sábado, 21 de setembro de 2013

Autobiografia na Música - Sala de Aulas - Capítulo 5 - Por Luiz Domingues

O ambiente era Rock'n Roll, é lógico, pois a residência do Beto era decorada com posters com bandas sessenta / setentistas, principalmente, pelas paredes, além de ouvir-se boa música, o dia inteiro, oriunda da pick up de sua vitrola. Mas na hora das aulas, não ligava-se o som, obviamente.
Claro que eu recomendava artistas e discos, mas isso tornou-se muito mais forte no período pós-1992, quando surgiu a safra com alunos Neo-Hippies, em minha sala de aulas, e por conseguinte, estabeleceu-se uma sinergia maior entre o que eu tinha como base artística, e os anseios dos garotos, visto que no início, a maioria apreciava Heavy-Metal e Hard-Rock oitentista.
Realmente minhas aulas continham pouca teoria e muita prática. O aluno sofria durante uma hora na cadeira de aluno, pois eu ficava de olho, como um sargento exigente... mas havia a descontração, a conversa amiga, logicamente para quebrar qualquer sentido autoritário. Um aluno tornava-se amigo do outro, geralmente. Grandes turmas formaram-se na minha sala de aulas, e isso ocorreu durante todo o período em que ministrei aulas, desde o começo. Digo que, até que no período em que transferi a sala de aulas para a minha residência, aumentou muito esse fenômeno.
Tornou-se comum o aluno da aula das 16:00 horas (por exemplo), chegar às 14:00 horas para conversar com seus amigos das 14:00 e 15:00 horas e todos permanecerem até às 20:00 horas. Bandas foram formadas; times de futebol foram organizados, e até namoro saiu uma vez (ocorreria em 1990).
Continua...

Autobiografia na Música - Sala de Aulas - Capítulo 4 - Por Luiz Domingues



Logo começou a aparecer cartas na caixa postal da banda. O efeito da reportagem onde mencionaram as nossas aulas foi intenso. Tanto, que nem preocupamo-nos em produzir outros meios de propaganda, por um bom tempo. 

Passado o choque inicial da primeira aula, comecei a soltar-me mais, ao definir parâmetros, metodologia, e também ao aprender algo muito importante: o caráter informal que nortearia as aulas, cada vez mais, ao torná-las, leves, descontraídas. Além de tornar o ambiente da aula mais agradável para todos, aprendi na base da prática, que isso teria um efeito pedagógico importante.
Isso por que os alunos, inconscientemente, eram treinados na coordenação motora. Enquanto eram distraídos e falavam sobre assuntos os mais diversos, que não tinham nada a ver com o exercício que eu passava-lhes, aprendiam a tocar com independência, desenvoltura, e sem precisar prestar atenção no instrumento. Isso ocorreu meramente ao acaso, pois pelo bem da verdade, eu não fui professor, eu "estive" professor...

Nesse período, estabeleci uma rotina que perdurou até a minha última aula em 1999 : meu período ia de aulas perdurava de terça a sábado. No início de agosto, notei que o sábado seria naturalmente o dia mais concorrido. Foi tradicionalmente preenchido por alunos que trabalhavam e estudavam nos dias úteis, e os dias de semana, por alunos mais jovens que só estudavam, basicamente. Já em agosto de 1987, eu havia instalado o meu ambiente de aulas, definitivamente na casa do vocalista, Beto Cruz, no bairro Jardim Bonfiglioli, zona oeste de São Paulo. Fora mais conveniente, pois ali foi a sede d'A Chave do Sol em seus últimos momentos e assim, todo o equipamento ficava ali. 

Em agosto, eu possuía entre cinco e sete alunos regulares e o Beto, pelo menos, doze. Isso era natural, pois existem tradicionalmente muito mais alunos interessados em aprender guitarra, do que baixo ou bateria. E ele devia ter no início, mais uns quatro ou cinco alunos de canto, para aumentar a sua carga horária. Eu ministrava as minhas aulas na ampla sala de estar, onde ensaiávamos, e o Beto, em um quarto isolado.

Continua... 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Onça Elétrica à Rodrigo Hid - Por Julio Revoredo



Uma onça elétrica desdobra-se em trípticos sóis soturnos

Esvoaça no chuvento tempo escarlate.
Uma zebra, mergulha no azul-verde balso de um incubo.

