segunda-feira, 30 de março de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 245 - Por Luiz Domingues


A outra história também passou pelo famoso balcão da loja Baratos Afins. O Luiz Calanca contactou-nos para comunicar que fora abordado por um rapaz que desejava lançar um "Song Book" de para cada artistas do elenco da gravadora Baratos Afins. A ideia pareceu bastante interessante, e mesmo ao ponderarmos ser um tipo de ação de marketing um tanto quanto elitista, claro que aceitamos de pronto, pois o outro lado dessa suposta elitização, seria o fato de ser algo bem elegante para enriquecer o portfólio da banda. Bem, o rapaz queria produzir o Song Book, nos moldes dos que existem normalmente no primeiro mundo, ou seja, a conter um acabamento mediante rica ilustração com fotos; a biografia da banda e tudo sob um acabamento de luxo, com papel de alta qualidade e capa dura. O único problema, foi que nenhum de nós sabia ler e escrever música para transcrever corretamente as nossas músicas, e o editor exigia a transcrição completa de todos os instrumentos e a melodia dos vocais das músicas contidas nos álbuns da banda lançados até então.

Sendo assim, o Luiz Calanca resolveu contratar um músico com grande capacidade teórica para fazer a transcrição e nós apreciamos muito quando tomamos ciência de que esse teórico a auxiliar-nos, seria o Bocato, um trombonista superb da música brasileira, com incontáveis trabalhos como side man de artistas da MPB; Rock; Pop; Música instrumental; Black Music; Música latinoamericana & Caribenha; Jazz; som experimental etc, fora os seus trabalhos próprios, com muitos discos solos e trilhas escritas especialmente para o cinema; teatro; TV e publicidade em geral. Daí em diante, foram muitas as sessões de transcrição marcadas na residência do Rubens, onde ele, Bocato, gastou muitos cadernos de pentagrama, a transcrever nota por nota, cada instrumento em todas as faixas que graváramos. 

Ele foi muito camarada e teve uma paciência de santo. Lembro-me de passar tardes inteiras com ele, com o baixo em mãos e o apoio de uma "pick-up", com os dois discos da banda a postos, para audições ad nauseam de pequenos trechos, e em momentos de dúvida, eu mostrava-lhe a frase executada, ali na hora. E assim foi com a bateria e a voz do Fran Alves, igualmente, pois esses trabalhos ocorreram ainda com a presença dele, Fran Alves, na banda, como membro oficial.

Na hora para transcrever a guitarra, o Bocato sofreu um pouco no quesito dos "efeitos, alavancadas & ruideiras" em geral. Claro que tais efeitos não entram na teoria musical oficial, representados no pentagrama, de forma tradicional. Mas por outro lado, sem a menção de tais efeitos, a transcrição não ficaria fidedigna, pois tais artifícios estavam explícitos na gravação de quase todas as músicas da nossa banda, exatamente pelo fato do Rubens ser um guitarrista bastante influenciado por Jimi Hendrix. Então, o Bocato criou um jeito para fazer a menção aos efeitos de uma forma criativa e dessa forma, todas as músicas do EP, mais as canções, "Luz" e "18 Horas" (do compacto anterior, de 1984), foram fielmente transcritas, sob num trabalho magnífico de sua parte.


Infelizmente, por conta da desistência do editor, e por sinal, um fator jamais esclarecido a contento para todos os envolvidos, esse Song Book nunca foi editado, e dessa forma o projeto foi engavetado. Ficou a frustração enorme entre nós, pois realmente deu um trabalho muito grande, e teria ficado muito bonito o registro. Hoje, como peça de memorabilia, seria um luxo tê-lo no acervo. Essas foram as duas histórias extra resenhas /entrevistas, que eu tinha a relatar neste instante. 

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domingo, 29 de março de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 244 - Por Luiz Domingues


A aproveitar o gancho na narrativa, a relatar a repercussão do EP pela mídia escrita, eu preciso relembrar dois eventos ocorridos em 1985, relacionados à publicações, mas que fugiam um pouco da abordagem tradicional de um reportagem / resenha / nota & entrevista, quatro modalidades clássicas do jornalismo musical. Não sei precisar as datas em que ocorreram, mesmo por que, em ambas, foram situações que desdobraram-se e demandaram muitas reuniões e fatos gerados em paralelo. Vamos lá, a primeira história é a seguinte : 

O produtor, Luiz Calanca, comunicou-nos que um rapaz o abordara com uma proposta interessante no campo do marketing musical. A ideia seria lançar um álbum com figurinhas, a usar todo o elenco de artistas contratados pela gravadora Baratos Afins, ao lado de artistas do Rock internacional. Claro que gostamos da ideia e aceitamos participar. Aliás, quem em sã consciência, não aceitaria ?

