sábado, 17 de setembro de 2022

Fabio Zaganin, um Talento em Favor da Música - Por Luiz Domingues

Músico de altíssimo nível, portanto sempre muito requisitado para gravar e atuar ao vivo, a acompanhar diversos artistas de diferentes vertentes e a cuidar de seus próprios projetos de carreira, o baixista e compositor, Fabio Zaganin, vai muito além, na verdade, ao se colocar na cena artística como um artista que também atua com desenvoltura no mundo pedagógico da música.

Tal característica que o diferencia no meio, se dá por diversos fatores, entre os quais a questão de que mesmo tendo atingido um patamar elevado no tocante ao conhecimento teórico e sobretudo pelo alto grau de destreza ao instrumento que o conduziu à condição de um virtuose, Zaganin jamais abandonou as suas raízes em termos de predileções musicais.

Nesses termos, o fato de haver estudado muito e ante tal conhecimento portentoso abrir a possibilidade de mudar a sua visão da música, algo bastante usual entre a maioria dos músicos que se gabaritam dessa forma, Zaganin jamais se afastou de suas raízes, o que na minha ótica, é um fato que o enaltece ainda mais.

Há outros músicos desse mesmo gabarito e mentalidade a denotar excelente senso de ecletismo no meio musical que também ostentam essa característica louvável, casos de Fernando Tavares, Milton Medusa, Marcio Okayama, Luiz Pagoto e outros, por exemplo, que habitam o mundo pedagógico formado por catedráticos da música, mas que se mostram abertos para atuar em qualquer vertente e claro, todos merecem aplausos pela postura arejada a denotar ecletismo.

Ao ir além, no caso de Fabio Zaganin, o seu currículo portentoso fala por si só. Mediante uma carreira construída com inúmeros trabalhos solo, participações com bandas de carreira, a se colocar como convidado de diversos artistas de alto quilate, Zaganin também é um professor de altíssimo padrão. E por ter atingido tal condição, ele avançou muito nesse campo da pedagogia musical e criou método, estudos e aperfeiçoamentos, disponíveis em termos de publicações consagradas, além da sua atuação forte na internet e através dos cursos presenciais ministrados em instituições de ensino musical, muito importantes do mercado paulistano.

Como professor exemplar quer o é, além da publicação de métodos de sua autoria, ele já foi colaborador de muitas revistas especializadas para músicos, notadamente no campo do contrabaixo, a sua especialidade, mas também abertas à cobertura musical em geral e nesse sentido, a sua contribuição sempre se mostrou rica, ante tanto embasamento que ele possui na área musical em geral e sobre o contrabaixo em específico, mais ainda.

Irmão do excelente luthier, Marcio Zaganin, Fabio atua como garoto propaganda da luthieria “N.Zaganin”, uma das mais prestigiadas no meio, com fama nacional adquirida e nessa parceria ele mantém um modelo de baixo elétrico especialmente produzido sobre a sua assinatura.

Entre tantos trabalhos notáveis nos quais participou como baixista, compositor e arranjador, Fabio atualmente (2022), faz parte da formação do lendário grupo Pop-Rock, “Rádio Taxi” e está empenhado no desenvolvimento da turnê comemorativa dos quarenta anos da formação desse famoso grupo egresso dos anos oitenta, ao lado de grandes músicos e sob o comando do membro fundador, Gel Ferrnandes.  

Sobre a sua discografia oficial, eu tenho em minha estante dois álbuns dele, “Canastra” (do projeto “ZFG Mob”), e “Rumble Fish” (este creditado como álbum solo de Zaganin), ambos a apresentar uma música instrumental de elevado nível. Cercado de grandes músicos, (Claudio Tchernev, Joe Moghrabi, Edu Gomes e Mario Fabre), os dois discos são versados por inúmeras influências nobres.

No CD “Canastra” do Projeto “ZFG Mob”, a sonoridade é eclética ao passar pelo Blues-Rock, Jazz tradicional e afins, entretanto, é preciso salientar que tal sonoridade se revela com uma roupagem totalmente versada pelo Jazz-Fusion em termos de conceito e linguagem de áudio no tocante à sua produção de estúdio. E a despeito disso, há espaço para outras vertentes tais como: o Jazz-Rock, Rock Progressivo sob orientação setentista e há até espaço para o Hard-Rock, ainda que subliminarmente e igualmente sob o viés mais moderno, além de passeios implícitos pela brasilidade do Jazz-Samba, flertes com o Reggae e lampejos do Blues mais tradicional. 