Tudo isso, visto por um abléptico signo do através,
No meio do nada, um espectral espelho nulo, 

E um rinoceronte feliz num cubo, e o leão, adumbra o circo volátil, 

Num mundo de aranhas e ventos umbrateis, num silêncio de salões esprandigos, em alucinantes cores e blues psicodélicos.
Ao compasso dos concretos e dos beat poetas, 
Pela Deusa mulher de curvas longas e olhos virides,

De repente xamãs e portas e portas, retortas, 
Porões e estacionamentos, cemitério de carros, ruínas na mata oclusa,

E o espelho solitário, e tudo em ovídio, e tudo em ovídio, 

Ora zebra, Ora rinoceronte, 
Ora Leão, metamorfoses, metamorfoses, metamorfoses.

Chuvento tempo escarlate, tripticos sóis soturnos, 

Onde, desdobra-se uma onça elétrica.


Julio Revoredo é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Poeta e letrista de diversas músicas que compusemos em parceria, em três bandas pelas quais eu atuei: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço. Neste poema, ele enxerga o xamanismo psicodélico na arte de Rodrigo Hid, guitarrista/vocalista/tecladista e compositor do Pedra, e com passagem importante pelo Sidharta e Patrulha do Espaço, também.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Kim Kehl & Os Kurandeiros - Dia 19/9/2013 - Quinta-Feira - 21:00 H. - Bierboxx Bar - Vila Madalena - SP

 
Kim Kehl & Os Kurandeiros

Dia 19 de setembro de 2013

Quinta-Feira - 21:00 H.

Bierboxx Espaço & Bar

Rua Fradique Coutinho, 842

Vila Madalena

São Paulo - SP

Mais uma noitada de Blues e Rock'nRoll !!

Kim Kehl & Os Kurandeiros :

Kim Kehl - Guitarra e Voz
Binho - Bateria
Luiz Domingues - Baixo

Crédito da foto : Bolívia e Cátia

sábado, 14 de setembro de 2013

A Vaca da Educação Pasta no Brejo - Por Marcelino Rodriguez

Embora o fato tenha se dado na Bahia, que tem duas 

décadas e meia, talvez um pouco mais , um pouco menos, 

tem sido palco de grandes festivais populares regido por 

canções que não querem dizer nada, absolutamente nada, 

com celebridades que não querem dizer nada, 

absolutamente nada, e que ganham espaço na mídia de dar 

inveja a quem outrora foram célebres por lá como Jorge 

Amado, João Ubaldo, Ruy Barbosa, Castro Alves,

Glauber Rocha, sem falar nos compositores que outrora 

tinham o que dizer e diziam,com um português criativo e 

inteligível.
 

Esse tempo, ao que parece, acabou.
O recente concurso para Juiz do Trabalho com dois mil e 

seiscentos candidatos teve aprovação zero. Isso mesmo, zero.


Ninguém passou porque não sabiam escrever direito. 

Poderíamos dizer que esses advogados candidatos a juízes 

são do ponto de vista da língua e, infelizmente, de outros 

sensos literários e filosóficos, analfabetos funcionais.
 

Por isso, é preciso dizer que no Brasil, em grandes 

concentrações, existe sempre a possibilidade do "melhor 

isso e melhor aquilo" ser nada mais nada menos que uma 

aglomeração de apedeutas.
Apedeutas quer dizer alguma coisa como, ignaros, que é 

uma corruptela de ignorantes. Está ai o resultado do axés, quadradinhos, lambadas, lambanças e mais o primitivismo cultural que tem vigorado nos últimos tempos.
Já pensou o que os arapongas do Obama achariam desses 

gênios jurídicos, incapazes de redigir?
Como são pessoas na faixa, a maioria dos candidatos, de 
menos de quarenta anos, observe o que foi feito depois de 
"trinta anos nas escolas".
 
Os baianos da atualidade não conhecem literatura, nem 

cinema, nem arte. Por isso não sabem escrever. Não sabem o que é filosofia. E acabam confundindo o que é religião. Não pense que isso é apenas na Bahia, que exporta para o 
Brasil inteiro, "o país do carnaval".

Eu parei de fazer literatura por hora, para fazer um livro 
que trata daquilo que já vi e senti na pele tem muito tempo.
 
