quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Autobiografia na música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 210 - Por Luiz Domingues

Da esquerda para a direita: Eu (Luiz Domingues), Kim Kehl, Renata "Tata" Martinelli e Phil Rendeiro. Os Kurandeiros na Casa de Cultura da Vila Guilherme de São Paulo. 7 de setembro de 2024. Click, acervo e cortesia: Osvaldo Vicino.  

Apesar do áudio não ter sido de boa qualidade pela insalubre acústica do local, o Cracker Blues empolgou o público presente com o seu som de alto padrão dentro do espectro do Blues e do Rock. Com todo mundo a dançar e vibrar com a sua excelência musical e fidedignidade ao defender o Blues-Rock sem restrições, a audiência ficou muito animada.

É bem verdade que na ausência de iluminação e já a se encerrar a tarde, tocar sob a ação da luz de serviço não é nada agradável para nenhum músico. Isso é o suficiente para subtrair pelo menos 50% da magia de um show, mas foi o tal negócio: sabíamos que as duas bandas enfrentariam problemas estruturais, com o equipamento de som e na ausência da iluminação, ou seja, foi  a certeza de que tocaríamos com um tom intimidador.

O Cracker Blues encerrou a sua excelente apresentação e após um breve hiato, subimos ao palco. Como o backline foi o nosso, incluso a carcaça da bateria, não foi difícil nos ajustarmos rapidamente, a dispensar a presença de roadies e já que não havia iluminação mesmo, o clima ficou despojado como se fosse uma apresentação com cunho intimista. E na prática, as circunstâncias nos levaram a adotar tal postura e assim, de uma forma deveras espartana, quebrou-se o suposto clima de constrangimento que poderia prevalecer.

Foi dessa forma que começamos a tocar e as pessoas que haviam apreciado muito o show do Cracker Blues, também foram de imediato a  se entusiasmar na nossa proposta sonora bem semelhante e assim, também tivemos apoio maciço do público que vibrou com a nossa apresentação.

Uma panorâmica frontal do palco com a banda a atuar. Como se vê nessa foto, as paredes do salão eram todas grafitadas pelos alunos de artes visuais do próprio estabelecimento, algo que eu achei salutar. Os Kurandeiros na Casa de Cultura da Vila Guilherme de São Paulo. 7 de setembro de 2024. Click, acervo e cortesia: Osvaldo Vicino

Tocamos o show completo, com bastante energia e chamou-me a atenção que mesmo assim, sob um esforço hercúleo de não extrapolarmos o limite sonoro combinado, a se pensar no risco da banda se perder completamente na manutenção da pulsação das músicas. Mesmo sob tal esforço, muitas vezes precisamos nos olhar, uns aos outros com muita atenção e pelo movimento dos braços no ataque dos respectivos instrumentos, termos uma mínima noção sobre qual trecho de cada música estávamos a trilharmos juntos, pois ficamos ali no limite para não cometermos um descarrilamento rítmico coletivo ante a dificuldade de nos ouvirmos adequadamente.

A banda a atuar no palco, com energia, porém comedida por outros aspectos. Os Kurandeiros na Casa de Cultura da Vila Guilherme de São Paulo. 7 de setembro de 2024. Click, acervo e cortesia: Osvaldo Vicino

Ao final, ficamos contentes com o resultado por três aspectos: primeiro pelo prazer que é tocar em uma Casa de Cultura, normalmente. Em segundo lugar, pelo entusiasmo do público que foi contagiante para nós. E em terceiro lugar, pela questão técnica do equipamento de PA versus má acústica natural do local e aumentado na gravidade pela ausência de um equipamento de iluminação, por mais simples que fosse, pois nessas condições, foi difícil tocar.

De um outro ângulo, eis a banda a atuar. Os Kurandeiros na Casa de Cultura da Vila Guilherme de São Paulo. 7 de setembro de 2024. Click, acervo e cortesia: Osvaldo Vicino

Exatamente por tais agruras no campo técnico, que foi fundamental agirmos com muita parcimônia no tocante ao volume desprendido no backline e lógico, a atenção redobrada que tivemos para não "cruzar" as músicas, ou seja, cumprimos a cartilha adequada para lidar com a adversidade técnica.

E por último, demos sorte de termos como aliado um público muito receptivo e por conseguinte, que nos deu respaldo emocional para tocarmos com a energia de um show de Rock bem estruturado tecnicamente, mas que no caso, não correspondeu à realidade. Portanto, foi fundamental termos tido um público tão animado.

Fim de show, a receber o carinho de um público que se provou amante do Blues e do Rock. Da esquerda para a direita: Eu (Luiz Domingues), Kim Kehl, Renata "Tata" Martinelli, Carlinhos Machado e Phil Rendeiro. Os Kurandeiros na Casa de Cultura da Vila Guilherme de São Paulo. 7 de setembro de 2024. Click, acervo e cortesia: Osvaldo Vicino

Surpresa boa, Osvaldo Vicino, meu amigo e colega do "Boca do Céu", a primeira banda que ambos tivemos nos idos dos anos setenta e agora, 2024 reunida para gravar um álbum, esteve presente a prestigiar Os Kurandeiros e fez uma cobertura fotográfica e de filmagens para registrar a apresentação.  

Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues) e Kim Kehl nos bastidores do pós-show. Os Kurandeiros na Casa de Cultura da Vila Guilherme de São Paulo. 7 de setembro de 2024. Click (selfie), acervo e cortesia: Osvaldo Vicino

Saímos do local satisfeitos no cômputo geral e o nosso próximo passo foi enfim, tratar do show de lançamento do álbum "Pronto pra Festa!", que viria a seguir anotado em nossa agenda.

1) "Abertura" (Kim Kehl) - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/HNPCPtLQiSE

2) Interlúdio + "Cidade Fantasma" (Kim Kehl) - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/tK3f08CMaVY

3) "Faz Frio" (Kim Kehl) - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/AMzSTA66a_M

4) " Viagem muito Louca" (Kim Kehl) - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/W2re0Vp2zug

5) "O Kurandeiro" (Kim Kehl) - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/WMazoGbE-wk

4) "Cidade Fantasma" (Kim Kehl) - Vídeo curto - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/m-DEl6kZd_s

5) Interlúdio + "Cidade Fantasma" (Kim Kehl) - Vídeo curto - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/5sP4b4_n84Q

6) "O Kurandeiro" (Kim Kehl) - Vídeo curto - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/KdObh9kc5iQ

7) " Viagem muito Louca" (Kim Kehl) - Vídeo curto - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/4CfLO0w_GgM

8) "Abertura" (Kim Kehl) - Vídeo curto - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/shorts/7vmSt2juh34

9) "Viagem muito louca" (Kim Kehl) - Vídeo curto - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/shorts/uXwSh_lLj-A

10) "O Kurandeiro" (Kim Kehl) - Vídeo curto - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/shorts/iaxbCGJhOE4

11) "O Kurandeiro" (Kim Kehl) - Vídeo curto 2 - Casa de Cultura da Vila Guilherme - SP - 7 de setembro de 2024. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/shorts/rym_gAaZm5o

Continua...

domingo, 5 de janeiro de 2025

Autobiografia na música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 209 - Por Luiz Domingues

Foi muito bom novamente ter contato com um show no ambiente de uma Casa de Cultura. Os Kurandeiros já haviam feito anteriormente diversos shows em equipamentos culturais dessas características e foi ótimo levarmos o nosso espetáculo para mais uma instalação cultural da prefeitura de São Paulo, com a proposta de se fazer uma apresentação gratuita para a comunidade do bairro representado por tal local e de antemão, já sabíamos que seria muito gratificante.  

O local em questão foi a Casa de Cultura da Vila Guilherme, apelidada pelos moradores do bairro como "Casarão" e logo que o show foi fechado, Carlinhos Machado e Renata "Tata" Martinelli se manifestaram com entusiasmo porque já haviam tocado ali com outros trabalhos e nos avisaram que o local era muito bonito.

De fato, me dirigi ao local no dia marcado, 7 de setembro de 2024, acompanhado de Kim Kehl e quando chegamos na entrada do estabelecimento, ficamos impressionados com a sua beleza arquitetônica. Localizado em uma bonita praça com ares interioranos, se tratava de uma velha escola estadual, possivelmente construção essa dos anos 1930 pelo estilo, a se mostrar verdadeiramente como um "casarão".

Bairro simpático da zona norte de São Paulo, a Vila Guilherme não é periférica e pelo contrário, está perto de outros bairros antigos e importantes da cidade, tais como a Vila Maria, Santana e Tucuruvi, e assim, em meio às suas ladeiras, mostra partes residenciais tranquilas e muitas praças como essa que avistamos. 

Bem, estacionamos o carro e logo avistamos a simpática persona do baixista Neto, da banda Cracker Blues, que faria "dobradinha"  conosco nessa tarde/noite. Ele também havia chegado na mesma hora e a perspectiva foi boa demais, haja vista que o Cracker Blues é uma excelente banda cujo trabalho se situa entre o Blues-Rock e o Southern-Rock, portanto, mantinha há anos uma sonoridade bastante próxima do som da nossa banda. 

Ficamos apreensivos, no entanto, e na verdade já sabíamos que por força de obras na instalação, o show não seria realizado no bonito espaço interno do "casarão", que pelas fotos que vimos, se parecia bastante com o saguão da Faap, a Faculdade Armando Álvares Penteado, pelas escadarias ali presentes. Dessa forma, nos deslocamos para um salão designado pela direção da CC Vila Guilherme, a se tratar de um espaço amplo, retangular como característica e com diversas vidraças. 

A julgar pelo seu aspecto arquitetônico, ficou claro que aquele espaço era usado para aulas de dança, artes plásticas ou artes marciais e isso foi confirmado quando mirei o mural a conter a programação da casa.

Por ser retangular e com muitas janelas, logo eu e Kim confabulamos que a acústica ali seria muito difícil por tais características nada favoráveis para a realização de um show musical e ainda mais show de Rock, mas nos resignamos, na medida em que Os Kurandeiros já haviam feito shows sob condições adversas por muitas vezes e além do mais, tanto eu quanto ele, já havíamos passado por situações semelhantes a defendermos outros trabalhos, igualmente.

Muito bem, os companheiros da nossa banda e também do Cracker Blues foram chegando e após ser montado o palco, começamos o soundcheck. A estabelecermos a ordem inversa, o Cracker Blues começou primeiro a sua preparação e com o salão vazio, foi difícil para eles chegar a um resultado de mixagem minimamente satisfatório e claro que no nosso caso, não seria diferente. A única esperança de haver uma sonoridade pelo menos razoável, seria no sentido de que as duas bandas haveriam de tocar bem baixo no palco e mesmo assim, a depender da pressão exercida, poderia ficar muito desconfortável para os bateristas de ambos.

