Kim Kehl & Os Kurandeiros
26 de julho de 2015
Domingo - 21 h.
Casa Amarela
Rua Mario Menin, 90
Centro
Osasco - SP
KK & K :
Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues - Baixo
Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Per + Turba - Por Julio Revoredo
Obra ópera sem som
Avant la lettre
Som sem ópera obra
Brilham os parafusos
Abre-se o paraquedas
Sábado no Parque Xanghai
O olhar dilui-se em cores mutantes e fosmeas e fosmeas, arena
A aranha tece o jogo do fogo, selvagem, na areia.
Obra mestra, sob o olho-santo, especular
Desvario, ao risto
Suspensão, eixo, solidão, fluxo, mergulho incônscio
Voo sem asas consciente, chato, sendo incomodo, de tímido modo, sendo e sem a máscara, ananda
Super 8, super 8, super 8, super 8, spray, 1967
Obra ópera sem som
Elástico, plástico, mudo, sendo incomodo aos outros, mas livre perturbação
Julio Revoredo é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Poeta e letrista de diversas músicas que compusemos em parceria, em três bandas pelas quais eu atuei: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço.
Neste poema, nos fala sobre signos musicais avantgarde e o dedica ao grande maestro Rogério Duprat.
Avant la lettre
Som sem ópera obra
Brilham os parafusos
Abre-se o paraquedas
Sábado no Parque Xanghai
O olhar dilui-se em cores mutantes e fosmeas e fosmeas, arena
A aranha tece o jogo do fogo, selvagem, na areia.
Obra mestra, sob o olho-santo, especular
Desvario, ao risto
Suspensão, eixo, solidão, fluxo, mergulho incônscio
Voo sem asas consciente, chato, sendo incomodo, de tímido modo, sendo e sem a máscara, ananda
Super 8, super 8, super 8, super 8, spray, 1967
Obra ópera sem som
Elástico, plástico, mudo, sendo incomodo aos outros, mas livre perturbação
Julio Revoredo é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Poeta e letrista de diversas músicas que compusemos em parceria, em três bandas pelas quais eu atuei: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço.
Neste poema, nos fala sobre signos musicais avantgarde e o dedica ao grande maestro Rogério Duprat.
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 399 - Por Luiz Domingues
Agora, chegou a hora de falar do núcleo base da banda, do trio que a fundou em 1982, e escreveu sua história. Na verdade, termino a falar sobre a dupla que acompanhou-me nessa jornada incrível: Rubens Gióia e José Luiz Dinola.
José Luiz Dinola
Zé Luiz, por ser técnico ao extremo, nos impulsionou rumo ao Jazz-Rock, de uma forma absurda, logo no início das nossas atividades de composição do material da banda. Não foi o caso de que não gostássemos do Jazz-Rock da década de setenta, pelo contrário, eu e Rubens o apreciávamos muito. No entanto, não era a nossa predileção natural. Gostávamos mais de Rock'n' Roll clássico, Hard-Rock e Prog Rock setentistas, Acid Rock e Psicodelia sessentista, e no meu caso pessoal, a lista estender-se-ia em direção à Black Music, Folk-Rock, MPB etc.
No entanto essa guinada nossa para o Jazz-Rock, moldou a nossa personalidade inteiramente a seguir, e de certa forma, obscureceu os signos de outras tendências que apreciávamos no Rock, a estigmatizar-nos como a uma banda de Jazz-Rock, com forte acento setentista.
Portanto, muito do que construímos nos primeiros anos da banda, e digo em termos de repercussão, após termos feito a nossa primeira aparição na TV, foi por conta dessa identidade sonora que marcou a nossa imagem. Portanto, nessa primeira análise, computo ao Zé Luiz, a importância de nos ter dado a primeira imagem pública enquanto identidade sonora, e que muito nos deu respeito, sobretudo. Longe de ser algo palatável ao mundo fonográfico e radiofônico, essa vertente de difícil assimilação pelo grande público, nos proporcionou respeito entre músicos, jornalistas e produtores, ao menos.
Como baterista, o Dinola dispensa apresentações. É simplesmente um dos maiores da história do Rock brasileiro, pela técnica refinada, versatilidade e criatividade.
Dinola sempre teve potencial para cantar bem. No início das atividades da banda, assumiu cantar algumas canções, mas foi a deixar de lado, à medida que fomos a incorporar vocalistas de ofício em nossa banda.
Quando nos envolvemos no Sidharta, muitos anos depois (essa banda tem capítulos exclusivos, já publicados e encerrados), ele demonstrou grande evolução nesse quesito, e cantava ainda melhor e também ficara muito bom para criar arranjos vocais. Aliás, talento para arranjador sempre foi uma outra qualidade sua. Desde o início d'A Chave do Sol, a sua capacidade inventiva foi extraordinária para dar ótimas ideias de arranjos.
Sobre A Chave do Sol em si, lembro com saudade do nosso esmero incrível em criarmos convenções intrincadas de baixo & bateria. Passávamos horas a criar e repassar trecho por trecho, ao moldarmos divisões rítmicas as mais inusitadas e quase sempre sob difícil execução, ou seja, como gostávamos de complicar as coisas! Mas também, como ficavam expressivas tais criações, e realçavam as nossas composições!
Fora da música, Dinola é um gênio inventivo. A sua capacidade para realizar tarefas com as próprias mãos é incrível. Na eletrônica, na marcenaria & carpintaria, a construir e consertar objetos os mais variados, Dinola sempre foi um misto de Professor Pardal, e um produtor executivo com poderes de contra-regra que cumpre qualquer tarefa.
Outra característica sua muito boa, sempre foi a sua boa vontade de enfrentar todos os desafios, e não foram poucos os que tivemos que suplantar. Somente na reta final da história da nossa banda, mediante o duro golpe da frustração gerado por não termos dado o passo além que achávamos que estávamos perto de dar, o desanimou. Lastimo muito que isso tenha lhe dado o impulso de deixar a banda. Talvez se esperasse mais um pouco, a crise em que mergulhamos poderia ser suplantada se estivéssemos unidos, mas com a sua saída, ficou difícil de contê-la e pior que isso, evitar o final da banda.
Sou-lhe grato pela música bonita que produziu com as suas baquetas, pelo companheirismo, pelas risadas que demos muitas vezes pelas caronas em seu automóvel, pelas horas a fio em que trabalhamos no escritório de seu pai, em prol da nossa banda etc.
Depois que desistiu da loucura de deixar a música, Dinola teve trabalhos com combos diversos pela noite paulistana, ao ter tocado com muita gente. Envolveu-se em uma época, já no avançar dos anos noventa, com um tecladista que fazia música eletrônica e esteve em shows sazonais de algumas voltas que A Chave do Sol tentou fazer, mas dos quais eu nunca participei.