Já o CD “Rumble Fish” tem uma forte identidade com o Rock Progressivo sob o viés mais oitentista nos moldes do trabalho do King Crimson em tal década como um exemplo para situar o leitor, mas a se provar eclético, há inclusa a forte dose do Jazz-Fusion, da música experimental em geral e pontuais referências ao Hard-Rock mais moderno pós-anos 2000. E claro, o virtuosismo garantido e muito natural da execução da parte de Zaganin e de seus convidados, aliado à completa sofisticação harmônica e rítmica das peças apresentadas, que sobressai.

Veja abaixo o currículo vasto de Fabio Zaganin e verifique dessa forma que eu não exagerei na minha avaliação descrita acima sobre a sua trajetória!

Estudou com Mia (Noções Básicas), Jorge Oscar (Leitura) e Cláudio Leal (Harmonia e Rearmonização). 

Atualmente (setembro de 2022):

Divulga seu primeiro álbum solo Rumble Fish e seu mais novo livro sobre o contrabaixo Slap On Bass.

Trabalha com o trio instrumental ZFG MOB (ao lado de Mario Fabre e Edu Gomes) com dois álbuns lançados; Canastra (2009) e Elefante (2016). Atualmente o lançamento da série de vídeos “Lockdown Sessions” interpretando temas dos dois álbuns.

Vídeos exclusivos no canal oficial no YouTube: Imperfect Instant Improvs - Improvisos de Baixo + Loop

Live Conversando Sobre (Temporada 1) - Falando sobre tópicos e estudos do contrabaixo.

Atua com o bluesman, André Christovam, com recentemente lançado EP As If I Ever Left You Behind (cd 2022) e o EP Looks Like It’s Over previsto para julho de 2022 - concluindo este projeto conceitual de duas partes. Shows de lançamento em breve.

A partir de 2022, passa a integrar a banda Rádio Taxi em sua turnê de 40 anos com previsão da gravação do DVD Radio Taxi Acústico 40 Anos.

A convite do guitarrista Faiska Borges, integra o Jeff Beck Tribute ao lado dos amigos Giba Favery e Leo Mitrulis com estreia prevista para o segundo semestre de 2022. 

Publicações:

Já contribuiu para inúmeras publicações especializadas como: On & Off, Neozine, Cover Baixo e Bass Player Brasil sobre o estudo e pesquisa do contrabaixo. 

Atuou e/ou registrou parte de suas composições com:

Amantes da Rainha, Annubis, Blesqi Zatzas, Full Stop, Legalize, Pitbull, Sangue e Sociedade B3. 

Já se apresentou e/ou gravou com:

Amleto Barboni, André Christovam, Big Gilson & Allan Ghreen, Clara Ghimel, Dr. Feelgood, Douglas Capellato, Dylan Webster, Edu Mello, Fernanda Rogano, Lancaster Ferreira, Luis Frias, Marcelo Watanabe, Marco Camarano, Mark Ford, Maurício Gasperini, Maurício Sahadi, Mona Gadelha, Mônica Tomasi, Ronnah LA, Samuel Rosa e Vasco Faé.

André Christovam Trio com: Andreas Kisser, Bruce Ewan, Chuck Hipólitho, Flávio Guimarães, Heraldo Do Monte, Hubert Sumlin, Luís Carlini, Robson Fernandes e Théo Werneck.

Albino Infantozzi, Athos Costa, Cândido Serra, Christian McCarthy, Edu Ardanuy, Fabiano Carelli, Faíska Borges, Giba Favery, Joe Moghrabi, Kiko Loureiro, Marco Angi, Marcos Davi, Mario Fabre, Michel Leme, Sérgio Buss, Wanderson Bersani, Wander Taffo e Ad-ZIV.

A Máfia, Anjos da Noite, BR-3, Cara de Cavalo, Comma, Fuga, Hot Stuff (Portugal), Junk, Irmandade do Blues, Manuels, MIZ, Phoneutria, Psycho FC, Rádio Taxi e Taffo.

Musicais, Tributos e Projetos:

Blues no País do Samba: André Christovam, Adriano Grineberg, Álvaro Assmar, Amleto Barboni, Balxita, Celso Salim, Flavio Guimarães, Greg Wilson, Heraldo do Monte, Ivan Marcio, Mario Fabre, Solon Fishbone.

