Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
terça-feira, 12 de maio de 2015
Banalidade...Fatalidade... - Por Telma Jábali Barretto
sexta-feira, 8 de maio de 2015
O menino americano, o circo e o galinho de Quintino - Por Marcelino Rodriguez
Por que a fase não era boa? Bem, eu estava apaixonado pela Laura, que era loura, linda e ousada. Já havia me beijado na boca, depois de me dar um bilhete provocativo. E agora me chegavam rumores que ela estava com o palhaço do circo. Você pode imaginar, leitor amável, como se sente um jovem de doze anos que perde a namorada para um palhaço ?
"Agora, eu vou oferecer um prêmio, essa bola aqui" -- disse, pegando da assistente uma dente de leite, que era comum e muito usada em nossas peladas.
"Quero saber qual é o nome verdadeiro do Zico".
Lá de cima, eu que era um pequeno intelectual do futebol e sabia, lamentei ter ficado longe do palco.
Para mim, a pergunta era muito fácil. Eu lia os jornais, principalmente a parte esportiva, todos os dias.
Meu coração batia forte porque para minha surpresa, ninguém sabia. O apresentador perguntou uma,
duas, três vezes. Embora tímido e sem acreditar que ninguém soubesse responder, desci
as escadas e o circo todo parecia estar de olhos pregados em mim.
Pisei o chão de terra
e as luzes me iluminaram.
-- Muito bem , garoto, como você chama?
-- Marcelino.
Novamente, era apenas um menino rei.
Marcelino Rodriguez é colunista ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos traz uma crônica de cunho futebolístico, uma de suas paixões, falando-nos sobre uma passagem de sua infância, onde foi abordado como raro torcedor do América FC do Rio de Janeiro, e o quanto a família Antunes Coimbra, tem uma história nesse clube, via Edu e Antunes, jogadores que marcaram época no alvi-rubro carioca, a despeito do irmão deles ter feito fama no clube rival, o Flamengo, um tal de Zico.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 254 - Por Luiz Domingues
Passado esse show em Aguaí-SP, estávamos novamente sem empresário, mas ao analisar friamente, e com todo o respeito à boa vontade da moça, estávamos na verdade, sem ninguém a apoiar-nos, mesmo com a sua presença no cargo.
O próximo compromisso seria o último de 1985, e tratar-se-ia de um contato iniciado pelo Beto Cruz, que agregava mais essa qualidade à banda, ou seja, ele tinha iniciativa e contatos. Seria um show a ser realizado em uma casa noturna e a novidade, foi que o dono do estabelecimento teve a iniciativa em contratar-nos com o intuito de fazer uma experiência.
Tratava-se de uma casa bem montada e localizada, mas acostumada a abrir
as suas portas para apresentações de bandas cover. Claro que tal intenção
era salutar e nós apreciamos fazer parte desse balão de ensaio, e a torcer para
atrair um público legal, e assim o dono tornar uma rotina a apresentação de
bandas autorais.
Tal estabelecimento chamava-se, "Café Brasil" e a localização era excelente, na Rua Santo Antonio, quase esquina com a Rua 13 de maio, o grande local de agito noturno no bairro do Bexiga, em São Paulo. Contudo, nessa experiência, não estaríamos sozinhos e portanto, o Beto teve a ideia em transformar o nosso show em uma espécie de festa de fim de ano, com certeza, ao ter alertado diversos colegas nossos para a oportunidade nova que a casa oferecia e ao mesmo tempo, ao tratar por vitaminar o interesse do público, com a presença de alguns convidados para lá de especiais.
Nesses
termos, fizemos o nosso show quase normal, pois cedemos um pouco do
nosso espaço para mini-shows de grupos tais como o Centúrias, Harppia, e Golpe de Estado, o
que foi muito positivo.
O Golpe de Estado, aliás, fêz um de seus primeiros shows como banda recém montada. Tinha poucas músicas compostas ainda e justiça seja feita, o Beto Cruz foi um elemento importante para que a banda fosse formada, pois indicara o guitarrista, Hélcio Aguirra, para Paulo Zinner e Nelson Brito, que há pouco tempo haviam retornado de Londres, onde moraram por alguns meses. E a dupla levou o cantor & compositor, Catalau para pilotar os vocais, pois eles o conheciam desde o início dos anos oitenta, quando formaram o "Fickle Pickle", ou melhor, deram continuidade ao trabalho, pois essa banda existia desde os anos setenta.
