quinta-feira, 18 de junho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 296 - Por Luiz Domingues


Como comecei a contar alguns capítulos atrás, havíamos sido abordados por um grupo de empresários interessados em contratar uma banda de Rock para fazer parte de seu cast.

Na primeira conversação, haviam alegado ter chegado até nós motivados por uma "pesquisa" de mercado, de onde haviam se convencido de que éramos "a banda mais promissora a ser trabalhada", e portanto, queriam a nossa contratação.


Que pesquisa ? Quais critérios foram usados ? Que outras bandas entraram num comparativo conosco ? O que realmente dimensionavam que poderíamos alcançar numa eventual ascensão ao mercado mainstream ? 

E indo além, nossa dúvida óbvia, era sobre o próprio poder de fogo deles...quem eram, quais eram os seus contatos ?

Boa parte da confiança prévia no projeto ocorreu quando nos foi informado o nome de um dos donos do escritório, e que aliás, dava título à empresa : Miguel Vacaro Netto. 


Radialista famoso nas décadas de sessenta e setenta, tinha um histórico de contribuição à radiodifusão da música pop em geral, incluso o Rock, através de seu programa que promovia não só execução das canções, mas também entrevistas com artistas emergentes, e algumas brincadeiras com artistas e ouvintes, como por exemplo o jogo de palavras que ele popularizou, chamado "Não Diga, não", onde mediante um cronômetro, o participante tinha que conversar com ele, Miguel, numa conversação de improviso proposta pelo radialista, e onde a regra era não dizer sob hipótese alguma as palavras "Não", "Não é" ou "Né" . 

Ganhava um brinde quem conseguisse cumprir tal tarefa num espaço de 90 segundos, ou o participante que conseguisse a melhor marca de cronômetro, pois dificilmente um participante conseguia chegar ao final da prova sem ser traído pelo maneirismo de incluir negativas em tudo o que falamos... 

De fato, Miguel Vacaro Netto levou muita gente boa ao seu programa, por anos a fio, e muitos desconhecidos que posteriormente ficaram mega famosos, caso do Mutantes, por exemplo.

Já na década de setenta, Miguel foi para a TV, onde comandou programas musicais e se tornou executivo da gravadora RGE, um braço da Som Livre (da Rede Globo), e lá criou um selo chamado "Top Tape", onde lançou muitos artistas mais próximos do mundo pop radiofônico, incluso aquela leva de artistas brasileiros que usavam pseudônimos americanizados, e que cantavam pop music em inglês, caso de Fábio Junior, por exemplo, que era conhecido como "Marc Davis".


Além disso tudo, criou uma empresa para vender discos barateados, numa espécie de sistema de clube, nos moldes do "Clube do Livro", com sistema de vendas semelhante à de empresas de cosméticos, ou seja, num esquema de trabalho de porta em porta com de vendas sob encomenda por catálogo, como procedia a Avon, por exemplo.

Quando nos foi falado que o nome "Studio V" era por conta de uma dos programas que ele teve com sucesso no mundo radiofônico, ficamos bem animados, pois ele era sem dúvida um comunicador e empresário de sucesso, portanto, tinha bastante credibilidade.


Sendo assim, o "V" era de Vacaro, e não o número "5 (cinco)" em algarismo romano, como muitas pessoas interpretavam.

Mas até descobrirmos que o Miguel era o "Big Boss", demorou um pouco, por conta dos contatos iniciais terem sido feitos sob um véu de mistério, e por outras pessoas, no caso, por intermédio de um casal que se apresentou como empresários associados, mas só depois descobrirmos serem sócios do Miguel.

E na verdade, só bem depois descobrimos serem associados em outros termos, pois toda a estrutura física do estúdio / escritório, na verdade, era mesmo do Miguel.

Antes de avançar no relato, deixo o link de uma sintética biografia que achei sobre o Miguel, no site do Milton Neves :

http://siteold.terceirotempo.com.br/quefimlevou/qfl/sobre/miguel-vaccaro-netto-3363.html



Continua...

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