Em 1998, ele entrou em uma nova banda que eu estava a formar, chamada: Sidharta. Ali, a nossa dupla se uniu novamente, após um hiato de doze anos e então, desenvolvemos um lindo trabalho ao compormos juntos, vinte e três músicas ao lado dos então jovens e desconhecidos multi-instrumentistas, Rodrigo Hid e Marcello Schevano. Ele deixou essa banda no início de 1999, por não estar a concordar com nossa meta que era radicalmente fechada com a orientação Retrô.
Pela noite paulistana, mantém uma banda que toca clássicos do Rock, com Rodrigo Hid e Marcião Gonçalves, chamada: "Tarântula".
Em 2012, Dinola entrou para o Violeta de Outono, uma grande banda psicodélica e progressiva, que eu admiro bastante. Lá, está até os dias atuais (2015), e vive grande fase. Já gravou um lindo disco com essa banda, e tive o prazer de vê-lo ao vivo a atuar com eles, no ano de 2014, com o Centro Cultural São Paulo abarrotado de gente. Fiquei imensamente feliz por vê-lo a estar presente em numa banda tão significativa, e à altura de sua técnica refinada e vice-versa.
Nos falamos constantemente pelas redes sociais, e também nos vemos com regularidade, pessoalmente.
Rubens Gióia
Quando a minha banda cover, Terra no Asfalto, tentou dar a sua última cartada em junho de 1982, por indicação da dona de uma casa noturna onde costumávamos tocar, esta senhora nos indicou o namorado de sua filha, que era um jovem guitarrista chamado: Rubens Gióia. Eu não poderia imaginar isso naquele momento, mas conhecê-lo, mudou a minha vida dali em diante. Em questão de pouco tempo, a ideia dele entrar na formação do Terra no Asfalto, para revitalizar aquela banda que estava a acabar, dissipou-se, pois nos identificamos como Rockers em busca do mesmo sonho e aí, nasceu: A Chave do Sol.
Rubens tinha a ousadia como característica sua pessoal, e graças à essa característica que eu definitivamente não tenho, pois sou cauteloso e comedido por natureza, a banda se lançou no mundo artístico, sem ao menos estar com a sua formação pronta.
A loucura de marcar um show, com a banda incompleta ainda e sem repertório, nos forçou a queimar etapas e muito rapidamente, saímos da condição de uma banda confinada em estúdio, para o palco. O seu entusiasmo e amor pela banda, sempre foram notáveis.
Como guitarrista, Rubens foi um talento nato, sem nunca ter feito aulas. Com um ouvido muito bom, e a a paixão pelo Rock como mote, ele moldou a sua personalidade Rocker que o forjou como guitarrista.
As suas influências sempre foram as melhores possíveis. O Rock das décadas de sessenta e setenta em predominância máxima, e Jimi Hendrix como o seu farol para guiá-lo em todas as ocasiões.
E desse mestre sessentista, ele não aprendeu os riffs e licks apenas, mas a vontade de fazer loucuras com a guitarra em cena. A sua mise-en-scène em tocar com a guitarra nas costas, com os dentes e mediante outros malabarismos alucinados que cometia em cena, nos acrescentou muito em visibilidade, nos shows e nas aparições via TV que fizemos.
A sua marca registrada sob o ponto de vista do áudio, foi o uso intermitente do pedal "Phase 90", a conferir um colorido especial ao som d'A Chave do Sol.
Rubens sempre teve uma boa voz e talvez um dos nossos maiores erros de estratégia em nosso planejamento foi no sentido de constantemente nos preocuparmos em procurar vocalistas, sendo que a voz dele era tão boa ou melhor, do que qualquer vocalista que sedimentara-se no campo mainstream do BR-Rock 80's.
Um amigo leal e fraternal, sou-lhe grato pelo companheirismo, pelos sonhos compartilhados, pela luta, pela ajuda pessoal em muitos momentos, pelo apoio que nos deu através de sua própria residência, transformada em local de trabalho e sem a qual, não teríamos tido o respaldo para construir a carreira, pelas boas histórias que construímos juntos, pelas risadas, pelo Rock e pela possibilidade de fazermos de um sonho, a realidade através d'A Chave do Sol.
Infelizmente, ficamos com a nossa amizade fraternal muito estremecida após a rusga que decretou o final da banda em dezembro de 1987. Ambos ficamos magoados, um com o outro, por uma série de mal-entendidos que nos levaram a crer que um agira mal para com o outro. Mas o tempo provou que ambos estávamos errados, e tudo fora gerado pela má interpretação dos fatos.
Eu tive que participar da dissidência da banda, por não ter outra alternativa, mas na prática eu nunca desejei isso e o ideal teria sido mantermos a nossa banda unida por muitos anos, após a sua ruptura em dezembro de 1987.
Mesmo estremecidos e afastados como amigos, eu fiquei feliz quando soube que no ano de 1988 ele se envolvera com uma nova banda que tinha um esquema forte para ser lançada em gravadora major. Fiquei a saber que gravou um disco no Rio de Janeiro, com uma produção boa, e a ter a persona de Marcelo Sussekind, ex-guitarrista d'A Bolha e do Herva Doce, como produtor desse trabalho. Mas esse projeto não avançou, infelizmente.
Pouco tempo depois, soube que entrara na formação da Patrulha do Espaço, que era uma banda que ele admirava muito, desde a adolescência. Neste caso, foi uma volta da banda, que estava parada há algum tempo, e assim, vi com alegria os cartazes desse show de estreia, em vários lugares de São Paulo. Fiquei contente novamente, pois sabia que ele seria muito feliz e bem sucedido a tocar com Rolando Castello Junior e Sergio Santana. Mas um golpe do destino o atrapalhou nesse sentido, pois o baixista, Sergio Santana falecera precocemente a seguir, para destruir os planos da banda.
Em 1992, ele gravou o LP Primus Inter Pares dessa banda, como uma homenagem ao grande, Serginho Santana, mas isso não caracterizou uma retomada da Patrulha do Espaço, propriamente dita, apesar dessa formação ter feito alguns shows.
Em 1995, nos encontramos nos bastidores de um show do Pitbulls on Crack, banda onde pela qual eu atuava na ocasião, e nos falamos educadamente, mas sem o pleno restabelecimento da amizade, ainda.
Daí em diante, o Rubens tentou articular a volta d'A Chave do Sol várias vezes, e convidou-me diretamente para em tais tentativas que efetuou. Sobre o por que de eu não ter aceito tais convites, eu já expliquei em capítulos anteriores. No início dos anos 2000, Rubens compareceu a dois shows da Patrulha do Espaço, quando eu fui componente dessa banda, então. O clima entre nós melhorara, pois nos falamos com uma proximidade bem melhor, quase como nos velhos tempos.
Em uma dessas tentativas de volta d'A Chave do Sol, chegamos a ensaiar em 2005, a visar o um show que seria realizado através de uma casa noturna, e esta com apelo saudosista, onde algumas bandas da cena pesada e underground dos anos oitenta se apresentariam para estabelecer uma espécie de micro-festival com tal propósito. Mas não deu certo.