Bem, combinamos isso entre nós e quando fizemos o nosso soundcheck, já tínhamos a noção de como estava o som do PA mediante a audição do Cracker Blues na sua preparação e agora ali no palco, a perspectiva foi igualmente muito difícil, pois tocar com volume baixo em demasia é um exercício extremamente desconfortável em via de regra, principalmente para os bateristas e assim, soubemos que foi o remédio amargo ante o inevitável. Paciência.

No camarim da Casa de Cultura da Vila Guilherme, Carlinhos Machado no comando da "selfie", com Kim Kehl, Phil Rendeiro, Renata "Tata" Martinelli e eu (Luiz Domingues), atrás e a brincarmos. Os Kurandeiros na Casa de Cultura da Vila Guilherme de São Paulo. 7 de setembro de 2024. Click ("selfie"), acervo e cortesia: Carlinhos Machado

O público começou a adentrar o salão e assim nos recolhemos ao camarim. O Cracker Blues foi anunciado, e eu fui assistir o começo do show dos meus amigos e cujo trabalho, muito admiro. 

Continua...

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Autobiografia na música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 208 - Por Luiz Domingues

Estivemos animados pelo momento bom em termos de perspectivas de shows e sobretudo pelo lançamento de um novo disco. Aliás, se o disco foi lançado nas ditas plataformas "streaming" e ainda não tínhamos a sua versão em CD tradicional em mãos, por outro lado, precisávamos promover um show de lançamento e foi justamente o que ficou delineado ainda no decorrer de agosto, quando soubemos que esse espetáculo haveria de ocorrer em setembro, no Teatro Jardim Sul Experience de São Paulo.

Contudo, antes disso, tivemos ações midiáticas positivas e um show que estava previamente marcado, portanto, já era um apontamento agendado há meses. 

Por exemplo, o site "Flertai", lançou uma simpática resenha sobre o nosso novo álbum, "Pronto pra Festa!" em 19 de agosto de 2024.

Eis abaixo o link para acessar a resenha:

https://flertai.com.br/2024/07/os-kurandeiros-lancam-o-album-pronto-pra-festa/

Ainda sobre outros agitos midiáticos, tivemos execuções de canções nossas em três programas de webradios, a contar:  

Na webradio Mutante, através do programa "Dezgovernadoz" sob a curadoria de Kike Damasceno e direção de Rafael López Chiocarello, o nosso som ecoou no dia 21 de agosto, através da música: "Pro Raul".

Já na Webradio Orra Meu, um show ao vivo d'Os Kurandeiros foi exibido através da sua TV, no dia 24 de agosto. O show em questão se tratou de uma apresentação da nossa banda em 20 de agosto de 2017, na casa de espetáculos Gillan's Inn de São Paulo.

Poucos dias depois, em 31 de agosto, tivemos a execução da música "A galera quer Rock" no programa "Momento Só Brasuca" pela Webradio Crazy Rock. 

Carlinhos Machado no comando da "selfie", com a minha presença (Luiz Domingues) ao fundo, Renata "Tata" Martinelli, Lara Pap, Phil Rendeiro e Kim Kehl (apenas por detalhe). Os Kurandeiros em ensaio no estúdio Mad de São Paulo. 4 de setembro de 2024. Click (selfie), acervo e cortesia: Carlinhos Machado

Em 4 de julho nos reunimos nas dependências do estúdio Mad no bairro da Lapa em São Paulo e ensaiamos com muita tranquilidade e alegria por estarmos novamente reunidos após um longo hiato. Ensaio eficaz, apesar da inatividade incômoda que tivemos desde o último show realizado no dia 17 de fevereiro, pudemos nos realinhar com muita facilidade e aproveitamos para filmar mensagens promocionais para os dois shows que tínhamos marcado.

1) Vídeo a repercutir a matéria publicada no site "Flertaí" sobre o lançamento do CD "Pronto pra Festa!"

Eis o link para ver no YouTube:
https://youtu.be/g__A3Sg9Iww 

2) Vídeo a promover o show d'Os Kurandeiros + Boca do Céu no Teatro Jardim Sul Experience em 20 de setembro de 2024. Arte de Kim Kehl

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtube.com/shorts/oIlZv1tQHYI?feature=share

3) Vídeo a promover o show d'Os Kurandeiros + Boca do Céu no Teatro Jardim Sul Experience em 20 de setembro de 2024. Arte de Kim Kehl

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/owQz-xVQD3Y

4) Vídeo a promover o show d'Os Kurandeiros + Cracker Blues na Casa de Cultura da Vila Guilherme em São Paulo. 7 de setembro de 2024. Arte de Kim Kehl

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtube.com/shorts/DvHvRNc1T4k?feature=share 

5) Um segundo vídeo a promover o show d'Os Kurandeiros + Cracker Blues na Casa de Cultura da Vila Guilherme em São Paulo. 7 de setembro de 2024. Arte de Kim Kehl

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=F_-arfEJbdc

6) Vídeo depoimento de Luiz Domingues a repercutir o show de lançamento do CD "Pronto pra Festa" d'Os Kurandeiros no Teatro Jardim Sul Experience de São Paulo em 2020 de setembro de 2024

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/XpLbfnA9Zek

7) Mais um vídeo a promover o show d'Os Kurandeiros + Boca do Céu no Teatro Jardim Sul Experience em 20 de setembro de 2024. Arte de Kim Kehl

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=3s4fZUxLMys

Continua...

domingo, 29 de dezembro de 2024

Autobiografia na música - Boca do Céu - Capítulo 149 - Por Luiz Domingues

Dada a circunstância do conflito de agendas de nossos convidados, os cantores, Cacá Lima e Renata "Tata" Martinelli, demorou um pouco para marcarmos a sessão definitiva de gravação de backing vocals das quatro músicas que estávamos a gravar desde março. E exatamente por sabermos dessa dificuldade de se poder agendar, foi que deixamos acumular essa tarefa final para que pudéssemos efetuar a sua conclusão de uma vez só, quando finalmente pudemos reunir o Laert Sarrumor, os cantores convidados e a coincidir com a disponibilidade do estúdio, evidentemente, dentro dessa logística complicada.

