segunda-feira, 8 de junho de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 83 - Por Luiz Domingues

Mesmo diante de certos sinais de dubiedade, é claro que estávamos contentes por ver o aparato materializando-se. E certamente que só a lata em si, já chamava bastante a atenção pelo seu porte. Quando acrescentávamos o invólucro impresso, todo concebido para imitar uma lata de sopas Campbell, evocando a Art-Pop de Andy Warhol, ficava sensacional, sem dúvida. E para completar, gostando ou não de um ou outro item, o fato da lata ficar abarrotada de bugigangas, era incrível. Chegamos a brincar entre nós, que a lata tinha tantos brindes, que inclusive tinha um CD do Pitbulls on Crack...

Era uma piada, mas a ironia cabia como uma luva para essa situação. Num dia, inclusive, o próprio Victor Martins contou-nos que seu sócio, Ivan Lins, estava boquiaberto com a ideia da lata e todo aquele monte de bugigangas, a preço zero, praticamente.
Ele admirou-se com a quantidade de coisas disponibilizadas como patrocínio, gerando um custo mínimo para a gravadora, e proporcionando assim um produto visualmente muito atrativo ao consumidor final, que chamaria a atenção nos displays e prateleiras de lojas de discos.
Pensando mercadologicamente, ainda vivíamos um tempo onde as pessoas compravam discos... e as lojas eram importantes nessa cadeia comercial, para qualquer artista. Mas, outro fator entrou também para a contabilidade da gravadora : para minimizar ainda mais os custos, a gravadora propôs que a montagem das latas fosse caseira. Se montadas em fábrica, além da confusão que seria administrar tantos brindes dentro da lata, custaria caro. Portanto, propondo à banda um mutirão de amigos e parentes, formaríamos turmas, como numa linha de produção de fábrica.
E para a sorte do Pitbulls on Crack, eu tinha em mãos o meu exército de Neo-Hippies, sempre prontos a ajudar, e convenhamos, seria uma farra ! Durante muitos dias, formamos equipes que passaram a trabalhar voluntariamente para montar tais latas. Nunca foi nada linear, mas chegamos a reunir uma turma de mais de dez voluntários num dia só, e era muito divertido, apesar de cansativo.
Continua...

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