EM&T Plays Jimi Hendrix/EM&T Plays Van Halen/EM&T Tributo Ronnie James Dio.

D’addario XL Generation: Michel Leme, Samuel Rosa e Kiko Loureiro. Mario Fabre, Fabio Augusto, Wander Taffo e Kiko Muller.

Gray Wizard Music: Christiano Rocha, Edu Ardanuy, Joe Moghrabi, Marcelo Barbosa e Rafael Bittencourt.

Surtando Ideias: Rafael Bittencourt, Christian McCarthy, Christiano Rocha, Joe Moghrabi e Ricardo Confessori.

Tributo Wander Taffo Still Lives: Alírio Netto, Christiano Rocha, Demian Tigueis, Edu Ardanuy, Fabio Augusto, Ivan Busic, Marcelo Souss, Marco Bavini, Maurício Gasperini, Michel Leme e Raphael Bittencourt. 

Bandas Tributo/Cover:

Alkatraz, Burnin' Bush, D'addario Team, Dona Xepa, Folk Rock, Jack Daniels On The Road, Pé Redondo, Rock House, Rolling Stones Cover, Soul Funky, Spirit Blues e The Outsiders. 

Jingles e Trilhas:

Produtoras: Play It Again(!), SAM, Sax So Funny e Piano. 

Festivais, Oficinas e Expo: 

Festival BB Seguros de Blues e Jazz, Festival de Verão, EM&T Bass Day, Natublues, Zildjan Day, MP3 Festival, IB&T Bass Festival, Sesc & Blues, Batuka!, Virada Cultural, Baixo Brasil Festival, Oficina de Música de Curitiba, Rock Rola no Espaço, Rock In Rua, Wednesday Blues, Dia do Desafio Sesc, D'addario Team Festival, IP&T/Modern Drummer Festival, Heróis da Guitarra, Expo Music, EM&T In Concert, Salão de Bateria, Cover Baixo Festival, CD Expo, Ilha Bela Blues Festival, N.Zaganin Day, GuitarWeek, IG&T/Guitar Player Festival, Music Show Experience e Ilha Comprida Festival entre outros. 

Turnês:

Rádio Taxi - 40 Anos, André Christovam - Mandinga 30 anos, Mauricio Gasperini - Italiano, André Christovam - Mandinga 25 anos, André Christovam - Banzo, Jack Daniels On The Road, Junk - Junk, André Christovam - Catharsis, Hot Stuff - Kind Of Crime 

Discografia Seleta:

Fabio Zaganin – Rumble Fish

ZFG MOB – Canastra

ZFG MOB – Elefante

Annubis – Metamorfose de Ecos (EP)

Pitbull – Ao vivo no Quorum

Blesqi Zatsaz – Tales Of Brazilian Rock (Coletânea)

Sangue – IG&T 15 Anos (Coletânea)

Vários Artistas – G.U.I.T.A.R. (Coletânea)

André Christovam – Banzo (Eldorado)

André Christovam - Sustainable Blues (Single) André Christovam- Mandinga 30 (Single) 

Bibliografia seleta:

Slap On Bass

Workshop Contrabaixo – The Workshop Years (Volume 1)

Contrabaixo Rock – Coleção Toque de Mestre (Editora HMP) 

Videografia seleta:

Fabio Zaganin – King Crepax (Vídeo Clip)

Sangue – Solidão (Vídeo Clip/Making Of)

Fabio Zaganin – Contrabaixo Blues Essencial (Vídeo Aula) 

Parcerias:

N.Zaganin – Contrabaixo Amanaîé 4, 5 e 6 cordas

DMT Custom Shop - Pedal Rumble Fish Bass Wah

Em suma, eis um grande artista cujo trabalho eu recomendo muito. Para conhecer ainda mais o trabalho de Fabio Zaganin, acesse:

Site oficial (em construção/setembro de 2022):

www.fabiozaganin.wordpress.com

 

YouTube:

www.youtube.com/fabiozaganin

 

Facebook (página oficial):

www.instagram.com/fabiozaganin

 

Instagram:

www.instagram.com/fabiozaganin


sábado, 10 de setembro de 2022

Ponto, Vírgula e...Reticências... - Por Telma Jábali Barretto

Aprendemos após a alfabetização as pontuações que regem nossa escrita que, provavelmente, foram interpretações daquilo bem anterior já aconteciam na comunicação oral... pensamos ser assim muito daquilo que nos rege nas mais diversas áreas da vida humana acontece no processo civilizatório. E quão importantes são tais regrinhas na nossa vidinha... 