A vaca do Brasil está pastando, gorda, malhada, atolada e 
franca, no brejo.
É um dos países do mundo com a maior concentração de 
analfabetos funcionais por metro quadrado, sem saber nem 

onde, nem porque.


Ninguém vai saber escrever direito, se não ler. Formar leitores no Brasil é mais emergencial que se preocupar com os arapongas do Obama. No Brasil, o livro é uma questão de saúde.

 


Marcelino Rodrigues é colunista sazonal do 

Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos traz uma crônica contundente sobre o desastre educacional e cultural brasileiro.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Kim Kehl & Os Kurandeiros - Dia 14 de setembro de 2013 - Sábado - 18:00 h. Galeria Olido - São Paulo / SP



Kim Kehl & Os Kurandeiros

Dia 14 de setembro de 2013

Sábado  -  18:00 h.

Projeto Rock na Vitrine

Galeria Olido

Avenida São João, 473

Centro

São Paulo  /  SP

Nessa tarde/noite, se apresentarão também : Edvaldo Santana e Blues Riders


 
Kim Kehl & Os Kurandeiros :

Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Claudio Veiga - Teclados, Gaita e Voz
Luiz Domingues - Baixo

Uma tarde/noite de muito Blues e Rock'n Roll !!

Entrada Gratuita !!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Escolhas...Construindo a Vida ! - Por Telma Jábali Barretto

Ser ou não Ser. Eis a questão”, ecoando há séculos a frase do escritor.
Lá, mundo e tempo mais tranqüilos, provocavam...hoje, então, nessa diversidade e rapidez do momento que vivemos...a que nos remete ?
"Miles" de solicitações convidam via trabalho, amigos, questões sociais, políticas, filosóficas, científicas e em tempo real.
Quase todo minuto à espera de retorno, uma decisão que nos compete, posicionamento a nos espreitar...
E, entre dúvidas e certezas, construímos nossa estória.
Quase sempre com mais dúvidas que certezas, exatamente..?!....porque os horizontes estão mais largos, mais longínquos emuito, muito mais amplos !
As convivências, e não as virtuais, aumentaram e somos invadidos, quase que coagidos, a dividir e multiplicar num processo de convívio cada vez mais rico também, mais livres para expressar e ser quem queiramos ser... ... ...Opa, opa, epa...?!...
Aí está a tal enunciada questão !!!
Realidade em letras neon multicoloridas piscando, digital ou touch, lembrando da calma, paz necessárias à vida saudável e, é aí mesmo, o convite a não mais aquiescer com aquilo que discordamos que possa tirar aquela tal paz.
O direito à fala a ser exercida da mesma forma que o lembrete do silêncio nos é oferecido.
A omissão/comissão assim como covardia/rebeldia são pratos do todo dia servidos igualmente à escolha do freguês...muitas vezes bem embalados, outras, nem tanto, mas deixando ao seu arbítrio o veredito tão laboriosamente conquistado e igualmente, agora, tão ameaçador.
Buscamos e materializamos esse tempo de ir além do certo/errado onde nos cabe, também agora, a maturidade para exercê-la, como num revelador aprendizado de viver no diverso e múltiplo.
Trabalho inicial em si de ser único, solitário, intransferível, que, embora almejado é mais pleno desafio à espera...
Como impactarão as diferenças ?
Elogiadas/criticadas, satisfação/desconforto, estimuladas/amedrontadas ?
Quais parâmetros nortearão ?

Acontece aqui o mérito/demérito do acerto/erro da certeza/dúvida tão presentes no senso atual de responsabilidade individual passando a ser a bússola a nos guiar !
Quem sabe não seja essa a noção de tempo escasso justificada...

Ah ... ... .... sempre tanto a decidir...
Sumiram estradas precisas, caminhos absolutamente seguros que nos levavam lá ! 

E, que lá ?!...
Plenitude, a ser exercida, em que a escolha é o prêmio dessa forjada liberdade conquistada ! 
Jaya !!!



Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira Civil, é também uma experiente astróloga, consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga.
O tema de hoje, "escolhas", alude ao nosso direito sagrado de exercer o livre arbítrio. Ninguém pode interferir em tais escolhas, a não ser...você mesmo !!