Bem, daí a ser efetivamente lançado nas bancas de jornais & revistas, tal álbum teve um longo processo a vencer etapas burocráticas e técnicas, no tocante aos aspectos gráficos e nesse quesito gráfico, inclusive, nós culminamos em ser prejudicados, pois houve uma pressão do editor para fechar rapidamente o material (o que aliás foi algo natural e legítimo da parte dele), mas infelizmente, essa pressa fez com que perdêssemos a oportunidade em termos duas figurinhas d'A Chave do Sol representadas no álbum, pois não houve tempo hábil para incluir a capa do EP, também. Nesses termos, ficamos representados apenas com a figurinha da capa do compacto lançado em 1984, mas não podemos reclamar, pois foi um apoio de divulgação e tanto, e motivo de orgulho para a banda, é claro. Apesar desses aspectos positivos que eu arrolei, houve um negativo, também. E foi inevitável, pois estávamos em 1985, à mercê da mentalidade reinante dessa década. Isto é, claro que o álbum conteve um ranço Heavy-Metal acentuado, muito mais acentuado do que outras vertentes. Se por um lado foi ótimo estar presente neste álbum, por outro, estar inserido em meio à cena Heavy-Metal, não foi exatamente o ambiente que desejávamos como o ideal. 


O álbum chamou-se : "Rock Stamp", com uma boa apresentação gráfica; a conter ilustrações e as figurinhas tiveram boa impressão, com cores bem definidas e sem distorções. Lógico que eu comprei um álbum e revivi a minha infância, ao visitar as bancas de jornais e revistas com frequência e assim a obter o prazer em comprar os famosos "pacotinhos". Contudo, assim que eu arrumei a figurinha d'A Chave do Sol, e a colei no álbum, parei de comprar as figurinhas, pois realmente não tive interesse em completar o álbum, com toda aquela carga de bandas de Heavy-Metal ali inseridas. Essa foi a primeira história. A seguir, falo da segunda ocorrência, que consumiu-nos muitos dias de dedicação.

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sexta-feira, 27 de março de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 243 - Por Luiz Domingues


Na Revista Bizz, havia ao menos um elemento não compactuado com aquele tipo de jornalismo parcial, em favor da estética dominada pela mentalidade niilista e oitentista. Tratava-se de Leopoldo Rey, que parecia um oásis humano, dentro daquela redação infestada por simpatizantes das ideias de Malcolm McLaren. Pois ele teve a audácia em publicar uma resenha sobre o nosso EP, ainda que pequena, pois ali foi realmente muito difícil angariar espaço para algum artista que não fosse coadunado com a estética apreciada pela "intelligentsia"oitentista. Eis a transcrição do que ele escreveu :

"No início de carreira, A Chave do Sol era um power-trio e depois do primeiro compacto, já na Baratos Afins,resolveu-se por um novo elemento na presença de Fran. Surgem agora nesse extended-play (45 rpm) com seis faixas de qualidade. Som e vocal bem equilibrados (note em "Um Minuto Além"). Algumas letras ficam devendo, mas Rubens come sua guitarra e Tigueis (Luiz Domingues) e Zé Luis estão entrosadíssimos. Muita garra e energia".

Leopoldo Rey


Nada como ser um jornalista do ramo, e mesmo com pouco espaço que foi oferecido pela sua editoria, ele deu o recado preciso. Só por afirmar ser um " Extended Play", o popular "EP", Rey foi feliz em sua assertiva, diante de tantos erros crassos, cometidos da parte de outros jornalistas. 


                       Leopoldo Rey, em foto bem mais atual

Ele reconheceu a qualidade da canção : "Um Minuto Além", ao enaltecer o Fran Alves, e teceu elogios ao trio de instrumentistas da banda, além de emitir um resumo da trajetória da banda. Achei vaga a referência negativa sobre as letras, mas claro que respeitei a posição dele em não ter gostado, de uma maneira geral. Essa resenha saiu no nº 4 da referida revista, em novembro de 1985.


Continua... 