O viver em conjunto, em agrupamento, à medida que saímos do individual avançamos para dois e seguimos tomando mais e mais numerosos convívios, muitas acabam sendo as formas buscadas para harmoniosamente fluirmos entre nós, dessa forma que orgânica e naturalmente seguimos num passo a passo chamado evolução. E quanto mais complexas as individualidades mais complexas tendem a ser as negociações e acordos a conduzir nosso crescer...

O crescer, quebra da semente, origem, para florir, pode doer... Sabemos de regras mais concretas onde a força física já trouxe o tom de ‘acordos’ que à proporção que as conquistas mais subjetivas e carregadas de maior importância apareciam, seguimos nessa jornada, a todo momento, convidados pelas sagradas e importantes abrangências que as tais pontuações de qualquer convívio foram e serão percebidas. 

Aprendemos dessa maneira absolutamente instintiva, pela força da própria vida a nos superar criando e fabricando linguagens, marcações que, em nome de estar juntos, trocar, levar e receber, a dar e absorver num fluxo muitas vezes nem nomeado ou até consciente.

Necessidade do próprio existir nos insere criando mágicas tão intrínsecas da natureza em si mesma que sempre sábia, solene e transformadora começamos a estar no jogo, grande jogo, Maha Lila, que faz seu curso perene regido pela energia maior levando muitos e floreados nomes. Existe em cada um de nós um idioma, linguajar, música de acontecer que buscamos visceralmente encontrar para contribuir, comandar, servir, acrescer, dividir, multiplicar, abstrair, materializar e ... ... tantos e infinitos outros verbos proporcionais aos números de habitantes sejamos em cada contexto do menor até os mais complexos como planeta, processo cósmico etc ... que a Vida segue em nos sugerir, autorizar, estimular e inspirar ininterrupta, sem trégua e com as mais incríveis novidades que cada um terá que interpretar para fazer uso de seu espaço intransferível, único e com essa participação dar o tom numa imensa sinfonia, sempre harmoniosa de uma perspectiva grandiosa, atemporal e transcendente e pouco nítida para nós. 

Muitas vezes no enorme cenário observamos, somos ou intuímos o que parece como um ponto, encerrando um processo. Já, em outro lugar, percebemos a contribuição de uma vírgula que traz uma parada não conclusiva e só necessária ali a um fôlego e... ainda e muitas vezes... um tempo mais longo de reflexão, silêncio que, nem sendo fecho e nem intervalo, cria um respiro mais, talvez, misterioso que pesa, avalia, causa, sugere quase sempre mais interrogações, suspiros e indagações a depender do curso daquela comunicação, acontecimento ou fato. Parece essa ser a linguagem da vida, VIDA, que imitamos, melhor, por trazer em nosso DNA, nossa ancestralidade, nomeada ou não, fazemos uso, com ou sem critério, num processo em si mesmo organizado, ordenado, estruturado por onde avançamos no desvendar da própria individualidade gerindo, interferindo e acessando caminhos às vezes por vias bem tranquilas, serenas e claras e, em outras, nebulosas, lapidando e doendo bastante para entender quais sinais, símbolos ali estão... 

Seguimos e seguiremos, com mais ou menos discernimento, interpretando, subjetivando, ampliando olhares que vão criando marcas e deixando nossa impressão naqueles que convivem conosco e nas muitas pontuações que em nós fizeram nos múltiplos retalhos forjando quem somos nesse incessante fluir de respiros, tempos, paradas e continuidade aprendidos, respeitando os nossos intervalos (que nem sempre nós mesmos entendemos?!...?!) e de todos os demais (menos ainda sabemos porquês... e... ?!...), da vida ou trazidos pelas circunstâncias. Loongooo, encantador e desafiador esse alfabetizar proposto pela Vida e voi-là ...

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga, consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Sudha Raja Yoga.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 168 - Por Luiz Domingues

Fomos escalados para participar da 34ª Feira de Artes da Vila Pompeia, em maio de 2022. Ora, já havíamos participado de muitas edições anteriores e também de várias feiras paralelas e derivadas dessa mesma em específico, no entanto, desta feita a ambientação se mostrou diferente por alguns aspectos.

