quinta-feira, 18 de junho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 292 - Por Luiz Domingues


Entramos enfim no segundo semestre de 1986, com o pé no acelerador, em pleno embalo ganho pelos acontecimentos positivos, e somados principalmente nos últimos três meses.

O próximo compromisso ocorreu num espaço novo na cidade, que aparecera para cobrir a lacuna deixada pela extinção do Teatro Lira Paulistana na cidade de São Paulo. Tratava-se de um teatro muito bem localizado, muito próximo à uma estação de metrô (estação Paraíso), portanto com toda a possibilidade de se tornar um grande ponto de shows na cidade, e de fato, foi o que aconteceu.

Chamava-se "Teatro Mambembe", localizado na Rua do Paraíso, bem na divisa entre os bairros da Aclimação e Paraíso, na capital paulista. 


Logo que abriu suas portas para o Rock, projetos foram se multiplicando, e ali os shows ocorriam geralmente às segundas e terças, nas brechas das peças de teatro, que ali se encenavam.

E nesse contexto, é claro que A Chave do Sol também foi convidada a se apresentar, e a data de 28 de julho de 1986 se apresentou para nós. 


Estávamos a mil por hora, e o leitor atento se recorda que são muitos capítulos falando desse período entre março e julho de 1986, como um dos mais intensos para a história da banda, quando muitas coisas positivas aconteceram e simultaneamente. 

Neste caso, tratava-se de um projeto do produtor de shows, Antonio Celso Barbieri, denominado "São Power", e que teria a companhia do "Excalibur", cujos membros eram nossos amigos, e já haviam dividido o palco conosco em ocasiões anteriores.

Nesse show, tentamos uma experiência ousada, ao fecharmos um set list inteiramente montado com músicas novas !


Era uma maluquice, mas a surpresa maior veio com a reação do público, absorvendo completamente a ideia de uma maneira efusiva. Tempo bom onde um teatro lotava para um show de Rock autoral, e nossa banda se sentia segura para fazer um espetáculo inteiramente montado com músicas inéditas, sem medo de desagradar o público sedento pelas músicas consagradas, e portanto familiares aos seus ouvidos. 
Nesse show, o Beto tocou guitarra em várias músicas, também.

Bem, o que dizer de um show realizado num dia útil longe do final de semana, e que mesmo assim teve a proeza de arregimentar 550 pagantes em sua bilheteria ? 

E isso porque a capacidade oficial do teatro era de 350 pessoas aproximadamente, mas pasmem, havia gente pelos corredores, e nós mesmos voltaríamos à este mesmo teatro e quebraríamos o recorde novamente, num futuro não muito distante, e que contarei logo mais. 
 

Em fotos desse show, vemos o produtor Barbieri (primeiro à direita), e a banda (o roadie Edgard Puccinelli Filho entre nós), no camarim, comemorando a bilheteria "gorda", mediante um saco de batatas, literalmente, cheio de notas de "cruzados".

Foi um excelente show, e coroou a ótima fase em que a banda se encontrava.


Estávamos afiados, com um novo som que agradava ao público, e o telefone não parava de tocar com oportunidades. 


E é sobre isso que falarei a seguir, com mais três oportunidades que apareceram nesse período : uma de cunho empresarial; outra relativa à uma grande oportunidade de aparecer num programa de TV mega popular na época, e a terceira, uma reportagem de página inteira numa nova revista que estava entrando no mercado com contundência.

Teatro Mambembe - 28 de julho de 1986 - Fotos de Maurício Abões 


Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário