terça-feira, 9 de junho de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 96 - Por Luiz Domingues

Quando chamaram o "Tiroteio" para tocar, chovia bem leve, mas o campo estava um horror, como já disse várias vezes. É claro que nada mudaria em poucos minutos, e de fato, quando fomos tocar, o panorama era idêntico. Fizemos o nosso show sob uma chuva bem leve, mas com quase ninguém disposto a enfrentar o barro. A iluminação beirava o ridículo, com duas tímidas torres, com poucos spots de 500, em cada uma, e sendo operada por um sonolento iluminador, certamente com noção de mapa de luz, baseada em árvores de natal.

Ninguém na festa parecia saber que estávamos lançando um disco, e nessa altura, estávamos só cumprindo tabela, resignados com a festa muito equivocada, e plena de anticlímax. O show foi na verdade, um ensaio a céu aberto, numa "barraca de pastéis", e iluminado por árvores de natal. Não lembro-me de ver mais de 50 pessoas dispostas a assistir naquele campo escuro, enlameado, e sob chuva, mesmo leve.
Mas, era o Pitbulls on Crack... e dentro de suas características normais, tocamos e divertimo-nos, mesmo sob tais condições ruins, e claro, fazendo piadas sobre a noite tenebrosa...
Quando voltamos à casa que servia-nos como camarim, tivemos a surpresa de que uma outra banda internacional estava ali e comendo o nosso lanche....
Sinceramente não lembro-me do nome da banda, mas lembro-me tratar-se da nova banda de um ex-baixista dos Ramones (Dee Dee Ramone), e os gringos estavam no Brasil fazendo shows no circuito underground. Alguém levou-os à festa e claro, naquela zona que estava generalizada, claro que foram convidados a tocar na barraca de pastel, digo, palco...
Estava uma certa bajulação em cima deles, mas de minha parte, parecia a cereja no bolo de fel, cuja receita estava lotada de ingredientes indigestos, que fora-nos servido. Mais uma bandinha punk irrelevante, a destruir o "Pitstock"... já aproximava-se da meia noite quando resolvemos ir embora. Os australianos do "Honey Island" ainda nem haviam desembarcado em Cumbica. O marqueteiro estava resignado com a ausência deles, e dizia estar disposto a anunciar o cancelamento de seu show. Mas nessa altura, anunciar isso naquele palquinho triste, não faria a menor diferença. Aliás, o público debandava, cansado de abrigar-se da chuva, e da festa entediante.
Depois que fomos embora, soubemos que os sujeitos acabaram chegando, mas sem delírio de helicóptero, foram de van mesmo, e chegaram ao sítio, por volta das 4:00 h. da manhã. A festa acabara, praticamente, com gatos pingados e bêbados sendo expulsos pelos seguranças. Claro que não tocaram e convenhamos, ainda bem...
Assim foi o "Pitstock", uma ideia muito legal, mas que desvirtuou-se completamente. O saldo positivo para a banda, ficou por conta da propaganda elaborada pela Web Designer, Marina Yoshie, com o suporte à lata promocional.
Claro, a matéria de destaque na Folha de São Paulo; a reportagem da MTV; a resenha na revista Rock Brigade, matérias no Estadão e no caderno Folhateen, da Folha de São Paulo; e a citação no Vídeo Show da Rede Globo, foram os nossos maiores êxitos nessa empreitada. A festa em si, foi uma sucessão de erros, lamentavelmente.
Indo além, hoje enxergo esse evento como o "canto do cisne" do Pitbulls on Crack. Era a última esperança em dar um salto na sua carreira, e pleitear assim um lugar melhor no mercado musical. No ano de 1997, o Pitbulls on Crack teria alguns poucos momentos felizes, mas sem dúvida, o último impulso significativo na carreira da banda, tinha ocorrido com a questão do lançamento desse CD, e principalmente a criação do aparato todo de divulgação. O "Pitstock" foi portanto, a última esperança, e a julgar pelo seu deprimente resultado, tal energia criativa esvaíra-se pelo ralo...
Realizou-se no dia 13 de dezembro de 1996, e a festa recebeu cerca de mil pessoas, somente...

Continua...

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