Primeiro ponto, a Feira grande do bairro, sempre ocorrida em maio, não teve edições em 2020 e 2021, por conta da pandemia e dessa forma, o anúncio da sua volta triunfal em 2022, ganhou ares épicos para a festa em si, e certamente para todos os envolvidos direta ou indiretamente com a sua produção e sobretudo, para a comunidade formada pelos moradores do bairro e adjacências, exatamente por demarcar uma espécie de vitória comum de todos contra o terror gerado pela pandemia mundial.

Nessa altura, com quase toda a população devidamente imunizada pela ação vacinal, sendo que um grande contingente de pessoas com três ou quatro doses a agir nos seus respectivos organismos, o fato de que os números da pandemia haviam arrefecido drasticamente, proporcionou a sensação da vitória sobre a contaminação e consequente volta da vida normal.

Eu não pensava assim, no entanto e ainda achava imprudente o relaxamento das medidas profiláticas. Nessa altura, mesmo com quatro doses de vacina a agir no meu organismo, não havia abolido o cuidado de evitar aglomeração, ainda observava o uso de máscara e o constante cuidado com a higiene pessoal e de minhas vestimentas, inclusive com o tubo de álcool em gel sempre a postos no bolso da minha calça para ser usado. 

Contudo, mesmo ainda cético em relação à erradicação da pandemia, é claro que me senti feliz por verificar o seu gradual arrefecimento, consequente volta da vida social e sobretudo cultural, de onde me inseria completamente com uma carreira musical em pleno curso e assim, claro que me senti contente quando soube da escalação da nossa banda.

O segundo ponto positivo para se enaltecer nessa mesma ocasião, foi o fato de que na mesma Feira, palco e marcada para atuar exatamente antes da nossa banda no cronograma, foi anunciada a apresentação da banda: "Uncle & Friends" do amigo, Lincoln Baraccat, simpático combo que era montado por músicos de alta qualidade para defender as suas composições e do qual, eu mesmo, Luiz Domingues e o baterista d'Os Kurandeiros, Carlinhos Machado, também estaríamos a participar, mais uma vez.

E um terceiro ponto importante se deu por que fomos escalados para encerrar a apresentação, ou seja, com a Feira em seu auge de frequência entre o final da tarde e início da noite, portanto, um ponto nobre da festa para se tocar.

Dessa forma, haveria de ser (e o foi, efetivamente), uma tarde agradável por nos proporcionar vivenciarmos diversos fatos agradáveis sob todos os aspectos.

Nesse ínterim, os esforços do nosso guitarrista, Phill Rendeiro seguiram para se mixar o áudio do show ao vivo que havíamos cumprido durante o Dellaz Fest em outubro de 2021. E dessa maneira, ele havia nos enviado uma série de vídeos curtos, com caráter caseiro para que ouvíssemos trechos com os quais ele estava a trabalhar e assim tomarmos ciência de como o seu trabalho de preparação desse áudio estava a se desenvolver.

Trecho da música: "Cidade Fantasma" em versão ao vivo, sob processo de mixagem.  Filmagem, acervo e cortesia: Phill Rendeiro

Eis o link para assistir no YouTube:  

https://www.youtube.com/watch?v=usY84Hb5vGs

Outro trecho da mesma música, "Cidade Fantasma", sob versão ao vivo, em fase de mixagem. Filmagem, acervo e cortesia: Phill Rendeiro

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=jI0jsugLGZ4

Um trecho da música "A Noite Inteira", oriunda do mesmo show no Dellaz Fest de 2021. Filmagem, acervo e cortesia: Phill Rendeiro

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=snql5onUOQI

Trecho da música "Viagem Muito Louca", também pertencente ao mesmo áudio ao vivo obtido durante a apresentação d'Os Kurandeiros no Dellaz Fest de 2021. Filmagem, acervo e cortesia: Phill Rendeiro

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=vorxcwLV5c0

Mais um trecho da música "Viagem Muito Louca", versão ao vivo e em processo de mixagem. Filmagem, acervo e cortesia: Phill Rendeiro. 

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=g1n6SLNktKc

Um ensaio foi marcado para termos um apronto seguro a fim de selar a nossa participação na Feira da Vila Pompeia.

Continua...

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 167 - Por Luiz Domingues

Logo que chegamos ao mês de maio, a grande novidade inicial que tivemos para esse mês, foi o lançamento do clip oficial da música "Cidade Fantasma", peça homônima ao disco que havíamos lançado ao final de 2021.