No entanto, nesse ínterim ocorrido em relação à última sessão de 29 de julho, até se agendar a próxima e definitiva para o dia 12 de setembro, nós já sabíamos que teríamos dois shows para preparar e assim, ensaios foram marcados para que nos colocássemos em condições de realizar boas apresentações ao vivo.

Na primeira foto, o registro pós-ensaio de 18 de agosto de 2024. Da esquerda para a direita: Carlinhos Machado, Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues) e Wilton Rentero. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: Mara. Foto 2: Registro do ensaio de 25 de agosto de 2024. Da esquerda para a direita: eu (Luiz Domingues), Osvaldo Vicino, Wilton Rentero e Carlinhos Machado. Acervo e cortesia: Wilton Rentero: Click: Mara. Foto 3: Ensaio do dia 1º de setembro. Carlinhos Machado comanda a "selfie" e atrás, vê-se as presenças de: Osvaldo Vicino, Laert Sarrumor e sua filha, Lígia Falci, Wilton Rentero e eu (Luiz Domingues). Click (selfie), acervo e cortesia: Carlinhos Machado. Ensaios do Boca do Céu no estúdio Lumen de São Paulo. 

Sem a presença do Laert nesses apontamentos iniciais de 18 e 25 agosto e com ele finalmente a participar no dia 1º de setembro,
a visar a preparação dos shows, ensaiamos três vezes no estúdio Lumen da Vila Mariana, com muita animação pois a perspectiva dos shows se mostrou maravilhosa para uma banda que teve poucas oportunidades nos anos setenta e exatamente por isso, o incrível arranjo do destino que nos permitiu uma impensável reunião quase cinquenta anos depois, nos levou a esse momento tão alvissareiro para saborearmos, como se fôssemos ainda os adolescentes inexperientes, porém, muito sonhadores de 1976.

E ainda a falar sobre os trabalhos de estúdio, houve uma sessão extra convocada pelos nossos guitarristas que reivindicaram alguns adendos não gravados anteriormente. Como se tratou de questão pontual e para ser solucionada de forma bem rápida, aproveitamos para concluir tal tarefa mediante uma sessão curta, ocorrida em 9 de setembro de 2024.

Osvaldo Vicino e Wilton Rentero vistos nas fotos acima, a gravar alguns detalhes adicionais nas músicas "Serena" e "Desprogramação". Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 9 de setembro de 2024. Clicks e acervo: Luiz Domingues

Após essa sessão extra, finalmente ficamos a poucos dias de realizar a sessão definitiva de finalização das gravações das quatro músicas que começamos a gravar em março.

1) "Serena" - Gravação de overdubbing de guitarra (vídeo 1) - Estúdio Prismathias de São Paulo - 6ª sessão - 9 de setembro de 2024 - Filmagem e acervo: Luiz Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/Xmap7MgHE2U

2) "Serena" - Gravação de overdubbing de guitarra (vídeo 2) - Estúdio Prismathias de São Paulo - 6ª sessão - 9 de setembro de 2024 - Filmagem e acervo: Luiz Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/kAaju0T9mXw

3) "Serena" - Gravação de overdubbing de guitarra (vídeo 3) - Estúdio Prismathias de São Paulo - 6ª sessão - 9 de setembro de 2024 - Filmagem e acervo: Luiz Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/kYQECn9-X6I

4) "Serena" - Gravação de overdubbing de guitarra (vídeo 4) - Estúdio Prismathias de São Paulo - 6ª sessão - 9 de setembro de 2024 - Filmagem e acervo: Luiz Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/Gx2Jm-eKkcA

5) "Serena" - Gravação de overdubbing de guitarra (vídeo 5) - Estúdio Prismathias de São Paulo - 6ª sessão - 9 de setembro de 2024 - Filmagem e acervo: Luiz Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/G7902BOGshY

6) "Serena" - Gravação de overdubbing de guitarra (vídeo 6) - Estúdio Prismathias de São Paulo - 6ª sessão - 9 de setembro de 2024 - Filmagem e acervo: Luiz Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/BwolprNiLS8

7) "Serena" - Gravação de overdubbing de guitarra (vídeo 7) - Estúdio Prismathias de São Paulo - 6ª sessão - 9 de setembro de 2024 - Filmagem e acervo: Luiz Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/BwolprNiLS8

Continua...

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Autobiografia na música - Boca do Céu - Capítulo 148 - Por Luiz Domingues

No final de julho, eu lancei o primeiro volume da minha autobiografia, enfim, na sua versão impressa tradicional. E esse volume inicial do gigantesco texto que escrevi e que resolvi dividir em quatorze volumes, tratou exatamente da minha história com o Boca do Céu, ou seja, o meu debut na música e com o Boca do Céu a se configurar como a minha primeira banda de Rock na carreira.

