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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Leandro) - Capítulo 27 - Por Luiz Domingues

Procurei na internet, mas não achei quase nada sobre o Leandro ou o seu LP. Apenas no no Blog do Língua de Trapo, existem citações de algumas pessoas ao Leandro, e seu LP "Canto Livre". Vou colocar no entanto o link de uma citação feita pelo jornalista, Ayrton Mugnaini Jr. em seu blog. É uma citação curta, pois realmente o trabalho do Leandro não prosperou, infelizmente.

http://ayrtonmugnainijr.blogspot.com/2008_04_01_archive.html

Como considerações finais, cito :

 1) Claro, sou muito grato ao Leandro por ter convidado-me a participar, e considero a minha primeira experiência em estúdio profissional, da qual tirei lições.

2) Claro ! O primeiro contato com um baixo Fender, foi algo inesperado e incrível.

3) Verdade... aprendi que em um estúdio, estar preparado, nota por nota é muito importante. Ou ficar tão seguro ao ponto de sentir-se livre para improvisar, que é o meu caso, hoje em dia. Chego no estúdio com um arranjo definido, nota por nota, mas muitas vezes improviso aqui e ali, e se gosto do resultado, deixo no disco.

4) O fone é fundamental... já gravei com fones péssimos, por precariedade de certos estúdios, mas o ideal é ter uma equalização "ao dente", ou neste caso, "ao tímpano"...

5) Sim, tenho uma cópia desse LP na minha coleção, e com dedicatória do Leandro.


6) A minha foto na contracapa do álbum, foi capturada na sessão de gravação, e estou com um baixo Fender Jazz Bass em mãos, e a ostentar um bigode. Foi a primeira e única vez em que deixei bigode, o que não durou nem um mês, e coincidiu em ser nessa gravação registrada pela foto, citada. E o responsável pela arte final, errou, pois a minha foto saiu invertida. Na foto, pareço o Paul McCartney, na época do LP "Sgt° Peppers", com bigode, e a tocar como canhoto...

7) Para ser sincero, entre frustração, satisfação ou realização, tive um pouco das três sensações... satisfeito por ter gravado um LP; em um estúdio profissional; mas frustrado por ter sofrido, e tido uma performance não muito boa. Mesmo assim, considerei-me realizado na ocasião, por avaliar que estava sob uma situação "especial", que pouco tempo antes, era só um sonho.

8) Não fiquei a pensar muito na gravação. Isso porque estava a realizar vários trabalhos paralelos naquela época, e nem tinha tempo para ficar a elucubrar.


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Leandro) - Capítulo 26 - Por Luiz Domingues

A capa do disco foi muito criticada por todos. Tratava-se de uma foto do Leandro, clicada em um parque público (Horto Florestal, na zona norte de São Paulo), sentado à beira de um lago, encostado sob uma árvore. Trajado com um visual bem convencional, pareceu-se com capa de artista brega.
O repertório era interessante, mas não parecia haver uma mola mestra a definir uma direção. Havia canções; sambas; sambão "joia"; samba de breque, e ritmos nordestinos. Talvez na concepção dele, a intenção fosse demonstrar ecletismo, mas sem orientação artística alguma, mais parecia uma coletânea com vários artistas muito diferentes entre si, cada faixa com um estilo, e um time de músicos diferentes. Infelizmente, o Leandro não conseguiu nada com esse disco, conforme fiquei a saber pelo Lizoel Costa.
O disco não vendeu nada, não tocou em rádio alguma, e ele mal conseguiu fazer uma sequência mínima de shows. Uma pena, pois era gente um rapaz bem intencionado e tinha o sonho. E pessoas que tem o sonho, e buscam-no, sempre tem a minha admiração. Ele tinha (tem ainda, assim espero), uma irmã que era cantora, também. Chamava-se, Tereza Cida, e chegou a gravar um compacto simples, ainda no início dos anos 1980, e a sua orientação artística era pelo Blues. Era fã de Janis Joplin, e dos artistas clássicos desse estilo. Nunca mais o vi, ou tive notícias do Leandro. Espero que esteja bem.
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Leandro) - Capítulo 25 - Por Luiz Domingues