Sob uma concepção bem divertida, a conter ilustrações que acompanham certas nuances da letra da música e mescladas com imagens de um ensaio que a banda realizara em 2021 no estúdio Mad em São Paulo, tal produção foi marcada para estrear justamente no dia 1º de maio, um dia de feriado e que o calendário de 2022 fez com que caísse em um domingo.

O clip da música "Cidade Fantasma". Concepção e edição: Kim Kehl. Lançado em 1º de maio de 2022.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=3Y7nxnSmZBU

Outra ação boa que veio logo a seguir, foi o lançamento de uma linha de palhetas com o logotipo d'Os Kurandeiros. No padrão de uma palheta clássica da marca Fender, modelo"Heavy", a primeira remessa que nos foi entregue apresentou a cor branca predominante com o logotipo da nossa banda grafado em preto.

E com a constatação de que embora a pandemia ainda não estivesse oficialmente controlada e melhor ainda, erradicada totalmente, eis que oportunidades para shows ao vivo voltaram a surgir e assim, tivemos dois shows marcados para o mesmo mês de maio.

Continua...

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Uncle & Friends) - Capítulo 113 - Por Luiz Domingues

Domingo com sol e muito vento, embora sem com que isso fizesse a temperatura abaixar dramaticamente, foi em meio a uma tarde de outono amena, portanto, que eu fui me encontrar com os amigos da "Uncle & Friends" e me concentrar com eles nos bastidores a fim de aguardar a nossa vez de adentrarmos o palco. 

O nosso show estava marcado para se iniciar às 17 horas e logo a seguir, o evento encerrar-se-ia com a minha própria banda, Os Kurandeiros, portanto, a perspectiva de que eu e o baterista, Carlinhos Machado nos mantivéssemos prontos para atuar com a nossa banda a posteriori, foi maravilhosa, com as duas bandas pelas quais atuaríamos, a se apresentarem uma seguida a outra.

Pelas ruas da Vila Pompeia, eu pude notar que a Feira estava bem cheia, com as pessoas felizes pela volta das atividades culturais ao ar livre e facilmente foi possível notar tal alegria no semblante de todos, haja vista que a ausência quase que completa de pessoas a usarem máscaras sanitárias em decorrência da pandemia, denunciou um fato ligado ao outro, por conseguinte.

Logo avistei as personas de Lincoln Baraccat e do amigo em comum, o fotógrafo, Vanderlei Bavaro, e a seguir, Caio Durazzo, Roy Carlini e de suas respectivas esposas, além do próprio, Carlinhos Machado e uma incontável presença de amigos, ligados direta ou indiretamente ao mundo da música ou do Rock em específico.

https://www.facebook.com/ronaldo.domingues.7/videos/1079122375975437

"O Sol e Você" - ao vivo com Uncle & Friends na 34ª Feira de Artes das Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Ronaldo Domingues

O mesmo vídeo de "O Sol e Você" proporcionado por Ronaldo Rodrigues, em versão para o YouTube. 

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=hsRtG0Gduew

E assim que recebemos a sinalização, preparamos o nosso "setup" e rapidamente entramos em cena. O palco estava montado quase na esquina da Rua Caraíbas com a sua transversal, Rua Padre Chico, portanto, quase na linha da padaria que ali fica estabelecida no lado direito e do outro lado da calçada, a conter o muro lateral da tradicional escola estadual, "Miss Browne", que aliás, está ali instalada desde 1932, ou seja, faz parte da memória afetiva do bairro e para quem se interessa pela história do Rock brasileiro e a se considerar a importância desse bairro de São Paulo nesse contexto, digo sem esmiuçar muito que ali naquela escola, artistas importantes que foram e ainda eram nessa altura de 2022, componentes de bandas seminais, como Mutantes, Made in Brazil e Tutti-Frutti, entre inúmeros outros grupos importantes, ali estudaram na tenra infância, principalmente no decorrer da década de cinquenta do século XX.