Enfim,
dera super certo a junção de um guitarrista egresso do Heavy-Metal
(Harppia), com forte influência de Black Sabbath; UFO & Judas Priest,
com uma cozinha ultra antenada em Rolling Stones; Deep Purple & The Who e
um vocalista super influenciado em Alice Cooper e Mick Jagger.
A
noitada foi excelente no Café Brasil e o dono animou-se. Daí em diante,
esse rapaz agendou shows de bandas autorais, ao menos uma vez por semana, para tornar a
sua casa, em um outro espaço promissor para o Rock autoral na cidade de São
Paulo. E A Chave do Sol voltaria para tal casa no ano de 1986, por mais duas vezes, conforme eu comentarei no momento oportuno. Essa
primeira oportunidade no Café Brasil ocorreu no dia 22 de dezembro de
1985, e oitenta pessoas assistiram o nosso show e os mini shows das bandas
amigas, citadas acima.
Terminava o ano de 1985 e novamente estávamos cheios de
esperança para o ano de 1986, e sobretudo, com a certeza de que as
mudanças que estávamos a promover, colocar-nos-iam em condições para
pleitear enfim, dias melhores para a banda. Permito-me neste instante, fazer um balanço com poder de análise, e embasada pelo distanciamento histórico : Chegamos
ao final de 1985, com mais uma mudança radical de planejamento gerencial e estético.
Exatamente um ano antes, estávamos a fechar o ano de 1984, na mesma situação, sob um
misto de euforia pelas perspectivas, com preocupação pelas mudanças que
precisávamos empreender. Tínhamos uma carência vocal que
achávamos crucial resolver para poder aspirar um lugar no patamar "mainstream", daí demos
muita sorte em achar o Fran Alves, em um momento em que ele colocara-se em
disponibilidade, e pouco tempo depois de termos perdido o vocalista
gaúcho, Chico Dias.
Os boatos que cercavam a proximidade do Festival Rock in Rio, davam conta de que uma nova onda de Rock chegaria, e nela, ao contrário da onda em voga e oriunda do Pós-Punk, nós teríamos uma chance.
Não seria nada confortável para nós, mas foi menos invasivo e doloroso do que o Pós-Punk, esse sim, intragável para nós, por motivos óbvios. Contudo, o Festival Rock In Rio passou, e nenhum indício muito claro surgiu, ao dar a entender que as gravadoras "majors", abririam espaço para criar um elenco versado pelo Rock pesado, em seus quadros. Pelo contrário, na realidade, as gravadoras continuaram a sua toada em prol do Pop, com a estética do Pós-Punk a dar as cartas.
Com isso, os nossos esforços em mudar o nosso trabalho,
ao imprimir um peso extra, fracassaram e trouxe-nos alguns prejuízos. Não
agradamos os nossos fãs nossos fãs mais antigos, que que apreciavam a usar a vestimenta do
Jazz-Rock setentista. E esse mal-estar explodiu com maior truculência
nas mãos do novo vocalista, Fran Alves.
Este por sua vez, foi um tremendo vocalista, e pagou o alto preço por essa incompreensão generalizada. Como
saldo, ficou a necessidade de uma nova e radical mudança, e no bojo,
perdemos Fran Alves, o que não foi parte do plano de novas mudanças que queríamos empreender.
E novamente trocamos de vocalista e roupagem estética, ao repetirmos o padrão da mesma época do ano, em 1984. Claro,
assim como estávamos esperançosos ao final de 1984, com as providências
que estávamos a adotar, chegávamos ao final de 1985, na mesma situação, o
que provou-se sintomático.
Ao verificar hoje em dia (2015), está claro que faltou-nos um direcionamento orientado por alguém que realmente conhecesse o mercado. Empreender tantas trocas de membros e orientação artística da banda, só prejudicou-nos em todos os sentidos. Como consolo, fico com a consciência tranquila de que fizemos o que achamos melhor na época. Faltou-nos apoio de algum consultor realmente com visão, e não posso penitenciar-me isoladamente por tal falta. Para analisar friamente, talvez jamais tivéssemos que correr tanto atrás de um vocalista.
Pense bem,
leitor, que cantor do movimento "BR-Rock" oitentista, era realmente um grande cantor ?
