues com Os Kurandeiros em 12 de março de 2017, no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André-SP em clicks de Juja Kehl
 
E essa perspectiva cumpriu-se, certamente, quando ali voltamos em 12 de março de 2017, um domingo e desta feita, sob os auspícios de um lançamento de novo álbum, uma boa novidade para o público de Santo André e de todo o ABC. 

Tudo foi muito bom nessa noite ali no Gambalaia, com uma única exceção e que nada teve a ver com a apresentação em si, tampouco com o espaço. Ocorreu que o palco já estava montado para o soundcheck, ainda no período da tarde, quando eu lembrei-me de buscar um objeto no interior de meu automóvel estacionado próximo ao Gambalaia. 

Peguei o que precisava no interior do automóvel e quando só faltava fechar e trancar a porta do veículo, alguém freou e buzinou com contundência na esquina e nesse momento em que olhei para ver o que ocorria na rua com outrem, distraí-me completamente e nessa fração de segundos em que a porta estava a ser fechada com certa força, eu não tirei minha mão direita rápido o suficiente e prensei-a com bastante truculência, a causar-me dor intensa e um hematoma instantâneo. 

Naquela fração de segundos, imaginei que havia quebrado o dedão da mão direita, o maior prejudicado pelo acidente, mas logo a seguir, percebi que não ocorreu uma fratura propriamente dita, mas o inchaço foi enorme e a respectiva unha ficou inteiramente roxa, obviamente causada pelo fluxo sanguíneo de uma pequena hemorragia interna.

Mais flagrantes d'Os Kurandeiros em ação no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André-SP, no dia 12 de março de 2017. Clicks de Cristina Piratininga Jatobá

Mesmo a doer muito e a preocupar-me em relação ao show que ocorreria cerca de uma hora e meia depois disso, eu não pude deixar de recordar-me de que o guitarrista Jimmy Page, do Led Zeppelin, passara por fenômeno semelhante por volta de 1976, quando prensara a mão acidentalmente em uma cabine de trem, em algum lugar da Europa, Suíça ou Alemanha, não recordo-me ao certo. 

Bem, no meu caso, a dor, inchaço e coloração assustadora da minha unha preocupou-me, mas em nenhum momento eu cogitei cancelar o espetáculo por conta desse acidente e por sua consequência desagradável. Tanto foi assim, que nem comuniquei de imediato aos colegas o ocorrido e só depois contei-lhes o fato, com o show consumado e sem nenhum prejuízo à minha performance pessoal e muito menos com possibilidade de prejudicar a banda.

Luiz Domingues em destaque nas fotos 1 e 3 e a banda em panorâmica na foto 2. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia, de Santo André-SP, no dia 12 de março de 2017. Clicks, acervo e cortesia de Regina de Fátima Galassi

Antes mesmo do show iniciar-se, três pessoas que vieram assisti-lo, surgiram nos bastidores e foi muito agradável revê-los. Um foi José André, o responsável pelo excelente Site, "Nave dos Deuses", que trata-se de um dos maiores baluartes de apoio ao Rock Brasileiro, tendo um trabalho impecável em termos de organização, acervo impressionante de discos e informação sobre artistas de todos os tempos, incluso suporte irrestrito para artistas novos. 

Grande conhecedor da matéria e um entusiasta sem reservas do Rock nacional, José André conversou comigo por bastante tempo, ao colocar-me a par das últimas novidades de seu Site, e ali falou detidamente sobre o último álbum do "Klatu" que impressionara-o fortemente. 

Como o leitor de minha autobiografia já sabe bem, o Klatu é a banda de meu ex-aluno e hoje amigo, Alexandre Peres "Leco" Rodrigues, e eu já havia publicado tempos atrás uma resenha a abordar a banda e os seus primeiros dois discos, em meu Blog 1. 

Questão de poucos dias depois, o próprio Alexandre abordou-me e entregou-me o CD desse novo trabalho e logo a seguir, também impressionei-me positivamente com a obra, assim como o José André alertara-me e também elaborei uma resenha dele, em meu Blog 1. 

Foto do José André, mostrando Os Kurandeiros no palco do Espaço Cultural Gambalaia de Santo André-SP, em 12 de março de 2017

O segundo amigo que apareceu nos bastidores do pré-show, foi José Roberto Agatão, um rapaz que eu conhecera nos tempos da Patrulha do Espaço, através do Rolando Castello Junior. Fã da Patrulha do Espaço, Agatão acompanhou diversos shows da nossa banda na ocasião de nossa formação "Chronophágica" e sempre foi um amigo solícito, pronto a apoiar. 

Nesse momento a morar na região do ABC, ali apareceu para prestigiar Os Kurandeiros e foi muito agradável ter a sua presença e entusiasmo, grande Rocker que ele é.

No pós-show, da esquerda para a direita: Kim Kehl, o amigo José Roberto Agatão e Luiz Domingues. Foto clicada por Regina de Fátima Galassi e acervo de José Roberto Agatão

E o terceiro amigo que surgiu no show, foi o excelente guitarrista, Marcos Mamuth. Também morador do ABC, ficou bem facilitada a sua visita, ainda bem. 

Mamuth contou-me sobre a seriedade dos problemas de saúde que teve, logo a seguir do problema que eu enfrentei. Ele também passara por cirurgias perigosas e teve longo tempo de recuperação pós-cirúrgica. Que bom vê-lo ali recuperado e com a vida quase normalizada e só quem passou por sufoco semelhante, sabe o quanto é demorada a plena recuperação e o quanto comemora-se cada pequeno avanço nesse sentido.

No pós show com o grande Marcos Mamuth que prestigiou-nos. Da esquerda para a direita: Carlinhos Machado, o guitarrista Marcos Mamuth, Kim Kehl e Luiz Domingues. Click de Regina de Fátima Galassi. Acervo e cortesia de Marcos Mamuth 

"Eu Vi um Anjo" (Kim Kehl) - um pequeno trecho com a perspectiva da câmera acoplada ao baixo de Luiz Domingues. Filmagem e produção de Juja Kehl. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André-SP, em 12 de março de 2017

Sobre o show, foi excelente e com uma boa nova. O irmão mais novo do Kim, Juja Kehl, que é um experiente Road Manager a serviço de artistas mega populares do mainstream da música, é também fotógrafo e film-maker. 

Juja, quando não está na estrada, literalmente, a cuidar da logística de turnês monstruosas de artistas desse porte, gosta de fazer fotos e filmagens temáticas e de fato, ficou muito bom nisso, e apesar de ser aparentemente um "hobby", leva tal tarefa a sério e mais que isso, é bastante procurado por uma clientela que deseja os seus serviços marcados pelo bom gosto. 

Como por exemplo, ele desenvolve ensaios com garotas estilizadas na temática das "Pin Ups Girls" ao sabor da moda dos anos 1940 & 1950, a compor álbuns em que nada devem aos profissionais norte-americanos especialistas no assunto. 

E assim, sob uma rara brecha de de sua agenda, Juja prontificou-se a estar conosco no Espaço Cultural Gambalaia e fotografar e filmar-nos. E além disso, uma fotógrafa também conhecida no métier do Rock paulistano, também esteve presente e brindou-nos com seus clicks de muito bom gosto, no caso, a simpática, Cristina Piratininga Jatobá.

Os Kurandeiros em ação no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP, em 12 de março de 2017. Clicks de Cristina Piratininga Jatobá
"Faz Frio" (Kim Kehl) - na mesma perspectiva do vídeo de "Eu Vi um Anjo", mas desta feita com a câmera acoplada à guitarra de Kim Kehl. Filmagem e produção de Juja Kehl. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André-SP, em 12 de março de 2017 

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=FwinyJf9Zbk 

Trecho de "O Filho do Vodu", com ênfase no baixo de Luiz Domingues. Filmagem e produção de Juja Kehl. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André-SP, em 12 de março de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=oK0oXJmO5OU 

Trecho de um solo "Blues-Rock" com ênfase na guitarra de Kim Kehl. Filmagem e produção de Juja Kehl. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André-SP, em 12 de março de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=0UtplywuGZY 

"A Noite Inteira" (trecho), sob a perspectiva do baterista Carlinhos Machado em ação. Filmagem e produção de Juja Kehl. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André-SP, em 12 de março de 2017
Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=xOnX-rlJFAU 

Portanto, dedão arruinado e a latejar a parte (e nesse dia eu estava com dor de dente, também, portanto, como dizia o nosso querido Dr. John: -"such a night!"), foi muito divertido fazer o show e ter lançado o nosso novo EP na sempre acolhedora cidade de Santo André-SP, uma urbe Rocker, por natureza.
Foto posada do pós show, para servir como peça de promoção em 2017. Click de Juja Kehl, no Espaço Cultural Gambalaia, de Santo André-SP, em 12 de março de 2017. Os Kurandeiros, da esquerda para a direita: Kim Kehl, Carlinhos Machado & Luiz Domingues 

Depois disso, recebemos o convite do tecladista, Alexandre Rioli, para uma nova investida em sua casa, o Magnólia Villa Bar, onde Os Kurandeiros construiram uma história bem longa anteriormente e mais do que isso, havíamos sido uma banda com dupla identidade por dois anos e meio, praticamente, como "Magnólia Blues Band". 

