
A outra história também passou pelo famoso balcão da loja Baratos Afins.
O Luiz Calanca contactou-nos para comunicar que fora abordado por
um rapaz que desejava lançar um "Song Book" de para cada artistas do elenco da gravadora Baratos
Afins. A ideia pareceu bastante interessante, e mesmo ao ponderarmos
ser um tipo de ação de marketing um tanto quanto elitista, claro que aceitamos de
pronto, pois o outro lado dessa suposta elitização, seria o fato de ser
algo bem elegante para enriquecer o portfólio da banda. Bem, o rapaz queria produzir o Song Book, nos moldes
dos que existem normalmente no primeiro mundo, ou seja, a conter um acabamento mediante rica ilustração com
fotos; a biografia da banda e tudo sob um acabamento de luxo, com papel de alta
qualidade e capa dura. O único problema, foi que nenhum de nós
sabia ler e escrever música para transcrever corretamente as nossas
músicas, e o editor exigia a transcrição completa de todos os
instrumentos e a melodia dos vocais das músicas contidas nos álbuns da banda lançados até então.

Sendo assim, o Luiz Calanca
resolveu contratar um músico com grande capacidade teórica para fazer a
transcrição e nós apreciamos muito quando tomamos ciência de que esse
teórico a auxiliar-nos, seria o Bocato, um trombonista superb da música brasileira, com incontáveis trabalhos como side man de artistas da MPB; Rock; Pop;
Música instrumental; Black Music; Música latinoamericana & Caribenha; Jazz; som experimental etc, fora os seus trabalhos
próprios, com muitos discos solos e trilhas escritas especialmente para o cinema; teatro; TV e publicidade em geral. Daí
em diante, foram muitas as sessões de transcrição marcadas na residência do
Rubens, onde ele, Bocato, gastou muitos cadernos de pentagrama, a transcrever
nota por nota, cada instrumento em todas as faixas que graváramos.

Ele foi muito camarada e teve
uma paciência de santo. Lembro-me de passar tardes inteiras com ele, com
o baixo em mãos e o apoio de uma "pick-up", com os dois discos da banda a
postos, para audições ad nauseam de pequenos trechos, e em momentos de
dúvida, eu mostrava-lhe a frase executada, ali na hora. E assim
foi com a bateria e a voz do Fran Alves, igualmente, pois esses trabalhos ocorreram
ainda com a presença dele, Fran Alves, na banda, como membro oficial.
Na hora
para transcrever a guitarra, o Bocato sofreu um pouco no quesito
dos "efeitos, alavancadas & ruideiras" em geral. Claro que tais efeitos
não entram na teoria musical oficial, representados no pentagrama, de
forma tradicional. Mas por outro lado, sem a menção de tais efeitos, a
transcrição não ficaria fidedigna, pois tais artifícios estavam
explícitos na gravação de quase todas as músicas da nossa banda, exatamente pelo fato do Rubens ser um guitarrista bastante influenciado por Jimi Hendrix. Então, o Bocato
criou um jeito para fazer a menção aos efeitos de uma forma criativa e dessa forma, todas
as músicas do EP, mais as canções, "Luz" e "18 Horas" (do compacto anterior, de 1984), foram fielmente transcritas,
sob num trabalho magnífico de sua parte.

Infelizmente, por conta da desistência do editor, e por sinal, um fator jamais esclarecido a contento para todos os envolvidos, esse Song Book nunca foi editado, e dessa forma o projeto foi engavetado. Ficou
a frustração enorme entre nós, pois realmente deu um trabalho muito grande, e teria ficado
muito bonito o registro. Hoje, como peça de memorabilia, seria um luxo
tê-lo no acervo. Essas foram as duas histórias extra resenhas /entrevistas, que eu tinha a relatar neste instante.
Continua...
A aproveitar o gancho na narrativa, a relatar a repercussão do EP pela
mídia escrita, eu preciso relembrar dois eventos ocorridos em 1985,
relacionados à publicações, mas que fugiam um pouco da abordagem
tradicional de um reportagem / resenha / nota & entrevista, quatro modalidades
clássicas do jornalismo musical. Não sei precisar as datas em que
ocorreram, mesmo por que, em ambas, foram situações que desdobraram-se e
demandaram muitas reuniões e fatos gerados em paralelo. Vamos lá, a primeira história é a seguinte :

