segunda-feira, 14 de maio de 2012

Donald "Duck" Dunn - Por Julio Revoredo

 
A madrugada do dia 13 de  maio de 2012, trouxe uma noticia triste ao mundo da música. Morreu dormindo num hotel de Tóquio, o lendário baixista da gravadora "Stax", Donald "Duck" Dunn, aos 70 anos.
 
Um baixista de soul, pois a gravadora Stax era soul, baixista esse de um estilo até simples, mas com uma técnica precisa, a do coraçao.
 
Nascido na cidade de Memphis, Tennessee, em novembro de 1941, não tinha nenhum músico na família. Seu pai trabalhava com doces, ele até chegou a trabalhar um certo tempo com o pai, mas a música veio com ele e o envolveu de forma natural.
 
Seu apelido ("Duck = pato"), foi dado pelo pai, após ambos assistirem um desenho do Pato Donald.
 
Seu primeiro baixo foi da marca kay, curiosamente a mesma marca da primeira guitarra de Eric Clapton, com quem tocaria muitos anos depois.
  
O segundo baixo foi um Fender, modelo 1958.
 
Sua primeira banda já contava com seu amigo de colégio, Steve Cropper, chamada "Spades Royal", que depois virou "Mar-Keys", culminando em "Booker T. and the MG's, banda essa, que tornou-se a banda oficial das sessões na "Stax".
 
Na "Stax", Duck tocou com diversos músicos, mais notadamente com Otis Redding, Sam & Dave e Eddie Floyd. Mas de todas a sessões das quais participou, a que mais gostava de destacar foi a com Jerry lee Lewis, pela loucura que a envolveu no tocante a drogas e mulheres.
No decorrer dos anos, a banda Booker T. and the MG's separou-se algumas vezes. Sua primeira reunião foi em 1977. Durante uma carreira de 50 anos, Booker T and the MG's, receberam inumeros prêmios, como em 1995, o Lifetime Achievement Award e em 2007, o Grammy Lifetime Achievement, ambos pelo conjunto da obra.
 
Em 1967, participaram no Monterey Pop Festival, tocando como Booker T. and the MG's e acompanhando também Otis Redding.
 
No ano de 2005, Duck tornou-se alvo pela primeira vez. Apesar de semi-aposentado, ele passou seus últimos anos tocando em clubes e festivais por todo os Estados Unidos,culminando com sua derradeira apresentação com Eddie Floyd, autor de um dos maiores hits da Stax: "Knock on Wood", música essa também gravada por Eric Clapton em seu disco de 1984, "Behind the Sun", produzido por Donald Duck Dunn, que tocou no mesmo.
Há de se destacar, que no periodo que tocou com Clapton, Duck participou acompanhando-o no famoso festival "Live Aid".
 
Session man e baixista de soul, também foi membro dos"Blues Brothers",além de ser membro do Rock' n' Roll of Fame, com sua banda Booker T. and the MG's, que será lembrada pelo hit :"Green Onions".
 
Nota do editor: Eu, Luiz Domingues, também sou um admirador de Donald "Duck" Dunn, como um dos maiores baixistas de Soul e R'n'B de todos os tempos e fiquei chateado com a notícia de seu falecimento.
 
 
Julio Revoredo é colaborador fixo do Blog Luiz Domingues 2. Poeta e letrista de diversas músicas que compusemos juntos em três trabalhos onde participei, A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço. É admirador da carreira do lendário baixista, Donald "Duck" Dunn, que nos deixou, infelizmente, em 13 de maio de 2012.

sábado, 12 de maio de 2012

A Cornucópia e o Caleidoscópio - Por Julio Revoredo

Sob um violáceo amanhecer,

Sob undíssonas surreais,

O falso tamanho das coisas,

Aos olhos de uma criança,

As cores,

Odores,
Sons,

Sonhos,

Voos,

A imaginação.

Os amigos invisíveis
Através dos olhos de uma criança,

Nos pequenos espaços entre prédios, no centro da grande cidade
Brincando.