Eu comecei a organizar as minhas memórias em 2011, e por ter sido longo o processo dessa elaboração, somente encerrei esse primeiro esboço em 2015. Houve uma tratativa para lançar tal obra em 2016, mas não consegui lograr êxito na ocasião e isso motivou uma mudança de estratégia de minha parte, ao lançar quatro livros com outros teores anteriormente. Portanto, somente em 2024, o primeiro volume da minha autobiografia ganhou forma como livro.

E o resgate avançou! Eu, Luiz Domingues, em foto clicada na sessão que capturou a foto do autor para a orelha do livro "Boca do Céu" (a autobiografia de Luiz Domingues - volume I). Click e cortesia de Lincoln Baraccat. Almofada a conter a foto do Boca do Céu em 1977, arte de Amanda Fuccia

E pela coincidência dessa história se iniciar justamente com o Boca do Céu devidamente enfocado nesse volume I, a ideia de marcar um show e tarde de autógrafos no mesmo evento, ganhou força. E assim, a aproveitar a coincidência de que Os Kurandeiros, minha banda regular desde 2011, estar a lançar o seu novo álbum (o CD "Pronto pra Festa!"), uma junção desses fatos foi imaginada e assim, um projeto foi enviado para o teatro Jardim Sul Experience, instalado dentro do Shopping Jardim Sul de São Paulo e ele foi aprovado pelo seu programador.

Que ótimo! Uma local charmoso para eu poder realizar a tarde de autógrafos e ao mesmo tempo a se tratar de um teatro bem estruturado para que o Boca do Céu e Os Kurandeiros pudessem tocar, foi uma boa nova que tivemos.

Acima, a orelha do livro a retratar-me como o autor da obra. Foto de Lincoln Baraccat e arte de Victoria Costa. Abaixo, essa foi a foto escolhida para ilustrar a "orelha" do livro. Click e cortesia: Lincoln Baraccat

Ainda no decorrer da sessão de estúdio ocorrida no dia 29 de julho, quando gravou-se os teclados e a flauta transversal para a música "Serena", eu já pude levar exemplares do meu livro aos companheiros e eles ficaram muito entusiasmados com a novidade e isso me contagiou, naturalmente.

Que legal foi compartilhar essa minha história que os tem como coprotagonistas e relembrarmos assim várias passagens ali descritas nas páginas do livro e eles a relatar as suas lembranças pessoais sobre os heroicos anos do Boca do Céu nos anos setenta e tudo isso embalado pelo fato de que estávamos ali nas dependências do estúdio Prismathias exatamente a gravar o disco que sonhamos gravar em 1976, mas que não foi possível concretizar e aliás, nem chegamos perto de tal façanha nessa época.

Portanto, esse encaminhamento de 2024, com a banda reunida para executar a tarefa e com um livro a narrar a sua história nos anos setenta, ainda que não fosse a história oficial da banda, mas sim a minha história pessoal e a enxergar a saga da banda pelo meu viés, me sugeriu o fato de que esse momento que vivi ali com os amigos a folhear e a repercutir diversas passagens do meu livro, foi realmente um instante mágico na minha percepção.

Feliz demais pela sessão de estúdio muito boa com os nossos convidados, Rodrigo Hid e Arnaldo Geretch, com o volume I do livro da minha autobiografia em mãos e as perspectivas de shows (nessa altura, um pocket show e mais outra tarde de autógrafos, já estava marcada para ocorrer na cidade de Santos no final de setembro), eu sorri.

Continua...     

sábado, 21 de dezembro de 2024

Autobiografia na música - Patrulha do Espaço - Capítulo 362 - Por Luiz Domingues

Conforme eu já esperava, pois me fora comunicado há meses, chegou às minhas mãos o vinil correspondente ao CD "Compacto +/Maioridade" em outubro de 2024. Tal iniciativa já havia sido tomada há bastante tempo, e na verdade, nos planos do Rolando Castello Junior, a ideia primordial foi lançar o CD e a versão para vinil em junho, quando realizamos o show para celebrar tais novidades no palco do Sesc Belenzinho de São Paulo, mas infelizmente o LP de vinil simplesmente não ficou pronto a tempo.

Tanto foi assim que na verdade demorou cerca de três meses para a fábrica enfim fazer a entrega do lote solicitado e no meu caso em específico, eu só consegui obter a minha cópia de recordação em outubro.

É até engraçado para alguém da minha geração se referir ao álbum como "disco de vinil", pois é óbvio que para pessoas da minha faixa etária, basta usar a sigla "LP", a designar um "Long Player", para que entendêssemos sinteticamente do que estávamos a falar. Mas convenhamos, o vinil caiu em desuso com o avanço avassalador do CD no começo dos anos oitenta e na sequência, o mesmo ocorreu com o próprio CD ao se tornar obsoleto em detrimento da Era digital via MP3 e similares. Passado mais um tempo, vieram as plataformas "streaming" e o YouTube a trazer a ideia de que mídias físicas não importavam mais, para desespero dos colecionadores e derrocada das lojas de discos, uma lástima.

Quando parecia que a escalada frenética do avanço da tecnologia haveria de nos afastar cada vez mais das velhas formas de ouvir e preservar música alojada em prateleiras, eis que um "revival"  do velho vinil chegou para se tornar uma nova tendência e na sua esteira, pasmem, até se ressuscitou a figura da fita K7, novamente romantizada e até uma "volta" do CD se insinuou no panorama de 2024.