Depois disso, houve mais uma tentativa em 2007, e da qual declinei do convite, por que estava a atuar com o Pedra
Ensaio d'A Chave do Sol em 2012, mas somente com ele, Rubens, da formação original a estar envolvido
Uma nova tentativa para se reunir A Chave do Sol foi feita por parte do Luiz Calanca, em 2012. Já contei sobre isso, detalhadamente em capítulo anterior.
Por volta de 2013, quando eu já estava a tocar com Kim Kehl & Os Kurandeiros, Rubens assistiu vários shows nossos em uma casa noturna da zona norte de São Paulo. Nesses encontros, conversamos bastante, e a amizade esteve recomposta, enfim, livre dos ressentimentos do passado.
No ano de 2014, eu fui convidado a tocar em um show em homenagem ao Hélcio Aguirra, guitarrista do Golpe de Estado e nosso amigo desde os anos oitenta e que infelizmente falecera de forma súbita. Nesse evento, toquei com Rubens, além de Roger Bacelli e Marcelo Ladwig, em um combo reunido de improviso. Fizemos um som meio na onda do Jazz-Fusion, e na plateia havia a presença de muitos fãs d'A Chave do Sol que entraram em êxtase por essa reunião inesperada. De fato, eu eu não tocava com Rubens, desde dezembro de 1987...
Magnólia Blues Band e Rubens Gióia no projeto Quarta Blues, em 2014. Da esquerda para a direita: Alexandre Rioli (aos teclados, com chapéu), Kim Kehl (guitarra), Rubens Gióia (guitarra), Carlinhos Machado (na bateria), e eu, Luiz Domingues, no baixo.
Ainda em 2014, Rubens foi nosso convidado no projeto "Quarta Blues", da outra banda onde toco, o Magnólia Blues Band. E foi muito bom recebê-lo.
Estou a escrever este trecho em julho de 2015, e dias atrás, tive o prazer de ver a estreia de sua nova banda. Nos confraternizamos fortemente nesse dia, e agora como espectador, tive a visão privilegiada de ver um ciclo a reiniciar-se... ao ver o seu trio em ação, a impressão que eu tive foi de que a história estava a se repetir, e esse show foi portanto, a retomada do show de estreia da própria, A Chave do Sol, através do longínquo dia 25 de setembro de 1982.
E muito emblemático, ele mesmo disse isso ao microfone, e a apontar-me na mesa onde eu assistia o espetáculo...
Que prospere muito a sua nova banda: "Gióia; Sucata & Musicman", um Power-Trio da pesada.
Bem, estou a encerrar este longo capítulo de minha autobiografia.
A Chave do Sol tem uma importância gigantesca na minha carreira, e não dá para expressar isso com poucas palavras, todavia está implícito nos trezentos e noventa e nove capítulos que escrevi para tentar passar ao leitor essa emoção.
Como de costume, deixo claro que a qualquer momento novidades poderão surgir. No Blog, abrirei sempre espaço para adendos, correções, postagem de materiais em geral que possam surgir a posteriori etc. E no caso d'A Chave do Sol, tenho muito material a resgatar, e já o tenho feito com regularidade desde 2011, quando lancei todas as músicas das demos de 1986, e algum material ao vivo de 1983, incluso duas músicas inéditas: "Utopia" e "Intenções".
Na época, tive o apoio do Site/ Blog Orra Meu, onde sou colaborador como colunista há quatro anos. Lancei também muitos vídeos inéditos, e que foram postados no YouTube.
Recentemente, eu estabeleci parceria com a produtora, Jani Santana Morales, que vem a trabalhar nesse sentido também, e alguns vídeos inéditos foram lançados. A proposta é desengavetar tudo o que tenho disponível e portanto, à medida que forem a ser lançados, posto-os aqui, e no meu Blog 3.
Eu, Luiz Domingues, e o jovem e entusiasmado produtor cultural, Will Dissidente, em duas fotos clicadas diretamente do auditório do Teatro Olido, em São Paulo, por ocasião de um show do Pedra, que ali se realizou em 9 de novembro de 2013
Recomendo visita e apoio ao Blog A Chave do Sol. Reitero, esse blog não é moderado por minha pessoa, mas por um rapaz chamado: Will Dissidente. Ele existe de fato, não é um pseudônimo meu.
Visite o Blog A Chave do Sol:
http://achavedosol.blogspot.com.br/
No meu Blog 3, a proposta da minha autobiografia completa é a da formatação de um livro impresso. É mais fácil para ler com tal ordenação, visto que aqui, no Blog 2, os capítulos ficam mesclados e "ensanduichados" pelas colunas de meus colaboradores fixos e sazonais, além dos anúncios de meus shows com minhas bandas atuais.
Visite o meu Blog 3:
http://luizdomingues3.blogspot.com.br/2015/05/a-chave-do-sol-capitulo-1-rock-autoral.html
Eu criei e modero comunidades d'A Chave do Sol em algumas redes sociais, mas com objetivo de repercutir o meu texto autobiográfico. Com mais tempo a sobrar no futuro, abrirei em outras redes, também.
Um texto medíocre e baseado na opinião superficial de um site de Heavy-Metal da Alemanha, alimentava a descrição d'A Chave do Sol no Wikipedia. Pois eu reescrevi a história da banda resumidamente nessa enciclopédia virtual, ao dar-lhe dignidade.
Página da Chave do Sol no Wikipedia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Chave_do_Sol
Um livro impresso da autobiografia inteira, está nos planos. A formatação no meu Blog 3, já é pensada nesse sentido.
Tenho muito orgulho de ter feito parte dessa banda. As lembranças boas são as mais doces, e as ruins, principalmente sobre o seu momento final, foram sublimadas e estão devidamente cicatrizadas.
Agradeço à todos os profissionais que trabalharam conosco: técnicos, produtores, empresários e roadies!
Sou grato aos jornalistas, radialistas, e profissionais televisivos que nos deram chances!
Aos familiares, parentes e amigos que tanto nos ajudaram!
Aos fãs do trabalho, que nos apoiaram intensamente e muitos, até os dias atuais!
E aos companheiros de jornada, que ajudaram-me a construir essa trajetória vitoriosa e marcante na história do Rock paulista e brasileiro!
Percy Weiss: grato pelos primeiros dois shows, a abrilhantar a nossa iniciante banda com a sua voz privilegiada e também com a sua bagagem & fama inerentes. Descanse em paz.
Verônica Luhr: Muito obrigado por me proporcionar tocar contigo, a ouvir a sua voz inacreditável. Você foi e ainda é a Tina Turner loura e com olhos azuis! Espero que esteja e seja sempre muito feliz!
Chico Dias: Obrigado pela sua passagem pela banda. Que pena que não prosperou como desejávamos, mas você era um bom vocalista/frontman. Fiquei muito chateado contigo por um bom tempo, por conta de sua saída abrupta da banda, mas saiba que entendo a situação de outra forma agora, e não guardo mágoa alguma. Seja muito feliz aí no teu Rio Grande do Sul!