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 27/3/2015 - Sexta / 20:30 h. - Melts - Liberdade - São Paulo / SP

Kim Kehl & Os Kurandeiros

27 de março de 2015

Sexta-Feira - 20:30 H.

Melts

Avenida Liberdade, 472

Estação Liberdade do Metrô

Liberdade

São Paulo - SP

KK & K :

Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues - Baixo

quarta-feira, 25 de março de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 242 - Por Luiz Domingues


Uma exposição válida foi proporcionada-nos quando recebemos o inusitado convite para uma entrevista a ser concedida para uma revista de alcance popular. Estávamos habituados a sermos publicados em revistas especializadas de música, e Rock em específico, mas uma publicação fora desse mundo foi uma novidade (e muito bem-vinda por sinal), pois tratou-se de uma oportunidade ótima para que expandíssemos o nosso horizonte. Foi no caso, com a revista : "Amiga TV Tudo", especializada em assuntos de TV, geralmente a tratar sobre fofocas de artistas desse mundo, em meio às sua atuações em novelas etc. Claro que não tratava-se do "nosso" mundo, mas o simples fato em termos sido abordados espontaneamente pela produção da revista, foi comemorado, pois denotou um crescimento claro para a nossa percepção. 

Se recebemos tal convite, realmente foi um indicativo de que estávamos a começar a desgarrar do mundo fechado do nível "underground", e por conseguinte, a chamar a atenção da mídia "mainstream", ainda que nesse caso, o público alvo desse tipo de publicação, foi totalmente insólito para uma banda com a sonoridade e os propósitos d'A Chave do Sol. Enfim, aceitamos conceder a entrevista, que foi realizada na residência do Rubens, em uma tarde de um dia útil, e a matéria foi publicada no nº 816 desse veículo, com direito a uma foto promocional e mais uma vez extraída, infelizmente, daquela sessão equivocada já citada, todavia, este click ao menos, estava mais razoável para representar-nos. Eis a transcrição da matéria :

"A Chave do Sol só nos Baratos (primeiro LP anima grupo)

Há três anos surgia em São Paulo  um grupo que se definia eclético, misturando Rock, Jazz e Heavy-Metal. Formado por Rubens (22 anos, Guitarra), Luiz Domingues (25 anos, Baixo), Zé Luis (24 anos, Bateria) e Fran (vocalista), A Chave do Sol resolveu mostrar que é possível fazer uma música no estilo metaleiro com muita criatividade e qualidade. Dispostos a conquistar seu espaço, o grupo lança seu primeiro LP pela Gravadora Baratos Afins. A banda existe desde 82 e ano passado gravou um  compacto simples cuja faixa principal é a canção "18 Horas", que foi bastante executada pelas rádios paulistas, na maioria alternativas. Depois de algumas modificações, os rapazes do A Chave do Sol afirmam que o grupo agora está perfeito. Inspirados no Jazz e Rock dos anos 60, eles partem com uma proposta diferente : criar um som voltado e preocupado com a parte técnica e combinação de metais, ou seja, criatividade. Segundo Rubens, a intenção da banda é acabar com aquela ideia de que Heavy Metal é apenas uma música barulhenta".

Solange Guarino

 
Bem, a jornalista que entrevistou-nos foi extremamente simpática para conosco, mas cometeu alguns deslizes na edição do texto que publicou, e de nada adiantou a gravação da conversa mediante o uso de um gravador, e suas anotações de apoio, pelo visto. Por exemplo, já começou equivocada com o subtítulo da matéria. Dou o desconto que a história do "EP " gerou muita confusão na mídia, conforme já venho a relatar, contudo, daí a afirmar logo de início que a estávamos a lançar um "LP", já foi demais (por considerar-se que ela recebera o release oficial da gravadora, como material de suporte, e teve à sua disposição, toda a conversa gravada conosco, além de que nenhum de nós quatro, falou tratar-se de um LP, logicamente). 


Uma outra observação que eu faço, não é uma queixa, mas uma constatação : incrível como nesse ramo de jornalismo especializado em TV, existe a tola preocupação em definir a idade das pessoas, como uma praxe jornalística. Qual a relevância em determinar a idade de cada um de nós ? E ao admitir que isso tratava-se de uma norma imposta pela sua editoria, nesse tipo de mídia focada no mundo da TV, esqueceram-se de definir a idade do Fran, neste caso. Outro ponto interessante, em dado instante, ela embaralhou a conversa, pois afirmou que usávamos "metais" em nossas músicas, certamente ao confundir o termo quando empregado para designar instrumentos de sopro com toda aquela baboseira sobre a existência de uma suposta "tribo de metaleiros", por conta dos boatos fomentados em meio ao recente Festival Rock in Rio. Enfim, a boa intenção dela foi ótima, e a despeito dessas falhas, ficamos contentes por termos sido abordados e publicados nas páginas de uma revista popular, e a contar assim com a oportunidade para atingir um público mais amplo e diferente.