Portanto, se houve uma casa onde Os Kurandeiros sentiam-se  inteiramente familiarizados, sem dúvida que a simpática casa do bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo, foi praticamente o nosso QG. Mais que uma apresentação a mais, Alexandre convidara-nos a participar de um chat-show ligado a uma webradio que gravaria uma entrevista no dia e o show, quase na íntegra, além de execução de nossas músicas, mediante áudio dos CD's da banda.

"A Galera do Rock" no Magólia Villa Bar, em transmissão da webradio, Planet Music Brasil" - 24 de março de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=mw-FRF0bcOE
"7 Anos" no Magnólia Villa Bar, em transmissão da webradio, Planet Music Brasil - 24 de março de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=OdqWOHbK1p4
 
E assim foi na noite de 24 de março de 2017, quando concedemos entrevista ao simpático Altevir, responsável pela webradio, Planet Music Brasil. Foi uma entrevista muito descontraída, muito pela condução agradável de Altevir, que nos deixou bem a vontade e onde falamos do trabalho d'Os Kurandeiros, passado/presente & perspectivas de futuro, e quando sobrou até espaço para falarmos de trabalhos pregressos de cada um dos membros. 
Confraternização com amigos da banda, no Magnólia Villa Bar, na noite de 24 de março de 2017. da esquerda para a direita: Carlinhos Machado, Kim Kehl, Victoria Furlani (nora de Regina de Fátima Galassi); Luiz Domingues e a amiga, Regina. Click de Lara Pap 

Desse ponto em diante, tivemos mais uma série de shows em casas noturnas paulistanas, incluso algumas em que nunca havíamos tocado anteriormente e que gerou histórias inusitadas, que contarei a seguir.

Continua...

Os Kurandeiros - 15/9/2017 - Sexta-Feira / 19 Hs. - Rockers Self Garage - Saúde - São Paulo / SP





Os Kurandeiros

15 de Setembro de 2017 - Sexta-Feira - 19:30 Horas

Rockers Self Garage

Rua General Chagas Santos, 607

Saúde

Estação Saúde do Metrô

São Paulo  -  SP 

Os Kurandeiros
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Redes e Tramas... - Por Telma Jábali Barretto

De quantas redes são feitas nossas novelas ?
Sim... vivemos num emaranhado de teias, tecidas com várias tramas alimentadoras, sedutoras que ora confundem, ora iluminam... ... ...

Desembarcamos naquela que costuma nos acompanhar por toda vida : família! Ela, sozinha, nos testa em vários verbos que, com ela mesma, aprenderemos ao longo da trajetória. Quantas outras assumimos e nos enredamos por afinidades ou compromissos cobrados pelo nosso próprio desabrochar, impostos ou aos quais somos levados, consciente ou inconscientemente, contatados por caminhos que a Vida mesma, em sua criatividade sábia, vai propondo, encantando ou ancorando, brigando ou suavizando.
Fato é que viemos novelos, às vezes embaraçados e às vezes fios soltos,  correndo suaves, fluidos, compondo nossos cenários misturados de cores e tramas que, a proximidade com outros novelos e cenários vão tomando forma e dando também forma a esses que nos tangenciam... Muitas vezes oferecemos, nessas oportunidades de intersecções, amarras, laços ou nós que perduram... Em outras, só mesmo apoiando num específico e determinado momento na dor ou descoberta, insight revelador que, mesmo que deixando suas marcas,... passa, esvai...


Algumas tramas são feitas de laçadas fortes e, essas, trazidas naturalmente ou construídas num empenho escolhido e lapidado, teceram, tecem e tecerão?!...as redes ou bolhas das quais nosso caminhar é constituído. Ali estão miolo e cerne de nosso lapidar... Aí mesmo está nosso Mahabharata (Grande Batalha) e aí mesmo encontramos combustível para ir além de nós mesmos, onde, entre dores e prazeres, somos continuamente desafiados e, meio a flores e espinhos, seguimos empenhados na conquista daquilo que chamamos sucesso que não necessariamente é o que está nas propagandas da mídia, menos ainda aquilo que nos é cobrado, incentivado ou sugerido pelos melhores amigos, ou pelos pais ou quaisquer pessoas que nos sejam caras...mas por aquele algo interno que é preciso aprender a ouvir para apreender e respeitar como o próprio chamado, voz interior, definidor do que deveríamos ser fiéis, atentos para ser captados pela Grande Rede, Matrix talvez?!... que, paciente, nos espera, para que sigamos, não nos deixando abduzir em meio a gritos, sussurros, convites muitos, festivos ou obnubilados, procrastinadores ou traidores de quem Somos ou deveríamos SER !!!





Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga; consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Sudha Raja Yoga. Nesta reflexão, mostra-nos como a rede de relacionamentos múltiplos dos quais inserimo-nos obrigatoriamente através da vida, são importantes ao extremo em nosso desenvolvimento, como fonte rica de aprendizado.