segunda-feira, 22 de junho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 328 - Por Luiz Domingues


Em mais um contato proveniente do "nosso" mundo Rocker underground, tínhamos um novo compromisso a cumprir.

Desta feita, seria uma nova participação num festival, nos moldes mais  ou menos do que fizemos em agosto, por conta do "Baila Bala na Baleia".

Esse, se chamava "Outubro Music Festival" e tinha também a proposta de ser híbrido, misturando bandas da cena Pós-Punk, com bandas Hard-Rock.

Nesse contexto, tocaríamos com o Golpe de Estado, como banda mais pesada e ligada ao tradicionalismo pré-1977, e do lado dos Pós-Punkers, bandas como "Vultos"; Ghetto" e "Prysma".

É bem verdade, que muito da animosidade da estética Pós-Punk, estava arrefecendo-se no caminhar da segunda metade da década de oitenta. A agressividade arrogante das bandas que fizeram tal estética prevalecer nesse período, estava diluindo-se através de uma nova safra que ainda era oriunda dessa tendência, mas apresentava mais docilidade e preocupação em ater-se à parte musical com um pouco mais de afinco, deixando de lado a tosquice punk e ruindade musical que norteou seus "irmãos mais velhos", nos primeiros anos da década de oitenta.

Bandas como as que tocariam nesse festival, e posso acrescentar nesse bojo, o "Muzak"; "Nau" e até o "Violeta de Outono" (que era psicodélica sessentista até a medula, mas nessa época se camuflava de Pós-Punk "moderninha" para sobreviver nesse meio), são exemplos de como tal cena também estava em processo de mudança, mesmo que sutil.

Quanto ao festival em si, foi realizado num clube em Interlagos, no extremo da zona sul de São Paulo, às margens da represa de Guarapiranga, e se chamava "Sete Praias".

Fazia um frio considerável, apesar de já estarmos na primavera, e embora não tenha tido a mesma organização e as atrações extra musicais do "Baila Bala na Baleia", atraiu um público razoável em suas dependências bucólicas, e geladas naquela noite.

Nossa performance foi excelente. Estávamos muito afiados, empolgados com as perspectivas etc etc.

 

Sonia e Toninho também estiveram presentes nessa noitada e mais uma vez se impressionaram com nossa energia, e a reação do público que foi ótima, apesar de ser híbrido, como já observei, e muitos ali não serem normalmente simpáticos para com o som de bandas como nós, e o Golpe de Estado.

Não teríamos mais shows em outubro, e no mês de novembro também não faríamos mais nenhum, mas por outro lado, seria um mês muito agitado para a banda, com muitos acontecimentos e histórias geradas.

Mas para fechar outubro, ainda tenho uma coisa para relatar.

Continua...  

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