Discussão sobre "tecnologia vintage versus moderna" a parte, devo registrar particularmente que foi um prazer ter o LP da Patrulha do Espaço em mãos e tal qual todo mundo que pertence à minha geração acostumou-se a fazer costumeiramente nos anos sessenta e setenta, o ritual de colocar o disco na "vitrola" (ou "pick-up" na forma anglicista de se expressar), e simultaneamente manusear a capa e o encarte, ao ler toda a ficha técnica, foi um exercício lúdico e mais do que isso, uma prática vívida de cultura Rocker como há tempos eu não praticava.

Ao analisar pelo aspecto da minha trajetória na música, eu não tinha um trabalho meu lançado em formato "LP", desde 1993, quando o Pitbulls on Crack, minha banda nos anos noventa, lançou-se no mundo fonográfico através da coletânea "A Vez do Brasil" pela gravadora Eldorado e veja bem, leitor: por se tratar de uma coletânea compartilhada com outras bandas, não foi exatamente um trabalho exclusivo de uma banda minha, portanto, como último disco inteiramente de um trabalho meu com um grupo de Rock autoral, a minha experiência de ter um LP, remontara à 1990, quando o LP "A New Revolution" do grupo The Key, foi lançado pela gravadora Devil's Discos.

Sobre o som, gostei da audição a trazer aquele característico som mais encorpado advindo dos sulcos de um vinil e mesmo com os chiados inevitáveis que as marcas do tempo acarretam aos discos no contato com a agulha, ainda sim, eu penso que o vinil tem o seu charme imutável.

E a respeito do formato da capa e consequente encarte, não tenho dúvidas sobre as vantagens inerentes desse tipo de produto, mediante uma boa oportunidade para fazer fluir a arte nas ilustrações, a presença de fotos e um encarte robusto, com muitas informações inerentes à obra em si. Neste caso, como a versão em CD veio com um encarte bem avantajado, a opção por uma condensação do mesmo material foi necessária, acredito, por uma questão de custo, mas ficou excelente, digno de um típico encarte de LP de banda de Rock dos anos sessenta e/ou setenta.

Aliás, ao conversar com os companheiros da nossa formação Chronophágica, fiquei impactado quando soube do altíssimo custo dessa produção de um LP nos dias atuais (ao me referir a 2024). A despeito do "vinil" ter voltado à moda e ter estado a encantar gerações que nasceram sob a égide digital e na posterior, virtual, os preços não refletiam a sua suposta popularidade recém adquirida no momento pós-anos 2020, porque os valores se mostravam estratosféricos e diante disso, o repasse ao consumidor final ter ficado exorbitante, inevitavelmente.

Em suma, fiquei feliz pelo lançamento, também pela coragem do Rolando para empreender nesse sentido, pelo esforço do Marcello na parte técnica ao oferecer o seu estúdio como apoio e também pela arte requintada da Marta Benévolo para compor o lay-out da capa e encarte para o CD, e neste caso, além de ter feito a adaptação da arte para o LP e claro, pelo fato concreto de particularmente eu ter tido novamente um LP de um trabalho meu alojado na estante, lado a lado com os discos de meus ídolos que me inspiraram a adentrar tal universo do Rock. E se estou simbolicamente lado a lado deles na estante de discos, creio que a minha missão foi cumprida!

Em suma, fiquei contente pelo lançamento do LP Compacto+/Maioridade, que veio a coroar todo o esforço empreendido para relançar o CD ".ComPacto" de 2003, com direito a um CD remixado e remasterizado, encarte de luxo e para culminar no mesmo disco sob o formato de um velho LP.  

E como eu sempre eu digo quando vou encerrar um novo capítulo aberto para falar sobre a minha participação como membro e ex-membro da Patrulha do Espaço, essa banda nunca para de gerar novidades, tanto na continuidade de sua carreira, propriamente dita, mesmo tendo anunciado o seu encerramento com uma turnê da qual eu fiz parte em 2018-2019, e que não se concretizou de fato, quanto a trazer fatos novos sobre formações anteriores de sua história, incluso a minha, a dita "Chronophágica". 

Então, é óbvio que a qualquer momento um novo capítulo poderá ser escrito, tanto para engrandecer a sua história, como uma banda de Rock que é na verdade uma instituição, quanto à minha trajetória pessoal devidamente registrada através da minha autobiografia.

Dessa forma, possivelmente continua...

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Autobiografia na música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 207 - Por Luiz Domingues

Uma panorâmica da banda em ação. Os Kurandeiros durante show realizado em 23 de outubro de 2021 no Teatro Red Star de São Paulo em meio ao Dellaz Fest e cuja performance gravada resultou no álbum "Pronto pra Festa!" lançado em julho de 2024. Click, acervo e cortesia: Ju Rendeiro

Sobre a canção "Viagem Muito Louca", quando a excutamos nesse show de 2021, a perda do nosso amigo, Ciro Pessoa ainda era bem recente, portanto, essa homenagem criada pelo Kim Kehl nos deixava bem sensíveis pelo que ela representava a celebrar a sua memória, mas ao mesmo tempo a nos gerar o sentimento de saudade do companheiro que partira em 2020. Bem, ante o inevitável, demos o nosso melhor e agora, além da versão de estúdio, temos mais uma forma de nos lembrarmos do amigo, devidamente registrada em disco oficial. E que ele receba essa boa vibração que lhe mandamos.