Nós sonhávamos com um "frontman" dotado de um nível internacional,
baseado em nossas percepções sessenta / setentistas, mas duas perguntas ocorrem-me hoje em dia : 1) Para quê ? e;
2) Onde achá-los ?
O
"para que" é emblemático por si só, pois sendo práticos, o vocal do
Rubens teria sido suficiente para suprir quaisquer necessidades "Pop" de mercado. O
próprio, Zé Luiz Dinola tinha potencial vocal, e nós três fazíamos back (ainda que
em meu caso, eu reconheço que só fui melhorar depois da minha atuação com o grupo, Sidharta, em
1997, e aprimorar ao vivo com a Patrulha do Espaço, a partir de 1999). Isso
é uma análise fria e calculista.
Que fique bem claro que não estou a lamentar inoportunamente. E jamais pense o leitor que eu lamente a presença de Fran Alves na formação anterior da banda, pois ele foi importante demais para a história do nosso grupo e certamente deixou a sua respectiva marca, de forma indelével. Até a tentativa com Chico Dias, foi válida e no início da narrativa, eu deixei claro que lamentei que Verônica Luhr não tivesse prosseguido como vocalista de banda, pois o seu potencial era o de uma estrela, e desde que houvesse condições, com produção e apoio, ela teria suplantado em milhas, vocalistas femininas muito inferiores a ela, e que tornaram-se estrelas do BR-Rock oitentista.
Por conseguinte, a entrada de Beto Cruz, também jamais poderá ser questionada, tanto pela tentativa em si em prol da mudança de estratégia da banda, quanto pelas qualidades artísticas dele, pessoalmente, e o quanto agregou como vocalista; "frontman"; compositor, e sobretudo pela força de trabalho que ele trouxe para a banda.
Para encerrar, chama-me a atenção
que em um espaço com apenas um ano de distância, estivéssemos a repetir o
mesmo padrão em torno de expectativas e de providências práticas. Assim encerrou-se 1985...
Continua...
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 253 - Por Luiz Domingues
Esse show no Festival "1º ERA", na cidade de Aguaí, ocorreu no dia 19 de dezembro de 1985 e cabe aqui, a transcrição da matéria que saiu publicada no "Jornal de Aguaí" :
"Um Muro de Decibéis
'A ideia de um encontro de Rock como esse é excelente porque abre espaços, principalmente para o interior, que sempre foi muito criativo'. A opinião é de Rubinho, guitarrista do grupo Chave do Sol, que tocará no encerramento da primeira eliminatória do ERA, no dia 19 de dezembro. Formada em outubro de 1982, a banda apresenta uma interessante fusão, juntando alguma música de Jazz-Rock com um pesado som de Heavy-Metal. O público, por sinal, costuma referir-se com frequência ao "Jazz-Metal Rock da Chave do Sol" e exemplos claros dessa linha podem ser encontrados nas seis faixas do disco que gravaram pela produtora Baratos Afins.
Nesse disco estão presentes o tempo todo, os ritmos inusitados e as viradas do criativo baterista Zé Luiz, as frases e desenhos criados pelo baixista, Luiz Domingues, que não se limita à marcação de compassos e duela constantemente com os solos melodiosos de Rubinho na guitarra, que aliás, já tem condições de brigar por um espaço entre os melhores guitarristas do Rock brasileiro. Os vocais que no disco eram de Fran, agora estão por conta de Roberto, um músico muito experiente, com passagens em várias bandas, e que está com a Chave, há cerca de três meses.
Extremamente profissional, o grupo já fez mais de 100 shows pelo interior do Estado de São Paulo e Rio de Janeiro e completou mais de 20 aparições na TV. Para a apresentação o 1º ERA, Rubinho promete o lançamento de duas músicas inéditas, compostas nos últimos 15 dias. Rubinho aproveita a oportunidade para 'louvar os organizadores do encontro pela iniciativa e desejar que ele se repita sempre com muito sucesso'. E emenda seu recado : 'Com relação à Chave do Sol, os que comparecerem vão ter uma grande surpresa, tanto os que conhecem, como os que não conhecem nosso trabalho. Não vamos deixar pedra sobre pedra".
Bem, a jornalista, Célia Coltro, usou frases de efeito colhidas durante sua entrevista telefônica, e mesclou-as à informações contidas no release da banda, isso ficou nítido. Positivo ter dado essa ênfase, sem contar a foto promocional publicada, já da mais recente sessão de fotos, a contar com o Beto Cruz, na formação.