O
produtor, Luiz Calanca, comunicou-nos que um rapaz o abordara com uma proposta
interessante no campo do marketing musical. A ideia seria lançar um álbum com
figurinhas, a usar todo o elenco de artistas contratados pela gravadora Baratos Afins, ao lado de
artistas do Rock internacional. Claro que gostamos da ideia e aceitamos participar. Aliás, quem em sã consciência, não aceitaria ?
Bem,
daí a ser efetivamente lançado nas bancas de jornais & revistas, tal álbum teve um longo
processo a vencer etapas burocráticas e técnicas, no tocante aos aspectos gráficos e nesse quesito gráfico,
inclusive, nós culminamos em ser prejudicados, pois houve uma pressão do
editor para fechar rapidamente o material (o que aliás foi algo natural e legítimo da
parte dele), mas infelizmente, essa pressa fez com que perdêssemos a
oportunidade em termos duas figurinhas d'A Chave do Sol representadas no álbum, pois
não houve tempo hábil para incluir a capa do EP, também. Nesses termos, ficamos
representados apenas com a figurinha da capa do compacto lançado em 1984, mas não
podemos reclamar, pois foi um apoio de divulgação e tanto, e motivo de
orgulho para a banda, é claro. Apesar desses aspectos positivos que eu arrolei, houve um negativo, também. E foi inevitável, pois estávamos em 1985, à mercê da mentalidade reinante dessa década. Isto
é, claro que o álbum conteve um ranço Heavy-Metal acentuado, muito mais
acentuado do que outras vertentes. Se por um lado foi ótimo estar presente neste álbum, por
outro, estar inserido em meio à cena Heavy-Metal, não foi exatamente o
ambiente que desejávamos como o ideal.

O álbum chamou-se : "Rock Stamp", com
uma boa apresentação gráfica; a conter ilustrações e as figurinhas tiveram boa
impressão, com cores bem definidas e sem distorções. Lógico que
eu comprei um álbum e revivi a minha infância, ao visitar as bancas de
jornais e revistas com frequência e assim a obter o prazer em comprar os
famosos "pacotinhos". Contudo, assim que eu arrumei a figurinha d'A
Chave do Sol, e a colei no álbum, parei de comprar as figurinhas, pois
realmente não tive interesse em completar o álbum, com toda aquela
carga de bandas de Heavy-Metal ali inseridas. Essa foi a primeira história. A seguir, falo da segunda ocorrência, que consumiu-nos muitos dias de dedicação.
Continua...

Na Revista Bizz, havia ao menos um elemento não
compactuado com aquele tipo de jornalismo parcial, em favor da estética dominada pela mentalidade niilista
e oitentista. Tratava-se de Leopoldo Rey, que parecia um oásis humano, dentro daquela redação infestada por simpatizantes das ideias de Malcolm McLaren. Pois ele teve a audácia em publicar uma resenha sobre o nosso EP, ainda que
pequena, pois ali foi realmente muito difícil angariar espaço para algum artista
que não fosse coadunado com a estética apreciada pela "intelligentsia"oitentista. Eis a transcrição do que ele escreveu :
"No
início de carreira, A Chave do Sol era um power-trio e depois do
primeiro compacto, já na Baratos Afins,resolveu-se por um novo elemento
na presença de Fran. Surgem agora nesse extended-play (45 rpm) com seis
faixas de qualidade. Som e vocal bem equilibrados (note em "Um Minuto
Além"). Algumas letras ficam devendo, mas Rubens come sua guitarra e
Tigueis (Luiz Domingues) e Zé Luis estão entrosadíssimos. Muita garra e energia".
Leopoldo Rey
Nada
como ser um jornalista do ramo, e mesmo com pouco espaço que foi oferecido pela sua editoria, ele deu o recado preciso. Só por afirmar ser um " Extended Play", o popular
"EP", Rey foi feliz em sua assertiva, diante de tantos erros crassos, cometidos da
parte de outros jornalistas.