6) "Viagem muito louca" - Áudio oficial de CD "Pronto pra Festa!"

Eis o link para escutar no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=8skUU6dsObw

Música cheia de referências psicodélicas e detalhes de arranjo muito ricos, tal tema contém na sua letra uma linda inserção do surrealismo e da psicodelia sessentista que o Ciro tanto amou na sua vida e exerceu como artista.

Essa interpretação ficou bastante interessante pela sua assertividade excelente ao vivo, com tudo muito bem engendrado e reforçado pela performance perfeita da banda.

Impressiona muito a voz da Renata "Tata" Martinelli que a interpreta com muito estilo, a esticar as sílabas finais como efeito estilístico e assim estabelecer uma dose de emoção teatral, eu diria. Kim Kehl fornece apoio no refrão a fazer uma junção muito interessante. 

Destaque para os teclados de Nelson Ferraresso que imprime em certos ponto uma sonoridade de arp-strings que lembra bastante o som de John Paul Jones nos discos finais da discografia do Led Zeppelin, ou seja, aquele clima de "Presence" e "In Thouugh the Out Door" se faz presente. Alguns detalhes de piano foram acrescentados no overdubbing e que ficaram muito bons.

Os efeitos de percussão acrescidos por Carlinhos Machado são muito bons, igualmente, além do trabalho das guitarras.

7) "Noite de sábado" - Áudio oficial de CD "Pronto pra Festa!"

Eis o link para ouvir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=86g7h7SJ44U

Soa muito boa essa interpretação desse Blues-Rock agitado ao estilo do "Texas Blues". As guitarras se apresentam de uma forma incrivelmente bem entrosadas, com a "cozinha" igualmente em perfeita sincronia. E além do mais, impressiona o timbre do bumbo, principalmente, a manter a banda sob um pulso incrível.

Renata "Tata" Martinelli e Kim Kehl em ação. Os Kurandeiros durante show realizado em 23 de outubro de 2021 no Teatro Red Star de São Paulo em meio ao Dellaz Fest e cuja performance gravada resultou no álbum "Pronto pra Festa!" lançado em julho de 2024. Click, acervo e cortesia: Cesar Gavin

Mais uma vez a Renata "Tata" Martinelli brilha, desta feita a produzir um timbre mais grave da sua voz, a lembrar Maggie Bell em seus melhores momentos com o grupo Stone the Crows nos anos setenta. 

E o piano de Nelson Ferraresso passeia de uma forma magistral, com pontuais intervenções da guitarra do Kim a desenhar em paralelo. Parece que estamos a ouvir um disco do Johnny Winter dos anos setenta tamanha a vibração que conseguimos imprimir.

8) "Cocada preta" - Áudio oficial de CD "Pronto pra Festa!"

Eis o link para escutar no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=HwvrB2BQP6Q

Versão muito boa dessa canção contida nos primeiros trabalhos d'Os Kurandeiros. Inspirada em "Brown Sugar" dos Rolling Stones, tem uma letra muito divertida a se evocar o mesmo tema proposto pelos "Glimmer Twins" na versão original.

Nessa interpretação, mais uma vez as guitarras se mostram muito bem colocadas nos espaços, a la Rolling Stones. O solo de Phil Rendeiro é muito bom e com aquele timbre agudo de uma Fender Stratocaster, ficou magnífico. 

É espetacular a atuação de Carlinhos Machado, a evocar o espírito de Charlie Watts e novamente o piano comandado pelo Nelson Ferraresso ficou super Rock'n' Roll na sua essência.

9) "A galera quer Rock" - Áudio oficial de CD "Pronto pra Festa!"

Eis o link para escutar no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=pH1sdWc6iSw

Impressionante o som do baixo nessa faixa, a soar com o clássico timbre do Fender Jazz Bass, mais para a timbragem "aveludada" do seu grave proeminente. Lembrou-me o som de Dee Murray nos seus melhores momentos a atuar nos discos do Elton John nos anos setenta. 

A voz de Renata "Tata" Martinelli lembra bastante a voz da grande Silvinha na década de sessenta. A interpretação solo de Kim Kehl é muito boa e quando as vozes de Carlinhos Machado e Phil Rendeiro aparecem, o fato de ficarem livres na criação, sem se ater à sincronia, as deixou muito interessantes. Isso não foi planejado nos ensaios, portanto, foi um improviso que se provou como uma criação espontânea e feliz na sua resolução.

Gostei demais da performance do Carlinhos Machado e o som da campana do seu prato "ride" ficou espetacular. Gostei muito do trêmulo da guitarra do Kim Kehl na pausa estratégica que a banda faz na metade para o fim da música. Nelson Ferraresso pontua com o piano elétrico e ficou ótima a intervenção. 

10) "São Paulo" (Vai sobreviver) - Áudio oficial de CD "Pronto pra Festa!"

Eis o link para ouvir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=lTxDTBvSeNM

Canção concebida para soar como Pop-Rock ao estilo "AOR", nesta versão ao vivo, tal qual a oficial do disco "Cidade Fantasma", ela cumpre o seu objetivo ao ser interpretada como se a banda estivesse a se apresentar em um estádio de futebol lotado.

