segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & os Kurandeiros - Capítulo 72 - Por Luiz Domingues

Então o Kim anunciou-nos que estava a trabalhar na compilação de uma coletânea, ou seja: um plano que ele tinha há tempos, a visar desengavetar alguns singles gravados por formações anteriores e e também um certo material produzido pela nossa formação.

Ótima chance para ampliar o acervo fonográfico da banda (5º álbum d'Os Kurandeiros), além dessa formação em específico (2º dessa formação da qual faço parte, desde de agosto de 2011) e sobre a minha discografia pessoal, tornou-se então, o meu 18º álbum da minha carreira inteira, até este instante, setembro de 2017. 

Claro que animei-me de imediato com tal perspectiva, mesmo a conter no bojo de seu repertório, apenas duas faixas em que participo. Uma delas trata-se do single: "Estratosfera", anteriormente lançado em 2012, sob o nome de: "Sliding in the Stratosphear" e uma canção gravada ao vivo, o blues chamado: "Má Noite".

Sobre "Estratosfera", eu já a analisei em capítulo correspondente aos fatos ocorridos no ano de 2012, quando de seu lançamento como single, portanto, falarei mais detidamente sobre a faixa, "Má Noite". 

Essa música é originariamente uma peça do repertório da banda "Nasi & Os Irmãos do Blues", na qual o Kim foi componente ao lado do ex-vocalista do "Ira!", Nasi. 

Inspirada livremente no clássico do Blues, "Black Night", de Charles Brown (1951), tal canção incorporou-se ao repertório d'Os Kurandeiros por volta de 2014. Sobre essa gravação ao vivo, ocorreu em outubro de 2015 no Rocks Studio de São Paulo, sob produção de captura e mixagem de Fábio Hoffmann e foi usada na ocasião para alimentar um especial a conter a entrevista da banda para o programa: "Live on the Rocks", da Webradio Stay Rock Brazil, realizada e gravada no mesmo dia e local. A produção e condução de entrevista do programa ficou a cargo de Renato Menez, Adilson Oliveira e Rogério Utrila.  

Sobre a performance da banda nessa faixa, digo que gosto bastante da sua introdução agressiva em forma de convenção, sob compasso 6/8 e que remete ao som do "The Allman Brothers Band", sem dúvida alguma. 

A sua parte cantada segue uma condução mais conservadora do blues tradicional e com um senso dinâmico muito bom. Considere o leitor que foi uma canção gravada ao vivo sem "overdubs", portanto, em "tomada" única e nessas circunstâncias, acho que a performance da banda foi muito boa, mesmo por que, não ensaiamos previamente para esse compromisso e no real "espírito Kurandeiro" de improviso, fomos com a cara e a coragem e dessa forma, essa gravação ao vivo é memorável para a discografia da banda.

Aprecio os timbres de todos os instrumentos. O meu baixo ficou com uma ambiência mais grave do que eu gosto normalmente, mas está bem encorpado, reconheço, embora soe quase como o som de um Fender Jazz Bass, quando na verdade, eu usei um genérico de Fender Precision. 

Faltou o estalo médio-agudo que eu uso geralmente na regulagem de amplificador, mas sei que o Fábio deve ter coibido tal frequência ao temer choque com as frequências em que o órgão atua normalmente e daí, privilegiou o grave e o médio-grave na sua mixagem de meu instrumento. É bem positivo o som da guitarra e até a sobra de um ruído de estática elétrica que adveio do amplificador do Kim ao final, pode ser considerada "charmosa" por denotar a completa ausência de maquiagens, em uma gravação absolutamente "ao vivo", de fato.

O Nelson com o simulador de órgão Hammond pontuou muito bem (como sempre), ao estabelecer aquela condução leve, ao sabor do som de Greg Allman, Booker T. ou Jimmy Smith, na escolha do Draw Bar do teclado, além de adotar uma sutil distorção em alguns momentos, bastante agradável. 

Sobre a bateria, sinto falta de uma melhor presença do bumbo, mas agrada-me o som da caixa sem reverber e o timbre do chimbau, valorizado pelos desenhos dobrados que o Carlinhos fez de improviso ali na hora e que ficaram muito bons ao meu ver. 

A voz do Kim ficou bem na frente, nítida, e dá para acompanhar perfeitamente a letra, com bastante inteligibilidade. Gostei do tratamento da voz dado pelo Fábio Hoffmann, sob econômico uso de processadores. Sem muita compressão, delay e reverber, a usar o mínimo, ele valorizou o timbre natural da voz do Kim.

Foto de outubro de 2015, com a banda reunida na sala de espera do Rocks Studio, a aguardar o início da gravação do programa: "Live on the Rocks", da Webradio Stay Rock Brazil, e cuja música, "Má Noite" que eu comento, foi gravada. Da esquerda para a direita: eu (Luiz Domingues) e a estar em pé, Carlinhos Machado, Nelson Ferraresso e Kim Kehl. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap
  
Em suma, trata-se de uma gravação ao vivo e surpreendente sob todos os pontos de vista analisados e assim, parabenizo o Fábio Hoffmann que fez um belo trabalho de captura e mixagem desse material, para torná-lo viável ao ponto de ser incluído nessa compilação fonográfica. E também à nossa banda que teve uma performance muito boa, em tomada única.

Denominado: "O Baú dos Kurandeiros", tal compilação traz, além das faixas em que já comentei e participo, mais oito canções: "Miséria & Solidão, "Oh Rita", "Negócios no Interior", "Problemas", "Sou Duro", "O Jardim" e uma versão ao vivo de "Só Alegria" (com outra formação, bem entendido)

Contém também uma "remix" ao estilo de música eletrônica, da música: "Maria Maluca", sob uma produção do produtor musical internacional, Bovine.

Produção geral de Kim Kehl
Assistência executiva de Lara Pap
Técnicos de captura e mixagem: Marcos Burú, Edu Gomes e Fábio Hoffmann
Remix: Bovine ("Maria Maluca") 
Capa, logotipo, lay-out e arte final de Johnny Adriani (in memorian)
Lançamento: Outubro de 2017

Continua...   

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