Continua...
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 252 - Por Luiz Domingues
Mesmo chateados com essa ocorrência totalmente imprevisível e desagradável, tocamos com o foco habitual em dar o nosso melhor ao vivo. A minha lembrança aponta para um show energético, com um número interessante de fãs da banda, que vieram inclusive das cidades vizinhas, e que costumavam acompanhar-nos desde as nossas aparições no programa "A Fábrica do Som", entre 1983 e 1984.
Claro, nem todo mundo que estava ali presente conhecia-nos, pois ao contrário da expectativa criada por nós termos sido colocados como banda "headliner", e com o mesmo status do "Ira", ficara óbvio que não tínhamos a mesma fama que dessa banda, que gozava das benesses de habitar no mainstream, via gravadora major.
Portanto, claro que a despeito de termos fãs do nosso trabalho, ali, não foi todo mundo que conhecia-nos, e não vou mentir, claro que não houve uma "comoção" pela nossa presença no festival.
Um outro ponto, nessa apresentação, nós tocamos duas músicas novas que já faziam parte da nova safra que estávamos a produzir, e evidentemente coadunadas com os nossos esforços em levarmos a banda para a intenção Pop, dentro do possível, e a extrair com veemência o ranço Heavy-Metal que permeou o EP. Porém, as mudanças eram ainda mais profundas e posso afirmar, estávamos imbuídos em também coibir as firulas típicas da estética do Jazz-Rock, e as letras mais sofisticadas. Enfim, nesse festival, tocamos "O Que Será de Todas as Crianças" (?) e "Saudade".
No caso da música, "Saudade", aí sim, a aposta no Pop radiofônico, foi emblemática, pois a música detinha uma estrutura muito simples e o arranjo fora elaborado para ser acintosamente Pop, com uma linha de baixo e bateria até inusitada para a história da banda até então, isto é, a conter a extrema simplicidade. Em meu caso, chegava a ser engraçado tocar a música em uma única nota, sem um desenho sequer, por mais simples que fosse. Aquilo para mim e para o Zé Luiz fora quase um "haraquiri".
Todavia, estávamos convictos nessas mudanças, a visar um bem maior e com resignação, incluímos a música no set list. Para ser sincero, eu não a achava ruim, e até hoje em dia, não a considero dessa forma, mas em comparação ao trabalho que fazíamos anteriormente, foi um baque contar com uma peça tão simplória no set list.
Então, alguém veio revelar-nos que ela fora vista a evadir-se do local, na companhia de alguém da produção local. A história não para por aí, e eu adoraria contá-la com detalhes, por ser engraçada de certa forma, mas não vou comprometer ninguém e dessa forma, digamos que ela teve suas razões para não acompanhar o processo todo do show e pelo que soubemos, fora bem aproveitada a sua estada em Aguaí / SP. De volta à São Paulo, resolvemos por bem terminar a experiência dela como nossa empresária e tantos anos depois, nem cabe lamentos sobre a sua meteórica e pífia atuação na função. Tomara que tenha sido feliz dali em diante, nos empreendimentos em que envolveu-se, doravante.
Continua...
terça-feira, 5 de maio de 2015
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 251 - Por Luiz Domingues
O festival em questão, chamava-se "ERA", e tratava-se de sua primeira edição. No soundcheck, foi tudo muito tranquilo e amistoso, conosco e com o suporte que o técnico Canrobert Marques teve para trabalhar e sempre tende a ser tensa a relação dos técnicos de equipamentos com o técnico da banda, fora a velada (às vezes, explícita), "disputa" para ver quem "entende mais", gerada por ciúmes descabidos, mas típicas desse meio. Um fato curioso deu-se quando notamos que a nossa empresária sumira de nossa vista. Ao sermos procurados pelos organizadores do festival para tratar de alguma questão burocrática de última hora, é que demos falta da presença dela, que teoricamente deveria cuidar de tais atribuições. Bem, esse sumiço teria desdobramentos.
Eliane Daic, namorada do Zé Luiz à época, a descansar dentro do famoso Dodge Charger RT, de propriedade de nosso baterista e que transportou-nos à Aguaí / SP. Click : Rodolpho Tedeschi
Encerrado o soundcheck, fomos conduzidos à Kombi da produção e uma pessoa dessa equipe, levou-nos para jantar em um bom restaurante da cidade. Procuramos pela nossa empresária, mas ela simplesmente sumira. Resolvemos ir jantar sem a sua presença, nessa circunstância enigmática de sua falta.