Eu (Luiz Domingues), com Carlinhos Machado ao fundo na bateria e Renata "Tata" Martinelli na linha de frente. Os Kurandeiros durante show realizado em 23 de outubro de 2021 no Teatro Red Star de São Paulo em meio ao Dellaz Fest e cuja performance gravada resultou no álbum "Pronto pra Festa!" lançado em julho de 2024. Click, acervo e cortesia: Ju Rendeiro

O meu baixo está com um timbre muito bom, a pulsar de forma empolgante, pois quando criei essa linha, eu queria que o baixo imprimisse a euforia de uma banda do estilo "AOR" a tocar para multidões e acho que consegui passar esse sentimento tanto na gravação de estúdio, quanto nessa versão ao vivo. Quando a toco ao vivo, sinto-me como se eu tocasse em bandas como o Boston, Reo Speedwagon ou Foreigner.

E a bateria vai junto, a garantir essa euforia Pop que a música sugere aos ouvintes. As guitarras estão excelentes, ambas. Os efeitos de "delay" da guitarra do Kim ficaram muito bons, perfeitamente sincronizados no tempo da canção.

E os teclados também soam muito bem, a garantir o colorido que essa canção contém. Os backings foram ajustados no overdubbing porque ao vivo as vozes não ficaram perfeitamente sincronizadas em termos de volume mixado ao vivo, daí a correção da pós-produção.

11) "Sonhos & Rosquinhas Suíte" + Grand finale - Áudio oficial de CD "Pronto pra Festa!"

Eis o link para escutar no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=MOgecpTE5z4

Nesta versão concebida para ser tocada apenas o refrão da música "Sonhos & Rosquinhas Suíte" e com a finalidade de encerrar o show, soamos como o Mott the Hoople em seus dias de glória nos anos setenta, ou seja, a gerar um Rock'n' Roll mesclado com o Hard-Rock sob uma aura Glam-Rock espetacular. 

O peso do órgão Hammond, aliado a um solo excelente da parte do Kim Kehl, e o refrão em sentido "looping" ancorado pelos backings vocals a la Uriah Heep, dá margem à interpretação espetacular da Renata "Tata" Martinelli, que lembra Janis Joplin.

Eu e Carlinhos Machado vamos juntos sob um efeito crescente que dá o sentido da empolgação, para levar a banda às alturas e assim, dar margem para que Renata "Tata" Martinelli possa soltar a voz e Kim solar com emoção no final. 

Kim Kehl e Nelson Ferraresso em ação! Os Kurandeiros durante show realizado em 23 de outubro de 2021 no Teatro Red Star de São Paulo em meio ao Dellaz Fest e cuja performance gravada resultou no álbum "Pronto pra Festa!" lançado em julho de 2024. Click, acervo e cortesia: Cesar Gavin

É muito bom o efeito final da guitarra a evocar Jimi Hendrix com apoio de efeitos de percussão e o órgão Hammond no apoio.

Ao final, Kim Kehl agradece a plateia, que na verdade estava do outro lado das telas de monitores de computadores, tablets e telefones celulares, pois esse show foi uma "live" concebida em meio aos cuidados que vivemos para não gerar contaminação, bem no meio da pandemia da Covid-19. Portanto, foi a esse público numeroso, porém distante que ele se dirigiu, haja vista que por conta das medidas sanitárias de segurança, tocamos para um teatro vazio, somente com a presença dos técnicos do equipamento de som e iluminação e os responsáveis pela transmissão, além dos produtores do evento criado por Gigi Jardim e com apoio da Webradio Stay Rock Brazil.

Phill Rendeiro no destaque, com a minha presença, Luiz Domingues, encoberto no enquadramento. Os Kurandeiros durante show realizado em 23 de outubro de 2021 no Teatro Red Star de São Paulo em meio ao Dellaz Fest e cuja performance gravada resultou no álbum "Pronto pra Festa!" lançado em julho de 2024. Click, acervo e cortesia: Ju Rendeiro

Em suma, esse disco teve nessa captura de áudio excelente e na feliz performance da banda, dois trunfos, que ao se juntar à caprichada mixagem e masterização feita pelo nosso guitarrista, Phil Rendeiro, nos proporcionou um excelente disco ao vivo. 

Para encerrar esta análise, este disco se tornou uma peça muito importante para a discografia d'Os Kurandeiros por dois motivos: 

1) Veio a preencher uma lacuna boa após o lançamento do álbum "Cidade Fantasma" em 2021, e assim, estrategicamente ocupar o espaço até a banda voltar a produzir um novo álbum de estúdio com material inédito. 

2) Coroar uma etapa da carreira, o que sempre um disco ao vivo cumpre para demarcar o fim de um ciclo para o início de um outro para qualquer banda de Rock e a nossa segue tal liturgia, naturalmente.

E no meu caso em particular, também representou um marco muito interessante, no sentido de que veio a se tornar um dos melhores discos ao vivo que eu já gravei, a pensar na carreira toda e isso me alegrou muito. Disco ao vivo tem essa característica de gerar essa boa impressão de como o trabalho soava no palco, portanto, fiquei muito feliz por verificar que ficou tão bom sob o ponto de vista do áudio, mas sobretudo pela ótima performance que tivemos.

Como eu já salientei, os planos para lançar esse disco na versão tradicional de CD, estavam na ordem do dia, mas em setembro, as boas novas da agenda em movimento, nos levaram a pensar em ensaio e esforços de divulgação e produção.

E além do mais, uma boa nova no meu campo pessoal serviu também como alavanca para tornar um desses shows que mencionei, em uma noite especial e no caso, a manter uma estreita relação com a minha própria carreia musical e por conseguinte, a motivar a banda! 

Continua...