Fran Alves: Sou-lhe muito agradecido pelo privilégio de ter tido a sua presença como componente da minha banda. A sua voz era de arrepiar e sobre a sua presença de palco, muito intensa e dramática. Em toda a minha carreira, vi poucos artistas subirem em um palco e ter essa entrega que você tinha. Fico muito aborrecido pelos dissabores que enfrentou, injustamente ao meu ver, por algumas pessoas que reprovaram a sua passagem pela nossa banda. Descanse em paz, velho amigo e um minuto além, eu chego aí para te reencontrar.
Como diz o poeta, Julio Revoredo, "A humildade é o caminho para a felicidade superior", portanto, Fran, você vive essa plena felicidade, aí no outro lado, tenho certeza!
José Luiz Dinola: Obrigado pela sua bateria superb, pela possibilidade de criarmos linhas de baixo & bateria que marcaram imensamente ao ponto de serem comentadas como referência para muitos músicos que surgiram depois de nós, grato pela amizade, companheirismo, pela sua luta incansável, pelo inacreditável talento para criar e fazer múltiplas tarefas em prol da banda, pelos sacrifícios pessoais que teve para privilegiar os interesses da nossa banda, enfim, grato por ter sido o baterista d'A Chave do Sol, o nosso grande porto seguro atrás dos tambores da bateria!
Como sempre digo, José Luiz Dinola é um baterista nota dez, e um ser humano nota mil! Estou a torcer muito para que ele seja muito feliz no Violeta de Outono, por muitos anos!
Rubens Gióia: Obrigado por dar sustentação ao meu sonho batalhado desde 1976, mas só alcançado efetivamente em 1982, grato pela guitarra "Hendrixiana" da qual me orgulhava em ter à disposição em minha banda, grato pelas músicas, grato pelas performances, grato por fazer de sua residência o QG onde concretizamos nossa banda, grato pelas risadas que demos, grato pelos malabarismos com a guitarra e que arrancavam uivos da plateia, grato pela sua voz que imortalizou o nosso primeiro sucesso registrado em disco, enfim, grato por tudo!
Estou na torcida para que sua nova banda construa uma história tão linda como a que construímos com A Chave do Sol!
Está encerrada essa etapa da minha autobiografia. daqui em diante, a seguir a cronologia da minha autobiografia, o assunto é "Sala de Aulas", a descrever a minha atuação como professor de música por cerca de doze anos de 1987 a 1999.
Muito obrigado por ler, amigo leitor!
Viva A Chave do Sol!
José Luiz Dinola
Zé Luiz, por ser técnico ao extremo, nos impulsionou rumo ao Jazz-Rock, de uma forma absurda, logo no início das nossas atividades de composição do material da banda. Não foi o caso de que não gostássemos do Jazz-Rock da década de setenta, pelo contrário, eu e Rubens o apreciávamos muito. No entanto, não era a nossa predileção natural. Gostávamos mais de Rock'n' Roll clássico, Hard-Rock e Prog Rock setentistas, Acid Rock e Psicodelia sessentista, e no meu caso pessoal, a lista estender-se-ia em direção à Black Music, Folk-Rock, MPB etc.
No entanto essa guinada nossa para o Jazz-Rock, moldou a nossa personalidade inteiramente a seguir, e de certa forma, obscureceu os signos de outras tendências que apreciávamos no Rock, a estigmatizar-nos como a uma banda de Jazz-Rock, com forte acento setentista.
Portanto, muito do que construímos nos primeiros anos da banda, e digo em termos de repercussão, após termos feito a nossa primeira aparição na TV, foi por conta dessa identidade sonora que marcou a nossa imagem. Portanto, nessa primeira análise, computo ao Zé Luiz, a importância de nos ter dado a primeira imagem pública enquanto identidade sonora, e que muito nos deu respeito, sobretudo. Longe de ser algo palatável ao mundo fonográfico e radiofônico, essa vertente de difícil assimilação pelo grande público, nos proporcionou respeito entre músicos, jornalistas e produtores, ao menos.
Como baterista, o Dinola dispensa apresentações. É simplesmente um dos maiores da história do Rock brasileiro, pela técnica refinada, versatilidade e criatividade.
Dinola sempre teve potencial para cantar bem. No início das atividades da banda, assumiu cantar algumas canções, mas foi a deixar de lado, à medida que fomos a incorporar vocalistas de ofício em nossa banda.
Quando nos envolvemos no Sidharta, muitos anos depois (essa banda tem capítulos exclusivos, já publicados e encerrados), ele demonstrou grande evolução nesse quesito, e cantava ainda melhor e também ficara muito bom para criar arranjos vocais. Aliás, talento para arranjador sempre foi uma outra qualidade sua. Desde o início d'A Chave do Sol, a sua capacidade inventiva foi extraordinária para dar ótimas ideias de arranjos.
Sobre A Chave do Sol em si, lembro com saudade do nosso esmero incrível em criarmos convenções intrincadas de baixo & bateria. Passávamos horas a criar e repassar trecho por trecho, ao moldarmos divisões rítmicas as mais inusitadas e quase sempre sob difícil execução, ou seja, como gostávamos de complicar as coisas! Mas também, como ficavam expressivas tais criações, e realçavam as nossas composições!
Fora da música, Dinola é um gênio inventivo. A sua capacidade para realizar tarefas com as próprias mãos é incrível. Na eletrônica, na marcenaria & carpintaria, a construir e consertar objetos os mais variados, Dinola sempre foi um misto de Professor Pardal, e um produtor executivo com poderes de contra-regra que cumpre qualquer tarefa.
Outra característica sua muito boa, sempre foi a sua boa vontade de enfrentar todos os desafios, e não foram poucos os que tivemos que suplantar. Somente na reta final da história da nossa banda, mediante o duro golpe da frustração gerado por não termos dado o passo além que achávamos que estávamos perto de dar, o desanimou. Lastimo muito que isso tenha lhe dado o impulso de deixar a banda. Talvez se esperasse mais um pouco, a crise em que mergulhamos poderia ser suplantada se estivéssemos unidos, mas com a sua saída, ficou difícil de contê-la e pior que isso, evitar o final da banda.
Sou-lhe grato pela música bonita que produziu com as suas baquetas, pelo companheirismo, pelas risadas que demos muitas vezes pelas caronas em seu automóvel, pelas horas a fio em que trabalhamos no escritório de seu pai, em prol da nossa banda etc.
Depois que desistiu da loucura de deixar a música, Dinola teve trabalhos com combos diversos pela noite paulistana, ao ter tocado com muita gente. Envolveu-se em uma época, já no avançar dos anos noventa, com um tecladista que fazia música eletrônica e esteve em shows sazonais de algumas voltas que A Chave do Sol tentou fazer, mas dos quais eu nunca participei.
