sábado, 20 de junho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 321 - Por Luiz Domingues


Superada essa barreira idiotizada de adolescentes abduzidas por marketeiros/formadores de opinião, entramos enfim no recinto. 

Produtores do programa nos conduziram ao camarim, e ali tivemos a constatação de que o tratamento era completamente diferenciado entre os chicanitos fakes, e as bandas "de verdade"...

Todas as bandas ficaram juntas num camarim simples, apenas com água disponível para todos. 


Somente ali descobrimos quem seriam os outros participantes convidados. Uma das bandas era o Hanoi-Hanoi, banda Pop, que fez pequeno sucesso mainstream naquela década. 

                      O Hanoi-Hanoi


Era a banda do Arnaldo Brandão, ex-baixista da Bolha, grande banda de Rock setentista, além de ter sido baixista da banda de apoio de Caetano Veloso no final dos anos setenta. Tremendo baixista que eu admirava por essa ficha pregressa, mas o Hanoi-Hanoi não me despertava nenhuma motivação, contudo, pois parecia uma banda formada de ocasião, para aproveitar o modismo do BR-Rock oitentista, e era isso mesmo, ipisis litteris.

Conversamos pouco, mais na base dos cumprimentos, e uma ou outra brincadeira sobre a "grande" atração do programa, os indefectíveis menudos, aqueles fantoches chicanos, manipulados por marketeiros.

A outra banda era quase no nosso patamar em termos de status, mas dali em diante daria um salto vertiginoso, destacando-se do underground, e chegando ao mainstream. 


Em conversa ainda permeada pela humildade, um rapaz louro, com forte sotaque gaúcho, nos apresentou seus companheiros. O nome da banda nos soou exótico, e na hora, a minha impressão pessoal era de que se tratava de uma banda satírica, devido ao nome : "Engenheiros do Hawaí". 

Engenheiros do Hawaí em seus primórdios, e na formação que dividiu o camarim conosco no Anhembi

O rapaz era o então desconhecido Humberto Gessinger, que devo admitir, era comunicativo e humilde, apesar de que na época, não haveria mesmo motivo para nenhuma demonstração de soberba, pois a banda era só emergente na ocasião. Mas sinceramente, pelo que pude detectar ali, o rapaz era sincero e não demonstrava nenhuma afetação, e torço para que no trato pessoal ele tenha mantido tal postura, quando a banda alcançou o mainstream, pouco tempo depois.

Foram chamados ao palco, e voltaram rindo muito da histeria com a qual lidaram, mas segundo contaram-nos, o frenesi era por causa dos chicanos, e isso até os divertira.

A Chave do Sol no camarim do Teatro Mambembe, em julho de 1986. Da esquerda para a direita : Rubens (de costas); Beto, Eliane Daic (nossa produtora), eu, Luiz Domingues, e um rapaz desconhecido (de costas)

Continua...  

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