Leopoldo Rey, em foto bem mais atual
Ele reconheceu a qualidade da canção : "Um Minuto
Além", ao enaltecer o Fran Alves, e teceu elogios ao trio de instrumentistas da
banda, além de emitir um resumo da trajetória da banda. Achei
vaga a referência negativa sobre as letras, mas claro que respeitei a
posição dele em não ter gostado, de uma maneira geral. Essa resenha saiu no nº 4 da referida revista, em novembro de 1985.
Continua...
Kim Kehl & Os Kurandeiros
27 de março de 2015
Sexta-Feira - 20:30 H.
Melts
Avenida Liberdade, 472
Estação Liberdade do Metrô
Liberdade
São Paulo - SP
KK & K :
Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues - Baixo
Uma exposição válida foi proporcionada-nos quando recebemos o inusitado
convite para uma entrevista a ser concedida para uma revista de alcance popular. Estávamos
habituados a sermos publicados em revistas especializadas de música, e
Rock em específico, mas uma publicação fora desse mundo foi uma novidade
(e muito bem-vinda por sinal), pois tratou-se de uma oportunidade ótima para que expandíssemos o
nosso horizonte. Foi no caso, com a revista : "Amiga TV Tudo", especializada
em assuntos de TV, geralmente a tratar sobre fofocas de artistas desse mundo, em meio às sua atuações em novelas etc.
Claro que não tratava-se do "nosso" mundo, mas o simples fato em termos sido
abordados espontaneamente pela produção da revista, foi comemorado, pois
denotou um crescimento claro para a nossa percepção.

Se recebemos tal convite, realmente foi
um indicativo de que estávamos a começar a desgarrar do mundo fechado
do nível "underground", e por conseguinte, a chamar a atenção da mídia "mainstream", ainda que nesse
caso, o público alvo desse tipo de publicação, foi totalmente insólito
para uma banda com a sonoridade e os propósitos d'A Chave do Sol. Enfim,
aceitamos conceder a entrevista, que foi realizada na residência do Rubens,
em uma tarde de um dia útil, e a matéria foi publicada no nº 816 desse veículo, com direito a
uma foto promocional e mais uma vez extraída, infelizmente, daquela sessão equivocada já citada, todavia, este click ao
menos, estava mais razoável para representar-nos. Eis a transcrição da matéria :
"A Chave do Sol só nos Baratos (primeiro LP anima grupo)
Há
três anos surgia em São Paulo um grupo que se definia eclético,
misturando Rock, Jazz e Heavy-Metal. Formado por Rubens (22 anos,
Guitarra), Luiz Domingues (25 anos, Baixo), Zé Luis (24 anos, Bateria) e
Fran (vocalista), A Chave do Sol resolveu mostrar que é possível fazer
uma música no estilo metaleiro com muita criatividade e qualidade.
Dispostos a conquistar seu espaço, o grupo lança seu primeiro LP pela
Gravadora Baratos Afins. A banda existe desde 82 e ano passado
gravou um compacto simples cuja faixa principal é a canção "18 Horas",
que foi bastante executada pelas rádios paulistas, na maioria
alternativas. Depois de algumas modificações, os rapazes do A
Chave do Sol afirmam que o grupo agora está perfeito. Inspirados no Jazz
e Rock dos anos 60, eles partem com uma proposta diferente : criar um
som voltado e preocupado com a parte técnica e combinação de metais, ou
seja, criatividade. Segundo Rubens, a intenção da banda é acabar com aquela ideia de que Heavy Metal é apenas uma música barulhenta".
Solange Guarino
Bem,
a jornalista que entrevistou-nos foi extremamente simpática para conosco, mas cometeu alguns deslizes na
edição do texto que publicou, e de nada adiantou a gravação da conversa
mediante o uso de um gravador, e suas anotações de apoio, pelo visto. Por exemplo, já
começou equivocada com o subtítulo da matéria. Dou o desconto que a história do "EP "
gerou muita confusão na mídia, conforme já venho a relatar, contudo, daí a afirmar
logo de início que a estávamos a lançar um "LP", já foi demais (por considerar-se que ela recebera o release oficial da gravadora, como material de suporte, e teve à sua disposição, toda a conversa gravada conosco, além de que nenhum de nós quatro, falou tratar-se de um LP, logicamente).
Uma outra
observação que eu faço, não é uma queixa, mas uma constatação : incrível
como nesse ramo de jornalismo especializado em TV, existe a tola
preocupação em definir a idade das pessoas, como uma praxe jornalística. Qual a relevância em
determinar a idade de cada um de nós ? E ao admitir que isso tratava-se de uma norma imposta pela sua editoria, nesse tipo de mídia focada no mundo da TV, esqueceram-se de definir a idade do Fran, neste caso. Outro
ponto interessante, em dado instante, ela embaralhou a conversa, pois
afirmou que usávamos "metais" em nossas músicas, certamente ao confundir o termo quando empregado para designar instrumentos de sopro com toda aquela baboseira sobre a existência de uma suposta "tribo de metaleiros", por conta dos boatos fomentados em meio ao recente Festival Rock in Rio. Enfim, a
boa intenção dela foi ótima, e a despeito dessas falhas, ficamos
contentes por termos sido abordados e publicados nas páginas de uma revista popular, e a contar assim com a oportunidade para atingir um público mais amplo e diferente.