Em 1998, ele entrou em uma nova banda que eu estava a formar, chamada: Sidharta. Ali, a nossa dupla se uniu novamente, após um hiato de doze anos e então, desenvolvemos um lindo trabalho ao compormos juntos, vinte e três músicas ao lado dos então jovens e desconhecidos multi-instrumentistas, Rodrigo Hid e Marcello Schevano. Ele deixou essa banda no início de 1999, por não estar a concordar com nossa meta que era radicalmente fechada com a orientação Retrô.
Pela noite paulistana, mantém uma banda que toca clássicos do Rock, com Rodrigo Hid e Marcião Gonçalves, chamada: "Tarântula".
Em 2012, Dinola entrou para o Violeta de Outono, uma grande banda psicodélica e progressiva, que eu admiro bastante. Lá, está até os dias atuais (2015), e vive grande fase. Já gravou um lindo disco com essa banda, e tive o prazer de vê-lo ao vivo a atuar com eles, no ano de 2014, com o Centro Cultural São Paulo abarrotado de gente. Fiquei imensamente feliz por vê-lo a estar presente em numa banda tão significativa, e à altura de sua técnica refinada e vice-versa.
Nos falamos constantemente pelas redes sociais, e também nos vemos com regularidade, pessoalmente.
Rubens Gióia
Quando a minha banda cover, Terra no Asfalto, tentou dar a sua última cartada em junho de 1982, por indicação da dona de uma casa noturna onde costumávamos tocar, esta senhora nos indicou o namorado de sua filha, que era um jovem guitarrista chamado: Rubens Gióia. Eu não poderia imaginar isso naquele momento, mas conhecê-lo, mudou a minha vida dali em diante. Em questão de pouco tempo, a ideia dele entrar na formação do Terra no Asfalto, para revitalizar aquela banda que estava a acabar, dissipou-se, pois nos identificamos como Rockers em busca do mesmo sonho e aí, nasceu: A Chave do Sol.
Rubens tinha a ousadia como característica sua pessoal, e graças à essa característica que eu definitivamente não tenho, pois sou cauteloso e comedido por natureza, a banda se lançou no mundo artístico, sem ao menos estar com a sua formação pronta.
A loucura de marcar um show, com a banda incompleta ainda e sem repertório, nos forçou a queimar etapas e muito rapidamente, saímos da condição de uma banda confinada em estúdio, para o palco. O seu entusiasmo e amor pela banda, sempre foram notáveis.
Como guitarrista, Rubens foi um talento nato, sem nunca ter feito aulas. Com um ouvido muito bom, e a a paixão pelo Rock como mote, ele moldou a sua personalidade Rocker que o forjou como guitarrista.
As suas influências sempre foram as melhores possíveis. O Rock das décadas de sessenta e setenta em predominância máxima, e Jimi Hendrix como o seu farol para guiá-lo em todas as ocasiões.
E desse mestre sessentista, ele não aprendeu os riffs e licks apenas, mas a vontade de fazer loucuras com a guitarra em cena. A sua mise-en-scène em tocar com a guitarra nas costas, com os dentes e mediante outros malabarismos alucinados que cometia em cena, nos acrescentou muito em visibilidade, nos shows e nas aparições via TV que fizemos.
A sua marca registrada sob o ponto de vista do áudio, foi o uso intermitente do pedal "Phase 90", a conferir um colorido especial ao som d'A Chave do Sol.
Rubens sempre teve uma boa voz e talvez um dos nossos maiores erros de estratégia em nosso planejamento foi no sentido de constantemente nos preocuparmos em procurar vocalistas, sendo que a voz dele era tão boa ou melhor, do que qualquer vocalista que sedimentara-se no campo mainstream do BR-Rock 80's.
Um amigo leal e fraternal, sou-lhe grato pelo companheirismo, pelos sonhos compartilhados, pela luta, pela ajuda pessoal em muitos momentos, pelo apoio que nos deu através de sua própria residência, transformada em local de trabalho e sem a qual, não teríamos tido o respaldo para construir a carreira, pelas boas histórias que construímos juntos, pelas risadas, pelo Rock e pela possibilidade de fazermos de um sonho, a realidade através d'A Chave do Sol.
Infelizmente, ficamos com a nossa amizade fraternal muito estremecida após a rusga que decretou o final da banda em dezembro de 1987. Ambos ficamos magoados, um com o outro, por uma série de mal-entendidos que nos levaram a crer que um agira mal para com o outro. Mas o tempo provou que ambos estávamos errados, e tudo fora gerado pela má interpretação dos fatos.
Eu tive que participar da dissidência da banda, por não ter outra alternativa, mas na prática eu nunca desejei isso e o ideal teria sido mantermos a nossa banda unida por muitos anos, após a sua ruptura em dezembro de 1987.
Mesmo estremecidos e afastados como amigos, eu fiquei feliz quando soube que no ano de 1988 ele se envolvera com uma nova banda que tinha um esquema forte para ser lançada em gravadora major. Fiquei a saber que gravou um disco no Rio de Janeiro, com uma produção boa, e a ter a persona de Marcelo Sussekind, ex-guitarrista d'A Bolha e do Herva Doce, como produtor desse trabalho. Mas esse projeto não avançou, infelizmente.
Pouco tempo depois, soube que entrara na formação da Patrulha do Espaço, que era uma banda que ele admirava muito, desde a adolescência. Neste caso, foi uma volta da banda, que estava parada há algum tempo, e assim, vi com alegria os cartazes desse show de estreia, em vários lugares de São Paulo. Fiquei contente novamente, pois sabia que ele seria muito feliz e bem sucedido a tocar com Rolando Castello Junior e Sergio Santana. Mas um golpe do destino o atrapalhou nesse sentido, pois o baixista, Sergio Santana falecera precocemente a seguir, para destruir os planos da banda.
Em 1992, ele gravou o LP Primus Inter Pares dessa banda, como uma homenagem ao grande, Serginho Santana, mas isso não caracterizou uma retomada da Patrulha do Espaço, propriamente dita, apesar dessa formação ter feito alguns shows.
Em 1995, nos encontramos nos bastidores de um show do Pitbulls on Crack, banda onde pela qual eu atuava na ocasião, e nos falamos educadamente, mas sem o pleno restabelecimento da amizade, ainda.
Daí em diante, o Rubens tentou articular a volta d'A Chave do Sol várias vezes, e convidou-me diretamente para em tais tentativas que efetuou. Sobre o por que de eu não ter aceito tais convites, eu já expliquei em capítulos anteriores. No início dos anos 2000, Rubens compareceu a dois shows da Patrulha do Espaço, quando eu fui componente dessa banda, então. O clima entre nós melhorara, pois nos falamos com uma proximidade bem melhor, quase como nos velhos tempos.
Em uma dessas tentativas de volta d'A Chave do Sol, chegamos a ensaiar em 2005, a visar o um show que seria realizado através de uma casa noturna, e esta com apelo saudosista, onde algumas bandas da cena pesada e underground dos anos oitenta se apresentariam para estabelecer uma espécie de micro-festival com tal propósito. Mas não deu certo.