Lembro-me do Lizoel Costa estar a gravar violão e o Fernando Marconi, o surdão de samba.Havia outros músicos a complementar, mas eu não os conhecia.Tratava-se de músicos bem veteranos, que o Leandro deve ter recrutado em rodas de samba, ou de chorinho pela noite. Quando a luz vermelha acendeu, eu finalmente percebi que cada pequena nota não tocada corretamente ou com um mínimo desvio no traste, causava um desastre. Errei logo no início e o clima mostrou-se tenso com os outros músicos a fitar-me esquisito, com aquelas expressões faciais a denotar desaprovação. O meu headphone estava com ruído, e a equalização péssima. Qualquer músico que esteja a ler este relato, sabe que na hora de gravar, é preciso perder um tempo para acertar-se a equalização dos headphones com o máximo afinco, para tornar a gravação confortável com cada músico a ouvir o restante da banda da maneira que achar mais confortável, para poder desempenhar o seu papel com desenvoltura.

Mas em uma gravação como foi aquela, às pressas, em um estúdio decadente e com técnicos preguiçosos, seria pedir demais. E assim foi, sem ouvir direito os outros músicos e com o meu baixo sob um volume diminuto, no qual gravei, consciente de que errei algumas frases. Alguns dias depois, o Leandro veio dizer-me que muitos músicos "tremeram" no estúdio, e que eu fora um deles...


Não fiquei ofendido, mas chateado, pois dei o meu melhor, e fui traído pela inexperiência em confronto com uma produção tosca, sem condições nem para músicos tarimbados. Se não confiava em meu desempenho e de outros músicos, deveria ter-nos descartado.Hoje em dia, ao analisar com distanciamento histórico, vejo claramente que ele de fato não confiava, pois pôs-se a diminuir o meu espaço na produção. O fato em ter deixado-me gravar somente uma faixa, deve ter sido por uma questão de pena, ou até gratidão por eu ter esforçado-me nos ensaios etc.E também por ser amigo do Lizoel, e membro do Língua de Trapo, onde ele tinha suas conexões via Guca Domênico e Carlos Mello, que o municiavam com composições. O disco ficou pronto no final de 1980. Ganhei uma cópia com uma dedicatória. Foi minha primeira gravação oficial em um LP.


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Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Leandro) - Capítulo 24 - Por Luiz Domingues


E um outro fator atrapalhou e ajudou-me ao mesmo tempo, se é que seja possível uma coisa dessas. É que quando cheguei ao estúdio, um grupo de músicos estava a gravar uma canção do Sérgio Gama. 

Ele, Sérgio, que é guitarrista, estava a gravar o baixo, e Nahame Casseb, popular "Naminha", na bateria.Havia um pianista e um guitarrista a tocar junto com eles, mas não lembro-me sobre quem eram.
                                Serginho Gama em foto bem mais atual


Eu conhecia o Sérgio e o Naminha de vista, pois eram conhecidos do Lizoel. Alguns meses depois, eu estaria a deixar o Língua de Trapo, e o Sérgio a entrar, para nunca mais sair, ao ponto de ser hoje em dia (2013), o segundo membro mais antigo, somente atrás do Laert. O Naminha entraria em meados de 1983, e eu encontraria com eles em outubro de 1983, quando voltei ao Língua de Trapo, conforme conto nos capítulos sobre aquela banda. E o Sérgio quis ser gentil (e foi.), ao oferecer o baixo Fender com o qual estava a gravar a sua composição. O baixo era emprestado de um amigo, pois como já disse, nem baixista ele era.

