segunda-feira, 8 de junho de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 89 - Por Luiz Domingues


              No Olympia, em outubro de 1996. Click de Marcelo Rossi

As latas estavam prontas para a distribuição nas lojas. Esse quesito era fundamental, e uma das coisas que mais animava-nos em estar numa gravadora de médio porte, pois sabíamos que o quesito "distribuição" era um gargalo histórico a atravancar a vida do artista independente.

E de fato, tivemos uma ótima noticia nessa área, ainda antes do show de lançamento. Segundo o marqueteiro da gravadora, o departamento comercial sinalizara que havia anotado um grande pedido de uma loja de departamentos muito famosa em São Paulo, chamada "Mappin". Com isso, já sabíamos de antemão que a nossa lata estaria exposta num grande magazine popular, saindo daquele mundinho restrito das lojas especializadas da Galeria do Rock, e digo isso sem menosprezo algum a tais lojas, mas apenas salientando que era raro para nós, estarmos em lojas populares e com o advento da lata, obviamente isso seria possível, chamando muito mais a atenção. Aliás, a lata tornou-se um estouro pelo chamariz natural que arregimentou, todavia, também gerou controvérsia em algumas lojas menores. 
Alegando ser "espalhafatosa", alguns donos de lojas pequenas não achavam lugar nos seus tímidos balcões para expô-las, e alguns tiraram-na da vista dos clientes, colocando o CD, isoladamente na prateleira, onde era apenas mais um item em meio a outras centenas de opções. Lembro-me de ir a uma unidade do Mappin, no bairro do Itaim-Bibi (e essa loja tinha o porte de um Shopping, na Rua João Cachoeira, esquina com a Av. Juscelino Kubitscheck). 
Confesso, fiquei orgulhoso de ver a maneira com a qual os funcionários empilharam as latas e de fato, chamavam muito a atenção no departamento de CD's do magazine. Uma pena apenas, que o Pitbulls on Crack não era popular o suficiente. Pelo contrário, como underground e dentro de um nicho fechado, o fato da lata chamar a atenção, esbarrava nessa realidade de nosso tímido status. 
Esse aparato mercadológico, se a favor de uma banda mainstream, seria um estouro, sem dúvida alguma. Tanto era assim, que o próprio Ivan Lins elogiou muito essa criação e produção do marqueteiro da gravadora. Felizes com essa notícia da lata estar no Mappin, não podíamos falar o mesmo em relação à organização de nosso show de lançamento. Nessa altura, às vésperas, todo o enfoque era para o tal de "Honey Island", tratado por eles como a salvação do evento...
Lembro-me de muitas vezes, quando questionávamos os rumos que a produção do show estava adotando, o marqueteiro respondia que estava preocupado com o sucesso da festa e daí, sua aposta na banda australiana parecia a coisa mais certa a ser feita, em sua opinião. Uma falácia, pois como já disse, quando eu e Deca fomos inspecionar uma dessas festas organizadas pelos seus amigos, a grande atração da noite, era uma banda cover do Frank Zappa, ou seja, tinham medo do que, se a atração musical não era o grande chamariz do evento ?  Essa resposta eu nunca obtive, claramente...
mas em contrapartida, aproximava-se o show...


Continua...

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