Julio Revoredo é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. É poeta e letrista de diversas músicas que compusemos em parceria, em três bandas pelas quais eu atuei: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço. É também um grande conhecedor da história da TV brasileira.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 5 - Por Luiz Domingues

Ao entrarmos em 1977, ainda vivíamos sob a repercussão da carta ridicularizada pelos leitores da Revista : "Rock, a História e a Glória". Astuto, o Laert criou uma nova investida. 
Mandou para a redação da Revista uma carta direcionada ao crítico Ezequiel Neves, codinome "Zeca Jagger". Nela, falava sobre a mudança de nome do "Injeção na Veia" para "Boca do Céu" (sim, invertemos a ordem, ao deixar o prosaico "Céu da Boca", um pouco mais substancioso, digamos); sua entrada como novo vocalista / tecladista, e o golpe de mestre: a coleção completa até aquela época, de seu fanzine de cartoons, o "Sarrumorjovem".
O fato, é que os cartoons eram muito bons, cheios de sarcasmo, sátira de costumes e sátira política (um perigo naqueles anos de ditadura ferrenha, é verdade !), cultura underground, contracultura e referências rockers.
O Ezequiel respondeu, ao publicar que havia adorado os cartoons, a compará-los os traços do Laert, ao do grande Robert Crumb (para quem não sabe, um dos maiores cartunistas americanos, criador dos personagens "Freak Brothers" e uma das figuras mais reverenciadas pelos hippies sessentistas, além de ser capista de álbuns históricos, como por exemplo o "Cheap Thrills"da Big Brother & The Holding Company, banda de Janis Joplin).
Além disso, disse que adorava o nome, "Injeção na Veia", e que lamentava a troca para "Boca do Céu". Para surpreender-nos ainda mais, disse que aceitava ser "nosso padrinho" !
Em nenhum momento da carta, pedimos isso à ele, mas achamos o "maior barato" essa colocação espontânea e pública, por parte dele.


Eufóricos por termos Ezequiel Neves como nosso "padrinho", abusamos dessa condição, logo no início de 1977, e passamos vergonha por sermos tão ingênuos...
Mas isso, eu conto mais para frente, pois em fevereiro de 1977, ocorreu um fato muito importante para o "Boca do Céu", antes do episódio em que decepcionamo-nos com Ezequiel Neves. 


Continua...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Um Mar, o Mar - Por Julio Revoredo

O noctambulo ilhéu sem-luzios,vive sua distimia no entrelunho

Deambula em circulos labirinticos, feito espelhada borriscada.

Anfitrite como fatiloqua, surge do algaço como um marulhar

O sem-luzios sente-a como um undissono

Corta-mar
Manga-de-veludo

Marulha

Marulha

Marulha

Vê o marsopa

Ve o raino

Não mais só, o noctambulo sem-luzios,

cruza o tubado e o escarumba

Numa noite em que um mar, o mar, desvaneceu-se

Ímpar.


Julio Revoredo é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. É poeta e letrista de diversas músicas que compusemos juntos em três bandas pelas quais eu atuei: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço. É também um grande colecionador de filmes, cinéfilo que o é.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 4 - Por Luiz Domingues

Mas o talento venceu o preconceito tolo, pois logo nas primeiras conversações, percebemos que esse Laert Júlio era um sujeito diferenciado, porque mostrou-nos seus poemas; algumas músicas compostas; além de ostentar claramente para nós, uma vasta cultura musical, cinematográfica etc.
Ele falava sobre artes plásticas; teatro; poesia e literatura. Citava uma enorme quantidade de referências muito significativas, e era tão rocker quanto qualquer um de nós. E para aumentar o seu currículo, mostrava-se um desenhista de mão cheia, pois estava a viver desse expediente nessa época, a realizar retratos de pessoas pelas mesas dos bares noturnos, e também a vender de mão em mão a sua revista de cartoons, que ele mesmo produzia, chamada, "Sarrumorjovem", grafado dessa forma, tudo junto, propositalmente. Um pouco mais velho que nós, mas muito mais antenado culturalmente, Laert tirou-nos de uma condição de banda quase fictícia, para algo real, concreto, com possibilidade de vir a tornar-se de fato, uma banda real, em condições de pleitear um lugar ao sol.

Mesmo ao achar divertida a repercussão da carta publicada no Jornal de Música da revista "Rock; a História e a Glória", onde os leitores execravam-nos como analfabetos por ter sido publicado "Ingeção" com "G", ele persuadiu-nos a voltarmos a usar o nome "Céu da Boca", novamente, até acharmos algo melhor. Já incorporado o novo nome, começamos a ensaiar de fato, com baixo; guitarra, e bateria, pois à esta altura, já havíamos conseguido comprar amplificadores e um equipamento de voz, quando passamos a ensaiar na casa do baterista, Fran Sérpico, que mudara-se do Tatuapé, para o bairro Campo Belo, na zona sul de São Paulo, numa casa ampla. 