Então, foi maravilhoso tocar pela primeira vez em um instrumento internacional "top", na vida. Mal podia acreditar no braço macio, muito diferente dos braços mal ajambrados dos instrumentos nacionais. O timbre era inacreditável, mesmo a estar plugado em linha, sem amplificador.
Ligar na linha, para quem não sabe, é ligar o instrumento diretamente na mesa de equalização, e a dispensar assim o uso de amplificador e caixa. Dessa forma, sem um bom amplificador e caixa(s), o som do instrumento pode piorar, se não existir muitos recursos de equalização na mesa, ou auxílio de periféricos, via patch.
Mas, para um garoto inexperiente que eu era em 1980, nada disso importava , pois estava entusiasmado com um baixo Fender Jazz Bass na mão e detalhes técnicos não importavam-me e para dizer a verdade, nem tinha tal conhecimento. A parte ruim disso, é que na hora de gravar, estranhei o instrumento, e ao aliar-se a tudo o que já relatei, a comprometer o meu rendimento. Era um Fender cor de madeira, com braço maple e marcações retangulares pretas.
Saí na foto da contracapa do disco, com ele em mãos.

A foto saiu invertida na contracapa do LP, mas eis que retrata-me no momento gravação, a sofrer com a pressão do estúdio, a reforçar a minha experiência na época, contudo, maravilhado por estar a tocar com um Fender Jazz Bass pela primeira vez na vida...                           

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Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos ( Leandro ) - Capítulo 23 - Por Luiz Domingues

Então, no início de setembro de 1980, o Leandro agendou sessões de gravação em um estúdio no centro de São Paulo, chamado "Gravodisc".Tratava-se de um estúdio razoavelmente bem equipado, mas com um aspecto bem carcomido, decadente.Tratava-se de um estúdio cuja clientela base era formada por artistas brega, do elenco de gravadoras como Copacabana; Chantecler, RGE etc.E os técnicos, acostumados a lidar com essa sonoridade e todos os seus maneirismos típicos de música de baixa qualidade, e sem apuro técnico algum. Dessa forma, sem um produtor e completamente inexperiente, o Leandro já pecou por marcar gravações em um estúdio desse porte.
A toque de caixa, o disco não teve pré-produção alguma. O objetivo seria gravar várias faixas no mesmo dia, com músicos diferentes, e sob uma equalização linear (flat) e com a gravação a ser realizada ao vivo e pasmem, sem grandes preocupações com os inevitáveis vazamentos. Separado por biombos de madeira almofadados, essa foi a insípida medida para coibir vazamentos. E na base da imprudência,total, o Leandro mostrava-se nervoso, por ver seu dinheiro a ser devorado pelo relógio do estúdio, pressionava cada time de músicos em cada faixa, a gravar no máximo em três tomadas.

Quando grava-se ao vivo, cada pequeno erro que cada músico comete, faz com que tudo seja regravado do início.
Hoje em dia eu gravo em tomada única, sem olhar para o instrumento e raramente erro, mesmo em linhas difíceis.Nos discos da Patrulha e do Pedra, principalmente, eu conto nos dedos de uma mão as emendas que fiz, mas naquela época, 1980, além de eu ser um músico tecnicamente ainda em formação, eu era muito inexperiente. Fora gravações caseiras e demo tapes pobres, foi a primeira vez em que eu estava a gravar em um estúdio profissional.Aquilo por si só já foi intimidador, mas houve a agravante de ter que gravar rápido e sem entender nada da dinâmica de gravação, monitor etc. Isso sem contar o fato do estúdio estar lotado por músicos experientes, o que deixou-me inseguro. Mesmo por ser uma gravação bem relapsa (hoje em dia, eu tenho essa consciência), eu estive tímido, ali.




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domingo, 6 de janeiro de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Leandro) - Capítulo 22 - Por Luiz Domingues


E dessa forma, tocamos no dia 10 de junho de 1980, para um público reduzido, com apenas 15 pessoas presentes.
A banda que acompanhou o Leandro nessa noite foi formada por : Lizoel Costa na guitarra; eu no baixo; Fernando Marconi na percussão, e o próprio Leandro, ao violão.
Foi uma apresentação em uma terça-feira, o que justificava tão pouco público, mas independente disso, o Leandro mostrou-se desanimado.