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Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 241 - Por Luiz Domingues


Na Revista Rock Stars nº 16, saiu a seguinte resenha :

"Firme no propósito pela conquista de um lugar ao sol, prossegue em sua batalha o grupo paulista A Chave do Sol, que está lançando agora seu primeiro LP, através do selo independente Baratos Afins. A banda existe desde setembro de 1982, e iniciou suas atividades como um trio, contando com Rubens Gióia (guitarra); Zé Luis (bateria) e Luiz Domingues (baixo). Recentemente, um quarto elemento se juntou a eles : foi o vocalista Fran, que já comparece no LP.

É interessante perceber que tais grupos se esmeram no sentido de proporcionar à juventude brasileira algo melhor que os campeões de danceteria (Barão Vermelho, Titãs & Caterva),  que  se acomodaram em seu modelo pequeno-burguês, e se esqueceram que o Brasil está mais para favela do que para glitter. No LP da Chave, destaque para "Um Minuto Além" ("O mundo teria de ser um lugar onde todos pudessem viver / Com a certeza de um amanhã melhor / Com a certeza de um lugar ao sol / Eu só queria entender  por que tantas diferenças sociais ? / Tantas discriminações ? Somos todos iguais"...

Presente também no LP, a faixa instrumental "Crisis (Maya)", que conta com a participação do tecladista Daril Parisi (do Platina). Estamos torcendo para que a banda atinja seus objetivos, marcando assim, uma importante etapa da música jovem brasileira".


A resenha não está assinada, mas pelo seu estilo e vocabulário usado, está patente tratar-se da autoria do editor, Valdir Montanari, que realmente expressava-se com bastante apreço à norma culta da língua portuguesa, pois além de ser jornalista musical, era também professor de física em um colégio tradicional da zona sul de São Paulo, e nos seus textos, a formalidade; o bom uso do idioma; e a ausência de gírias, eram marcas registradas pela sua forma didática em comunicar-se. Infelizmente, ele citou tratar-se de um LP, o tempo todo, mas na verdade, fora um EP, como é sabido. Mais uma confusão gerada pela falta de ênfase na capa do disco, para deixar clara a rotação alternativa e adequada para ouvi-lo.


Bem, muito interessante ele ter pego o gancho da sociologia política, baseado na letra de "Um Minuto Além". A alfinetada no BR-Rock parece não ter sido no alvo correto, no entanto, pois a despeito da fragilidade musical das duas bandas que ele citou, no quesito letras, tais artistas não foram nem de longe os piores dentro dessa seara, e pelo contrário, muito provavelmente tiveram nesse quesito, o seu ponto forte. Aliás, justiça seja feita, no caso do Barão Vermelho, o seu cantor, Cazuza, escrevia boas letras, com conteúdo e poesia, e se havia restrições, sem dúvida eram relacionadas à duvidosa performance dele como cantor, e a fragilidade da banda, na parte instrumental (deixo a ressalva, que a banda melhorou muito, anos depois).

Porém, ele estava a enaltecer-nos, e naturalmente que nós apreciamos essa colocação, ainda que em termos comparativos inadequados, ao meu ver. Acho que ele gostou mesmo foi do teor sociopolítico da letra, e acabou por citar: "Crisis (Maya)", por ser instrumental e com elementos nítidos em torno da corrente do Jazz-Rock, ou seja, algo muito mais próximo da sonoridade setentista que ele mesmo, Valdir, apreciava. A resenha saiu com uma foto da banda, proveniente daquela sessão toda equivocada e cuja história da sua produção, eu já contei, e é lastimável que a fotógrafa tenha enquadrado-nos sob um fundo negro improvisado e todo torto. Bem, posso dar a desculpa de que tratou-se de um cenário "expressionista alemão", inspirado nos filmes do diretor, Fritz Lang, para dourar a pílula, mas na realidade, fora um pano preto; muito mal fixado na parede branca, e que ficou abominavelmente torto, por acidente e tão somente...