O choque de qualidade com a entrada dele, foi grande, quiçá, enorme. Ao acrescentar algumas músicas dele, já prontas, com muito maior qualidade musical, e letras muito acima da nossa capacidade juvenil. Foi uma época de muita euforia de minha parte, pois finalmente sentia-me dentro de uma banda, e mesmo sendo um reles aspirante a músico, sentia perspectivas concretas, enfim.

E foi assim até o final de 1976, com ensaios, músicas sendo criadas etc. E para registrar : tenho todos os exemplares da revista "Sarrumorjovem" guardados. Hoje devem valer ouro no mercado de colecionadores, acredito. Falo dos fatos iniciados em 1977, a seguir.

Continua...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O Orifício - Por Julio Revoredo

No início, um homem.

Obuducto artifício.

Fosmeo, obumbra a umbra, que inveja

E que é o vicio da luz.
Não mais um homem, não mais o homem.

Agulha que fagulha, que se anula,

Para trazer à tona, o nítido nulo, orifício


Julio Revoredo é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Poeta e letrista de diversas músicas em que compusemos juntos para bandas pelas quais eu atuei como: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço. É também grande conhecedor da história do Rock e especialista sobre a história da carreira do guitarrista britânico, Eric Clapton. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Loyce e Os Gnomos: Lisérgico, Hard, Distorcido - Por Luiz Carlos "Barata" Cichetto

O Despertar dos Mágicos - Compacto Duplo - 1969

Uma das coisas mais barulhentas, sujas, cruas e psicodélicas dos primórdios da história do Rock Brasil, com certeza tem um nome: “Loyce e Os Gnomos”.

Pouquíssimas informações são encontradas sobre o conjunto, mesmo assim desencontradas. Mas, peneirando o material encontrado ali e acolá, na Internet, chegamos ao seguinte: os nomes dos integrantes eram: Loyce, Massaro, Fael (Raphael, o guitarrista), Nilo e Padulla. 

Algumas fontes falam que eram da cidade de Ribeirão Preto, mas o mais certo é que seriam de Limeira, também no interior de São Paulo. Nada além disso. Alguns comentários em um vídeo postado no YouTube dão uma pista de que hoje os músicos estejam afastados totalmente do ambiente musical.

Em 1969 lançaram um único registro, um compacto duplo, que tinha o titulo de "O Despertar dos Mágicos", por uma gravadora chamada Do-Re-Mi. A sonoridade que encontramos nas músicas é um raivoso Garage Rock, com muita distorção, microfonia, e uma faixa de puro Heavy: "Que é Isso".

Certamente são uma das cosias mais raras e criativas do Rock Brasileiro. O nome do disco claramente inspirado no livro homônimo da dupla Louis Pauwels e Jacques Bergier, que na época era leitura obrigatória a Hippies e Freaks e é considerada uma das maiores obras do Realismo Fantástico.

Na contracapa do compacto, além de informações técnicas um texto de agradecimento que inclui Tom Zé.

O compacto foi relançado pela Valeverde Records, em edição limitada e numerada de 500 cópias, vendidas a 12 dólares e algumas das musicas constam da coletânea "Brazilian Guitar Fuzz Bananas: Tropicalista Psychedelic Masterpieces 1967-1976", organizada por Joel Stones, brasileiro dono de uma loja em Nova York, especializada em raridades da nossa era lisérgica.

Músicas do Compacto Duplo:
1.1 - Era Uma Nota de 50 Cruzeiros
1.2 - José João ou João José
2.1 - Que é Isso?
2.2 - A Jardelina Querida ou Coletivo

Luiz Carlos "Barata" Cichetto é colunista sazonal do Blog Luiz Domingues 2. Poeta, escritor, webdesigner, editor artesanal de livros & revistas, blogger, radialista, é também difusor cultural, através de seu Site "A Barata" e a Rádio/Blog KFK. Nesta matéria, trouxe à tona a obscura história de uma banda brasileira dos anos sessenta, sem reconhecimento algum para a grande massa, infelizmente.