Uma panorâmica da banda no palco, com perspectiva de público a frente. Uncle & Friends na 34ª Feira da Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Vanderlei Bavaro

https://www.facebook.com/ricardoaomena/videos/574701690687315

"Hey You" - ao vivo com Uncle & Friends na 34ª Feira de Artes da Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Ricardão "Omena Veia"

"Hey You" ao vivo com Uncle & Friends na 34ª Feira de Artes da Vila Pompeia de São Paulo em 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Hermann Molina

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=-f1JkurZvBY

Por conta da Rua Caraíbas ser uma ladeira, observamos que o palco, mesmo com o cuidado efetuado pelos seus empreendedores no sentido de se garantir uma condição de prumo adequado, na prática isso não foi possível e assim, tivemos esse incômodo extra ao tocarmos, pois foi inevitável não sentirmos o efeito pênsil a depor contra nós enquanto nos apresentamos.

Uma panorâmica da banda em ação no palco. Uncle & Friends na 34ª Feira da Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Amanda Semerjion

Mas apesar de não ter havido um soundcheck adequado e nem mesmo de uma forma mínima, a sonoridade dos monitores esteve bem razoável e pelo que eu vi em vídeos a posteriori e também pelo relato de muitas pessoas amigas que assistiram da plateia, a pressão sonora foi de show de Rock e a mixagem ao vivo, bem razoável.

Uma visão lateral da banda em ação no palco. Uncle & Friends na 34ª Feira da Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Hermann Molina
"Bolinha de Gude" (trecho) - Uncle & Friends na 34ª Fe ira de Artes da Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Lara Pap

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=5f3KO-YLhSE

Sobre a banda, a alegria que tivemos no palco foi imensa por ter sido um reencontro muito feliz, mais de dois anos depois da última atividade, a ter em conta que por uma coincidência incrível, havíamos participado de uma apresentação/filmagem em um estúdio (o bom "V8", do bairro do Ipiranga, na zona sudeste de São Paulo), em 15 de março de 2020, ou seja, um dia antes do governo do estado decretar o "lockdown" sanitário decorrente da pandemia causada pelo alastramento da Covid-19. E mais coincidência ainda, foi o fato de que assim como em 2020, essa apresentação do "Uncle & Friends" se dera com  a participação da minha e de Carlinhos Machado, banda, "Os Kurandeiros" e essa mesma predisposição se repetiu também na Feira da Vila Pompeia, exatamente vinte e seis meses depois.

Caio Durazzo e Lincoln Baraccat com o público de frente ao palco a nos assistir. Uncle & Friends na 34ª Feira da Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Vanderlei Bavaro

Em suma, a alegria estava expressa no semblante de todos, pois a espera pelo reencontro fora longa e bastante assustadora, na medida em que nesse hiato forçado, a pandemia nos ameaçou violentamente e a despeito de todos terem perdido amigos, parentes e muitos conhecidos nessa tragédia de âmbito mundial, eu pude constatar que o simples fato de estarmos ali reunidos, vivos e a gozar de boa saúde, foi uma vitória de todos sob múltiplos sentidos.

Outro trecho (desta feita o final da canção), da música: "Bolinha de Gude". Uncle & Friends na 34ª Feira de Artes da Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Lara Pap

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=NMjkX3PTVhY

Tocamos todas as músicas previstas pelo setlist proposto em ensaio prévio e o Luiz Carlini, que foi o diretor de palco, nos deu todo o respaldo para que tocássemos tranquilos, sem nenhum atropelo em termos de disposição de tempo. 

Todos os Rocks do repertório geraram euforia na plateia, o blues, "Se é Assim", foi recebido com bastante emoção e a balada, "A Estrada", soou com a sua delicada condução a prover um bom momento de percepção amena de todos.

Roy Carlini, eu (Luiz Domingues) e Lincoln Baraccat no enquadramento. Uncle & Friends na 34ª Feira da Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Vanderlei Bavaro

Banda feliz, público em estado de euforia e sem nenhuma pressão externa a nos aborrecer, eu diria que foi uma das melhores performances que eu tive com a simpática banda que acompanha Lincoln Baraccat e a justificar por conseguinte o seu nome a sugerir uma confraria e de fato, é assim que3 funciona sempre o "Uncle & Friends".

A banda em panorâmica no enquadramento. Uncle & Friends na 34ª Feira da Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Celso Bortolini

Em síntese, assim foi a ótima apresentação que tivemos em maio de 2022, e se a pandemia ainda não estava oficialmente erradicada, ao menos a imensa maioria das pessoas ali presente na Feira, estava devidamente imunizada com três a quatro doses das vacinas e assim, mesmo com uma certa imprudência generalizada no tocante ao não uso de máscaras e pela aglomeração no evento, que foi bem grande, o sentimento de alegria por viver a vida social e cultural em sua quase plenitude, norteou o sentimento de todos ali presentes, inclusive o meu, apesar das minhas ressalvas sobre os cuidados sanitários ainda necessários naquela fase dos acontecimentos.