Depois disso, houve mais uma tentativa em 2007, e da qual declinei do convite, por que estava a atuar com o Pedra
Ensaio d'A Chave do Sol em 2012, mas somente com ele, Rubens, da formação original a estar envolvido
Uma nova tentativa para se reunir A Chave do Sol foi feita por parte do Luiz Calanca, em 2012. Já contei sobre isso, detalhadamente em capítulo anterior.
Por volta de 2013, quando eu já estava a tocar com Kim Kehl & Os Kurandeiros, Rubens assistiu vários shows nossos em uma casa noturna da zona norte de São Paulo. Nesses encontros, conversamos bastante, e a amizade esteve recomposta, enfim, livre dos ressentimentos do passado.
No ano de 2014, eu fui convidado a tocar em um show em homenagem ao Hélcio Aguirra, guitarrista do Golpe de Estado e nosso amigo desde os anos oitenta e que infelizmente falecera de forma súbita. Nesse evento, toquei com Rubens, além de Roger Bacelli e Marcelo Ladwig, em um combo reunido de improviso. Fizemos um som meio na onda do Jazz-Fusion, e na plateia havia a presença de muitos fãs d'A Chave do Sol que entraram em êxtase por essa reunião inesperada. De fato, eu eu não tocava com Rubens, desde dezembro de 1987...
Magnólia Blues Band e Rubens Gióia no projeto Quarta Blues, em 2014. Da esquerda para a direita: Alexandre Rioli (aos teclados, com chapéu), Kim Kehl (guitarra), Rubens Gióia (guitarra), Carlinhos Machado (na bateria), e eu, Luiz Domingues, no baixo.
Ainda em 2014, Rubens foi nosso convidado no projeto "Quarta Blues", da outra banda onde toco, o Magnólia Blues Band. E foi muito bom recebê-lo.
Estou a escrever este trecho em julho de 2015, e dias atrás, tive o prazer de ver a estreia de sua nova banda. Nos confraternizamos fortemente nesse dia, e agora como espectador, tive a visão privilegiada de ver um ciclo a reiniciar-se... ao ver o seu trio em ação, a impressão que eu tive foi de que a história estava a se repetir, e esse show foi portanto, a retomada do show de estreia da própria, A Chave do Sol, através do longínquo dia 25 de setembro de 1982.
E muito emblemático, ele mesmo disse isso ao microfone, e a apontar-me na mesa onde eu assistia o espetáculo...
Que prospere muito a sua nova banda: "Gióia; Sucata & Musicman", um Power-Trio da pesada.
Bem, estou a encerrar este longo capítulo de minha autobiografia.
A Chave do Sol tem uma importância gigantesca na minha carreira, e não dá para expressar isso com poucas palavras, todavia está implícito nos trezentos e noventa e nove capítulos que escrevi para tentar passar ao leitor essa emoção.
Como de costume, deixo claro que a qualquer momento novidades poderão surgir. No Blog, abrirei sempre espaço para adendos, correções, postagem de materiais em geral que possam surgir a posteriori etc. E no caso d'A Chave do Sol, tenho muito material a resgatar, e já o tenho feito com regularidade desde 2011, quando lancei todas as músicas das demos de 1986, e algum material ao vivo de 1983, incluso duas músicas inéditas: "Utopia" e "Intenções".
Na época, tive o apoio do Site/ Blog Orra Meu, onde sou colaborador como colunista há quatro anos. Lancei também muitos vídeos inéditos, e que foram postados no YouTube.
Recentemente, eu estabeleci parceria com a produtora, Jani Santana Morales, que vem a trabalhar nesse sentido também, e alguns vídeos inéditos foram lançados. A proposta é desengavetar tudo o que tenho disponível e portanto, à medida que forem a ser lançados, posto-os aqui, e no meu Blog 3.
Eu, Luiz Domingues, e o jovem e entusiasmado produtor cultural, Will Dissidente, em duas fotos clicadas diretamente do auditório do Teatro Olido, em São Paulo, por ocasião de um show do Pedra, que ali se realizou em 9 de novembro de 2013
Recomendo visita e apoio ao Blog A Chave do Sol. Reitero, esse blog não é moderado por minha pessoa, mas por um rapaz chamado: Will Dissidente. Ele existe de fato, não é um pseudônimo meu.
Visite o Blog A Chave do Sol:
http://achavedosol.blogspot.com.br/
No meu Blog 3, a proposta da minha autobiografia completa é a da formatação de um livro impresso. É mais fácil para ler com tal ordenação, visto que aqui, no Blog 2, os capítulos ficam mesclados e "ensanduichados" pelas colunas de meus colaboradores fixos e sazonais, além dos anúncios de meus shows com minhas bandas atuais.
Visite o meu Blog 3:
http://luizdomingues3.blogspot.com.br/2015/05/a-chave-do-sol-capitulo-1-rock-autoral.html
Eu criei e modero comunidades d'A Chave do Sol em algumas redes sociais, mas com objetivo de repercutir o meu texto autobiográfico. Com mais tempo a sobrar no futuro, abrirei em outras redes, também.
Um texto medíocre e baseado na opinião superficial de um site de Heavy-Metal da Alemanha, alimentava a descrição d'A Chave do Sol no Wikipedia. Pois eu reescrevi a história da banda resumidamente nessa enciclopédia virtual, ao dar-lhe dignidade.
Página da Chave do Sol no Wikipedia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Chave_do_Sol
Um livro impresso da autobiografia inteira, está nos planos. A formatação no meu Blog 3, já é pensada nesse sentido.
Tenho muito orgulho de ter feito parte dessa banda. As lembranças boas são as mais doces, e as ruins, principalmente sobre o seu momento final, foram sublimadas e estão devidamente cicatrizadas.
Agradeço à todos os profissionais que trabalharam conosco: técnicos, produtores, empresários e roadies!
Sou grato aos jornalistas, radialistas, e profissionais televisivos que nos deram chances!
Aos familiares, parentes e amigos que tanto nos ajudaram!
Aos fãs do trabalho, que nos apoiaram intensamente e muitos, até os dias atuais!
E aos companheiros de jornada, que ajudaram-me a construir essa trajetória vitoriosa e marcante na história do Rock paulista e brasileiro!
Percy Weiss: grato pelos primeiros dois shows, a abrilhantar a nossa iniciante banda com a sua voz privilegiada e também com a sua bagagem & fama inerentes. Descanse em paz.
Verônica Luhr: Muito obrigado por me proporcionar tocar contigo, a ouvir a sua voz inacreditável. Você foi e ainda é a Tina Turner loura e com olhos azuis! Espero que esteja e seja sempre muito feliz!