Continua...

Na Revista Rock Stars nº 16, saiu a seguinte resenha :
"Firme
no propósito pela conquista de um lugar ao sol, prossegue em sua
batalha o grupo paulista A Chave do Sol, que está lançando agora seu
primeiro LP, através do selo independente Baratos Afins. A banda
existe desde setembro de 1982, e iniciou suas atividades como um trio,
contando com Rubens Gióia (guitarra); Zé Luis (bateria) e Luiz Domingues
(baixo). Recentemente, um quarto elemento se juntou a eles : foi o
vocalista Fran, que já comparece no LP.
É interessante perceber
que tais grupos se esmeram no sentido de proporcionar à juventude
brasileira algo melhor que os campeões de danceteria (Barão Vermelho,
Titãs & Caterva), que se acomodaram em seu modelo pequeno-burguês,
e se esqueceram que o Brasil está mais para favela do que para glitter. No
LP da Chave, destaque para "Um Minuto Além" ("O mundo teria de ser um
lugar onde todos pudessem viver / Com a certeza de um amanhã melhor /
Com a certeza de um lugar ao sol / Eu só queria entender por que tantas
diferenças sociais ? / Tantas discriminações ? Somos todos iguais"...
Presente
também no LP, a faixa instrumental "Crisis (Maya)", que conta com a
participação do tecladista Daril Parisi (do Platina). Estamos torcendo
para que a banda atinja seus objetivos, marcando assim, uma importante
etapa da música jovem brasileira".
A resenha não está
assinada, mas pelo seu estilo e vocabulário usado, está patente tratar-se da autoria do
editor, Valdir Montanari, que realmente expressava-se com bastante
apreço à norma culta da língua portuguesa, pois além de ser jornalista musical, era também professor
de física em um colégio tradicional da zona sul de São Paulo, e nos seus
textos, a formalidade; o bom uso do idioma; e a ausência de gírias, eram
marcas registradas pela sua forma didática em comunicar-se. Infelizmente, ele citou tratar-se de um LP, o
tempo todo, mas na verdade, fora um EP, como é sabido. Mais uma
confusão gerada pela falta de ênfase na capa do disco, para deixar clara
a rotação alternativa e adequada para ouvi-lo.

Bem, muito
interessante ele ter pego o gancho da sociologia política, baseado na letra de "Um
Minuto Além". A alfinetada no BR-Rock parece não ter sido no alvo
correto, no entanto, pois a despeito da fragilidade musical das duas bandas que ele citou, no
quesito letras, tais artistas não foram nem de longe os piores dentro dessa seara, e pelo contrário, muito provavelmente tiveram nesse quesito, o seu ponto forte. Aliás, justiça
seja feita, no caso do Barão Vermelho, o seu cantor, Cazuza, escrevia boas letras, com
conteúdo e poesia, e se havia restrições, sem dúvida eram relacionadas à
duvidosa performance dele como cantor, e a fragilidade da banda, na parte
instrumental (deixo a ressalva, que a banda melhorou muito, anos
depois).
Porém, ele estava a enaltecer-nos, e naturalmente que nós apreciamos essa colocação, ainda que em termos comparativos inadequados, ao meu ver. Acho
que ele gostou mesmo foi do teor sociopolítico da letra, e acabou
por citar: "Crisis (Maya)", por ser instrumental e com elementos nítidos em torno da corrente do
Jazz-Rock, ou seja, algo muito mais próximo da sonoridade setentista
que ele mesmo, Valdir, apreciava. A resenha saiu com uma foto da banda, proveniente daquela
sessão toda equivocada e cuja história da sua produção, eu já contei, e é lastimável que a
fotógrafa tenha enquadrado-nos sob um fundo negro improvisado e todo torto. Bem,
posso dar a desculpa de que tratou-se de um cenário "expressionista alemão", inspirado nos
filmes do diretor, Fritz Lang, para dourar a pílula, mas na realidade, fora um pano
preto; muito mal fixado na parede branca, e que ficou abominavelmente
torto, por acidente e tão somente...

Continua...