Estávamos muito satisfeitos com o tratamento e atenção dos organizadores, e pareceu que seria um show tranquilo e bem sucedido. E o foi (a não ser por dois eventos que não foram causados por culpa deles, mas quase estragam a noite). O primeiro, ocorreu no restaurante, pois quando chegamos ao estabelecimento, nem lembrávamos que a nossa aparência Rocker ainda poderia causar reações em meio à pessoas desacostumadas a conviver com pessoas, digamos, "fora do padrão". Após tantos anos, foi inacreditável que essas coisas pudessem acontecer ainda, mas em uma cidade interiorana, na metade dos anos 1980, ainda aconteceu.
Enfim, quando entramos no restaurante, as conversas pararam em todas as mesas do estabelecimento e a atenção caiu sobre nós, como se fôssemos alienígenas que haviam acabado de aterrissar em uma pequena cidade do meio-oeste norteamericano, conforme um típico enredo de filme orientado pelo gênero Sci-Fi da década de cinquenta. Claro que foi constrangedor, mas em questão de segundos já estávamos sentados na mesa e preocupados em analisar o cardápio e formular os nossos pedidos.
Esse não foi o problema, contudo. O que ocorreu, foi que tal evento incomodou um membro da nossa comitiva e após a ingestão de bebida alcoólica, tal membro mudou completamente o seu comportamento e passou a cometer uma performance tresloucada para chamar a atenção geral, e assim, a demonstrar o seu desagrado pela recepção quase hostil que havíamos recebido em nossa chegada ao local. Ao tornar-se inconveniente, ele passou a exagerar muito, ao ponto de alguns clientes reclamar com o gerente do restaurante.
Como registro histórico dessa passagem em Aguaí, eis a banda e equipe, a posar no campo, no pequeno estádio de futebol local, em formação de time, Beto Cruz; Rubens Gióia e José Luiz Dinola em pé. Agachados : Edgard; eu, Luiz Domingues, e Canrobert Marques. Click : Rodolpho Tedeschi
De volta do restaurante, ao local do show, um fato totalmente inesperado deixou-nos atordoados, e por pouco não tornou-se um tumulto generalizado, a estragar não apenas o nosso show, mas o próprio festival. De uma forma inusitada, ouvimos o nosso fotógrafo, Rodolpho Tedeschi, o popular, "Barba", indignado, a gritar pela presença da polícia. Quando fomos entender o que havia acontecido, no meio daquela confusão em meio à multidão e com uma banda a tocar a todo vapor no palco, com o som do P.A., muito alto, finalmente o "Barba" revelou-nos que estava a caminhar tranquilamente, quando um grupo de rapazes perguntou-lhe agressivamente, por quê ele não cortava a sua barba. Atônito com tal abordagem gratuita e despropositada, Rodolpho retrucou ao perguntar-lhes se a sua barba incomodava-os e aí, sob truculência, esses vândalos arrancaram um chumaço de sua barba, e uma troca de socos, sucedeu-se.
Foi tão inusitado e tão rápido, que só percebemos quando ele berrava e os rapazes já haviam sumido em meio à multidão. Bem, revelou-se como uma provocação gratuita, com o intuito claro de provocação e a nossa reação de imediato foi ajudá-lo, talvez a localizar os vagabundos que o atacou, mas naquela balbúrdia, foi impossível. Fora a indignação pessoal e o desconforto físico em ter um pedaço de barba arrancada dessa forma agressiva, ficou por isso mesmo, pois ele não quis ser socorrido e de fato, não foi o caso de procurar pronto-socorro. Tampouco ele quis prestar queixa na polícia, pois sabia que os policiais dariam de ombros etc. Fato extremamente desagradável, pois de certa forma estragou a nossa noite, por que ficamos abalados com esse baixo astral gratuito com um membro de nossa comitiva.