Uma visão pela retaguarda do palco com a banda em ação. Uncle & Friends na 34ª Feira da Vila Pompeia em São Paulo. 15 de maio de 2022. Filmagem, acervo e cortesia: Hermann Molina

No entanto, ao enxergar pelo prisma da amizade, da arte, cultura e do espírito do Rock, claro que também me senti muito feliz pela oportunidade. 

E mesmo não sendo uma banda de carreira exatamente da minha parte, o "Uncle & Friends" se tornou ao longo do tempo, uma casa agradável para se habitar e da qual me afeiçoei. E certamente que não fecha a minha história com tal trabalho, aqui, mas pelo contrário, fica em aberta a possibilidade de que eu venha a escrever novos capítulos adiante.

Portanto, possivelmente continua...

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Uncle & Friends) - Capítulo 112 - Por Luiz Domingues

Com a pandemia a esmorecer, embora ainda não houvesse assegurada a perspectiva concreta de seu controle absoluto, o fato foi que ainda no primeiro trimestre de 2022, os sinais de relaxamento se mostraram claros em torno das medidas de segurança sanitárias com as quais vivemos intensamente desde 2020, e assim, anúncios de shows em ambientes fechados e abertos se multiplicaram nesses tempos. 

Nesses termos, já era previsto que a famosa Feira de Artes da Vila Pompeia anunciaria a sua realização em 2022, e obviamente com grande expectativa da parte de seus frequentadores, expositores e artistas que costumavam contar com os seus famosos palcos para  promover os seus trabalhos.

Dessa forma, foi com alegria que eu recebi o convite do "friend" Lincoln Baraccat, para mais uma vez integrar o seu super grupo, "Uncle & Friends", para defender ao seu lado e com grandes músicos, amigos em comum, as suas composições.

E logo vim a descobrir que a minha banda, Os Kurandeiros, também tocaria na mesma edição da Feira, portanto, seria super confortável estar no mesmo palco para atuar em dois shows distintos e desta forma a proporcionar um conforto extra em termos de logística operacional, no dia do evento, isso sem contar o clima de camaradagem total nos bastidores e a se levar em conta que o baterista d'Os Kurandeiros, Carlinhos Machado também atuaria com o "Uncle & Friends". 

Um ensaio foi marcado para o dia 11 de maio de 2022, no estúdio Mad, do bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo e este também foi o dia em que um ensaio d'Os Kurandeiros também fora marcado no mesmo espaço, ou seja, essa ação preparatória se deu nos mesmos moldes.

Passamos nessa ocasião com o "Uncle & Friends" todo o set do show, com duas novidades em relação aos shows anteriores que havíamos cumprido juntos, com as músicas: "Estrada", uma balada fortemente influenciada pelo Country-Rock norte-americano e o Blues, "Se é Assim", cuja gravação em disco, aliás, é bem requintada, com solos inspirados e produção de áudio muito caprichada.

Em suma, a ideia foi ensaiarmos além dessas duas canções acima citadas, as músicas: "Comprimido", "Hey You", "O Sol e Você", "Situação" e "Bolinha de Gude".

Sobre o time escalado, Roy Carlini e Caio Durazzo mais uma vez ocuparam as duas guitarras com o brilhantismo de sempre. Luiz Carlini apareceu para prestigiar o ensaio e na qualidade de amigo pessoal do Lincoln desde 1975 e diretor de palco do evento, nos trouxe informações importantes e claro, histórias muito ricas, como por exemplo, quando nos contou que ajudara o Lincoln a compor a música, "Situação", por volta de 1978. 

Ele chegou a propor uma mudança no arranjo da canção, com a introdução de acordes sofisticados que mudou a sua feição versada pelo Rock'n ' Roll e a transformou em uma peça com alto teor Pop-Rock & jazzy sofisticado a la "Steely Dan", mas o ensaio estava a se encerrar e com o tempo exíguo, não seria possível a banda se firmar nesse sentido de executar tal mudança para tocar ao vivo, dias depois, portanto, o combinado foi manter o arranjo mais rústico, por uma questão de segurança.

E assim foi, com tal apronto prévio, a banda foi se encontrar novamente dias depois, nos bastidores do evento.

Continua...