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terça-feira, 24 de março de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 240 - Por Luiz Domingues


Uma exposição surpreendente foi proporcionada-nos quando recebemos o inusitado convite para uma entrevista em uma revista de alcance popular. Estávamos habituados a sermos publicados em revistas especializadas de música e sobre o Rock em específico, mas uma publicação fora desse mundo foi uma novidade, e muito bem vinda por sinal, pois tratou-se de uma oportunidade para expandirmos o nosso horizonte. Foi a revista : "Amiga TV Tudo", especializada em assuntos sobre os bastidores da produção feita pela TV; a conter fofocas sobre artistas desse mundo; as suas novelas e programas de auditório etc. Claro que não tratava-se do nosso habitat natural, mas o simples fato de termos sido abordados espontaneamente pela produção da revista, foi comemorado, pois denotou um crescimento visível da nossa marca. Se recebemos tal convite, realmente fora um indicativo de que estávamos a começar um processo no sentido de desgarrarmo-nos do mundo fechado do patamar "underground" e por dedução, a chamar a atenção da mídia "mainstream", ainda que nesse caso, o público alvo desse tipo de publicação, seria totalmente insólito para uma banda com a sonoridade e propósitos d'A Chave do Sol. Enfim, aceitamos conceder a entrevista, que foi realizada na residência do Rubens, em meio a uma tarde de um dia útil, e a matéria foi publicada no nº 816 dessa publicação, com direito a uma foto promocional e oriunda daquela sessão "equivocada" (que tanto eu já citei), mas este click ao menos, esteve mais razoável.

Eis a transcrição da matéria :


"A Chave do Sol só nos Baratos (primeiro LP anima grupo)

Há três anos surgia em São Paulo  um grupo que se definia eclético, misturando Rock, Jazz e Heavy-Metal. Formado por Rubens (22 anos, Guitarra), Luiz Domingues (25 anos, Baixo), Zé Luis (24 anos, Bateria) e Fran (vocalista), A Chave do Sol resolveu mostrar que é possível fazer uma música no estilo metaleiro com muita criatividade e qualidade. Dispostos a conquistar seu espaço, o grupo lança seu primeiro LP pela Gravadora Baratos Afins. A banda existe desde 82 e ano passado gravou um  compacto simples cuja faixa principal é a canção "18 Horas", que foi bastante executada pelas rádios paulistas, na maioria alternativas. Depois de algumas modificações, os rapazes do A Chave do Sol afirmam que o grupo agora está perfeito. Inspirados no Jazz e Rock dos anos 60, eles partem com uma proposta diferente : criar um som voltado e preocupado com a parte técnica e combinação de metais, ou seja, criatividade. Segundo Rubens, a intenção da banda é acabar com aquela ideia de que Heavy Metal é apenas uma música barulhenta".

Solange Guarino
 


Bem, a moça foi extremamente simpática para conosco, entretanto, ela cometeu alguns deslizes na edição a posteriori da conversa que tivemos, e de nada adiantou a gravação dessa entrevista mediante o uso de um gravador e tampouco as suas anotações de apoio, pelo visto. Bem, já começou com o subtítulo da matéria. Dou o desconto que a história do EP gerou muita confusão na mídia, conforme já venho a relatar nesta autobiografia, mas afirmar logo de início que estávamos a lançar um "LP", já foi demais, ao denotar a sua desatenção aos fatos. Uma outra observação que eu faço, não é uma queixa, mas uma constatação : incrível como nesse ramo de jornalismo, especializado em TV, existia (e ainda existe), a tola preocupação em definir a idade das pessoas. Qual a relevância em haver determinado a idade de cada um de nós ? E ao admitir que isso seria uma praxe nesse tipo de mídia de TV, esqueceram-se de definir a idade do Fran, como vê-se na publicação. Um outro ponto interessante, em dado instante, ela embaralhou a conversa, pois afirmou que usávamos "metais" em nossas músicas, certamente ao confundir-se com toda aquela baboseira sobre a tribo dos "metaleiros", fomentada por incautos durante a realização do Festival Rock in Rio e assim misturar conceitos dispares. E para constar : nem éramos uma banda orientada pelo Heavy-Metal e não usamos instrumentos de sopro em nossa formação, os ditos "metais". Enfim, a boa intenção dela foi ótima, e a despeito dessas falhas, ficamos contentes por sair em uma revista popular e obter assim, a oportunidade em atingir um público diferente.
Continua...