Continua...
sábado, 2 de maio de 2015
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 250 - Por Luiz Domingues
Bem, de volta a falar sobre o show a ser concluído no interior, o convite foi para que participássemos de um festival de Rock na cidade de Aguaí, no estado de São Paulo. Fora uma iniciativa da secretaria de cultura municipal daquela cidade, a tratar-se de um festival com cunho competitivo, mas pelo menos a realizar-se sob o formato de uma mostra, e não a conter participações com uma música apenas, e a conter bandas locais, além de cidades da região, também, e dois headliners "famosos" para abrilhantar os seus dois dias de realização. O "Ira" faria o encerramento em uma noite, e A Chave do Sol, no outro, portanto, como atrações principais. Ficamos lisonjeados por sermos considerados como uma banda a ostentar a "aura" em transitar pelo mundo "mainstream", sem o sermos de fato, diferentemente do "Ira", que gozava desse status, verdadeiramente. Foi um sinal claro da nossa condição como emergente ao final de 1985, e que ficaria ainda mais acentuada no ano seguinte, 1986, conforme eu relatarei na cronologia adequada.
A aspirante a empresária, Cristiane Macedo, estava conosco há pouco menos de dois meses, mas na prática, não havia proporcionado-nos absolutamente nada de concreto, a não ser especulações sobre supostas colocações que nunca viabilizaram-se. Todavia, assim como ocorrera anteriormente em Botucatu / SP, e nos shows posteriores que cumprimos nesse período. por São Paulo / capital e adjacências, ela acompanhar-nos-ia como membro da comitiva, para Aguaí / SP, na condição de produtora / empresária etc. Desta feita, além do Edgard Puccinelli Filho, como roadie, levamos também o Canrobert para operar o P.A. e um amigo que conhecíamos há algum tempo, de uma forma inusitada, na persona de Rodolfo Tedeschi, o popular, "Barba". Abro um parêntese para falar desse rapaz, pois não obstante o fato de ser um sujeito "boa praça", a curiosa maneira com a qual o conhecemos, merece registro. O "Barba", era morador do mesmo bairro onde o Rubens morava, e foi aquele tipo de vizinho do qual fica-se por anos, a cumprimentar, mas do qual nada se sabe, nem mesmo o nome. Segundo o Rubens, fazia tempo que conheciam-se "de vista", mas nunca haviam conversado ou estabelecido a amizade de uma forma concreta. Um dia, surgiu a oportunidade, ao falarem sobre música, e naturalmente tal assunto veio à balia, ao verificar-se a movimentação em torno do "entra e sai" de cabeludos a carregar estojos de guitarra; baixo, peças de bateria, na residência do Rubens. Enfim, daí, o "Barba" disse ser um fotógrafo e logo que mostrou alguns trabalhos dele, nós apreciamos os seus clicks. Dessa forma, surgiu assim a ideia em levá-lo para fotografar alguns shows. Tínhamos sempre amigos a cumprir informalmente essa função, como o Carlos Muniz Ventura, por exemplo, mas nessa ocasião, convidamos o "Barba" para ir conosco e fotografar-nos em Aguaí e ele aceitou a tarefa. Tremenda pessoa agradável no trato social, foi um prazer contar com ele na viagem e da parte dele a recíproca mostrou-se verdadeira, ao gostar da possibilidade de viajar conosco, e a estar envolvido na comitiva de uma banda de Rock etc.
E assim fomos para Aguaí, onde logo de imediato, observamos a publicação de uma matéria no jornal local, com destaque, pois o Rubens concedera entrevista por telefone, alguns dias antes e ao chegarmos à cidade, verificamos que havia cartazes; filipetas e faixas espalhadas pelas principais ruas e avenidas, ou seja, o trabalho de divulgação fora bem conduzido e os organizadores estavam motivados, a esperar por um bom público.
Na data em que tocaríamos, estavam escaladas bandas locais e algumas de cidades vizinhas, como eu já salientei, mas entre elas, houve uma coincidência interessante, na presença do : "Zenith", banda onde o nosso vocalista, Beto Cruz, havia tido uma passagem recente. As bandas escaladas foram : "Cabeças y Lustres"; "Draco"; "Calibre 12"; "Sociedade Anônima"; "BR"; "Éden" e o "Zenith", já citado. Assim que chegamos no local onde realizar-se-ia o show, a tratar-se de um enorme pátio, ficamos contentes em ver que o equipamento de P.A. contratado era de bom nível e adequado à demanda de público que esperavam contar no local, fora a iluminação que se não seria o equipamento do "Queen", mostrou-se razoável.
Continua...












































