segunda-feira, 8 de junho de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 88 - Por Luiz Domingues

Bem, a festa passou a degringolar nesse ponto, e paulatinamente foram aumentando as restrições às nossas ideias que eram temáticas. Num dado instante, chegou a ficar ridículo para nós, pois era evidente que tornáramo-nos um mero coadjuvante em nosso próprio show de lançamento. Toda a "badalação" estava concentrada na banda internacional que trariam para o evento, para ser headliner.

Tal banda chamava-se "Honey Island" (quem ??), e que seria uma dissidência do "famoso" "Spy  vs. Spy", uma obscura banda australiana de Surf Music. Segundo o Alexandre e seus amigos, era uma banda ideal para o evento, por conta do público habitue de suas festas, adorá-la...
Muitas vezes, fenômenos assim acontecem no mundo da música.
Artistas com nenhuma visibilidade midiática, surpreendem por ter público numeroso. Nos anos setenta, um artista brega chamado Amado Baptista, vendia milhões de discos, e não aparecia na TV e mal tocava nas estações populares de Rádio AM, contudo, tinha uma agenda lotadíssima de shows. Isso aconteceria com o "Honey Island" ?? Segundo os organizadores do "nosso" show de lançamento, seria a solução para atrair um grande público.
Ora, se recordarmos a narrativa, mencionei o fato de que eu e o Deca fomos ao tal sítio, previamente para avaliar a organização. A grande atração da festa era uma banda cover, de um artista hermético como Frank Zappa !! Se nessas circunstâncias a festa levara algo em torno de 12 mil pessoas, qual seria o temor ?
Parecia-nos uma desculpa esfarrapada dos elementos, e começamos a achar que se dependesse deles, só faltava tirarem-nos do evento...
Mas às vésperas do espetáculo, algo ainda pior aconteceria...
Por pressão da gravadora, uma recém contratada banda estava sendo "encaixada" à nossa revelia na festa.
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Era uma banda chamada "Tiroteio", que praticava um som na onda dos "Virgulóides", banda que estava estourando no mainstream naquele momento. O grande trunfo que o Tiroteio tinha, era o fato de seu líder, um rapaz chamado Sérgio "Boneca", ter tido uma música sua gravada pelos Titãs, e estes, assumidamente "apadrinharem-no" artisticamente. Nem é preciso dizer, a aposta da gravadora, era que esse "Tiroteio" abocanhasse uma fatia do mercado, roubando público dos Virgulóides. A estética do trabalho deles, era uma espécie de continuação da saga iniciada pelos Raimundos, misturando Punk-Rock a ritmos brasileiros, no caso do "Tiroteio", o "Sambão Joia"...
Em suma, um bando de sujeitos de bermudas; cheio das malandragens de periferia; com a ruindade musical suprema do Punk Rock na ponta da língua; e uma tentativa de assassinato do Samba em mãos. Conheci os rapazes e pessoalmente eram gente boa, mas as ideias deles, abomináveis. Incluir tal banda, com sua tosquice e proposta estética, foi mais um duro golpe para o nosso show de lançamento.

Continua...

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