Talvez tivesse fantasias na sua mente, ao achar que faria sucesso imediato, mas evidentemente que não seria assim, ainda mais com o som dele, que não apresentava nenhum grande trunfo artístico. A despeito de possuir boas canções no repertório, não havia nada revolucionário no seu trabalho, e ele era um rapaz com aparência comum, sem nenhum diferencial, pelo contrário,  vestia-se de uma forma bem discreta e tradicional, sem nada que chamasse a atenção.

E esse show-teste foi o primeiro e único que realizamos. Ao alegar preferir concentrar-se na produção do disco, não marcou mais nenhuma data, e dali em diante, ficaríamos concentrados só nos ensaios para entrar em estúdio. Em princípio, o time de músicos seria aquele da apresentação e alguns poucos convidados
, apenas.



                        Fernando Marconi, em foto bem mais recente


Com o passar do tempo, ele pôs-se a mudar de ideia e começou a convidar outros músicos. De fato, havia algumas canções que seriam melhor executadas com arranjos diferenciados e inclusão de outros instrumentos.Sambas e baiões soariam melhor com formações típicas desses estilos musicais. Teclados só enriqueceriam o disco etc. Então, ele  diminuiu o nosso espaço, ao convidar também outros baixistas, guitarristas e percussionistas. O espaço do trio original foi drasticamente reduzido..Das várias músicas que eu tocaria, algumas semanas depois, fui avisado de que só gravaria quatro. Depois três, depois duas...
Quando ele marcou a data da gravação, só restara-me uma música, "A Vingança do Hipocondríaco", uma samba-de-breque do Carlos Mello, que era também do repertório do Língua de Trapo naquela fase. Fiquei chateado, é claro, pois estava ensaiado e perdi meses nesse esforço...

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Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Leandro) - Capítulo 21 - Por Luiz Domingues


Em maio de 1980, o guitarrista Lizoel Costa convidou-me para mais um trabalho paralelo. Diferente da zorra que foi a mini-temporada com o Zuraio, desta vez o objetivo seria acompanharmos um cantor de MPB, que queria apresentar-se ao vivo pela noite paulistana, e planejava gravar um LP solo, ao final do ano.



Claro que aceitei, e imediatamente foram marcados ensaios na residência do Lizoel, localizada no Jardim Bonfiglioli, próximo ao bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo.


O cantor chamava-se, Leandro, e tratava-se de um ex-bancário que sonhava ser artista. Sob um ato de loucura ou arrojo, como queira o leitor, pediu as contas no banco onde trabalhava, e com essa boa reserva que recebeu, estava disposto a bancar um LP independente, e assim lançar-se no mercado. 

Abro um parêntese para explicar ao leitor que gravar um disco independente em 1980, era uma completa loucura. 
As gravadoras dominavam de tal forma o mercado, que no imaginário popular, só era considerado "artista", quem tivesse contrato com uma gravadora. Todos os demais a militar na música, eram menosprezados, como "amadores".
E logo que começou a onda de artistas rebelados, a empenhar-se para lançar seus discos independentes, uma série de boatos correu, a dar conta de que as gravadoras tomariam "providências jurídicas" para barrar os lançamentos independentes (como assim ?)

De volta a falar sobre o Leandro, o repertório inicial ensaiado foi uma mescla de covers da MPB, e canções que provavelmente seriam lançadas no seu futuro LP.


Ele era municiado por uma série de jovens compositores, incluso, Guca Domênico e Carlos Mello (Castelo), compositores do Língua de Trapo (que vivia seus momentos embrionários, ainda), além de Sérgio Gama, futuro guitarrista do Língua, também. Ensaiamos durante um mês, aproximadamente, e enfim o Leandro anunciou um show sob o caráter de um teste, a ser realizado em num bar chamado, "Uma Janela para o Céu", que ficava localizado no bairro da Bela Vista, o popular Bexiga, próximo ao centro de São Paulo. O objetivo seria tocar um repertório curto, por 45 minutos, apenas, para a avaliação do dono da casa, a mesclar-se covers de MPB, com algumas canções inéditas. E assim fomos tocar...
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