sexta-feira, 19 de junho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 307 - Por Luiz Domingues


Reflexo de nosso "momentum" espetacular naquele instante, o Jornal informativo do nosso próprio Fã Clube, em sua edição de nº 5, datado de julho de 1986, mostrava-se recheado de boas novas. Muitas que já até comentei nesta narrativa.

Logo no primeiro box do jornal, falando sobre TV, uma relação dos programas que havíamos feito mais recentemente e engraçadas insinuações sobre o caráter sensual que o vídeo-clip da música "Saudade" teria...de fato, ele estava sendo filmado com tais nuances, mas conforme já contei, ele nunca foi finalizado.

No box seguinte, uma espécie de coluna social da banda, uma menção ao fato bacana que algumas bandas haviam lançado LP's recentemente e incluído agradecimentos à Chave do Sol em seus respectivos encartes. Caso dos discos do Harppia; Inox; Centúrias; Coletânea SP Metal; e no novo disco dos Inocentes, cuja história de cooperação mútua entre as bandas, já mencionei vários capítulos atrás, e com detalhes.

Outra presepada que eu adorava, era a de falar sobre atividades extra-musicais dos membros da banda, dando-lhes uma aura de importância mesclada ao Glamour. Isso era herança de minha admiração pelo Ezequiel Neves quando este jornalista era colunista da Revista "Rock, a História e a Glória", nos anos setenta, e que muito me influenciou como Rocker e também como escritor diletante que eu sempre fui, e a partir de 2011, de forma mais incisiva, e em caráter público, que assumi ser.

Finalmente, havia a menção à visita do ator/músico "Ferrugem", ao nosso ensaio, e passagem essa que também já descrevi, além da visita dos membros do Viper, também.

Uma brincadeira com o Edgard Pucinnelli Filho, também está registrada neste box, sempre insistindo na ideia divertida de que ele era de fato um extraterrestre, brincadeira essa que ele curtia e os fãs, nos shows, idem, abordando-o com bom humor nesse sentido.

No box "Perfil de Chave", onde a cada edição se falava de alguma característica de um membro em separado, neste número cinco era a minha vez enfim, de ser mencionado. Empurrei com a barriga, mas não dava para pular e explico : pelo fato de ser eu mesmo o redator e editor do jornal, ainda que agindo como "Ghost Writer", visto que para todos os efeitos, quem escrevia era Eliane Daic, a namorada do Zé Luis, mesmo encoberto, me sentia constrangido em escrever sobre eu mesmo, num tom de enaltecimento.

Pensei então em traçar um paralelo com o fato de eu ter sido membro do Língua de Trapo e aproveitando o gancho de que o Língua passara a ser odiado pelos "metaleiros" por conta da música que os satirizava e que ficou mega famosa no Festival da Rede Globo, de 1985, investi nessa prerrogativa e assim, meio que em tom de entrevista, falei sobre a questão, e dei palavra ao "Luiz", para explicar o fato.
Aproveitei e alfinetei a "intelligentzia" ou falta de, como queiram que execrava o Língua indevidamente e demonstrei o meu orgulho de ter sido membro da banda etc etc. Claro, expus meus motivos por ter preferido ficar na Chave, por conta de minha fé no Rock etc e tal e o que era verdade.

No box sobre Rádio, falei sobre programas que fizemos como Rock Corsário; Balancê (ali éramos "clientes"de longa data...); Disque-Rock, e falamos sobre a nossa experiência em termos sido executados e elogiados no Rádio Amador, da Rita Lee na 89 FM.
Claro que exploramos o fato dela nos ter comparado ao Bad Company...

Sobre revistas, falamos do Poster da Som Três, um acontecimento importante para nós nas bancas de jornais. Além de citarmos matérias em revistas como Roll; Metal, e Rock Passion.

Um anúncio assegurava que uma cópia oficial do show realizado no Ginásio do Palmeiras em maio, seria vendida pela "Galeria Produções Artísticas", conforme os empresários em questão haviam nos dito. O telefone do escritório foi anunciado para os membros do Fã Clube obterem informações, mas isso nunca ocorreu.

Somente em 1992, recebi através do Paulo Thomaz, baterista do Centúrias em 1986, uma cópia não editada, e toda fragmentada de um copião de duas câmeras. Mesmo com qualidade ruim e sem edição adequada, pretendo disponibilizar isso um dia no You Tube, e só não o fiz ainda por falta de recursos técnicos para tal, mas pelo menos já digitalizei o material, salvando-o da degradação inevitável de uma fita VHS.

Outro anúncio curioso, mas sintomático, apesar do ótimo momento que vivíamos, o Zé Luis anunciou aulas de bateria. Sintomático  no sentido de que já recebia pressões familiares por resultados monetários mais lineares. Eu só entraria nesse mesmo destino, um ano depois, quando a banda estava em crise profunda, e o meu cinto pessoal apertou...


Continua...

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