Chico Dias: Obrigado pela sua passagem pela banda. Que pena que não prosperou como desejávamos, mas você era um bom vocalista/frontman. Fiquei muito chateado contigo por um bom tempo, por conta de sua saída abrupta da banda, mas saiba que entendo a situação de outra forma agora, e não guardo mágoa alguma. Seja muito feliz aí no teu Rio Grande do Sul!
Fran Alves: Sou-lhe muito agradecido pelo privilégio de ter tido a sua presença como componente da minha banda. A sua voz era de arrepiar e sobre a sua presença de palco, muito intensa e dramática. Em toda a minha carreira, vi poucos artistas subirem em um palco e ter essa entrega que você tinha. Fico muito aborrecido pelos dissabores que enfrentou, injustamente ao meu ver, por algumas pessoas que reprovaram a sua passagem pela nossa banda. Descanse em paz, velho amigo e um minuto além, eu chego aí para te reencontrar.
Como diz o poeta, Julio Revoredo, "A humildade é o caminho para a felicidade superior", portanto, Fran, você vive essa plena felicidade, aí no outro lado, tenho certeza!
Beto Cruz: Muito obrigado pela colaboração que foi fortíssima com músicas,
letras, capacidade de organização, e trabalho de campo como produtor!
Muito grato pelos shows que fizemos, pela sua seriedade no trabalho e pelas brincadeiras nas horas certas que me proporcionou boas risadas, grato por ceder a sua residência para ensaiarmos e ministrarmos aulas, obrigado pela voz, pela guitarra e pela performance de frontman carismático que angariou muitos fãs para a nossa banda! Seja muito feliz aí nos Estados Unidos, com a sua esposa e filha, e sempre estarei a apoiar os seus feitos musicais!
Muito grato pelos shows que fizemos, pela sua seriedade no trabalho e pelas brincadeiras nas horas certas que me proporcionou boas risadas, grato por ceder a sua residência para ensaiarmos e ministrarmos aulas, obrigado pela voz, pela guitarra e pela performance de frontman carismático que angariou muitos fãs para a nossa banda! Seja muito feliz aí nos Estados Unidos, com a sua esposa e filha, e sempre estarei a apoiar os seus feitos musicais!
José Luiz Dinola: Obrigado pela sua bateria superb, pela possibilidade de criarmos linhas de baixo & bateria que marcaram imensamente ao ponto de serem comentadas como referência para muitos músicos que surgiram depois de nós, grato pela amizade, companheirismo, pela sua luta incansável, pelo inacreditável talento para criar e fazer múltiplas tarefas em prol da banda, pelos sacrifícios pessoais que teve para privilegiar os interesses da nossa banda, enfim, grato por ter sido o baterista d'A Chave do Sol, o nosso grande porto seguro atrás dos tambores da bateria!
Como sempre digo, José Luiz Dinola é um baterista nota dez, e um ser humano nota mil! Estou a torcer muito para que ele seja muito feliz no Violeta de Outono, por muitos anos!
Rubens Gióia: Obrigado por dar sustentação ao meu sonho batalhado desde 1976, mas só alcançado efetivamente em 1982, grato pela guitarra "Hendrixiana" da qual me orgulhava em ter à disposição em minha banda, grato pelas músicas, grato pelas performances, grato por fazer de sua residência o QG onde concretizamos nossa banda, grato pelas risadas que demos, grato pelos malabarismos com a guitarra e que arrancavam uivos da plateia, grato pela sua voz que imortalizou o nosso primeiro sucesso registrado em disco, enfim, grato por tudo!
Estou na torcida para que sua nova banda construa uma história tão linda como a que construímos com A Chave do Sol!
Está encerrada essa etapa da minha autobiografia. daqui em diante, a seguir a cronologia da minha autobiografia, o assunto é "Sala de Aulas", a descrever a minha atuação como professor de música por cerca de doze anos de 1987 a 1999.
Muito obrigado por ler, amigo leitor!
Viva A Chave do Sol!
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 398 - Por Luiz Domingues
Agora, falo sobre dois ex-membros, que tiveram passagens mais longas pela banda, e deixaram um legado eternizado em discos.
Fran Alves
Quando perdemos o vocalista, Chico Dias, de forma totalmente inesperada, a nossa estratégia de nos prepararmos para uma possível nova onda estética que aproximar-se-ia, e que possivelmente abrir-nos-ia portas no mundo mainstream das gravadoras majors, e da mídia, se viu muito ameaçada, e nós não poderíamos perder tempo, e marcar passo nesse sentido. Foi quando soubemos que um vocalista dotado de uma voz muito potente e que atuava com um tipo de interpretação dramática, estava prestes a ficar sem a sua banda que anunciara o término de suas atividades.
Tratou-se de Fran Alves, um vocalista com timbre rouco, e uma emissão que era impressionante. Ele foi dessa forma, o vocalista ideal para um momento em que acháramos as que nossas chances residiriam no peso do Hard-Rock/Heavy Metal oitentista. Não era a nossa predileção artística, longe disso, aliás, mas o peso que imprimimos para essas novas músicas, teve essa deliberada intenção de adequação à uma estética que supúnhamos ser a próxima a se aproximar do êxito mais contundente... mas o fato foi que ele não veio. E quem pagou um alto preço por conta dessa estratégia malograda, foi o Fran Alves, lamentavelmente. Muito criticado pelos fãs antigos da nossa banda, que preferiam a sonoridade antiga de nosso trabalho, e também pela sua voz rouca e presença de palco que para muitos, parecera inadequada para a nossa banda, tais opiniões foram a minar as suas forças pessoais e infelizmente, ele chegou em um ponto onde se viu acuado. Sem saída, Fran anunciou sua saída de nossa banda, para o nosso próprio bem e o dele, sob uma análise muito fria.
Uma grande pena, pois o Fran foi um cantor sensacional e a sua entrega no palco era a de um grande artista focado no momento mágico que só os grandes conseguem absorver e expressar em cima da ribalta. A sua voz era impressionante e a rouquidão, totalmente natural no ato de cantar. Como pessoa, era um sujeito sensível, calmo, sensato, ponderado e a se mostrar muito humilde. Com um caráter excepcional, era um grande amigo leal etc.
Por volta de 1988, eu soube que ele havia desistido da música e nesta ocasião trabalhava como gerente de um famoso magazine da cidade.
No meio dos anos noventa, ele me ligou e veio visitar-me em minha residência, para formular uma proposta de nova banda que desejava formar. Eu estava firme com o Pitbulls on Crack na ocasião e mesmo que estivesse livre, declinaria do convite por uma única razão: tratava-se de Heavy-Metal o que queria trabalhar com essa nova banda, e tal gênero nunca foi do meu agrado.
Muitos anos se passaram e ele me ligou, mas desta feita para falar de uma banda formada por garotos que estava a apadrinhar e dessa forma, ele cogitou que eu os indicasse para abrir shows da Patrulha do Espaço, banda em que eu estava nessa fase. Essa sua solicitação eu nunca pude providenciar, mas chamou-me a atenção a sua voz, que parecia cansada e ele realmente me disse que estava a passar por problemas de saúde, ao fazendo tratamento etc.
Ao final de 2008, eu recebi com atraso a notícia de que ele havia falecido. Tal acontecimento trágico ocorrera durante a noite de natal, portanto, eu nem tive meios para prestigiar o seu velório e sepultamento, para poder dar as minhas condolências à sua esposa e também ao seu casal de filhos.
Por volta de 2011, eu recebi a solicitação de amizade de sua viúva através da extinta Rede Social, Orkut, e a conversarmos, ela me disse que conhecera um jovem fã d'A Chave do Sol que estava a procurar pelos ex-membros da banda para nos pedir permissão para que pudesse colocar no ar um Blog sobre A Chave do Sol.
Ora, claro que da minha parte esse pedido foi aceito de pronto, pelo motivo óbvio de que alguém a nos ajudar nessa altura dos acontecimentos, e mesmo com a banda inativa, seria super bem vindo.
E nesse embalo, eu fiz cópias de material fotográfico, peças de portfólio e vídeos com a participação do saudoso, Fran Alves e entreguei à Sandra Alves, viúva de Fran, quando pude finalmente conhecer os seus filhos que já eram adolescentes e ambos a se mostrar muito parecidos com ele, sendo o menino, quase um sósia de seu pai. Fran Alves vive!
Está representado no legado que deixou no disco que gravou conosco e através de seus filhos.
Deixo aqui o meu agradecimento por sua participação, contribuição e amizade no convívio de pouco mais de dez meses em que foi componente oficial d'A Chave do Sol. Fico com a lembrança de um grande artista, e um amigo dos mais bondosos que eu fiz na minha vida.
Um minuto além, e nos encontramos de novo em algum lugar onde houver uma aurora boreal!
Beto Cruz
Quando perdemos o vocalista,Fran Alves, na verdade já estávamos a planejar mudanças estruturais na estética e sonoridade da banda.
E nesse contexto de uma nova guinada que queríamos dar, surgiu o Beto Cruz, que foi o elemento certo, na hora certa.
Beto tinha a mesma vontade de buscar uma maior aproximação da banda com os padrões vigentes do mundo mainstream, e nesse sentido, nos auxiliou demais nessa empreitada.
Pelo fato de tocar guitarra, ele apresentava muita facilidade para compor e a sua participação tornou-se, portanto, decisiva nessa tarefa de renovar o repertório da banda, quase que inteiramente, e dentro desses novos parâmetros que buscávamos.
A sua entrada na banda foi uma outra ideia do Rubens, e o leitor mais atento, já deve ter percebido que o Rubens quase sempre foi o responsável por indicar e abordar diretamente um candidato à vaga, com exceção do Fran Alves que ocorreu de uma forma diferente.
Por isso, novamente foi o Rubens, o responsável pela entrada de mais um vocalista.
Sobre o Beto, quando ele entrou, sabíamos que ele havia tido uma experiência anterior com uma boa banda chamada: "Zenith", e antes, ainda nos anos setenta, houvera trabalhado com o grupo: "Zona Franca", com seu irmão, Claudio Cruz no baixo, e Charles Gavin, na bateria.
Pairavam boatos sobre ele no métier, como por exemplo o de que costumava andar de carro conversível e com uma guitarra Gibson Les Paul no banco do passageiro, como forma de ostentação Rocker.
Quando entrou para a nossa banda, ele desmentiu a lenda, ao dizer que sim, tivera como carro, uma Puma conversível, mas jamais andaria com uma guitarra cara dessas, exposta nessas condições...
A sua voz era potente, e com timbre límpido, bem diferente da rouquidão dramática do Fran Alves.
A sua postura de palco, se mostrava muito boa, ao se movimentar bem, e sobre a comunicação com o público, esta também era muito boa. Ele tinha ótima aparência, e isso ajudou a capitalizar a presença maciça do público feminino, mesmo que a posição de "galã oficial" da banda sempre fosse do Rubens, desde o início das nossas atividades.
Aos poucos, Beto pôs-se a tocar guitarra nos shows, também, e claro que isso encorpou o som da banda. Ele tocava bem, sem virtuosismos, mas tal predisposição foi comedida, pois a ideia primordial foi em permanecermos como um quarteto, onde o vocalista só cantasse.
Beto continha um carisma, certamente e na minha análise, creio que de todas as fases que a banda teve em sua trajetória, duas se destacam com maior protuberância no imaginário dos fãs: a fase do Power-Trio, ao investirmos bastante no Jazz-Rock setentista e a fase Hard-Rock oitentista, com o Beto no vocal. Por isso, acho que ele tem um grande mérito pela sua participação na banda.
Como pessoa, era (é) um sujeito extremamente brincalhão, sempre pronto a ajudar e com muita iniciativa a lidar com questões de produção e bastidores da banda.
Sou-lhe muito grato pela força de trabalho que trouxe para a banda, em vários aspectos, e na fase mais aguda da crise em que adentramos no segundo semestre de 1987, ele foi um guerreiro, literalmente, pois saiu à nossa frente com um facão a cortar a mata selvagem que nos envolvia e a abrir clarões na floresta, para nos salvarmos.
Jamais me esquecerei disso e tenho que enaltecer o seu enorme esforço nesse sentido, pois se existe o LP The Key, creio que pelo menos 95 % por cento dessa concretização, veio da parte de seus méritos para tal concretização.
Beto também foi fundamental quando a banda quedou-se definitivamente e em questão de dias, armou um novo cenário para que uma nova banda dissidente fosse formada às pressas, para suprir necessidades e compromissos da velha, A Chave do Sol, que seriam inadiáveis.
Foi um grande companheiro, amigo leal e incansável batalhador.
Sobre a dissidência d'A Chave do Sol, que na realidade é uma outra banda com uma história sua em separado, falo com detalhes nos seus capítulos exclusivos.
Após a minha saída dessa banda dissidente, em meados de 1989, ele a reformulou completamente mais uma vez, e a liderou por mais algum tempo, até fechar as suas portas definitivamente, no início de 1991. A seguir, mudou-se para os Estados Unidos, onde estabeleceu-se para sempre, ao abrir um negócio e constituir família. Beto Cruz mora atualmente em Fort Lauderdale, perto de Miami, no estado da Florida.
Mas ele não largou a música, pois já se envolveu com bandas norte-americanas, e cerca de três anos atrás lançou uma música na internet, a tocar guitarra e cantar. Eis então, a canção: "Winds of Change", que ele lançou nos Estados Unidos, com link abaixo para escutar no portal bandcamp:
http://merkana.bandcamp.com/track/winds-of-change
Nos conectamos através das redes sociais desde o saudoso, Orkut, e nos falamos com regularidade no Facebook, hoje em dia (2015).
"O Sol só brilha para quem luta até o final" é um pedaço de letra que ele escreveu e lhe cai bem, a espelhar bem o seu espírito guerreiro para enfrentar os obstáculos da vida.
Continua...
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