Uma exposição surpreendente foi proporcionada-nos quando recebemos o inusitado
convite para uma entrevista em uma revista de alcance popular. Estávamos
habituados a sermos publicados em revistas especializadas de música e
sobre o Rock em específico, mas uma publicação fora desse mundo foi uma novidade,
e muito bem vinda por sinal, pois tratou-se de uma oportunidade para expandirmos o
nosso horizonte. Foi a revista : "Amiga TV Tudo", especializada
em assuntos sobre os bastidores da produção feita pela TV; a conter fofocas sobre artistas desse mundo; as suas novelas e programas de auditório etc. Claro que não tratava-se do nosso habitat natural, mas o simples fato de termos sido
abordados espontaneamente pela produção da revista, foi comemorado, pois
denotou um crescimento visível da nossa marca. Se recebemos tal convite, realmente fora
um indicativo de que estávamos a começar um processo no sentido de desgarrarmo-nos do mundo fechado
do patamar "underground" e por dedução, a chamar a atenção da mídia "mainstream", ainda que nesse
caso, o público alvo desse tipo de publicação, seria totalmente insólito
para uma banda com a sonoridade e propósitos d'A Chave do Sol. Enfim,
aceitamos conceder a entrevista, que foi realizada na residência do Rubens,
em meio a uma tarde de um dia útil, e a matéria foi publicada no nº 816 dessa publicação, com direito a
uma foto promocional e oriunda daquela sessão "equivocada" (que tanto eu já citei), mas este click ao
menos, esteve mais razoável.
Eis a transcrição da matéria :
"A Chave do Sol só nos Baratos (primeiro LP anima grupo)
Há
três anos surgia em São Paulo um grupo que se definia eclético,
misturando Rock, Jazz e Heavy-Metal. Formado por Rubens (22 anos,
Guitarra), Luiz Domingues (25 anos, Baixo), Zé Luis (24 anos, Bateria) e
Fran (vocalista), A Chave do Sol resolveu mostrar que é possível fazer
uma música no estilo metaleiro com muita criatividade e qualidade.
Dispostos a conquistar seu espaço, o grupo lança seu primeiro LP pela
Gravadora Baratos Afins. A banda existe desde 82 e ano passado
gravou um compacto simples cuja faixa principal é a canção "18 Horas",
que foi bastante executada pelas rádios paulistas, na maioria
alternativas. Depois de algumas modificações, os rapazes do A
Chave do Sol afirmam que o grupo agora está perfeito. Inspirados no Jazz
e Rock dos anos 60, eles partem com uma proposta diferente : criar um
som voltado e preocupado com a parte técnica e combinação de metais, ou
seja, criatividade. Segundo Rubens, a intenção da banda é acabar com aquela ideia de que Heavy Metal é apenas uma música barulhenta".
Solange Guarino
Bem,
a moça foi extremamente simpática para conosco, entretanto, ela cometeu alguns deslizes na
edição a posteriori da conversa que tivemos, e de nada adiantou a gravação dessa entrevista
mediante o uso de um gravador e tampouco as suas anotações de apoio, pelo visto. Bem, já
começou com o subtítulo da matéria. Dou o desconto que a história do EP
gerou muita confusão na mídia, conforme já venho a relatar nesta autobiografia, mas afirmar
logo de início que estávamos a lançar um "LP", já foi demais, ao denotar a sua desatenção aos fatos. Uma outra
observação que eu faço, não é uma queixa, mas uma constatação : incrível
como nesse ramo de jornalismo, especializado em TV, existia (e ainda existe), a tola
preocupação em definir a idade das pessoas. Qual a relevância em
haver determinado a idade de cada um de nós ? E ao admitir que isso seria uma praxe nesse tipo de mídia de TV, esqueceram-se de definir a idade do Fran, como vê-se na publicação. Um outro
ponto interessante, em dado instante, ela embaralhou a conversa, pois
afirmou que usávamos "metais" em nossas músicas, certamente ao
confundir-se com toda aquela baboseira sobre a tribo dos "metaleiros", fomentada por incautos durante a realização do Festival Rock in Rio e assim misturar conceitos dispares. E para constar : nem éramos uma banda orientada pelo Heavy-Metal e não usamos instrumentos de sopro em nossa formação, os ditos "metais". Enfim, a
boa intenção dela foi ótima, e a despeito dessas falhas, ficamos
contentes por sair em uma revista popular e obter assim, a oportunidade em
atingir um público diferente.

Continua...